• Aucun résultat trouvé

Can And USB Controller

Dans le document Insider’s Guide STM32 (Page 70-74)

4. STM32 System Architecture 35

5.3 Can And USB Controller

Tendo em atenção os dados compulsados podemos definir as unidades de paisagem do território em análise, conforme as características identificadas para os séculos XVIII e XIX, em virtude da sua posição geográfica, litoral ou interior, morfologia do terreno, tipo de exploração do solo, cobertura vegetal e povoamento. Devem-se assim considerar cinco unidades de paisagem, nomeadamente, a frente atlântica, a frente ribeirinha Norte, as terras da Caparica, a frente ribeirinha Este, a quinta unidade localizava-se a Sul nos terrenos ocupados por charneca e pinhal. O território dos concelhos de Almada e Seixal, onde se inscrevem as unidades de paisagem propostas, é aqui analisado como um todo, independentemente das alterações da jurisdição municipal, apresentando-se

160

AHCMA, Livro de Posturas de 1866, CMA/B/A/003/LV003, artº. 34, (ver anexo documento 4).

161

seguidamente as seis unidades de paisagem de Oeste para Este, partindo da frente atlântica para o interior da península.

Mapa 4 – Mapa aproximado das unidades de paisagem nos concelhos de Almada e Seixal durante o século XIX (Francisco Silva, 2008).

Comecemos então pela frente atlântica, que limita a Ocidente o território em análise, prolongando-se numa extensão de aproximadamente treze quilómetros, desde a Lagoa de Albufeira até à Golada a Oeste da Trafaria, lugar onde termina a margem esquerda da foz do Tejo. A costa atlântica é marcada pela arriba, que na base dá lugar a uma larga e extensa faixa de areal, aumentando de largura à medida que nos dirigimos para Norte. Enquanto unidade de paisagem, este espaço integrava no século XVIII e XIX as povoações da Costa e Trafaria, constituídas exclusivamente por pescadores que habitavam aglomerados de barracas de madeira e colmo. O terreno era arenoso, com pântanos e charcos, sendo a vegetação constituída basicamente por juncos, e o ambiente propício à proliferação de insectos transmissores de febres paludosas. A questão sanitária terá determinado que a partir de 1882 o governo do reino, em resposta às

solicitações do representante de Almada às cortes Jaime Artur da Costa Pinto,162 mande drenar, através da abertura de valas, os pântanos que separavam a praia da arriba e florestar com pinheiros uma faixa de terreno paralela à praia, entre as povoações da Trafaria e Costa. Os solos entre o pinhal e a base da arriba, então drenados, começaram a ser cultivados, plantando-se vinha e hortaliças. Para Sul, o areal entre a praia e a arriba só será florestado e arroteado no início do século XX. Neste espaço, opera-se no final do século XIX uma alteração no ambiente sócio económico, até então exclusivamente dominado pela pesca, ganhando importância a actividade agrícola.

A segunda unidade de paisagem que podemos identificar nas fontes do século XVIII e XIX é a frente ribeirinha Norte, formada pela arriba escarpada sobre o Tejo, interrompida por talvegues, nos quais se localizam os lugares de Banática, Porto Brandão, Praia da Paulina, Portinho da Costa e Praia dos Buxos, que constituíam portos naturais para o transporte fluvial e pontos de apoio à pesca. A Banática tinha, em 1758, catorze fogos e uma ermida dedicada a Nossa Senhora do Cabo.163 O Porto Brandão, principal povoação integrada nesta unidade de paisagem, contava com quarenta e um fogos e uma ermida dedicada a Nossa Senhora do Bom Sucesso.164 As praias da Paulina e dos Buxos e o Portinho da Costa serviam de embarcadouro ou local de armazenamento. Nalguns lugares da frente ribeirinha instalaram-se durante o século XIX algumas indústrias e armazéns.

A unidade de paisagem aqui designada por terras da Caparica corresponde, grosso modo, a uma faixa de terreno paralela à arriba, a qual se estende para o interior e onde se localizam os terrenos mais férteis, ocupados pelas principais culturas agrícolas. É o espaço das vinhas, searas, hortas e pomares. É também aqui que se situa a maioria das povoações da zona Norte do território estudado, nomeadamente a sede da freguesia de Caparica, que se localiza num ponto elevado. O povoamento é concentrado e as vias de comunicação que ligam as várias localidades traçam uma rede de caminhos por onde circulavam pessoas, animais, produtos e mercadorias. Estes caminhos de terra eram ladeados por valados, onde cresciam plantas como as silvas, carrascos, aroeiras ou piteiras, servindo de vedação às propriedades agrícolas. Os terrenos de cultivo

162

Duarte Joaquim Vieira Júnior, op. cit., p. 105

163

Alexandre Flores, op. cit., p. 43.

164

pertenciam na sua maioria às diversas quintas, que marcavam a paisagem com as suas casas, capelas, adegas, celeiros e abegoarias. Relativamente às transformações operadas nesta unidade de paisagem entre o século XVIII e XIX, regista-se o aumento significativo da população residente, bem como o maior número de topónimos mencionados. Mantêm-se as características rurais, sendo o declínio da cultura da vinha, em virtude das doenças que a afectaram na segunda metade do século XIX, um dos factores de transformação da paisagem decorrente do abandono ou reconversão dos vinhedos.

A quarta unidade de paisagem que consideramos abrange toda a frente ribeirinha virada a Este, banhada pelo Mar da Palha e pelos esteiros dos rios Coina e Judeu. Aqui, a arriba dá lugar a encostas suaves que terminam em praias e em extensas áreas de sapal sujeitas ao regime das marés, que motivaram a intenção nunca concretizada de instalação de marinhas de sal. Esta unidade de paisagem prolonga-se desde Cacilhas até Paio Pires, acompanhando o profundo recorte da margem, sendo aqui que se localizavam os moinhos de maré e os portos fluviais, na maioria destinados ao escoamento dos produtos da região. Ao longo das margens, em algumas zonas, ocorriam nascentes de água e brejos que permitiam culturas de regadio e pomares de citrinos, enquanto as encostas eram ocupadas por vinha. A propriedade estava dividida por várias quintas, das quais se destacam as do Alfeite, da Princesa, da Salema e da Trindade, o que reflecte a preferência da casa real, da nobreza e das ordens religiosas pela frente ribeirinha, mas também uma maior concentração da propriedade. Quanto às alterações observadas nesta unidade de paisagem salienta-se, a partir do século XIX, a instalação de algumas unidades industriais que, utilizando máquinas a vapor, se localizavam em zonas próximas das margens como forma de facilitar a descarga de combustível e o escoamento dos produtos transformados.

A área de território que ocupava a zona Sul dos concelhos de Almada e Seixal corresponde à quinta unidade de paisagem. Estas áreas encontravam-se despovoadas, constituídas na sua maioria por areias. Os solos eram pobres e ocupados por uma vegetação de características mediterrâneas, onde predominavam o carrasco, a aroeira e alguns sobreiros. A charneca era o tipo de paisagem característico de grande parte deste território, possibilitando contudo a exploração de variados recursos, sendo estes espaços

recolecção de lenha e grã, bem como para pastagens de gado caprino. Esta unidade de paisagem, que apresentava o coberto vegetal primitivo da região, foi diminuindo a sua extensão à medida que estes terrenos foram sendo ocupados por pinhais.

Não sendo o pinheiro uma espécie autóctone, depreende-se que terá sido plantado na região, constituindo uma forma de exploração dos solos de charneca, com menor aptidão agrícola, para produção de madeira e lenha. Entre os diversos pinhais referidos nos textos analisados, destaca-se o Pinhal dos Medos,165 também designado por Pinhal do Rei,166 que bordejava a arriba atlântica e se prolongava para Este. As áreas de pinhal eram intensamente explorados e protegidas do pastoreio, ocupando grande parte do interior do território e ainda alguns terrenos ao longo da frente ribeirinha da zona do Seixal.

As principais transformações ocorridas na paisagem rural dos concelhos de Almada e Seixal durante os séculos XVIII e XIX decorrem da maior divisão da propriedade e da evolução do cultivo da vinha, seu apogeu e decadência. As zonas litorais concentravam a maioria dos terrenos de cultivo, povoações, vias de comunicação terrestre e portos de apoio à pesca e ao transporte fluvial. O interior do território era quase totalmente ocupado por charneca e pinhal, sendo a lenha o recurso mais explorado. As mudanças que ocorrem de forma lenta e gradual durante o século XIX na paisagem da região, contrastam com as profundas alterações, em grande medida associadas ao processo de industrialização, que durante o século XX conduziram a transformações socio- económicas, com impacto na paisagem. No entanto, algumas marcas da ruralidade permaneceram no território e na memória local e é sobre elas que nos deteremos no próximo capítulo.

165

Luís Cardoso, op. cit., p. 15.

166

3. MEMÓRIAS DE UMA PAISAGEM RURAL DE ALMADA E SEIXAL NOS

Dans le document Insider’s Guide STM32 (Page 70-74)