• Aucun résultat trouvé

Em relação à amostra intencional selecionada para a pesquisa exploratória, as idades dos 10 sujeitos professores-coreógrafos variaram entre 23 e 58 anos. Destes, 7 eram do sexo feminino e 3 do sexo masculino. Quanto ao nível de escolaridade, 4 possuíam nível superior completo, 2 superior incompleto e os outros 4, o ensino médio, conforme ilustrado no quadro a seguir:

Participante Sexo Idade Escolaridade Tempo de prática

Experiência

Sujeito 1 Feminino 33 Curso Superior

Completo 17 Ballet Clássico Sujeito 2 Masculino 31 Ensino médio

Completo 10 Ballet Clássico Sujeito 3 Feminino 23 Curso Superior

Sujeito 4 Feminino 45 Curso Superior

Incompleto 25 Ballet Clássico, Jazz e Sapateado Sujeito 5 Feminino 46 Ensino médio

Completo 25 Ballet Clássico Sujeito 6 Feminino 41 Ensino médio

Completo 23 Contemporâneo e JazzBallet Clássico, Sujeito 7 Feminino 44 Curso Superior

Completo 25 Ballet Clássico Sujeito 8 Masculino 58 Curso Superior

Completo 30 Dança Moderna

Sujeito 9 Masculino 29 Curso Superior

Completo 5 Ballet Clássico

Sujeito 10 Feminino 41 Ensino médio

Completo 23 Ballet Clássico Quadro2: Dados referentes aos Professores-coreógrafos

No que se refere ás idades dos 10 bailarinas participantes dos cursos técnicos de dança, a faixa etária era de 18 a 25 anos, sendo que todas eram do sexo feminino. Destas bailarinas, duas possuíam nível superior completo, outras duas, incompleto e as outras seis já haviam concluído o ensino médio, conforme ilustrado a seguir:

Participante Idade Escolaridade Tempo de

prática Sujeito 11 25 Curso Superior Incompleto 9

Sujeito 12 18 Ensino médio Completo 13 Sujeito 13 18 Ensino médio Completo 13 Sujeito 14 20 Ensino médio Completo 13 Sujeito 15 19 Curso Superior Incompleto 14 Sujeito 16 18 Ensino médio Completo 13 Sujeito 17 21 Curso Superior Completo 10 Sujeito 18 18 Ensino médio Completo 13 Sujeito 19 20 Curso Superior Completo 8 Sujeito 20 24 Ensino médio Completo 10 Quadro 3: Dados referentes às Bailarinas

O tempo de prática com a atividade dança, tanto para os coreógrafos como para as bailarinas é extenso. Para os professores-coreógrafos, o tempo de prática variou de 5 a 30 anos, sendo que três apresentaram de 5 a 10 anos de experiência no ensino desta atividade e os sete coreógrafos restantes de 17 a 30. Entre estes, os três sujeitos do sexo masculino também possuíam vasta experiência como bailarinos profissionais, com vivências que perpassaram diferentes modalidades de dança em diversos espetáculos, sendo que dois deles atuaram no exterior.

Para três das bailarinas, o tempo de prática variou entre 8 e 10 anos e para as outras sete bailarinas entre 12 e 14 anos. Além das participações advindas deste curso técnico anteriormente mencionado, muitos dessas bailarinas também possuíam outras experiências anteriores com distintas modalidades de dança, entre as quais, as folclóricas, as de salão e jazz.

A importância da seleção de indivíduos experientes para participação na pesquisa deveu-se ao fato de que este pode ser um caminho para se apreender conhecimentos diversificados e permeados por uma vasta gama de concepções, qualidades, valores e experiências que abonam as atuações. Isto pode permitir maior compreensão dos aspectos envolvidos, o que contribuiu para as bases qualitativas que fundamentaram o estudo.

Para Gualda e Sadalla (2008) as experiências pessoais devem ser o foco do ensino e são de grande valia para o processo de aprendizagem. Para estas autoras é fundamental abordar a “sabedoria docente”, ou seja, o conjunto de conhecimentos adquiridos por meio destes experimentos, pois esta justifica as ações destes profissionais e representa o procedimento mais adequado para tornar as características desse ensino mais claras. As autoras ainda destacam que, desta forma, pode-se identificar estéticas ou estilos próprios, pois, no contexto da dança, o aluno expressa diferentes valores da sua cultura, bem como suas emoções possibilitando um espaço para questionamentos e reflexões críticas.

Para estas autoras anteriormente citadas o ensino da dança deve ainda buscar a criatividade e a expressividade, sendo que o aluno deve ser um sujeito ativo e participante. Assim, no entendimento de que todo este desenvolvimento acontece no âmbito da individualidade e de forma singular, o primeiro eixo temático a ser aqui analisado visou abranger a extensão da expressão criativa em dança na

dimensão individual segundo a visão destas bailarinas e dos professores- coreógrafos responsáveis por esta formação técnica em dança.

Eixo Temático Principal 1: A dimensão individual

As características individuais são apontadas por Fleith e Alencar (2008) como agentes de grande influência para a promoção do potencial criativo. Nesta feita, destaca correlações significativas com aspectos referentes ao autoconceito, especialmente no que tange à competência, auto-imagem e aceitação.

Desta forma, para este estudo, foram encontrados, nas respostas dos participantes, indicadores que apresentaram variáveis para a sustentação desta dimensão, os quais foram agrupados por meio dos eixos temáticos secundários aqui entendidos como: Eixo Temático Secundário 1.1. Conceitos e Significados; Eixo Temático Secundário 1.2. Sentimentos e Emoções e o Eixo Temático Secundário 1.3. Aceitação. Estes podem ser representativos para aspectos referentes à individualidade e à subjetividade destes sujeitos e por isso foram englobados nesta dimensão individual.

Eixo Temático Secundário - 1.1. Conceitos e Significados

Estes conceitos e significados puderam ser reconhecidos por meio da seguinte pergunta presente no instrumento: 2. Para você, o que significa expressar-se criativamente? Desta forma, pretende-se atentar para os conceitos pessoais dos professores- coreógrafos e bailarinas, os quais estão descritos a seguir.

Para quatro dos profissionais, ou seja, sujeitos 1, 2, 3, 5 e 9, expressar-se criativamente significa colocar nos movimentos corporais, características próprias de cada indivíduo. Assim, destacam que estas expressões criativas acontecem de forma que os envolvidos possam exprimir “a sua digital, o seu próprio estilo, a sua moldura e seus desejos” (sujeito 1); “por em prática tudo aquilo que você acredita” (sujeito 2); “promover uma ligação com o eu de cada indivíduo” (sujeito 3); “um modo ou maneira própria de se comunicar” (sujeito 5); “expressar-se de forma única, acrescentar uma percepção pessoal ao movimento” (sujeito 9).

De igual modo, estes aspectos podem ser evidenciados entre cinco das bailarinas, sujeitos 11, 14, 15, 16 e 19: “é algo criado pelo próprio indivíduo” (sujeito11); “sua própria expressão para cada movimento” (sujeito 14), “movimentar da maneira que eu achar que deve fazer e o que sente necessidade” (sujeito 15); “levar ao movimento, tudo o que o indivíduo é” (sujeito 16), além de colocar neste “seu toque pessoal” (sujeito 19).

A novidade e o diferente estão presentes entre os conceitos e significados da expressão criativa na dança na visão dos sujeitos desta pesquisa. Isto foi evidenciado por dois dos professores, sujeitos 3 e 4 e por três bailarinas, sujeitos 11, 17 e 18: “significa exprimir algo novo” (sujeito 3); “fazer tudo o que é feito normalmente, mas de uma maneira diferente e notável” (sujeito 4); “a criatividade tem o diferente, o atrativo, algo que chama atenção, o novo, o criado, o bonito” (sujeito 11); “significa ter autenticidade em suas coreografias inovando com temas e músicas inusitados” (sujeito 17); “usar a criatividade para coisas novas” (sujeito 18).

Outro aspecto, de igual importância entre estes conceitos e significados apresentados pelos sujeitos da pesquisa foi a liberdade. Esta foi incluída nesta questão por cinco dos professores-coreógrafos e por duas das bailarinas no sentido de poder se expressar de maneira própria sem preocupação com algo “pré- determinado” (sujeito 5); mover-se livremente e com “facilidade” (sujeito 6); atuar de forma “livre e descontraída” (sujeito 7); poder criar “sem regras ou padrões”(sujeito 9); ter liberdade para “coreografar” todos os seus sentimentos” (sujeito 10); de movimentar da maneira que “achar que deve”(sujeito 15); dançar livremente “sem nada coreografado” (sujeito 20).

Os sentimentos estão envolvidos nas atuações em dança e, segundo três dos profissionais e 2 das bailarinas desta pesquisa, são campos significativos para a expressão criativa e fazem com que a criança sinta “prazer de dançar e se expressar” (sujeito 7); “criar sem regras ou padrões podendo manifestar qualquer sentimento” (sujeito 9); “poder coreografar todos os meus sentimentos” (sujeito 10); “é poder manifestar sentimentos alheios aos comandos do coreógrafo” (sujeito 13); “é passar meus sonhos, minha felicidade, minha tristeza para o movimento” (sujeito 16).

Ainda, um dos sujeitos acrescentou que expressar-se criativamente na dança significa tornar todo este desenvolvimento criativo e expressivo claro, não só ao

aluno, mas também ao público: “Desenvolver um trabalho no qual o público, ou aluno, consiga entender o significado da obra” (sujeito 8).

O atendimento a estes aspectos aparece para três dos professores-coreógrafos e quatro das bailarinas, associado ao envolvimento com as músicas utilizadas entre outros recursos capazes de estimular aspectos subjetivos e intermediar o uso da criatividade: “ouvir uma música e com o corpo promover movimentos” (sujeito 1); trata-se da capacidade de “combinar sons, imagens e movimentos de forma subjetivamente nova” (sujeito 3); “conectar o movimento com a qualidade musical, o tema e o tempo”(sujeito 6); “ sentir cada nota da música dentro do seu corpo” (sujeito 12); colocar “sua própria expressão para cada movimento que realizar, de acordo com a música” (sujeito 14); responder a estímulos como “música, poema, imagens, entre outros”(sujeito 15); “ter autenticidade em suas coreografias”, além de poder inovar com “temas e músicas inusitados” ou até mesmo “coreografar um belo ballet de repertório” de acordo com um “cenário diferenciado” e com a “expressão dos personagens”(sujeito 17).

Sendo assim, a expressão criativa na dança, além dos movimentos corporais, é intermediada pela música, a qual tem um papel muito significativo nestes eventos. A resposta do sujeito 1 salienta estes aspectos:

“Acredito ser a digital de cada bailarino expressado em seus movimentos, no seu estilo, pois cada um pode dar várias formas a um mesmo movimento ou sentir e ouvir uma música e com o corpo promover movimentos que cabe a cada um criar e dar a sua moldura identificando aquilo que se deseja informar e expressar” (SUJEITO1).

Os conceitos apresentados por esta professora de Ballet Clássico e coreógrafa, com experiência de 17 anos de ensino, como “sentir e ouvir uma música e com o corpo promover movimentos” demonstra, conforme Alves (2009), que construção dos gestos na dança associa signos corporais, visuais e sonoros. De acordo com este autor, o ser humano dá vazão a uma dimensão criativa, no momento em que percebe a intensidade dos sentidos e a possibilidade de usar sua espontaneidade, o que representa uma prerrogativa de intervenção e um gerador efetivo do processo de ensino e aprendizagem.

Os sentidos e significados das experiências em dança, de acordo com Fux (1983) nascem, além dos movimentos, das pausas e dos silêncios, também por intermédio das músicas, onde se apresenta inúmeras possibilidades criativas. Estes

elementos estão presentes nas respostas das estudantes de dança, ou seja, as bailarinas participantes deste estudo, ou seja, sujeitos 14 e 15:

“Seria criar, sem o comando de outra pessoa, sua própria expressão para cada movimento que realizar, de acordo com a música” (SUJEITO 14). “Expressar-se criativamente é ter liberdade de movimentar da maneira que eu achar que devo fazer o que sinto necessidade em determinado movimento, posso seguir a minha imaginação ou responder a estímulos exteriores como música, poema, imagens, entre outros” (SUJEITO 15). A música, no processo de ensino-aprendizagem, possui um caráter interdisciplinar que, para Correia (2010), pode se transformar em um instrumento de grade utilidade em se tratando de recursos e estratégias metodológicas e didático- pedagógicas, devendo ter um foco no lúdico, em aspectos cognitivos, emotivos e criativos. O seu potencial para abarcar a subjetividade perpassa a combinação de sons para formar uma melodia. Desta forma, o seu envolvimento com manifestações artístico-culturais, incluindo aqui a dança, pode motivar as participações, vindo inclusive a otimizar as performances.

Os movimentos, aliados aos estímulos musicais, permitem maior sensibilização corporal e se tornam uma possibilidade para o desenvolvimento de diferentes dimensões da inteligência humana, associando-se ao que Gardner (2002) considera, em sua Teoria das Inteligências Múltiplas, como a habilidade para se entender uma linguagem sonora, ou seja, a inteligência musical. Estes indivíduos inteligentes musicais são capazes de discriminar, identificar e criar formas musicais e sons, além de se expressar por meio destes com facilidade.

Para Fux (1983), a técnica é estática e o efeito da música é o de estimular imagens que se comunicam entre si, a partir do que diferentes elementos se mobilizam. Isto pode ser evidenciado nos julgamentos da professora-coreógrafa, atuante no ensino de Ballet Clássico há seis anos, denominada neste estudo como sujeito 3 e repercutir na aprendizagem do sujeito 12, participante do curso técnico de dança:

“Significa exprimir algo novo, trata-se da capacidade de combinar sons, imagens e movimentos de forma subjetivamente nova. Criar é uma capacidade mental intrínseca do homem, pois mesmo dos menores gestos o sujeito é capaz de formar novos. Referente a expressão pode-se dizer que há uma ligação com o “eu” de cada indivíduo, pois para que ocorra o sujeito tem que se dispor a se expressar. Na expressão se deve levar em conta aspectos da personalidade do indivíduo como a inibição que pode travar a expressão criativa do aluno” (SUJEITO 3).

“Expressar-se criativamente para mim é poder sentir cada nota da música dentro do seu corpo, quando executar saltos é como se sentir voando. Muitas vezes quando a música tem certa semelhança com a sua personalidade chega até causar um arrepio de emoção” (SUJEITO 12). Estas participantes entendem que a expressão criativa na dança, além de ser essencialmente subjetiva, está interligada à personalidade do indivíduo, a qual, para Rey (2005), se torna a expressão de elementos subjetivos, que adquirem uma relativa estabilidade no decorrer da formação humana. Juntamente com os aspectos cognitivos e as experiências vividas compõem o que Fleith e Alencar (2005) entendem como a categoria correspondente à pessoa, uma das quais em que as definições de criatividade podem ser distribuídas.

Segundo Alves (2009), a percepção corporal que acontece no ato de dançar arrebata a ação motora em estados alterados de consciência, o que permite a representação ativa dos gestos expressivos. Neste sentido, complementando a resposta desta participante, pode-se ressaltar os apontamentos de Lacerda e Gonçalves (2009), os quais destacam esta atividade como um meio para a manifestação da singularidades pessoais, ou seja, uma forma de ver, de pensar, de inventar, que se constitui como um espaço capaz de catalisar a criatividade e

promover a expressão da subjetividade humana.

Alencar (2007) afirma que, atributos pessoais como valores, interesses e motivações modelados ao longo da vida, bem como, os traços de personalidade, são fatores que predispõem o indivíduo a pensar de maneira independente e de forma flexível dando vazão à sua criatividade e imaginação. Estes direcionamentos podem ser percebidos nas afirmações feitas pelo sujeito 2.

Para este profissional, o qual, além de coreógrafo e professor há 10 anos é também bailarino profissional com experiência de atuação no exterior, a expressão criativa na dança abarca as crenças pessoais e para se obter bons resultados, deve acontecer no âmbito da individualidade. De igual modo, na visão da bailarina, sujeito 19 neste estudo, isto parece orientar sua percepção sobre práticas criativas de dança:

“Expressar-se criativamente significa é por em prática tudo aquilo que você acredita, dando ênfase no que está dentro de você, e que realmente você acredita que dará bons resultados” (SUJEITO 2).

“Significa colocar “meu toque” em uma coreografia ou exercício, assim como ter um momento para criar uma coreografia ou exercício durante a aula” (SUJEITO 19).

A subjetividade está presente nas representações sociais, nas crenças, nos discursos e nas produções de sentido e, para Rey (2005), se constitui como um sistema complexo, que se organiza de diferentes formas, por meio dos significados que os espaços sociais e culturais têm na vida do indivíduo. Estes conceitos assumidos por este autor articulam simultaneamente aspectos sociais e individuais.

A novidade foi um fator ainda acrescentado pelo sujeito 3 e está incluído na categoria produto, entre as definições existentes para o termo criatividade, o que, para Sternberg e Lubart (1999), está relacionado também ao inusitado, diferente e original. Estes são os pressupostos de igual modo para o sujeito 4, professora e coreógrafa de Ballet Clássico, Jazz e Sapateado há 25 anos, para quem o significado da expressão criativa apresenta-se interligado ao fazer diferente e de uma forma notável:

“Para mim significa dizer, fazer tudo o que é feito normalmente, mas de uma maneira diferente e notável” (SUJEITO 4).

Esta “maneira diferente e notável” pode representar o que para Mozzer e Borges (2008) se propaga entre as diversas formas relacionadas com um caráter que é único e singular ao indivíduo, ou mesmo, com a originalidade da ação criativa que segundo Fleith e Alencar (2008) se baseia na raridade do que é expresso. Aranda (2009) acrescenta que a criatividade se torna um processo gerador de idéias inovadoras, o que fomenta o significado da expressão criativa na dança na visão da bailarina nomeada neste estudo por sujeito 17:

“Significa ter autenticidade em suas coreografias inovando com temas e músicas inusitados ou até mesmo coreografando um belo ballet de repertório com um cenário diferenciado e com a expressão das personagens” (SUJEITO 17).

Para a participante, professora e coreógrafa, experiente na docência da dança clássica há 25 anos e aqui denominada de sujeito 5, a expressão criativa também representa uma maneira muito pessoal de se comunicar, devendo estar livre de pré- determinações, o que foi representado de igual modo pelas respostas de 2 bailarinas, ou seja, sujeitos 18 e 20:

“Expressar-se de maneira própria sem preocupação com algo pré- determinado ou pré-estabelecido. Um modo ou maneira própria de se comunicar com o público” (SUJEITO 5).

“Não ter um estilo próprio da dança e sim criar um estilo e usar a criatividade para coisas novas” (SUJEITO 18).

“Dançar livremente sem nada coreografado. Uma dança de “improviso”, criada naquele momento” (SUJEITO 20).

A criatividade, para Aranda (2009), pode ser definida a partir da busca por caminhos distintos daqueles já existentes e que estão de acordo com os padrões estabelecidos. Assim, esta “maneira própria sem preocupação com algo pré- determinado” pode significar uma liberdade de escolha e de ação para o reconhecimento do potencial criativo dos bailarinos. Esta “liberdade” consiste, para a autora anteriormente citada, juntamente com a autonomia, em elementos-chave para o estímulo da inovação, ou seja, para o ato de criar.

Estes dados também sustentam as respostas do sujeito 6, professora de Ballet Clássico, Contemporâneo e Jazz e coreógrafa há 23 anos. Para esta respondente, a expressão criativa na dança, acontece no âmbito da liberdade, mas também da facilidade de movimento:

“É mover-se livremente e com facilidade antes mesmo de se conectar o movimento com a qualidade musical, o tema e o tempo” (SUJEITO 6). As habilidades e competências parecem ter representações na qualidade destes desenvolvimentos criativos. Para Gardner (2002) tanto as características herdadas como as adquiridas no meio cultural são fatores determinantes na constituição da sua inteligência, ou seja, da capacidade para resolver problemas, criar novos produtos e adquirir novos conhecimentos. Neste sentido, exercem influências no potencial intelectual do indivíduo.

A referência ao “mover-se com facilidade” feita por este sujeito 6, pode ser associada ao que o autor anteriormente citado definiu como inteligência cinestésica, aquela que se refere a aptidão para criar e usar com destreza e coordenação objetos e movimentos corporais. Para este psicólogo, estes inteligentes corporais são hábeis para se expressarem e atuarem em esportes, peças teatrais, nas artes manuais e entre outros, em danças.

Para o sujeito 7, professora de Ballet Clássico há 25 anos, as ações criativas em dança, também estão relacionadas à descontração e à auto-expressão. Ainda, o prazer deve ser o foco deste desenvolvimento:

“Atuar de forma livre e descontraída, estimulando a criatividade e auto- expressão, fazendo com que a criança sinta prazer de dançar e de se expressar através de seu corpo” (SUJEITO 7).

A dança idealiza manifestações culturais voltadas para a poesia do movimento que, de acordo Rinaldi, Lara e Oliveira (2010), tomam por base os saberes técnicos e os alicerces histórico-culturais, educacionais e estético-expressivos. Sendo assim, não acontece de forma desvinculada da expressão corporal e, mesmo não sendo termos sinônimos, estas se complementam, mas cada uma apresenta suas especificidades.

A expressão corporal, segundo estes autores, concebe uma área em que a gestualidade se torna capaz de potencializar o poder comunicativo do indivíduo, revelando pensamentos, desejos, ações e entre outros os sentimentos. Estes podem estar presentes nesta “forma livre e descontraída” destacada pela participante 7 e ainda podem ser percebidos positivamente quando se alcança este objetivo de “sentir prazer”.

Este trabalho expressivo em dança precisa ser provido de experiências potencializadoras de sentidos e significados e da representação de sensações, emoções e sentimentos, os quais devem ser revelados por meios dos gestos e movimentos. Para Rinaldi, Lara e Oliveira (2010), conduzir à superação das limitações pessoais frente às dificuldades encontradas para qualquer forma de comunicação e para a identificação de caminhos que sejam capazes de transformar gestos comuns em expressões que concebam as características artísticas e estéticas, se torna um dos objetivos a serem alcançados.

O professor e coreógrafo, aqui descrito como sujeito 8, atuante em Dança

Documents relatifs