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Aprendi a trabalhar em equipe, a ser cooperativa (SF-9).

De acordo com Hargreaves (1999), a docência é uma profissão que se exerce segundo um padrão de trabalho baseado numa cultura profissional individualista e isolada, o que contribui para manter intacto o patrimônio da pedagogia transmissiva, favorecendo o trabalho solitário do professor, sem a partilha do diálogo com os pares, sem o apoio sustentado de um trabalho cooperativo e muitas vezes, sem abertura para apoio externo, o que implica na manutenção de um padrão tradicional de trabalho, impedindo o vislumbrar de modos alternativos de ensinar.

Escolhemos a abordagem dessa autora para pôr em evidência de uma forma generalizada, a ação docente que ainda impera na educação brasileira, marcadamente caracterizada pelas normas de uma ação burocrática, instrutiva, individualista e fechada que remete ao modelo escolar transmissivo do século XV. Através dos depoimentos dos professores da amostra selecionada, pressupomos que a abordagem de Hargreaves (1999),

justifique os comentários que os professores sublinham, que os levam a valorizar o trabalho em equipe, os quais apresentamos a seguir.

Tais depoimentos nos levam a compreender que as relações sociais ou de colaboração entre os docentes não são muito comuns, principalmente quando se trata de “ouvir o outro.”

SF-9: Aprendi a trabalhar em equipe, a ser cooperativa.

JBB-3: Contribuiu intensamente para a minha convivência com

os colegas no trabalho pedagógico.

EV-8: Só cresci, com resiliência e sempre ouvindo o outro. EV-2: A metodologia inovadora ultrapassa o curso e chega a

todas as ações dos professores na escola, influenciando também os meus colegas.

CC-5: Em relação aos outros professores, passei a contribuir (...)

em busca de objetivos comuns, a educação mais significativa e produtiva.

JBB-9: Percebo que, minha persuasão para com os colegas e

parceiros têm sido essencial e vem, cada vez mais, minha relação com o outro se ampliando minha rede de contatos.

EV-5: Amadureci no exercício de ouvir e estimular o outro. AFS-9: Em relação aos outros professores, pude contribuir no

sentido de conscientizá-los sobre o fortalecimento da cidadania e do trabalho em equipe.

FMA-1: Comecei a mudar a minha postura como docente, passei

a ter mais calma, ser mais paciente, num sentindo de procurar entender mais o lado do outro, especialmente na relação com os colegas de trabalho.

MMJ-4: Graças aos conhecimentos da educação empreendedora

que adquiri, tenho feito um bom trabalho aqui. Me ajudou a realizar o trabalho de coordenação pedagógica, aprendi a gerenciar equipes, lidar com conflitos próprios da educação e da rotina escolar. Nem sempre é fácil mediar o processo ensino aprendizagem em meio a tantas mudanças, como temos vivido.

NCP-EV: No meu dia a dia de escola, passei a ouvir mais, a

valorizar a opinião do outro.

Observamos nos depoimentos dos professores a conscientização para a importância do trabalho em equipe. AFS-9: “Em relação aos outros professores, pude contribuir no sentido

de conscientizá-los sobre o fortalecimento da cidadania e do trabalho em equipe”; SF-9:

professores, passei a contribuir (...) em busca de objetivos comuns, a educação mais significativa e produtiva.”

Em outros trechos, percebemos que os professores citaram várias vezes o termo “ouvir o outro”, “paciência”; pressupomos que no dia a dia da escola, as relações sociais entre os docentes parecem ser conflituosas. EV-5: “Amadureci no exercício de ouvir e estimular o

outro”; EV-8: “Só cresci, com resiliência e sempre ouvindo o outro”; JBB-3: “Contribuiu intensamente para a minha convivência com os colegas no trabalho pedagógico”. Este

mesmo professor ainda enfatiza JBB-9: “Percebo que, minha persuasão para com os colegas

e parceiros têm sido essencial e vem, cada vez mais, minha relação com o outro se ampliando minha rede de contatos”; FMA-1: “Comecei a mudar a minha postura como docente, passei a ter mais calma, ser mais paciente, num sentindo de procurar entender mais o lado do outro, especialmente na relação com os colegas de trabalho”; NCP-EV: “No meu dia a dia de

escola, passei a ouvir mais, a valorizar a opinião do outro”.

Observamos nos depoimentos que os professores refletiram sobre a importância do trabalhar em equipe (16,4%), e de forma bastante evidente, revelam resultados decorrentes dessa vivência, o que implica em melhorias no inter-relacionamento pessoal. Em síntese, expressa a capacidade de aprender a respeitar a opinião de outros colegas professores, a ser tolerante, a ter paciência, como fica claro no relato da professora MMJ-4: “Graças aos

conhecimentos da educação empreendedora que adquiri, tenho feito um bom trabalho aqui. Me ajudou a realizar o trabalho de coordenação pedagógica, aprendi a gerenciar equipes, lidar com conflitos próprios da educação e da rotina escolar. Nem sempre é fácil mediar o processo ensino aprendizagem em meio a tantas mudanças, como temos vivido”.

O depoimento da professora MMJ, descrito acima, enfatiza os benefícios de se trabalhar em equipe, indo de encontro aos resultados da pesquisa realizada por Jorge Ávila de Lima (2003), sobre experiências de colegialidade docente em algumas escolas publicas de Portugal. O pesquisador apontou os benefícios intelectuais e profissionais que os professores adquirem a partir do contato com colegas para discutir ideias e partilhar experiências, dentre elas (1) partilha de dificuldades e problemas para superar a insegurança individual; (2) aumento do nível de autoeficácia e a melhoria da aprendizagem dos alunos daqueles professores que se envolvem com interações profissionais com colegas; (3) aquisição de maior poder de decisão e controle do trabalho profissional por parte dos professores através da constituição de equipes de trabalho.

A pesquisa de Lima (2003), também apontou que é através do planejamento e implementação de projetos de origem externa, assumidos e sustentado por professores, que

são introduzidos processos de colaboração quase imperceptíveis que ocorrem através de encontros breves e informais. Assim, é a partir dessas experiências, que os professores expressam valor e atribuem significado ao trabalho colaborativo. Tais resultados enunciados por Lima (2003) associam-se aos relatos dos professores participantes da nossa pesquisa, concernentes a essa subcategoria.

Em síntese, a aplicação da metodologia Despertar e as vivencias delas decorrentes, envolvendo o trabalho em equipe e a cooperação - temáticas raramente exploradas no currículo - , contribuem para que os docentes passem a compreender a importância da interação, favorecedor um clima de apoio mútuo e capaz de afastar a ideia de que o trabalho do professor é uma atividade individual, além de contribuir para a mudança organizacional através da busca de soluções para problemas comuns.

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