• Aucun résultat trouvé

J USTIFICATION DE L ’ ABSENCE D ’ ALTERNATIVE PLUS SATISFAISANTE

Dans le document cruis cnpn boralex 201907 (Page 99-114)

4. O BJET DE LA DEMANDE DE DEROGATION

4.2. J USTIFICATION DE L ’ ABSENCE D ’ ALTERNATIVE PLUS SATISFAISANTE

Etimologicamente o verbo “avaliar” deriva do latim a-valere2

, podendo ser traduzido como “dar valor a”; assim, podemos considerar que avaliar implica em valoração, julgamento, qualificação de um objeto, processo ou sistema.

A avaliação é uma condição inerente à existência humana, uma vez que o julgamento sempre esteve presente nas relações entre os pares, passando a definir o que interessa ou não, o que é bom ou ruim, o que se deseja ou o que não agrada. Trata-se de processo primordial e situacional de relacionamento do sujeito, estabelecendo os conceitos elementares da própria consciência moral, pautando a construção de todos seus relacionamentos, espaços e, conseqüentemente, transpassando sua trajetória histórica e social (SILVA, 2011).

Para Worthen, Sanders e Fitzpatrick (2004, p. 5), “avaliação é a forma básica do comportamento humano. Algumas vezes ela é completa, estruturada e formal. Mais freqüentemente ela é impressionista e privada”.

Apesar de a avaliação ter essa origem subjetiva, é evidente que ela ultrapassa os limites da individualidade e subjetividade do sujeito no seio de suas múltiplas relações sociais, alcançando caráter público, formal e, não raro, objetivo. Dias Sobrinho (2003), analisa a evolução da avaliação, atribuindo sua origem nos processos seletivos estatais e, apresentando uma aplicação privatista, em que as indústrias avaliaram suas ações, selecionaram e classificaram seus trabalhadores, assim como contribuíram com informações úteis à gestão; mas, credita ao ambiente educacional a condição de lugar privilegiado para o desenvolvimento avaliativo. “Tão forte é essa relação da avaliação com a escola, que ela é freqüentemente identificada como um patrimônio da educação formal, ainda que tenha tido origem no mundo industrial, não em instituições educacionais” (DIAS SOBRINHO, 2003, p. 113).

É, portanto, na educação, que a avaliação assume caráter não apenas público, mas também formal; não somente como prática política e pedagógica, mas também como importante campo de estudo.

Em um estudo abrangente, De Ketele (1993) apresenta a avaliação conjugada em 10 paradigmas, a saber: paradigma da intuição pragmática; paradigma docimológico; paradigma sociológico;

2AVALIAR. In: DICIONÁRIO da língua portuguesa. Lisboa: Priberam

Informática, 1998. Disponível em: <http://www.priberam.pt/dlpo>. Acesso: 30 maio 2013.

paradigma da avaliação centrada nos objetivos; paradigma da avaliação formativa no ensino diferenciado; paradigma da avaliação a serviço da decisão; paradigma da avaliação centrada no consumidor; paradigma da avaliação centrada no cliente ou paradigma da avaliação responsiva; paradigma econômico e paradigma da avaliação como processo de regulação.

Guba e Lincoln, num esforço de compreensão e de síntese, que inevitavelmente redunda em simplificação, reduzem esses paradigmas de acordo com dois enfoques principais: racionalista e naturalista. As diferenças axiomáticas entre os dois paradigmas podem ser assim esquematizadas (GUBA; LINCOLN, 1982 apud DIAS SOBRINHO, 2003, p. 37):

Quadro 2 - Axiomas acerca dos Paradigmas Racionalista e Naturalista

Axiomas acerca de Paradigma

Racionalista

Paradigma Naturalista Realidade Única, tangível,

convergente, fragmentável Múltipla, intangível, divergente, holística Relação pesquisador/respondente Independente Inter-relacionados Natureza das afirmações de

verdade Generalizações livres do contexto, afirmações

monotéticas, ênfase nas similaridades Hipóteses dependentes do contexto, afirmações ideográficas, ênfase nas diferenças Atribuição/explicação da

ação Causas reais temporalmente precedentes ou simultâneas, manipulável, probabilística “Padrões” atribucionais, interativa, não manipulável, plausível Relação a valores Livre de valores Dependente de

valores Fonte: Dias Sobrinho (2003, p. 37).

MacDonald, por sua vez, apresenta sua síntese sobre os paradigmas, agrupando-os de acordo com os enfoques técnico- burocrático e participativo, que podem ser esquematizados da seguinte forma (GUBA; LINCOLN, 1982 apud DIAS SOBRINHO, 2003, p. 38):

Quadro 3 - Enfoques da Avaliação Técnico-burocrática e Participativa Enfoque da

avaliação Técnico-burocrática Participativa

Fonte de valores Autoridades

administrativas Comunidade universitária Destinatário Agências/governo Universidade Papel do avaliador Controlador Educador Apresentação de

dados Críveis às autoridades Acessíveis a todos Propriedade da

avaliação Administração central Comunidade Conceitos-chave Eficiência, utilidade,

competição Participação, democracia, cooperação Métodos e instrumentos Quantitativos, testes objetivos Quantitativos, qualitativos, combinados Objetivos Controlar, hierarquizar,

instrumentalizar a distribuição de recursos, prestação contábil de contas Conhecer a instituição, melhorar a qualidade, prestação de contas à sociedade

Fonte: Dias Sobrinho (2003, p. 38).

House (1988 apud DIAS SOBRINHO, 2003) também apresenta uma importante contribuição a essa discussão, ao abordar as perspectivas que projetam valores e pressupostos e funcionam como marcos interpretativos. As perspectivas trazem consigo explicações em termos de categorias regulares e predizíveis, a respeito do fenômeno que buscamos compreender. Segundo o autor, três perspectivas são suficientes para explicar as relações interpessoais e podem servir como subsídio para a compreensão das práticas em avaliação: perspectiva tecnológica, política e cultural.

Na perspectiva tecnológica subjaz a imagem da produção. Empregam-se conceitos como entrada e saída, diagramas de fluxo e especificação de tarefas [...] Na perspectiva política subjaz a imagem de negociação. Empregam-se conceitos como poder, autoridade e interesses competitivos [...] Na perspectiva cultural subjaz a imagem de comunidade. Empregam-se conceitos que se apóiam em valores comuns, compartilhados (HOUSE, 1988 apud DIAS SOBRINHO, 2003, p. 39).

Uma avaliação que segue a perspectiva tecnológica priorizará quase sempre o uso de técnicas de rendimentos, e as estratégias de melhoria consistirão em grande parte na inversão de recursos para a dotação de instrumentos tecnológicos mais adequados e eficazes; nesse sentido, a avaliação pode ser concebida como um processo relativamente mecânico. Por sua vez, uma avaliação que segue a perspectiva política, enfatizará o valor da negociação, e ao levar em conta a existência de conflitos de interesses, tratará de buscar estratégias que produzam os acordos quanto às concepções e os procedimentos de avaliação; nesse sentido, a avaliação pode ser concebida como um processo contratual. Já, uma avaliação que segue a perspectiva cultural, levará em conta a realidade e respeitará a identidade de cada instituição ou programa, e as estratégias serão criadas ao longo do processo, ou seja, no próprio desenvolvimento da avaliação; nesse sentido a avaliação pode ser concebida como um processo participativo.

Dans le document cruis cnpn boralex 201907 (Page 99-114)