CHAPITRE II : Complexation du protactinium par l’acide
II.2 Etude thermodynamique
II.2.3 Validation de la charge par EC-ICP-MS
Denise Gomes: Com base na coleção em que se inspirou na arquitetura, a relação entre esta e a
moda é algo que esteve sempre presente ao longo do seu trabalho? È uma constante influencia? A que níveis?
Luís Buchinho: Eu acho que de uma certa maneira sim. Não em todas as coleções, mas
nalgumas acho que se notou muito esse rigor e essa procura de formas que se aproximassem mais a formas arquitectónicas. Nesta coleção talvez tenha atingido um expoente máximo na medida que eu acompanhei o processo de concepção da minha loja da foz, feita através do Armando Ferraz, e mais do que nunca compreendi a relação entre, que se pode fazer. Por exemplo para criar dentro de um espaço ilusões de maior profundidade... por exemplo de alongamentos de espaço, criar com uso de materiais, cor e de algumas formas, e de alguns objetos que se possam colocar dentro de um espaço, toda uma noção de perspectiva, que é uma perspectiva errada, e tentar transmitir um pouco esse conceito também para a silhueta feminina, obviamente, com uma metodologia completamente diferente, mas em que a valorização em vez de ser do espaço e em aquilo que se pode tornar, é um espaço com a intervenção que se tem dentro dele, a intervenção dentro de um corpo feminino para criar ilusões de maior elegância. Também um pouco pela escolha de cores e de materiais que se aproximaram um pouco mais, aos materiais de construção propriamente ditos, no meu caso, á madeira, ao cobre e alguns elementos como o vidro e como o espelho, que foram um pouco também transmitidos tanto na minha coleção principal como na minha coleção inverno, através do uso de materiais mais estruturados que se aproximam um pouco á rigidez e aquele que esta mais inerente a um conceito de construção, e também a uma paleta de cores que reflete completamente o aspeto gráfico, o aspecto visual desses mesmos materiais.
DG: De um modo geral, acha que a arquitetura é uma forte presença no panorama atual da
moda? Se sim, em que medida?
LB: Não, não acho. Acho que a moda esta um pouco emprenhada dentro do seu próprio meio
acho que o retro, dentro de um ambiente de vestuário está mais presente na moda do que propriamente um conceito ligado á arquitetura. Acho que a moda esta mais virada para o seu umbigo.
DG: No cenário atual, a “imagem” é a palavra de ordem. Considera que a arquitetura é uma
LB: Completamente, porque os espaços são um espelho de tudo daquilo que uma coleção quer
transmitir e ao fazer um espaço á imagem da coleção, pensamos em elementos que andam de mãos dadas em ambos os campos, é um reforço muito grande daquilo que a marca procura transmitir em termos de identidade, e identidade é o que um marca hoje em dia tem que ter, é isto que reforça a imagem da própria marca e sem isso, uma marca hoje em dia não é nada.
DG: No seguimento da pergunta anterior, a publicidade é considerada uma “arma” fundamental
para a produção de moda. Admite que esta possa ser o único, ou o mais importante, elo de ligação com a arquitetura? Se não, quais outros?
LB: Eu acho que depende um pouco das abordagens. Acho que a arquitetura serve também em
termos de publicidade para fazer... Uma marca hoje em dia tem que gritar muito alto e há muitas maneiras dessa mensagem ser ouvida e sem duvida por exemplo... vamos imaginar toda a divulgação em termos de publicidade que é feita por exemplo de lojas que são assinadas por arquitetos famosos que estão a trabalhar em conjunto com marcas famosas e isso faz com que haja uma forte noticia e um falatório enorme acerca das marcas, portanto sem duvida que é uma ferramenta essencial.
DG: Tendo já duas lojas abertas, pensa que a arquitetura, teve um papel importante na
afirmação da sua marca?
LB: Completamente, sim...e aposta tudo na mesma, sem duvida.
DG: Ao longo da história, tanto a moda como arquitetura foram formas do Homem expressar
valores e ideias, ao mesmo tempo que desenvolve a proteção do corpo, por meio de conceitos formais, estéticos e espaciais. Influenciados e influenciando o contexto social, político, cultural e económico. Pensa no tipo de influencia que o seu trabalho pode ter junto às “massas”?
LB: Pode... acho que pode revolucionar muita mentalidade principalmente para um designer
que trabalha em Portugal, com uma loja em Portugal. Acho que nos temos uma linguagem mesmo muito própria que tem sido muito pouco explorada ao longo dos anos, e acho que discursos em que a moda e arquitetura se unem são sem duvida afirmativos, são de interesse sociológico para o próprio pais, sem duvida.
DG: Tanto na arquitetura como na moda, existem bons e maus exemplos. Em que medida a
LB: Quando é feito um projeto de arquitetura que não corresponde à imagem que a marca tem,
e isso é algo que confunde o cliente final, confunde a imprensa toda a comunicação feita a volta do mesmo, porque basicamente não bate uma coisa com a outra.
Quando é por exemplo feito,... vamos imaginar um projeto onde não há uma espécie de conceito inerente, não há um diálogo, entre quem esta a fazer o projeto e quem está a querer o projeto e cada uma pessoa hipoteticamente... eu acho que isso nunca acontece, mas que cada pessoa trabalharia por si, e acho que ai o resultado poderia ser desastroso.
DG: Dentro de algumas pesquisas que tenho feito houve uma frase que me chamou à atenção:
“Criam-se espaços onde são representados estilos de vida” Luísa Maria Dias Pereira. Considera que a moda e arquitetura são formas de vender estilos de vida?
LB: Completamente, sim. Acho que é uma afirmação do status uma afirmação da pessoa
enquanto “eu”, seja lá qual seja , qual for o “eu” de cada um, sem duvida, isso é indiscutível.
DG: Tendo como objectivo, tanto a moda como a arquitetura responder as demandas impostas
pela sociedade. Pensa que a arquitetura pode ser uma forma de levar a moda para o espaço publico, chegando mais facilmente a todos?
LB: Sim, sem duvida.