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2.16 RAM DISKS ON 16-BIT WORKSTATIONS

2.16.3 USING A RAM DISK

A marcação imuno-histoquímica da 8-OHdG foi evidenciada em todos os casos de LPO e evidenciada em todas as camadas do epitélio, sendo, entretanto, mais evidente e intensa nas camadas basal e parabasal (Figura 2). Embora a marcação citoplasmática tenha sido observada em maior número de camadas epiteliais do que a marcação nuclear, na maioria dos casos, evidenciou-se marcação nuclear com uma intensidade superior à marcação citoplasmática (Figura 3). Além disso, também foi observado imunoexpressão de 8-OHdG no infiltrado inflamatório, células endoteliais e células musculares. O epitélio de mucosa oral

normal apresentou marcação variável, sendo os espécimes provenientes de cirurgia de lábio duplo apresentando menor imunomorcação, enquanto os espécimes de gengiva clinicamente saudável obtiveram marcação em toda a extensão epitelial (Figura 4).

Figura 2.Imunoexpressão do 8-OHdG em LPO reticular e erosivo; A e B – LPO reticular, expressão imuno-histoquímica em nível citoplasmático e nuclear, evidenciando maior intensidade de marcação em camada basal (100x e 200x, respectivamente); C e D – LPO erosivo, expressão imuno- histoquímica em nível citoplasmática e nuclear, evidenciando maior intensidade de marcação em camada basal (100x e 200x, respectivamente).

Figura 3.Imunoexpressão do 8-OHdG em LPO reticular (A) e erosivo (B), evidenciando marcação nuclear mais intensa do que a citoplasmática (200x).

Figura 4.Imunoexpressão do 8-OHdG em mucosa oral normal proveniente de remoção de lábio duplo (A) e gengiva clinicamente saudável (B), evidenciando marcação mais pronunciada no espécime de gengiva, em comparação com o espécime de lábio duplo (200x).

Com relação à expressão da 8-OHdG no LPO reticular, foi observada predominância do escore 4 tanto para a expressão citoplasmática (65,6%) quanto para a nuclear (48,3%), seguido do escore 3 (17,2%), escore 2 (13,8%) e escore 1 (3,4%) para a marcação citoplasmática. Por outro lado, a marcação nuclear obteve o escore 2 como o segundo mais predominante para o LPO reticular (27,6%), seguido do escore 3 (17,2%) e escore 1 (6,9%). De maneira semelhante, o LPO erosivo apresentou predominância do escore 4 tanto para a expressão citoplasmática (82,3%) quanto para a nuclear (70,5%), seguido do escore 3 (11,8%), e 1 caso apresentando o escore 1, não tendo sido observado o escore 2 para marcação citoplasmática do LPO erosivo. No que diz respeito à marcação nuclear do LPO erosivo, os escores 2 e 3 obtiveram a mesma prevalência (11,8%) na amostra, e assim como para a marcação citoplasmática, apenas 1 caso obteve escore 1.

Para a mucosa oral normal, também foi evidenciada maior prevalência do escore 4 (64,7% para a citoplasmática e 35,3% para a nuclear), seguido pelo escore 1 (23,5%) para a marcação citoplasmática e escores 1 e 2 para marcação nuclear (23,5% da amostra com ambos escores). Apesar do escore 4 ter sido o mais observado na mucosa oral normal, da mesma forma que foi observado para os casos de LPO, foi evidenciado prevalência das intensidades fortes e moderadas para os dois subtipos estudados do LPO, enquanto na mucosa oral normal observou-se predominância das intensidades fraca e moderada. Esses resultados encontram-se detalhados nas tabelas 2 e 3.

Tabela 2. Análise dos escores de imunopositividade e da intensidade de marcação citoplasmática para 8-OHdG, nos espécimes teciduais de LP reticular, LP erosivo e mucosa oral normal. Natal-RN, 2020. Expressão citoplasmática Grupo LP reticular n (%) LP erosivo n (%)

Mucosa oral normal n (%) Escore de imunopositividade 0 (0%) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 1 (1-25%) 1 (3,4) 1 (5,9) 4 (23,5) 2 (26-50%) 4 (13,8) 0 (0,0) 1 (5,9) 3 (51-75%) 5 (17,2) 2 (11,8) 1 (5,9) 4 (>75%) 19 (65,6) 14 (82,3) 11 (64,7) Intensidade de marcação Ausente 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) Fraca 8 (27,6) 4 (23,5) 9 (52,9) Moderada 19 (65,5) 11 (64,7) 8 (47,0) Forte 2 (6,9) 2 (11,8) 0 (0,0) Total 29 (100,0) 17 (100,0) 17 (100,0)

Fonte: Disciplina de Patologia Oral – Departamento de Odontologia, UFRN. Legenda: LP, líquen plano.

Tabela 3. Análise dos escores de imunopositividade e da intensidade de marcação nuclear para 8- OHdG, nos espécimes teciduais de LP reticular, LP erosivo e mucosa oral normal. Natal-RN, 2020. Expressão nuclear Grupo LP reticular n (%) LP erosivo n (%)

Mucosa oral normal n (%) Escore de imunopositividade 0 (0%) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 1 (1-25%) 2 (6,9) 1 (5,9) 4 (23,5) 2 (26-50%) 8 (27,6) 2 (11,8) 4 (23,5) 3 (51-75%) 5 (17,2) 2 (11,8) 3 (17,7) 4 (>75%) 14 (48,3) 12 (70,5) 6 (35,3) Intensidade de marcação Ausente 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) Fraca 11 (37,9) 6 (35,3) 10 (58,8) Moderada 13 (44,9) 6 (35,3) 6 (35,3) Forte 5 (17,2) 5 (29,4) 1 (5,9) Total 29 (100,0) 17 (100,0) 17 (100,0)

Fonte: Disciplina de Patologia Oral – Departamento de Odontologia, UFRN. Legenda: LP, líquen plano.

No que diz respeito à marcação citoplasmática, o teste de Kruskall-Wallis não evidenciou diferenças estatisticamente significativas entre os grupos estudados. Para a marcação nuclear, foi observada tendência à maior imunoexpressão da 8-OHdG nos LPOs erosivos, em comparação aos LPOs reticulares e à mucosa oral normal. Contudo, não foram observadas diferenças estatisticamente significativasentre os grupos (Tabela 4).

Tabela 4. Análise dos escores de imunopositividade para 8-OHdG e suas diferenças entre LP reticular, LP erosivo e mucosa oral normal. Natal-RN, 2020.

Localização/Grupo N Mediana Q25–Q75 Média dos

postos KW p*

Citoplasma

LP reticular 29 4,00 3,00–4,00 31,22 2,084 0,353

LP erosivo 17 4,00 4,00–4,00 36,21

Mucosa oral normal 17 4,00 1,50–4,00 29,12 Núcleo

LP reticular 29 3,00 2,00–4,00 31,78 4,865 0,088

LP erosivo 17 4,00 3,00–4,00 38,59

Mucosa oral normal 17 3,00 1,50–4,00 25,79 Fonte: Disciplina de Patologia Oral – Departamento de Odontologia, UFRN. Legenda: *Teste de Kruskall-Wallis. LP, líquen plano.

Ao compararmos a intensidade da marcação imuno-histoquímica do 8-OHdG entre o LPO erosivo, reticular e a mucosa oral normal, embora não tenha havido diferenças estatisticamente significativas, com base nas medianas e no valor de p, houve tendência à maior intensidade de marcação citoplasmática para a 8-OHdG em casos de LP reticular e erosivo, se comparados à mucosa oral normal. Além disso, no que diz respeito à intensidade da marcação nuclear, foi encontrada maior mediana para a intensidade de marcação da 8- OHdG nos casos de LP reticular e LP erosivo (1,00), em comparação à mucosa oral normal (mediana = 0,00). Contudo, os grupos também não demonstraram diferenças estatisticamente significativas (Tabela 5).

Tabela 5. Análise da intensidade de marcação para 8-OHdG e suas diferenças entre LP reticular, LP erosivo e mucosa oral normal. Natal-RN, 2020.

Localização/Grupo N Mediana Q25–Q75 Média dos

postos KW p*

Citoplasma

LP reticular 29 1,00 0,00–1,00 33,81 4,933 0,085

LP erosivo 17 1,00 0,50–1,00 36,03

Mucosa oral normal 17 0,00 0,00–1,00 24,88 Núcleo

LP reticular 29 1,00 0,00–1,00 33,24 3,465 0,177

LP erosivo 17 1,00 0,00–2,00 36,12

Mucosa oral normal 17 0,00 0,00–1,00 25,76 Fonte: Disciplina de Patologia Oral – Departamento de Odontologia, UFRN. Legenda: *Teste de Kruskall-Wallis. LP, líquen plano.

No que diz respeito à relação entre a imunopositividade para o 8-OHdG e as características clínicas do LPO, foi evidenciada uma maior imunoexpressão tanto citoplasmática quanto nuclear (p=0,004 e p=0,016, respectivamente) nos casos sintomáticos

em comparação com os casos assintomáticos. Entretanto, com relação às outras variáveis clínicas não foram observadas diferenças significativas entre a idade, a presença ou não de lesões múltiplas e a resposta ao tratamento com a imunoexpressão do 8-OHdG (Tabelas 6 e 7).

Tabela 6. Análise dos escores de imunopositividade citoplasmática para 8-OHdG e suas diferenças de acordo com características clínicas dos casos de LP. Natal-RN, 2020.

Variáveis N Mediana Q25–Q75 Média dos

postos U p* Idadea ≤ 40 anos 12 4,00 4,00–4,00 24,83 164,00 0,345 > 40 anos 32 4,00 3,00–4,00 21,63 Sintomatologiab Presente 28 4,00 4,00–4,00 17,21 139,50 0,004 Ausente 17 3,00 2,00–4,00 26,52 Lesões múltiplasc Sim 17 4,00 3,00–4,00 18,38 159,50 0,309 Resposta terapêutica Sem remissão/ remissão parcial 6 4,00 3,75–4,00 6,17 14,00 0,787 Remissão total 5 4,00 3,00–4,00 5,80 Fonte: Dados da pesquisa.

Legenda: *Teste de Mann-Whitney. LP, líquen plano.

a2 casos sem informações; b1 caso sem informação; c7 casos sem informações.

Tabela 7.Análise dos escores de imunopositividade nuclear para 8-OHdG e suas diferenças de acordo com características clínicas dos casos de LP. Natal-RN, 2020.

Variáveis N Mediana Q25–Q75 Média dos

postos U p* Idadea ≤ 40 anos 12 4,00 3,00–4,00 23,92 175,00 0,617 > 40 anos 32 4,00 2,00–4,00 21,97 Sintomatologiab Presente 28 4,00 3,00–4,00 17,62 146,50 0,016 Ausente 17 3,00 2,00–4,00 26,27 Lesões múltiplasc Sim 17 4,00 2,00–4,00 18,76 166,00 0,500 Resposta terapêutica Sem remissão/ remissão parcial 6 4,00 2,75–4,00 6,25 13,50 0,750 Remissão total 5 4,00 2,00–4,00 5,70 Fonte: Dados da pesquisa.

Legenda: *Teste de Mann-Whitney. LP, líquen plano.

Por fim, o teste de Correlação de Spearman (r) revelou uma moderada correlação positiva e estatisticamente significativa entre os escores de imunopositividade citoplasmática e nuclear da 8-OHdG, em casos de LP reticular (r = 0,664; p< 0,001) e de LP erosivo (r = 0,687; p = 0,002). Na análise dos espécimes de mucosa oral normal, foi encontrada fraca correlação positiva e estatisticamente significativa entre os referidos escores (r = 0,497; p = 0,042) (Tabela 8).

Tabela 8. Análise das correlações entre os escores de imunopositividade citoplasmática e nuclear para 8-OHdG, nos diferentes grupos estudados. Natal-RN, 2020.

Grupo n R p*

LP reticular 29 0,664 < 0,001

LP erosivo 17 0,687 0,002

Mucosa oral normal 17 0,497 0,042

Fonte: Dados da pesquisa.

6. DISCUSSÃO

Nos últimos anos, muito se tem estudado a respeito da patogênese do LPO, uma vez que esta ainda é alvo de muita discussão. O estresse oxidativo tem sido foco de pesquisas, já que lesões inflamatórias e autoimunes demonstraram um aumento dos efeitos deletérios deste em decorrência da própria inflamação (DARCZUK et al., 2016; REKHA et al., 2017).Nesse contexto, avaliamos o estresse oxidativo no LPO, por meio da imunoexpressão da 8-OHdG nesta lesão, já que esse biomarcador é produzido devido à danos oxidativos no DNA (WU et al., 2017). Poucos trabalhos avaliaram a 8-OHdG no LPO e, entre estes, a maioria avaliou esse marcador através dos níveis salivares ou plasmáticos (RAI et al., 2010; AGHA- HOSSEINI et al., 2012; TOTAN et al., 2015; KAUR et al., 2016) ou por meio da técnica de imunofluorescência (CHAIYARIT et al., 2005; KAWANISHI et al., 2006), não tendo sido encontrado na literatura nenhum estudo imuno-histoquímico que avaliou o dano de DNA utilizando o marcador anti-8OHdG em LPO. Conhecer o papel do estresse oxidativo na patogênese do LPO pode contribuir para que este constitua um alvo terapêutico adicional para essa doença.

No que concerne ao tratamento do LPO, todos os casos de LPO erosivo incluídos em nossa amostra realizaram tratamento com bochecho depropionato de clobetasol a 0,05%, 4 vezes por dia, durante 15 dias, estendendo o tratamento por mais 15 dias nos casos de persistência da lesão. García-Pola et al. (2017) realizaram uma revisão sistemática sobre o tratamento do LPO utilizando uma amostra de 55 artigos científicos. Esses autores constataram que a terapia com glicocorticoide é a mais estudada, sendo a triancinolona o fármaco mais utilizado, seguido pelopropionato de clobetasol e pela dexametasona. A respeito do propionato de clobetasol, a revisão sistemática observou que são utilizadas diferentes concentrações e formas de apresentação, entre elas encontram-se:0,025% na forma de microesferas lipídicas ou na forma de gel e 0,05% na forma de pasta ou solução para bochecho.

Dentre os estudos avaliados na revisão sistemática referida acima, o estudo de Javadzadeh et al. (2008) utilizou o propionato de clobetasol a 0,05% em forma de solução, assim como foi feito nesta pesquisa, com protocolo de aplicação de bochechos 4 vezes ao dia. Entretanto, na pesquisa de Javadzadeh et al. foi avaliado um novo enxaguatório bucal contendo propionato de clobetasol a 0,05% associado a amitriptilina e cetoconazol. Observou- se uma melhor resposta terapêutica do novo enxaguatório bucal, em comparação com o grupo controle (dexametasona associada a nistatina e a difenidramina), além de probabilidade de

nenhuma recorrência em 3 meses de acompanhamento, comparado a uma probabilidade de recorrência de 100% no grupo controle.

No nosso estudo, não foi realizada associação entre fármacos, já que utilizamos apenas a solução de propionato de clobetazol. Dos 11 pacientes tratados que compareceram às consultas de acompanhamento, 5 obtiveram resposta total à terapia, 5 obtiveram resposta parcial e 1 foi completamente resistente à terapia, o que pode sugerir que a associação do propionato de clobetazol com outros fármacos pode ser eficiente no manejo do LPO, como os fármacos utilizados na revisão sistemática (amitriptilina, que atua no sistema nervoso central, comumente utilizada no tratamento de depressão e ansiedade) e o cetoconazol (antifúngico, que é um importante aliado para prevenir a candidose, efeito adverso comum relacionado ao uso de corticosteroide).

Sobre a relação do estresse oxidativo com a resposta ao tratamento, Hashemy et al. (2016), em seu estudo caso-controle, não observaram diferença entre os níveis de MDA (malonaldeido), que é um fator de estresse oxidativo, antes e após 14 dias de tratamento com corticosteróides tópicos, o que sugere que o estresse oxidativo não seria influenciado pelo tratamento. De maneira semelhante, embora o nosso estudo só tenha avaliado a imunomarcação de 8-OHdG antes do tratamento, não foi observada diferença significativa entre a marcação do 8-OHdG e a resposta ao tratamento, sugerindo que o estresse oxidativo e o consequente dano de DNA não teria relação com o sucesso do tratamento com corticosteroide tópico. Entretanto, na presente pesquisa, só houve acompanhamento clínico de 11 pacientes, que retornaram às consultas de acompanhamento, o que representa uma amostra muito pequena, sendo imprescindível a realização de outros estudos para avaliar a relação da resposta ao tratamento com o estresse oxidativo que utilizem amostras maiores.

Todos os casos desta pesquisa obedeceram aos critérios de diagnóstico sugeridos por Cheng et al. (2016), tanto no que diz respeito aos critérios clínicos quanto histopatológicos. Com relação aos critérios clínicos, todos os casos apresentaram-se clinicamente de forma multifocal, com as lesões aproximadamente simétricas, presença de estrias de Wickham para os casos reticulares e todos os casos classificados como LPO erosivos apresentaram concomitantemente lesões reticulares associadas a esta forma clínica. Já no que diz respeito aos critérios histopatológicos, em todos os casos foi observada presença de um infiltrado inflamatório em banda, próximo a região da camada basal, predominantemente linfocítico e ausência de displasia epitelial e alteração epitelial com arquitetura verrucosa.

É fundamental que estes critérios de diagnóstico sejam obedecidos rigorosamente, para possibilitar uma maior padronização e eficiência dos estudos que buscam compreender a real

etiologia e patogênese do LPO, além de compreender melhor sobre o potencial de malignidade desta lesão e, se for o caso, de se conhecer com maior precisão a taxa de transformação maligna do LPO e LLO, de maneira individualizada. É possível que as grandes controvérsias ainda existentes na literatura em torno do LPO sejam influenciadas pela falta do cumprimento rigoroso desses critérios de diagnóstico e por não haver uma padronização neste quesito. Inclusive, Idrees et al. (2020), em sua metanálise que avaliou a transformação maligna em LPO com critérios de diagnósticos e de inclusão bem rigorosos, eles concluíram que as taxas de transformação maligna são superestimadas devido aos critérios de diagnóstico não serem seguidos rigorosamente.

No que diz respeito à imunomarcação do 8-OHdG na nossa amostra, observou-se marcação tanto em nível nuclear quanto citoplasmático e foi constatada uma correlação positiva e estatisticamente significativa entre os escores citoplasmáticos e nuclear, demonstrando que com o aumento da imunomarcação citoplasmática havia concomitantemente o aumento da imunomarcação nuclear, o que pode ser explicado pelo fato do 8-OHdG ser produzido não só no DNA nuclear, mas também no DNA mitocondrial, conforme afirmou Wu et al. (2017).

Não obstante, Chayarit et al. (2005) observaram imunomarcação principalmente em nível nuclear, havendo pouca imunomarcação citoplasmática. Essa diferença pode ser explicada pelas divergências nas técnicas utilizadas, uma vez que na presente pesquisa foi realizado um estudo imuno-histoquímico, enquanto Chayarit et al. (2005) realizaram uma análise por imunofluorescência, e até mesmo pelas diferenças na especificidade e/ou sensibilidade dos anticorpos utilizados. Por outro lado, o estudo de Yoshifuku, Fujii e Kanekura (2018), que realizou uma análise imuno-histoquímica da 8-OHdG, observou que este biomarcador se expressou tanto no núcleo como no citoplasma, apesar da marcação nuclear ser predominante e mais intensa, assim como foi verificado na maioria dos nossos casos.

Chayrit et al. (2005) também constataram imunomarcação em toda a amostra de LPO, sendo esta mais evidente na camada basal do epitélio, assim como foi observado na presente pesquisa; e também foi observado imunomarcação entre as células inflamatórias, assim como observamos em nossa amostra. Sobre a imunomarcação nas células inflamatórias, Madhulika et al. (2015) realizaram um estudo caso controle para detectar o dano de DNA em linfócitos em pacientes com LPO e esses autores observaram que, de fato, havia maior dano de DNA nos linfócitos destes pacientes em comparação com o grupo controle. Kawanishi et al. (2006) afirmaram que as células inflamatórias produzem EROs e, consequentemente, estão expostas a estresse oxidativo, o que pode explicar a expressão da 8-OHdG entre essas células.A

imunomarcação mais evidente na camada basal pode ser explicada pela maior proximidade desta camada ao infiltrado inflamatório, estando, portanto, mais exposta aos danos gerados pelo estresse oxidativo. Isso pode ter relação, também, com os aspectos morfológicos do LPO, no qual observa-se degeneração da camada basal do epitélio.

Com relação à imunomarcação dos espécimes de mucosa oral normal, diferentemente do estudo de Chayarit et al. (2005) e Ma et al. (2006), que observaram pouca ou nenhuma imunorreatividade, o nosso estudo observou escores altos para a mucosa oral normal, especialmente nos espécimes de gengiva. Embora He et al (2014) e Kawanish et al (2006) tenham afirmado que a 8-OHdG tem se mostrado útil para avaliar o risco de carcinogênese, os resultados da presente pesquisa fazem levantar o questionamento se a expressão desse marcador possa realmente ser confiável no que diz respeito a se avaliar o risco de transformação maligna de desordens potencialmente malignas, como o LPO, uma vez que mesmo células de mucosa oral clinicamente saudável apresentaram imunorreatividade ao anti- 8-OHdG.

De acordo com Kubo et al. (2014), as células são expostas a estresses oxidativos como resultado do metabolismo respiratório normal ou devido a reações imunes. Portanto, mesmo em tecidos saudáveis poderia haver a produção de 8-OHdG, especialmente na mucosa oral, que está constantemente sendo exposta a traumas e microrganismos, o que leva a uma inflamação localizada e a um estresse oxidativo nessa região. A gengiva é um local mais susceptível a trauma do que o lábio, o que pode explicar a maior imunomarcação dos espécimes de gengiva saudável em comparação com os espécimes provenientes de cirurgia para remoção de lábio duplo. Além disso, mesmo em gengivas saudáveis, é comum a presença de células inflamatórias na lâmina própria. Essa inflamação desencadeia a produção de EROs e, consequentemente, estresse oxidativo, por mais que a inflamação seja bem mais evidente em doenças periodontais, como foi demonstrado no estudo de Vasconcelos et al. (2016).

Apesar de ter sido observado imunomarcação da 8-OHdG em mucosa normal, a presente pesquisa evidenciou tendência de maior marcação nuclear e de maior intensidade de marcação no LPO em comparação com a mucosa oral normal, sugerindo haver maior produção de 8- OHdG e, consequentemente, maiores níveis de estresse oxidativo em pacientes com LPO.Totan et al (2015) e Kaur et al. (2016), ao avaliarem os níveis de 8-OHdG na saliva de pacientes com LPO, observaram uma concentração bem maior nestes pacientes em comparação com o grupo controle. Agharrosseini et al. (2012) também constataram níveis de 8-OHdG significativamente maiores do que no grupo controle, embora não tenham observado

diferenças estatisticamente significativas entre a capacidade total antioxidante e os níveis de MDA salivar (fator de estresse oxidativo) entre o LPO e o grupo controle. Ainda assim, os resultados do nosso estudo e desses outros são evidências que podem ajudar a comprovara existência de relação entre o estresse oxidativo e a patogênese do LPO.

No que diz respeito às diferenças dos níveis de estresse oxidativo entre o LPO erosivo e reticular, Hashemy et al. (2016) observaram maior capacidade antioxidante da saliva nos pacientes com as formas ceratóticas em comparação com as formas erosiva e atrófica, sugerindo haver um maior nível de estresse oxidativo nestas últimas. Aziziet al. (2012) também observaram menores níveis salivares de antioxidantes em pacientes com LPO erosivo, em comparação com indivíduos saudáveis. Essa constatação vai de encontro com os nossos resultados, que embora não tenha havido diferenças estatisticamente significativas (p=0,088), houve uma tendência de maior expressão nuclear de 8-OHdG no LPO erosivo em comparação com a forma reticular e a mucosa oral normal. Acreditamos que a falta de significância estatística se deu devido ao tamanho da amostra de LPO erosivo, sendo fundamental outros estudos com amostras maiores.

A literatura relata que o LPO erosivo está mais associado à transformação maligna em comparação com os outros subtipos clínicos, conforme foi evidenciado na revisão sistemática realizada por Giuliani et al. (2019) e no estudo realizado por Laniosz et al. (2019).Wu et al. (2017) e Kawanishi et al. (2006) destacaram que, se a 8-OHdG produzida não for reparada e a célula lesada não sofrer apoptose, podem ocorrer mutações transversais, induzindo o processo de carcinogênese. Além disso, Wu et al. afirmaram, também, que o aumento na 8-OHdG pode ocorrer não apenas devido a um aumento na taxa de dano oxidativo de DNA, mas também devido a um declínio na taxa de reparo. Inclusive, Pimenta et al. (2014) observaram uma menor taxa de reparo do DNA no LPO em comparação com a mucosa normal.

Para finalizar, foi evidenciado no presente estudo uma significativa maior imunoexpressão da 8-OHdG nos casos de LPO sintomáticos em comparação com os assintomáticos. Isso provavelmente se deve ao fato de que todos os casos de LPO erosivos eram sintomáticos e a 8-OHdG já foi demonstrada mais expressa no subtipo erosivo em muitos estudos, como já foi explanado. Outra possível explicação para isso seja devido ao fato de os casos sintomáticos estarem associados a um maior grau de inflamação e, consequentemente, estarem mais expostos aos efeitos do estresse oxidativo. Ademais, o estresse e a consequente liberação de cortisol que ocorre no paciente em decorrência da sintomatologia dolorosa poderia alterar a nível local o estresse oxidativo. Embora Neville et al. (2016) caracterize o LPO reticular como sendo assintomático, alguns pacientes com LPO

reticulares da nossa amostra relataram sintomatologia, demonstrando que a sintomatologia é algo bastante subjetivo.

O presente estudo demonstrou que o estresse oxidativo com dano de DNA contribui para

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