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Utilisation d’actionneurs mobiles pour la couverture de

4.4 Couvrir

4.4.1 Utilisation d’actionneurs mobiles pour la couverture de

A criatividade é hoje uma qualidade amplamente reconhecida e necessária para que os indivíduos se tornem hábeis em buscar soluções adequadas para os desafios que se apresentam (ARANDA, 2009; BIANCHI, 2008), bem como, para que possam dar vazão à sua imaginação. Quando estimulada, especialmente por meio da arte (DUARTE, 2007, SARAIVA, 2009), permite ao sujeito expressar ou descobrir diferentes sentimentos e emoções de uma forma prazerosa, contribuindo, assim, com diversos contextos referentes aos aspectos subjetivos, permeados especialmente nos momentos destinados ao lazer e capazes de favorecer as bases qualitativas da formação humana. Entretanto, apesar desse reconhecimento, nem sempre esta qualidade é efetivamente inserida e estimulada no âmbito da formação artística, como na dança, o que instigou o desenvolvimento desse estudo.

Deste modo, este estudo teve por objetivo investigar como a expressão criativa está sendo inserida no contexto dos processos de ensino e aprendizagem da dança, para além das técnicas específicas, na visão de coreógrafos-professores e participantes de academias de dança, no âmbito do lazer. Os dados da pesquisa referentes à indagação sobre as formas com que os cursos de dança têm incluído atividades ou incentivado um ambiente propício para que os seus participantes se expressem criativamente nesses espaços, demonstram aceitação, porém, com reservas. Alguns sujeitos da pesquisa salientaram que, embora estas expressões criativas acarretem para alguns indivíduos circunstâncias muitas vezes constrangedoras, ou inibam sua expressividade, causando desconfortos iniciais, com o tempo e com práticas pedagógicas coerentes, estas situações se tornam mais naturais e passam a representar uma fonte inesgotável de descobertas e conhecimentos.

Também, por intermédio das práticas de expressão criativa, os indivíduos podem ser conduzidos a atitudes e condutas mais sensíveis, inteligentes, independentes, capazes e, acima de tudo, mais felizes. Desde a infância, o ser humano se desenvolve, cresce, aprende, conhece o mundo, vivencia diferentes experiências, por meio do seu corpo, ou seja, das percepções adquiridas ao explorar as possibilidades dos seus movimentos corporais.

Sendo assim, como uma das atividades vivenciadas no contexto do lazer, a dança pode favorecer espaços para essa exploração de movimento, representando um importante processo na disseminação de condutas expressivas. No contexto dos cursos de formação em dança, mesmo que se priorize uma educação centrada nas habilidades motoras, a dança, por suas características peculiares, incita a uma ação pedagógica que tenha por finalidade o aprimoramento do senso estético, psicológico, emocional, cognitivo e intelectual.

A aprendizagem técnica deve acontecer em um processo dinâmico de constante crescimento, mas, de forma que o aluno perceba novos caminhos para atingir seus objetivos e, para que sua arte e suas formas de expressão se tornem significativas, o ensino precisa ser dirigido à descoberta de uma maneira própria de aprender. Os exercícios desenvolvidos nas aulas devem ser hábeis em estimular a imaginação, captar dados referentes à sua subjetividade e criatividade, mas, para tanto, devem ser bem orientados e aceitos como uma opção para vivências prazerosas e promotoras de estados emocionais favoráveis.

Desta maneira podem oferecer oportunidades e possibilidades para o aperfeiçoamento, não só expressivo, mas também, das técnicas, já que envolve a vontade de aprender, bem como, a satisfação própria referente às próprias conquistas, ou ainda, a percepção de que criar pode também representar um exercício para a compreensão dos sentidos de dançar.

Assim, na dimensão individual, em relação ao modo como a expressão criativa acontece no âmbito destes cursos técnicos de dança, para os sujeitos desta pesquisa, a expressão criativa se apresenta sob amplos conceitos e significados, com envolvimento de sentimentos e emoções, níveis consideráveis de aceitação, sendo apresentada de forma essencialmente subjetiva. As características individuais e a personalidade são apontadas como agentes de grande influência neste contexto. Também foram feitas correlações significativas para a percepção de benefícios em relação à adoção de estratégias criativas, sendo destacados aspectos referentes ao autoconceito, à aquisição de novas competências e de autoimagens positivas, entre outros.

Entre os conceitos e significados da expressão criativa na dança, na visão dos sujeitos desta pesquisa, estiveram presentes nas respostas alguns aspectos, como a novidade, a liberdade para criarem e se expressarem, o diferente, o entendimento

dos significados do trabalho a ser desenvolvido e de suas peculiaridades estéticas. Além destes, foram inclusive citados a capacidade de tornar todo este desenvolvimento claro e inteligível também ao público, além da perspectiva de assumir um caráter que único e singular ao indivíduo envolvido. Os sentimentos e as emoções foram associados às atuações em dança e foram descritos como campos extremamente significativos, capazes de governar pensamentos, orientar a imaginação e proporcionar a associação de imagens, idéias e impressões.

O atendimento a estes aspectos aparece extremamente associado ao envolvimento com as músicas, as quais se tornam um recurso para o estímulo de aspectos subjetivos, de forma a intermediar o uso da criatividade e da expressividade. Isto demonstra que as performances em dança fundam uma dimensão experimental e estética, promotora dos domínios da sensibilidade, assumindo as peculiaridades individuais e culturais, competentes em articular fantasias, estados emocionais, subjetividades e outros. Isto tudo, conforme Barreto (2004) e Toassa (2009), por meio das manifestações corporais, provocam sensações que se constituem em soluções para que os sujeitos, mediante estas formas de aprendizagem, se sintam estimulados em suas atividades.

O treinamento e o tempo de prática facilitam a espontaneidade e a naturalidade dos movimentos em dança. De acordo com as respostas deste estudo, quando estas experiências criativas são tomadas como parte integrante do ensino da dança e são adequadas, podem, inclusive, auxiliar na superação de desafios e dificuldades encontradas, bem como, propiciar o entendimento de uma educação que não aconteça de forma fragmentada. Entretanto, a importância de um mesmo acontecimento varia de acordo com a situação e com o momento, bem como, com a personalidade e a idade do indivíduo.

Desta forma, a aceitação de atividades que incluam a expressão da criatividade na dança encontra dificuldades e passa por situações adversas, o que demanda em se estabelecer um atendimento significativo, especialmente em se tratando das questões de afetividade, afinidade e apreensão das subjetividades. Além disso, para os sujeitos deste estudo, é necessário reservar um tempo suficiente para atender à aprendizagem dos conteúdos técnicos e, ainda, que o professor conquiste a anuência do grupo. Porém, este é um assunto complexo e foi visto por diferentes ângulos pelos participantes deste estudo. Todavia, a aceitação, tanto da imaginação,

quanto da criatividade dos alunos teve sua importância considerada para as práticas pedagógicas.

A dimensão curricular e a amplitude em que a expressão criativa vem sendo inserida no decorrer do desenvolvimento dos conteúdos e na formação destes indivíduos ao longo do tempo de treinamento e estudo, no contexto destes cursos, evidenciou, conforme Fleith e Alencar (2008), que o estímulo à criatividade pode ser contemplado no contexto educacional, por currículos que possam oferecer ao aluno a oportunidade de utilizarem a sua imaginação de maneira criativa e desafiadora.

No entanto, apesar de a expressão criativa ser apontada como um conteúdo incluído nas aulas, as atividades enfatizadas pelos sujeitos entre as vivências abarcaram essencialmente a aquisição e construção de conhecimentos alusivos às técnicas, às especificidades, o desenvolvimento das habilidades e capacidades físicas e motoras, ou relativas às qualidades dos desempenhos na execução dos passos e movimentos. A criatividade foi ressaltada de forma associada à expressividade, juntamente com a interpretação, com as brincadeiras e o desenvolvimento da musicalidade, mas isto acontece em momentos específicos e de uma forma mais escassa.

A dimensão ambiental evidenciou aspectos concernentes às atividades e aos espaços promotores de momentos percebidos como facilitadores e mais propícios para o exercício da criatividade, na visão dos sujeitos da pesquisa. Assim, de igual modo que Lubart (2007) e Fleith e Alencar (2008), os diferentes ambientes podem interferir nas atividades criativas, o que foi confirmado por este estudo. Deve-se considerar, além das características individuais, as atmosferas sociais e culturais para as produções criativas do sujeito, podendo ser incluídos nesta abordagem, também, os espaços destinados aos momentos de lazer advindos das participações por meio da dança, como os espetáculos e festivais de dança.

Estes festivais incluem a promoção do desenvolvimento artístico, cultural e estético e abrangem um vasto repertório de atividades e possibilidades para a expressão criativa, como o uso de figurinos, diferentes cenários, criação de coreografias, a utilização de formas lúdicas e estilos diferenciados para os modos de dançar e interpretar os personagens contidos nas histórias desenvolvidas. Para tanto, ainda são envolvidas as aproximações com elementos extraídos do cotidiano, das diferentes formas de manifestação cultural, pesquisa e apreciação de diferentes

contentos pertinentes às obras artísticas e, entre outros, os momentos em que se tem que improvisar em acontecimentos ou situações inesperadas.

Para este estudo, os elementos que permeiam a composição dos diferentes espetáculos se tornaram recursos para o incentivo da expressão criativa nas aulas, pois são nestes espaços que ocorrem os ensaios, a composição e a criação dos personagens que serão interpretados. Do mesmo, Barreto (2004) evidenciou que estes momentos oferecem as bases para a preparação e treinamento das diferentes concepções e expressões coreográficas, musicais, cênicas, literárias entre outras possibilidades repletas de fantasias, emoções e sentimentos.

Estas participações, tanto em aulas como em espetáculos ainda podem envolver o lúdico, valorizar aspectos rítmicos, gestuais, histórico-sociais, bem como, os expressivo-criativos, conforme também evidenciaram Rinaldi, Lara, Oliveira (2009). Todo este envolvimento demanda formas vastas e diversificadas, longo tempo de estudos práticos e teóricos, muita atenção, disciplina, responsabilidade, respeito e interação com o ambiente, bem como, atividades que promovam a percepção de satisfação e prazer. Desta forma, a experiência destes indivíduos permitiu a apreensão de diversificados conhecimentos e concepções, que contribuíram para maior compreensão dos aspectos envolvidos.

Possivelmente, um dos pontos mais relevantes deste estudo foi proporcionar ao professores-coreógrafos um momento para reflexão quanto a sua atuação e participação no âmbito da formação profissional dos cursos técnicos de dança. Este é um campo carente de reflexões e pesquisas, merecendo novas investidas, principalmente por parte do meio acadêmico, visto que estes oferecem as bases para os futuros profissionais que irão atuar neste processo de ensino-aprendizagem. Para as bailarinas, de igual modo, esta relevância pode ser evidenciada, no sentido de que perceberam que, apesar das dificuldades encontradas no aprimoramento das técnicas, os modelos propostos podem e devem ser recriados. Para tanto, salientou- se a importância do estímulo e da apreensão dos conteúdos advindos também da capacidade criativa e expressiva em todo este processo de ensino-aprendizagem da dança, no sentido de possibilitar aos envolvidos a superação de limites e dificuldades, bem como, a aquisição de novos sentidos e significados.

Os padrões e regras preestabelecidas e os modelos sugeridos, inclusive para a aprendizagem das técnicas são efetivamente importantes, mas, devem estar

permeados por estratégias que possibilitem a criação de estéticas diversificadas, significando a expressão de uma arte que possa ser reconstruída culturalmente e configurada pela sensibilidade, criatividade e expressividade dos seus participantes. Por estas formas, os indivíduos podem ampliar os conceitos das suas experiências com a dança para além das técnicas e, por meio destas, interagir com outras pessoas e com o meio que os cercam, recriando os significados da arte e da cultura corporal do movimento abarcada pela dança.

Criar pode representar um meio para se compreender e elucidar a complexidade dos sentidos de dançar e demonstrar, de maneira expressiva, as possibilidades desta linguagem tão presente na história, na formação e nas bases qualitativas do desenvolvimento humano. Estas considerações são ilustradas pelos ensinamentos propostos por Pina Baush, conforme evidenciado em Cypriano (2005, p. 28-29), finalizando esta dissertação:

“A dança deve ter outra razão além de simples técnica e perícia. A técnica é importante, mas é só um fundamento. Certas coisas se podem dizer com palavras, e outras, com movimentos. Há instantes, porém, em que perdemos totalmente a fala, em que ficamos totalmente pasmos e perplexos, sem saber para onde ir. É aí que tem início a dança, e por razões inteiramente outras, não por razões de vaidade. Não para mostrar que os dançarinos são capazes de algo de que um espectador não é. É preciso encontrar uma linguagem com palavras, com imagens, movimentos, estados de ânimo, que faça pressentir algo que está sempre presente. Esse é um saber bastante preciso. Nossos sentimentos, todos eles, são muito precisos, mas é um processo muito, muito difícil torná-los visíveis. Sempre tenho a sensação de que é algo de que se deve lidar com muito cuidado. Se eles forem nomeados muito rápido com palavras, desaparecem ou se tornam banais. Mas, mesmos assim, é um saber preciso que todos temos, e a dança, a música, etc. são uma linguagem bem exata, com que se pode fazer pressentir esse saber. Não se trata de arte, tampouco de mero talento. Trata-se da vida, e portanto, de encontrar uma linguagem para a vida. E, como sempre, trata-se do que ainda não é arte, mas daquilo que talvez possa se tornar arte”.

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