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Após os dados colhidos para a análise de conteúdo, é hora de organizar a amostra para obter os resultados da pesquisa. “A codificação e, consequentemente, a classificação dos materiais colhidos na amostra, é uma tarefa de construção, que carrega consigo a teoria e o material de pesquisa”, explica Bauer (2000, p.199). A codificação pode ser feita tanto no papel quanto no computador.

Para Bardin (1998, p.101) os resultados brutos da análise são tratados de maneira a serem significativos e válidos. O pesquisador pode criar quadros de resultados, diagramas, figuras e modelos para auxiliar a análise. Além disso, a confrontação dos resultados “podem servir de base a uma outra análise disposta em torno de novas dimensões teóricas, ou praticada graças a técnicas diferentes”.

Para finalizar, os autores destacam que os métodos usados na pesquisa devem ser transparentes para que outros pesquisadores possam realizar novamente a pesquisa e obterem os mesmos resultados. Bauer (2000, p.212) contextualiza sobre umas das principais vantagens da análise de conteúdo: “ela faz uso principalmente de dados brutos que ocorrem naturalmente; pode lidar com grandes quantidades de dados; presta-se para dados históricos; e ela oferece um conjunto de procedimentos maduros e bem documentados”. O autor acrescenta que uma boa análise de conteúdo deve se preocupar com a fidedignidade e validade da pesquisa e também dar atenção para a coerência e transparência dos métodos utilizados.

3.6 Entrevistas

A proposta é de entrevistar profissionais que são ou foram responsáveis pela produção do ‘Jornal da Educativa’. Portanto, a pesquisadora identificou pessoas que compõem a trajetória da TVE de Ponta Grossa, para relatar profissionalmente o jornalismo da emissora quanto pessoas que podem contar a trajetória história da televisão. A área profissional e histórica se complementam no sentido de entender as características do telejornalismo na emissora educativa. No início da pesquisa, foram realizadas três pesquisas exploratórias com funcionários da emissora: editor, jornalista e o ex-diretor de jornalismo da TVE.

Para Britto e Feres (2011), a entrevista é a técnica com maior versatilidade para coleta de dados de uma pesquisa e de fácil aplicação. Os autores lembram que as entrevistas devem

ser combinadas com outras técnicas e métodos para aferir a veracidade do que lhe é falado. Para esse trabalho o uso da entrevista se torna parte fundamental na coleta de dados históricos e das produções noticiosas da TVE de Ponta Grossa. Nesse sentido, escolheu-se a entrevista semi-directiva para entrevistar as fontes.

Quivy e Campenhoudt (1998), explicam que a entrevista semi-directiva é a mais usada em investigações sociais, já que ela permite que o pesquisador crie perguntas-guias, relativamente abertas, e com isso o entrevistado pode falar abertamente sobre o tema que lhe é perguntado, mas o pesquisador sempre deve se atentar em se ater as perguntas-guias para conduzir a entrevista.

Desse modo, foram feitas cinco entrevistas que são utilizadas ao longo do texto dissertativo. Os entrevistados falaram sobre a produção jornalística da emissora e as questões que envolvem a estrutura, verba municipal, produção, equipamentos, medidas judiciais, entre outros assuntos que permeiam o jornalismo da TV Educativa de Ponta Grossa.

Entrevistados:

1. Alexandre Gonçalves Machado - concursado como editor desde 2004. Trabalhou na equipe terceirizada na fundação da emissora. Exerceu cargo comissionado de Diretor Administrativo e Financeiro da Funepo em dia 1º de julho de 2016 até 31 de dezembro de 2016.

2. Eduardo José Farias – ex-Diretor de Jornalismo da emissora. Exerceu o cargo em comissão de 07 de janeiro de 2013 até 31 de dezembro de 2016.

3. João Carlos Dias de Oliveira – concursado como jornalista desde 2004. Atua como pauteiro.

4. Marcelo Franco – atual Diretor de Jornalismo e apresentador do telejornal. Foi nomeado em 13 de fevereiro de 2017.

5. Rafael Schoenherr – atuou por quatro nos como conselheiro no Conselheiro Curador da emissora. Representante do Sindicato dos Jornalistas do Paraná.

3.7 Aplicando as escolhas

Os caminhos, escolhas, critérios e procedimentos escolhidos até aqui proporcionam a análise do telejornal da TVÉ de Ponta Grossa, como será vista no capítulo seguinte. Desde o primeiro passo escolhido em determinar o tema da pesquisa até a finalização das categorias e suas unidades, foi um processo em constante mudança e de questionamento.

O levantamento sobre questões pertinentes da televisão pública e educativa no Brasil, assim como o mapeamento da legislação e concessões pelo país nos fornece base para entender o que falta ou não em vários aspectos desse tipo de emissora. O acompanhamento das reuniões do Conselho Curador da TV Educativa de Ponta Grossa nos faz entender na prática os questionamentos da teoria.

CAPÍTULO 4 – Análise do telejornal: características jornalísticas da TV Educativa de Ponta Grossa

Neste capítulo, analisaremos a decupagem do material do telejornal da TV Educativa de Ponta Grossa. O objetivo é caracterizar o material jornalístico apresentado pela emissora. Portanto, apresentaremos de forma fragmentada as particularidades da produção noticiosa da TVE, para depois analisar todo o conjunto. Como já apontado na metodologia, foram analisados três semanas do ‘Jornal da Educativa’, dos meses fevereiro, abril e julho de 201630.

Uma semana de cada mês. Um total de 137 matérias31 foram analisadas e decupadas através

das categorias elencadas. A análise se dividiu em: tema, fontes, tipos de fontes e valência, número de fontes, duração, formato, categoria e localização. Essas categorias buscam caracterizar as notícias do ‘Jornal da Educativa’ e perceber através dessa análise o tipo de jornalismo que a emissora produz. Começaremos a analisar as pautas noticiadas para entender como a TVE seleciona e hierarquiza os temas apresentados para os cidadãos.

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