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Segundo Oliveira et al. (2003, p.7) após seguir alguns passos da análise de conteúdo, já descritos nesse documento, o pesquisador deve começar a determinar as unidades de registro baseado no que já conhece sobre o tema. Após a criação das unidades, surgem as

categorias dentro dessas unidades de registro. Para Oliveira et al. (2003, p.9) “esta etapa é muito importante, pois a qualidade de uma análise de conteúdo possui uma dependência como o seu sistema de categorias”. Para a criação dessas unidades de registro o pesquisador pode usar outros estudos como base, com bem assinala Bauer (2000, p.200): “alguém pode ser capaz de se basear em categorias padronizadas se um código semelhante já tenha sido empregado em uma pesquisa anterior”.

“A documentação detalhada do processo de codificação assegura uma prestação pública de contas, e serve para que outros pesquisadores possam reconstruir o processo caso queiram imitá-lo. A documentação é um ingrediente essencial da objetividade dos dados”, destaca Bauer (2000, p.201). Além disso, o autor aponta outras características da análise de conteúdo que fazem com que a pesquisa tenha qualidade: a) coerência e simplicidade do referencial de codificação, b) transparência da documentação, c) fidedignidade, d) validação. Oliveira et al. (2003, p. 11) explica que as categorias podem ser previamente definidas e outras podem ser criadas quando o pesquisador já está realizando a pesquisa. A autora ressalta que as categorias devem ser indicadas de acordo com que o pesquisador quer realmente observar e também dialogando com a teoria.

As unidades e as categorias foram pensadas com o objetivo de analisar o maior número possível de elementos que o telejornal apresenta, tendo como base o telejornalismo, telejornalismo público e os passos da análise de conteúdo. Para a coleta dos dados e posterior análise, foi elaborada uma tabela onde se preencherá as informações de cada matéria assistida. As colunas a serem preenchidas na tabela são: mês; dia analisado; total de matérias; tema; fontes e tipos de fontes e sua valência; número de fontes; duração; formato, categoria e localização.

Unidade de registro 1: Categorias e temas

Categorias da unidade de registro 1: cidade, cultura, educação, esporte, polícia, política, religião, saúde e transporte.

A coluna nomeada de categoria se faz no propósito de identificar que área é mais tematizada no telejornal da TV Educativa de Ponta Grossa. As categorias foram criadas pensando em uma televisão pública, educativa e local. Foram baseadas no livro “Os direitos na esfera pública mediática: a imprensa como instrumento da cidadania” de Murilo César

Soares (2012), onde o autor ressalta aspectos que a imprensa deveria apresentar na questão do jornalismo como interesse público e sua ligação com o jornalismo preocupado em informar o cidadão. Além disso, o artigo se inspira na análise realizada por Chagas e Morais (2015), onde os autores analisam a agenda política e midiática de três rádios da cidade de Guarapuava. Portanto, foram criadas nove categorias para a análise da TVE de Ponta Grossa. Na tabela a seguir são elencados os assuntos que podem abranger cada categoria.

Quadro 4 – Categorias e Temas

Categoria Temas

Cidade Temas do cotidiano da cidade de Ponta Grossa que envolvam a população; modo de viver; emprego; economia; moradia, etc.

Cultura Eventos culturais; apresentações; turismo.

Educação Políticas públicas de educação; educação municipal e estadual; universidade.

Esporte Eventos municipais esportivos; campeonato paranaense; projetos esportivos.

Polícia Forças de segurança; crimes; coletivas de imprensa das polícias.

Política Eventos políticos; decisões do poder legislativo e executivo; agenda de campanha.

Religião Eventos religiosos; campanhas das igrejas.

Saúde Campanhas de saúde contra a dengue; políticas públicas de saúde para a cidade; hospitais.

Transporte Transporte coletivo; preço da passagem; rodovias; infraestrutura;

Fonte: quadro elaborado pela autora.

Unidade de registro 2: Fontes e tipos de fontes + valência

Categorias da unidade de registro 2: oficial; empresarial; institucional; popular; notável; testemunhal; especializada e referência. Valência: positiva; negativa e equilibrada.

A tabulação de fontes e tipos de fontes se faz necessária no sentido de compreender quem são as pessoas que a TVE preferencia nas suas reportagens e a classificação do tipo de fontes se baseia no livro de Aldo Antonio Schmitz (2011) “Fontes de notícias: ações e estratégicas das fontes no jornalismo”.

O autor cria um grupo de fontes que dão entrevistas para os meios de comunicação e distingue cada uma delas: oficial (alguém com função ou cargo público que se pronuncia por órgãos mantidos pelo Estado e preservam os poderes constituídos, bem como organizações agregadas); empresarial (representa uma corporação empresarial da indústria, comércio,

serviços ou do agronegócio); institucional (quem representa uma organização sem fins lucrativos ou grupo social); popular (uma pessoa comum, que não fala por uma organização ou grupo social); notável (são pessoas notáveis pelo seu talento ou fama, que falam de si e de seu ofício); testemunhal (funciona como álibi para a imprensa, pois representa aquilo que viu ou ouviu, como partícipe ou observadora); especializada (pessoa de notório saber específico ou organização detentora de um conhecimento reconhecido) e referência (bibliografia, documento ou mídia que o jornalista consulta). A valência das fontes também será analisada. Mas somente as fontes que tiverem relação com a Prefeitura. Elas se dividem em: positiva, negativa ou equilibrada.

Unidade de registro 3: Formato

Categorias da unidade de registro 3: formato, nota, notícia, entrevista, reportagem e indicador.

A coluna formato também se faz importante para entender de que forma é tratado aquele assunto no telejornal. Para classificar as matérias nessa coluna, baseou-se na categorização de formatos de telejornais informativos de Rezende (2009). Para o autor, o jornalismo informativo se divide em cinco categorias, que foram baseadas nos autores Squirra (1990) e Maciel (1993).

A categoria nota diz respeito às matérias curtas, que informam objetivamente o acontecimento. Podem ser divididas em: nota simples, ao vivo e nota coberta. A nota simples é lida pelo apresentador sem contextualização de imagens, já a nota coberta o apresentador do telejornal lê o texto enquanto as imagens são transmitidas para o telespectador. A categoria

notícia representa o relato mais completo que a nota, que pode por combinar a apresentação

ao vivo e a narração em off coberta por imagens. Outra característica é a ausência do repórter. A entrevista: é definida como o diálogo em que o repórter mantém com o entrevistado, através de perguntas e respostas, com o objetivo de extrair informações para um assunto determinado.

A reportagem possui uma estrutura completa, que se constitui em cinco partes: cabeça,

off, boletim, sonoras e nota pé, mas pode configurar-se também sem uma ou mais dessas partes e tem duração mais longa do que os outros formatos. Enfim, a categoria indicador é um formato para o jornalismo de serviço, onde apresenta-se dados objetivos com tendências ou

resultados de diversos assuntos, como previsões meteorológicas, números do mercado financeiro e informações de condições de trânsito, entre outros assuntos.

Unidade de registro 4: Localização

Categorias da unidade de registro 4: local, regional e estadual.

Essa coluna diz a respeito do lugar de abrangência da notícia veiculada. Quando a notícia fala sobre a cidade de Ponta Grossa será local. A informação sobre a região dos Campos Gerais será regional. E por fim, matérias que abranjam um assunto que atinge todo o Estado do Paraná serão estaduais.

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