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Comparaison des structures Pa avec celles des autres actinides

CHAPITRE II : Complexation du protactinium par l’acide

II.2 Etude thermodynamique

II.3.3 Comparaison des structures Pa avec celles des autres actinides

Estilista Português

Denise Gomes: Tendo começado os seus estudos superiores no campo da arquitetura, pensa

que, a relação entre esta e a moda, é algo que vai estar sempre presente ao longo do seu trabalho? É uma constante influencia? A que níveis?

José António Tenente: Creio que o que pode ter permanecido e acompanhado desde a minha

formação inicial em arquitetura, é o método de trabalho: o desenho. Desenhar muito em papel de esquiço, com variações de detalhes, volumes e proporções antes de passar à prática. Trabalho muito mais sobre o papel do que, por exemplo, com os materiais em volta do corpo. É claro que a materialização e experimentação são importantes, mas de um modo geral, gosto de partir para a concretização com tudo o mais definido possível. De facto, em arquitetura muitas vezes uma ideia não passa da fase de projeto e daí o papel fundamental do desenho. Na moda, no entanto, dependendo da maior ou menor complexidade da peça, é muito mais fácil produzir um protótipo ou teste.

E como influência ou inspiração a arquitetura será uma constante para mim. Nem sei se de uma forma consciente, mas a verdade é que é uma disciplina que me interessa sempre muito e cujas imagens me estimulam. Nem sempre numa relação direta com o meu trabalho, mas como referente estético.

DG: De um modo geral, acha que a arquitetura é uma forte presença no panorama atual da

moda? Se sim, em que medida?

JAT: O panorama da moda atualmente é tão vasto e plural que há lugar para todas as

influências. Os autores, criadores, designers são permeáveis a várias influências e a transdisciplinaridade é hoje um ‘dado adquirido’. Podemos ver coleções inspiradas na obra de um arquiteto, do mesmo modo que numa pintura, época histórica ou personagem da literatura. Ou num particular estilo arquitectónico, ou simplesmente numa forma ou volume de um projeto.

Mas talvez o primeiro plano onde até se possa notar essa maior presença, seja precisamente nos próprios espaços das marcas. São inúmeras as marcas que recorrem aos mais prestigiados e influentes ateliers de arquitetura, para os desenhos das suas lojas e ateliers, ou até a um nível ainda mais especial, aos cenários para a apresentação das coleções.

DG: No cenário atual, a “imagem” é a palavra de ordem. Considera que a arquitetura é uma

JAT: Decorrente da resposta anterior, penso que é fácil admitir a enorme importância e impacto

que a arquitetura pode ter na afirmação de uma marca e da implantação da sua imagem.

DG: No seguimento da pergunta anterior, a publicidade é considerada uma “arma” fundamental

para a produção de moda. Admite que esta possa ser o único, ou o mais importante, elo de ligação com a arquitetura? Se não, quais outros?

JAT: Confesso que não estou a perceber bem esta pergunta.... A publicidade como ligação da

moda à arquitetura?! A arquitetura e a produção de moda?? Desculpe mas não estou mesmo a ver qual é a questão....

DG: Tendo já uma loja aberta, pensa que a arquitetura, teve um papel importante na afirmação

da sua marca?

JAT: Penso que a imagem de uma loja tem sempre que ver com o universo da marca. Já tivemos

vários espaços, ou mesmo intervenções maiores ou menores no mesmo espaço, e em todas elas se refletiu de algum modo o que a marca pretendeu fazer passar como imagem na altura.

DG: Ao longo da história, tanto a moda como arquitetura foram formas do Homem expressar

valores e ideias, ao mesmo tempo que desenvolve a proteção do corpo, por meio de conceitos formais, estéticos e espaciais. Influenciados e influenciando o contexto social, político, cultural e económico. Pensa no tipo de influencia que o seu trabalho pode ter junto ás “massas”?

JAT: Na verdade não ☺ A esse nível funciono mais à escala ‘micro’ do individuo. Mais no plano

da emoção, no modo como as pessoas se relacionam com determinada peça ou peças, numa altura específica das suas vidas. Gosto da identificação do público com o meu trabalho e da apropriação que faz na utilização. Mas não penso muito nisso quando estou a trabalhar, confesso. Daí também não ter quaisquer pretensões de ‘influenciar massas’. Na verdade, não me dedico a elas. O meu projeto nunca teve essa direção.

DG: Tanto na arquitetura como na moda, existem bons e maus exemplos. Em que medida a

parceria moda/ arquitetura poderia ser prejudicial, tornar-se num mau exemplo?

JAT: As parcerias entre quaisquer áreas são sempre más quando não existe na verdade

convergência e comunhão de interesses. Quando uma se sobrepõe à outra aniquilando-a, ou quando não consegue enaltecer as qualidades da outra.

Por exemplo, uma loja com um desenho demasiado afirmativo que não deixa a roupa ‘respirar’, ou um cenário demasiado impositivo para uma apresentação de coleção. Para mim o importante é que se perceba o objectivo daquele trabalho e daquela parceria, que caminhem na mesma

direção... e até pode ser por contraste, mas que faça sentido, que não seja gratuito, que não seja apenas uma sucessão de efeitos.

DG: Dentro de algumas pesquisas que tenho feito houve uma frase que me chamou à atenção:

“Criam-se espaços onde são representados estilos de vida” Luísa Maria Dias Pereira. Considera que a moda e arquitetura são formas de vender estilos de vida?

JAT: São com certeza formas de afirmar um estilo de vida... Somos um conjunto de coisas, entre

as quais o que vestimos, o que temos em casa, a casa que habitamos... Para mim, obviamente que isso se deverá traduzir de um modo normal e natural, sem exageros nem ‘fachadas’. Na verdade, não somos o que temos, nem nos devemos obcecar com ambições materialistas, mas é normal que dentro do razoável, gostemos de nos rodear de coisas que têm que ver connosco e refletem a nossa personalidade. Infelizmente há muitas ‘derrapagens’ e o exibicionismo e novo-riquismo fazem muitos estragos...

DG: Tendo como objectivo, tanto a moda como a arquitetura responder as demandas impostas

pela sociedade. Pensa que a arquitetura pode ser uma forma de levar a moda para o espaço publico, chegando mais facilmente a todos?

JAT: A arquitetura influencia e condiciona as pessoas até mesmo quando não se dá por isso. Os

espaços, quer os que habitamos, quer os públicos, os vários equipamentos, tudo comunica connosco e com os outros a diferentes níveis e obrigando-nos a relacionarmo-nos com eles e também com os outros. A arquitetura pode, e é-o algumas vezes, um excelente veículo para comunicar a moda e levá-la para junto do público, em diferentes escalas, segundo os objectivos de cada projeto.