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Validations sur patients volontaires

5.3 Validation expérimentale

5.3.2 Validations sur patients volontaires

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Givón (1993, 2001, 2005) define modalidade como a atitude do falante em relação à proposição e ao ouvinte. A modalidade epistêmica – considerada na análise dos dados desta dissertação – está relacionada com o julgamento da proposição em termos de verdade, probabilidade, certeza, crença ou evidência. É válido mencionar que Givón (2005) também reconhece a interação entre essa modalidade e a deôntica (desejo, intenção, obrigação, manipulação, poder etc.). Enfatizando as modalidades epistêmicas, observamos que, segundo Givón (1993, 2001, 2005), na pressuposição, o falante toma a atitude de quem garante que o ouvinte aceita a proposição como verdadeira sem contra-argumentar, seja por definição, seja por obviedade da situação comunicativa, seja por acordo ou por convenções socioculturais. Na asserção realis, o falante assevera que a proposição é tida como verdade; desse modo, mesmo que o ouvinte crie alguma objeção, o falante tem fortes argumentos para manter e defender sua firme crença. Na asserção irrealis, o falante já faz uma asseveração fraca em relação à proposição, considerando-a possível, provável ou incerta (epistêmica), ou requerida, desejável ou indesejável (deôntica); nesse caso, o falante não dispõe de fortes argumentos para defender sua crença, o que faz ser esperada a objeção por parte do ouvinte. Na negação, o falante assevera a proposição de modo firme. Alguma objeção por parte do falante é antecipada, mas o falante tem evidências ou bases firmes para defender sua crença.

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Julgamos que a variação do clítico das estruturas de-transitivas mediais sofre influência dos condicionamentos extralinguísticos (ou sociais) destacados abaixo:

I) Faixa etária

a) Faixa etária 1 (15 a 25 anos) b) Faixa etária 3 (50 anos em diante)

Conforme Naro (2003), em uma aldeia suíça, Gauchat realizou, no ano de 1905, o primeiro estudo estabelecendo a comparação entre a faixa etária dos falantes e o modo como se comportavam linguisticamente. O trabalho debruçava-se sobre a consoante lateral palatal / / e mostrou que os falantes mais jovens preferiram a variante inovadora /y/, enquanto o público mais velho optou pela forma conservadora / /. A faixa intermediária utilizava indistintamente as formas, sem a predominância de uma ou outra. Labov (1972) também realizou estudos fonético-fonológicos em Nova York, Martha‟s Vineyard e Massachussets, comprovando a tendência verificada por Gauchat.

Mais recentemente, alguns estudos (NUNES, 1995; TAVARES, 2003) também mostram a relevância da faixa etária em pesquisas sociolinguísticas e também constatam que o público jovem tende a liderar um processo de variação ou mudança, quando comparado aos falantes mais velhos.

Assim como foi destacado anteriormente, por meio da análise do comportamento linguístico de falantes de faixas etárias distintas, podemos realizar um estudo de mudança aparente, através do qual observamos se um fenômeno apenas sofre variação (coexistência de variantes) ou perfila uma mudança no sistema (enaltecimento de uma variante e desaparecimento de outra). Todavia, é importante salientarmos que somente essa variável não é suficiente para explicar a mudança, pois outros fatores sociais podem exercer influência.

Diante do exposto, relacionamos, nesta pesquisa, a variável dependente – apresentada acima – com duas faixas do corpus NORPORFOR: 1 – 15 a 25 anos e 3 – 50 anos em diante. Por meio delas, hipotetizamos que os mais jovens – em virtude da constante necessidade de inovação linguística e de flexibilidade adaptativa aos diversos contextos comunicativos dos quais participam – optam pelo apagamento do clítico medial e os mais velhos – mais influenciados pela educação e pelas regras conservadoras – preferem a sua manutenção.

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II) Escolaridade

a) 0 a 4 anos b) 5 a 8 anos c) 9 a 11 anos

Em diversos estudos variacionistas, observamos que a escolaridade tem exercido uma forte influência sobre o modo como se comporta o falante diante de determinados fenômenos de sua língua vernácula. Dessa forma, os indivíduos com alto nível de escolaridade tendem a planejar melhor sua fala, obedecendo às regras determinadas pela norma padrão, enquanto os de baixo nível tendem a empregar – com mais frequência – a variante estigmatizada ou não-padrão (LABOV, 1966, 2001).

Reconhecendo a importância dessa variável social em um estudo sociolinguístico, relacionamo-la ao fenômeno sobre o qual nos debruçamos ao longo deste trabalho. Para tanto, selecionamos os três níveis de escolaridade do NORPORFOR: I – 0 a 4 anos; II – 5 a 8 anos; III – 9 a 11 anos, a fim de verificarmos a nossa hipótese de que os mais escolarizados – por influência do ensino baseado nos ditames da norma padrão45 – tendem a manter o clítico medial, enquanto os menos escolarizados – pela falta de contínuo contato com os padrões canonicamente cultos de estruturação linguística – têm predileção pelo seu apagamento.

III) Sexo

a)Feminino

b) Masculino

Em relação ao fator social sexo, é importante destacarmos as contribuições de Chambers e Trudgill (1980), segundo as quais, em um processo de variação ou mudança, as mulheres tendem a empregar mais frequentemente as formas socialmente prestigiadas, enquanto os homens tendem a implementar formas estigmatizadas ou desprivilegiadas. A

45 Em relação aos termos norma culta e norma padrão, é interessante salientarmos que há pesquisadores que os

diferenciam, a exemplo de Faraco (2008). Segundo esse autor, “a expressão norma culta/comum/standard [...] designa o conjunto de fenômenos linguísticos que ocorrem habitualmente no uso de falantes letrados em situações mais monitorados de fala e escrita. Esse vínculo com os usos mais monitorados e com as práticas da cultura escrita leva os falantes a lhe atribuir um valor social positivo, a recobri-la com uma capa de prestígio social.” (FARACO, 2008, p. 73). A norma padrão, por sua vez, corresponde ao que é prescrito implicando juízos de valor nas gramáticas normativas; é a norma que foi artificialmente construída no século XIX. Procuramos seguir essas mesmas concepções nesta pesquisa.

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hipótese de Trudgill (1974) para justificar tais diferenças linguísticas se baseia no fato de que a língua está vinculada às atitudes sociais e, tendo em vista a imposição de papéis distintos a homens e mulheres, estes acabam assumindo, também no âmbito comunicativo, comportamentos divergentes. Paiva (2003) também concorda com este posicionamento, alegando que a utilização variável de estruturas padrão ou não-padrão está associada ao sexo e à própria conceitualização das funções masculino e feminino.

Apesar de partilharmos a ideia de as mulheres não liderarem o processo de variação de uso da forma inovadora, não estamos totalmente de acordo com as justificativas apresentadas pelos autores citados, tendo em vista a atual configuração social que reduz bastante a distinção de papéis entre os representantes dos sexos masculino e feminino.

Monteiro (1994) também constata que as mulheres tendem a empregar as formas que mais se aproximam do que se chama “padrão linguístico correto”, apesar de pesquisas evidenciarem o comando do sexo feminino nos fenômenos de variação ou mudança. Neste último caso, Menon (2006) afirma que, conforme mostra a literatura da área, as mulheres só ficam à frente em tais processos quando um determinado item é mais prestigiado ou não sofre restrições de valoração social.

De todo modo, com base em Labov (2003), hipotetizamos que, conforme a classe social, as mulheres são mais sensíveis à correção e tendem a empregar formas de prestígio mais do que os homens, por conta da educação mais conservadora e da necessidade de auto- afirmação nas diversas esferas sociais nas quais atuam os homens. Sendo assim, reconhecendo que a forma com o clítico é mais valorizada do que sem o clítico, cremos que as mulheres tendem a manter mais os clíticos mediais do que os homens.