• Aucun résultat trouvé

Utilisation des compagnons dans les chaˆınes d’analyse syntaxique

Hoje em dia, a formação do professor reflexivo revela-se extremamente importante na medida em que lhe permite conhecer e procurar a resolução para as dificuldades que encontra na sua prática diária. Para que tal aconteça, é necessário pôr em prática os conhecimentos teóricos adquiridos durante o processo de formação, e, posteriormente, refletir sobre essa mesma prática (Fontana & Fávero, 2013).

Durante a PES, o futuro professor tem a oportunidade de recorrer a textos teóricos, tomar conhecimento das teorias utilizadas na sala de aula, contatar com a realidade das escolas e terá a oportunidade para aplicar certas teorias, adequá-las ao seu contexto e questionar-se sobre as suas ações. Contudo, todo este processo não é fácil nem retilíneo, obrigando a uma prática reflexiva, isto é, uma prática que, segundo Schön (1992), citado por Fontana e Fávero (2013), se divide em três ideias centrais: a reflexão na ação, que permite ao futuro professor o pensamento crítico sobre a sua atuação possibilitando elaborar novas estratégias de ação de forma a melhorar a sua prática nas próximas atuações; a reflexão sobre a ação que, através de uma análise em retrospetiva, permite ao professor analisar e perceber o que aconteceu e como geriu os imprevistos e a reflexão sobre a reflexão na ação que, por sua vez, permite ao professor refletir sobre ações passadas e desenvolver novos raciocínios, novas formas de pensar, de agir e de equacionar problemas. Assim, assente em tais ideias, a prática reflexiva permite ao futuro professor fazer experiências, cometer erros, refletir conscientemente sobre eles e arranjar novas soluções. Baseado em tais premissas, o professor reflexivo encontra no contexto de sala de aula, através da PES, o contexto ideal para conhecer a realidade que será o seu local de ação no futuro. Como tal, este é o momento e local adequados para pôr em prática as suas competências, testar os seus limites, perceber o

seu papel, diagnosticar as suas maiores dificuldades, arranjar soluções e perceber qual o caminho a seguir no sentido de se tornar sempre um melhor profissional.

Ao longo PES tivemos oportunidade de tomar conhecimento de teorias aplicadas noutras salas de aula e a leitura de outros relatórios pôs-nos a par de realidades escolares que, mais tarde percebemos, nem sempre são semelhantes àquelas que conhecemos. Desde o início, foi-nos possível avaliar o contexto e a realidade escolar onde nos inseríamos, familiarizamo-nos com os alunos com quem trabalharíamos e com todo o corpo docente e não docente. Permitiu-nos também perceber a dinâmica na sala de aula, a relação entre alunos e entre alunos e professora. A nossa presença ao longo da PES revelou-se fundamental para a criação de laços com os alunos, pelo que a nossa presença na sala de aula se tornou, progressivamente, natural para as crianças.

A consciência para a importância do papel do professor reflexivo no contexto escolar atual permitiu-nos, logo à partida, perceber qual a problemática a desenvolver para este relatório final, a estabelecer objetivos e a atuar de forma a desenvolver uma prática pedagógica que fosse ao encontro dos meus objetivos e, ao mesmo tempo, respondesse às necessidades dos alunos.

Durante este percurso, foram elaborados planos de aula de acordo com os objetivos que os alunos deviam atingir, sem nunca esquecer a investigação que nos propúnhamos realizar em contexto da sala de aula. Contudo, apesar de planificar as aulas, foi durante os momentos em sala de aula, e posterior reflexão, que percebemos a importância de refletir sobre cada momento de ação, uma vez que é importante ter em conta, não só os objetivos pessoais, mas também as dificuldades dos alunos, a realidade da sala de aula e também, as nossas dificuldades. Além disso, os imprevistos podem acontecer e, como tal, todas estas realidades devem ser tidas em consideração no momento de pensar e planificar as aulas de forma a ter resposta imediata e eficaz em momentos que exigem do professor a capacidade de responder a situações imprevistas.

As aulas iniciais permitiram-nos perceber, imediatamente, alguns erros cometidos, o nosso papel na sala de aula, a eficácia da comunicação estabelecida entre nós e os alunos, bem como o cumprimento, ou não, dos objetivos. Além disso, a tomada de consciência das dificuldades dos alunos e das nossas, bem como o desenvolvimento de novas formas de pensar, de compreender, de agir e de equacionar problemas foi apenas possível devido aos períodos de reflexão. A nossa postura, enquanto professores reflexivos, permitiu-nos pensar sobre a nossa atuação, fazer novas experiências, cometer erros e reformular formas de agir. Só assim fomos capazes de perceber qual a melhor forma de agir em sala de aula que, embora longe de ser perfeita,

é certamente melhor do que a inicial e será ainda melhor no futuro, pois permitir-nos-á ter uma postura de constante reflexão, com o objetivo de aperfeiçoar a prática e responder sempre às necessidades dos alunos.

5.1. Aula de 18 de novembro de 2016 (Apêndice B)

Após a análise a esta aula, considero que o objetivo principal foi cumprido. Os alunos não demonstraram grandes dificuldades na realização das tarefas. Contudo, notei que alguns demonstraram alguma dificuldade em perceber o plural irregular quando lhes foi apresentado a palavra sheep. Para este efeito, expliquei aos alunos que em português, por vezes, isto também acontece, dando o exemplo da palavra “lápis”. Depois desta breve explicação senti que os alunos se sentiram mais confortáveis quando lhes foi pedido para realizarem os exercícios.

Um dos exercícios principais desta aula, que consistia em trabalhar a compreensão auditiva, foi conseguido. Os alunos facilmente realizaram o exercício de preenchimento de espaços livres, demonstrando-se bem-dispostos, trauteando a canção e mexendo-se nas cadeiras ao ritmo do som. O exercício final da aula (encontrar palavras numa sopa de letras e legendar as imagens), pensado de forma a proporcionar um final de aula mais relaxado também foi conseguido.

Planificar esta aula permitiu pensar nos objetivos que os alunos deviam atingir, nas capacidades linguísticas que queria que desenvolvessem, nas atividades adequadas para tal e as mais indicadas às caraterísticas desta turma. Além disso, uma vez que tinha a aula previamente planificada, em alguns momentos, foi possível observar os alunos na realização de alguns exercícios, sem ter de me preocupar com o exercício seguinte.

5.2. Aula de 24 de novembro de 2016 (Apêndice F)

Após a análise desta aula constatei que os alunos gostaram bastante de ouvir a canção. Alguns deles pediram para repeti-la novamente. O objetivo principal de trabalhar a capacidade de listening através do uso de uma canção foi conseguido. Os alunos facilmente realizaram o exercício, o que foi comprovado na altura de corrigir o exercício. Contudo, houve um ponto que falhou e que tem a ver com o tempo que foi dado aos alunos para o exercício final. Ao longo da realização do exercício notei que os alunos precisavam de mais tempo para formular as respostas. Esta situação aconteceu, porque o tempo despendido no exercício anterior acabou por ser maior do que o planeado.

De forma geral, podemos concluir que planificar as aulas é uma tarefa difícil e morosa mas, sem dúvida, crucial para o bom desempenho do professor. Ao longo das minhas intervenções, planificar as aulas foi uma das atividades onde senti mais dificuldade. Contudo, planificar permitiu-me pensar em aulas que correspondessem aos objetivos que pretendia, assim como me ajudou a solucionar pequenos problemas ou imprevistos que por vezes surgem na sala de aula e a adequar as atividades e os recursos à turma com que trabalhei.

Conclusão

O nosso percurso, enquanto professores principiantes ao longo da PES I e da PES II, permitiu-nos constatar uma realidade muito próxima daquela que será, futuramente, a nossa rotina diária. Ao longo do período de estágio, adotámos uma postura reflexiva, fundamental para a nossa formação, aprendizagem e evolução. Segundo Fontana e Fávero (2013), a sociedade e o mundo estão em constante inovação e mudança e para estar à altura de tais inovações é necessário que os profissionais de hoje se dotem de informação e preparação para fazer face às demandas atuais. O mesmo acontece com os professores, que devem ser capazes de fazer face às exigências atuais e a sua perfeição profissional dever-se-á muito à adoção de uma postura reflexiva que lhes permita questionarem-se constantemente de forma a melhorarem a sua atuação.

O período de estágio fez-nos perceber a importância do professor e o impacto que a sua atuação tem no meio escolar. De facto, o professor não é, nem pode limitar- se a ser um mero transmissor de conteúdos. Deve, acima de tudo, ser alguém que observa e age de acordo com as necessidades que se lhe apresentam. Sobre o papel ativo do professor, Alarcão (2005) refere que: “os professores têm de ser agentes ativos do seu próprio desenvolvimento e do funcionamento das escolas como organização ao serviço do grande projeto social que é a formação dos educandos.” (p. 177). Desta forma, o papel deste profissional não se reduz ao cumprimento meramente técnico de receitas ou à aplicação de teorias. Pelo contrário, o professor tem um papel ativo, porque intervém no espaço e no momento.

Durante a PES I e a PES II, foi-nos possível contactar com a realidade escolar, observar aulas, entender as dinâmicas da aula, recolher pontos positivos e menos positivos e os momentos de intervenções fizeram-nos entender a importância do professor no processo de ensino e aprendizagem, o meu lugar enquanto professora e a consciencialização daquilo que são as minhas fragilidades. Tal só foi possível devido à postura reflexiva adotada ao longo do período de estágio. No entanto, é importante

referir que refletir sobre a própria prática deve ser uma constante, acompanhando o professor ao longo da sua carreira pois conforme afirmam Fontana e Fávero (2013):

“[a] reflexão é fundamental na atuação cotidiana de qualquer professor, pois permite a inovação nas aulas, evitando a rotina. No entanto, não é apenas com a experiência que se aprende, mas por meio da reflexão sobre ela, podendo, dessa forma, avaliar a prática, adequando-a conforme for necessário.” (p. 13)

Globalmente, consideramos que a PES que nos foi proporcionada trouxe enriquecimentos óbvios, não só teóricos, mas acima de tudo de índole prática, que nos fez crescer do ponto de vista profissional e pessoal. Além disso, permitiu-nos olhar para o ato de ensinar de forma mais organizada, mais planeada, mas ao mesmo tempo com abertura para a flexibilidade, para a estruturação do ensino-aprendizagem, para uma abordagem critica à formulação de objetivos e de competências.

Acima de tudo, a PES possibilitou-nos construir e reconstruir momentos, que nem sempre foram fáceis, através dos quais aprendemos a ensinar, a partilhar, a interagir e a pensar no que é verdadeiramente ser professor.