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2-1) Les usages de l’arabe standard dans la société marocaine

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Figura 29 – Cartas Temáticas Referenciais – ‘Natura Naturata’, século XVIII

Fonte: Fonte: Elaboração da autora, 2015 (Cf. Apêndice A).

As cartas apresentadas (Figura 29) ilustram o relevo, a hidrografia e a vegetação:

Segundo os mapas de Frézier, 1714 (Figura 26-b[D-2]) e Massé (Figura 26-c[D-3]), verifica-se que, no século XVIII, o trecho em destaque se caracteriza na condição ‘Natura

Naturata’, onde havia as edificações do conjunto defensivo ao Sul da Cidade do Salvador: o

Forte de São Pedro ao Centro, o Dique Grande ao Leste e, ao Oeste, a Bateria da Gamboa nas margens da Baía de Todos-os-Santos.

Através da análise comparativa, percebe-se a transformação entre a ‘Natura Naturans’ e a ‘Natura Naturata’, nos séculos XVII e XVIII, que devido à política defensiva foi constituído um grande ‘parterre’ para interligar os compartimentos Norte e Sudeste, resultando um campo aplainado onde se levou o Forte de São Pedro, e essa nova condição

possibilitou o acesso, por terra, para o centro da cidade. Observa-se o impacto ambiental resultante dessa obra de aplainamento que resultou no represamento do Rio e na ampliação do espelho dágua do Dique Grande (Leste), na ligação entre os altiplanos Norte e Sudeste, na devastação da floresta atlântica ou costeira e na formação de terrenos encharcados. No entanto, foram preservadas as edificações fortificadas (Casa de Pólvoras e Bateria da Gamboa), compreendendo-se que o Forte de São Pedro era um ‘monumento’ que exercia sua ‘paries’ de isolamento entre a cidade tradicional e o meio semi-rural no Século XVIII.

Segundo Ferri (1974), nesse período, a floresta virgem, exuberante, em sua representação (externa e interna), exercia a condição de vulnerabilidade sobre a defesa da cidade, quando ocorreu a extinção parcial da província botânica das florestas Dríades (von MARTIUS, 1817), transformando-se me descampados para a ação ataque- defesa. Nas encostas, a floresta preservada foi classificada como Floresta Latifoliada Tropical Úmida de Encosta (ROMARIZ, 1968), e, nas margens dos cursos d´águas e charcos, foi classificada como Mata Pluvial Tropical (COUTINHO, 1962). Os campos revestidos por gramíneas possibilitaram a pastagem.

Esse limite defensivo ao Sul da cidade está sendo observado como o elemento de ‘segregação’ da cidade tradicional (portuguesa) que se constituiu a partir dos estímulos institucionais do Rei D. João V e do Vice-Rei Vasco Fernandes César de Meneses (1723) para conclusão das obras do Forte de São Pedro. Vale lembrar que o Forte de São Pedro103 foi uma construção demorada (1627-1723), projetada conforme os princípios da Arquitetura Militar Portuguesa104. Originalmente um local escolhido (1624) segundo os princípios da construção clássica vitruviana, que sugere a localização geográfica do sítio em adequação com a função defensiva (VELLOSO, 2005). Em Salvador, procurou-se um terreno elevado sobre campo raso, na proximidade com o mar para facilitar a provisão de munições, com bons ares, abundância de águas nativas, solo fértil para o cultivo de víveres, para garantir a condição de autonomia da fortaleza pós-medieval. No século XVIII, o forte foi remodelado para se adequar ao sistema de baluartes, segundo o projeto do Brigadeiro Massé (1713)105 segundo a

103 Monumento Tombado (IPHAN, Brasil,1957), uma fortaleza importante para a defensiva colonial, evidência

em diversos autores que tratam da temática em Salvador, (SILVA, 1952); (BARRETO, 1958). Funciona atualmente como l Estabelecimento Regional de Subsistência da 6ª Região Militar e da 17ª Circunscrição do Serviço Militar (BRASIL. Ministério da Defesa. DPHCEx – Diretoria de Patrimônio Cultural do Exército/6ª Região Militar. Disponível em: <. http://www.6dsup.eb.mil.br/hist_forte.htm >.).

104 “Da qualidade dos sítios e quais são melhores para se haverem de fortificar”. “Da escolha dos lugares sadios”

segundo Vitruvio – Livro I (VELLOZO, 2005, Cap. 4o , p.41, p.47, Nota 14) .

105 Embora sem definições de limites, documentos históricos comprovam que, em 1712, foram aplainados os

terrenos ao Oeste do Forte, para construção do fosso e da muralha de proteção da escarpa (VILHENA, 1921, p. 274), sendo desapropriadas as terras da “Roça do Carcereiro”(1712), cuja posse era do Sargento-Mor Francisco

orientação do engenheiro francês Marechal Sebastien le Prestre de Vauban, no entanto, a obra foi concluída pelo Mestre de Campo Miguel Pereira da Costa (1723), marcando na cidade o estilo da fortificação moderna renascentista (SILVA, 1952; BARRETO, 1958; MENEZES, 1986; OLIVEIRA, 2004). Como pode ser observado na Figura 30 abaixo, o detalhe do prospecto (CALDAS, 1759) destaca o conjunto defensivo ao Sul: Forte de São Pedro, Casa de Pólvoras dos Aflitos e Bateria da Gamboa.

Figura 30 – Prospecto da Cidade do Salvador no século XVIII

O ‘Tratado de Caldas’ (1759) se tornou o documento referencial utilizado pelos autores da época, como o escritor Luis Santos Vilhena (1802)106 que descreveu Salvador como uma

das cidades mais belas do império português. Entre os demais atributos, Vilhena considera as qualidades das fontes de águas naturais, as edificações do conjunto defensivo ao Sul como o limite da cidade no final do século, bem como a particularidade geográfica da Baía de Todos- os-Santos.

Para Matoso (1987), a cidade abraça o seu sítio, na condição ‘horst e graben’:

A ponta sul da península de Salvador tem a forma de um losango. A sua costa oeste se desenvolve exatamente ao longo de uma imensa falha, chamada falha de Salvador, que acompanha a direção SO NE. Esta falha separa o cristalino antigo da bacia sedimentar jurássica-cretácea. Trata-se de verdadeiro ‘horst’ cujo ‘graben’ é a baía. (MATOSO, 1978, p.84).

É nesse período da história de Salvador que se pretende situar a passagem da cultura arcaica portuguesa (GODINHO, 1971) para uma nova cultura que se inspira na vida ao ar

Fernandes de Lima (BRASIL. Ministério da Defesa, 6ª Região Militar. 2015. Disponível em: < http://www. 6dsup.eb.mil.br/hist_forte.htm > .).

106Em 1723, havia um caminho externo entre o Forte e a Fonte de São Pedro (MENEZES, 1986, p.139), “a

melhor agoa da cidade” (VILHENA, [1802]1921, p.105). A galeria de captação de água, o frontispício e a bacia de recolhimento de água servida foram construídos no século XIX (SALVADOR. ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL. Biblioteca da Fundação Gregório de Mattos.Livro de Posturas Municipais, 1852, p.244).

Elevação e Faxada que mostra em prospecto pela marinha a Cidade do Salvador Bahia de Todos os Santos Metropole do Brazil aos 13 graos pª a parte do Sul, aos 13 graos e 36 minutos de longitude. Bahia em 06 de abril de 1758./ Tirada por José Antonio Caldas.

Fonte: Montagem da autora com base em Antônio Caldas (1759).

FORTE SÃO PEDRO

BATERIA GAMBOA ENCOSTA

MERCÊS S.ANTONIO DA BARRA

CONCEIÇÃO DA PRAIA

CASA DE PÓLVORAS DOS AFLITOS

livre, na fragrância das flores, no sombreamento das árvores, entre outros atributos que permeiam os ideais de salubridade, quando o Forte de São Pedro foi considerado, e apropriado como um elemento mediador, apertio para fazer a comunicação entre a cidade tradicional e a cidade salubre, arejada, que se pretendia para a Salvador do século XIX.

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