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O instrumento de recolha de dados seleccionado recaiu sobre a entrevista, que segundo Gray (2004), se caracteriza por uma conversa entre pessoas, na qual uma faz o papel de investigador. O mesmo autor, considera a entrevista um instrumento poderoso para extrair dados sobre a visão das pessoas, as atitudes e os significados que fundamentam a sua vida e o seu comportamento. A entrevista constitui uma técnica, cuja interacção com o interlocutor permite penetrar nas realidades morais dos participantes, sendo uma tarefa muito mais árdua do que à partida se pode imaginar. Mas, era isso mesmo que pretendíamos, entender pela voz dos próprios o que pensavam sobre o assunto, como viam os seus cuidados e as suas necessidades naquele estado de saúde.

Neste estudo utilizamos uma entrevista semi-estruturada. Gray (2004) refere que, neste tipo de entrevista, o investigador tem uma lista de assuntos e questões que têm de ser abordados, mas a ordem das questões depende da direcção que a entrevista toma. Inclusivamente, algumas questões que não estavam antecipadamente incluídas na entrevista, foram colocadas assim que novos assuntos emergiram. Esta técnica é importante para manter a equidade relativamente ao significado e sentido. Para o investigador, este tipo de entrevista permite que o entrevistado exprima as suas visões e opiniões, e expanda a resposta. Por outro lado a introdução de pequenas questões, permitiu clarificar e aprofundar ideias/conceitos.

Elaboramos um guião orientador para a entrevista, com base nos aspectos essenciais a abordar (Anexo nº 3). Apoiamo-nos na Teoria das Necessidades de Maslow, por, após consulta de estudos nesta temática, concluirmos da sua defesa e utilização em variados contextos relacionados com cuidados paliativos (Barbosa e Neto, 2010; Zalenski e Raspa, 2006).

Estruturou-se o guião orientador da entrevista da seguinte forma: (i) Questões sócio demográficas;

(ii) Cinco questões sobre as NHB de acordo com a Teoria das necessidades de Maslow;

(iii) Quatro questões mais gerais que abordam os sentimentos e o sofrimento do doente;

(iv) E uma última questão sobre as intervenções dos enfermeiros que melhoram o dia- a-dia do doente no internamento.

A entrevista foi, inicialmente, realizada em dois doentes, o que serviu de pré-teste. Estas entrevistas serviram de preparação para a investigadora e, também, para a alteração de alguns pontos que se repetiam, ou cujas perguntas dirigiam para respostas idênticas, pelo que o guião orientador foi reformulado. Estas entrevistas não foram incluídas no estudo. A entrevista foi efectuada em contexto hospitalar, durante o internamento, numa sala calma e privada, num horário previamente acordado com o doente e combinado com os profissionais (equipa de enfermagem). Procuramos que fosse realizada num período de acalmia dos sintomas. Uma vez que a investigadora desempenha a sua actividade profissional na instituição onde foi aplicado o estudo, foi, também, indispensável que a entrevista fosse efectuada fora do seu horário de trabalho, de modo a evitar a confusão de papéis (enfermeira/investigadora).

Antes da recolha de dados, o projecto da investigação, assim como o guião orientador da entrevista, o pedido de consentimento informado, as autorizações dos Directores dos serviços de Cirurgia, entre outros documentos exigidos, foram enviados para apreciação do Departamento de Ensino, Formação e Investigação em Maio de 2009. Após pedido de esclarecimento à investigadora sobre alguns pontos em Agosto de 2009, o processo foi encaminhado para a Comissão de Ética para a Saúde, tendo sido fornecido parecer favorável à execução do estudo em Novembro de 2009 (conforme Anexo nº2). Assim, a realização das entrevistas teve inicio em Novembro de 2009 e terminou em Junho de 2010, tendo sido efectuadas nos serviços de cirurgia do Centro Hospitalar do Porto - Santo António.

Os participantes foram abordados pela investigadora no seu local de internamento, tendo sido fornecidas, numa linguagem compreensível, todas as informações acerca da investigação, em que consistia a sua participação e quais os riscos/benefícios. Foi efectuado o esclarecimento de dúvidas. O doente foi, também, informado que tinha o direito de se retirar, a qualquer momento, da investigação, sem o dever de se justificar e sem qualquer

prejuízo. Para confirmar a sua participação neste estudo, teve de assinar o consentimento livre e esclarecido por escrito à investigadora (conforme Anexo nº 1).

No que diz respeito aos riscos potenciais para o entrevistado, este estudo de investigação pode apresentar um risco temporário, ou seja, um risco mínimo de sentir desconforto durante a investigação, que se pode associar à ansiedade de ter de responder às questões, à vergonha, ou à fadiga física sentida, e termina assim que a entrevista encerra (Fortin, 1999). Como benefícios este estudo colaborará para compreender as necessidades da pessoa entrevistada e incitará comportamentos com o objectivo de as satisfazer, fornecendo, também, dados relevantes para o avanço do conhecimento e para a melhor assistência das pessoas em condições semelhantes. Quanto às entrevistas, estas tiveram a duração média de 30 minutos. Durante esse tempo, esteve sempre presente na interacção desenvolvida, a tentativa de estabelecer um clima de confiança, para que o entrevistado se sentisse à vontade para responder, e evitar juízos de valor. O guia orientador da entrevista ajudou-nos a tocar todos os pontos definidos como essenciais. A entrevista foi gravada em áudio com a autorização do entrevistado, a quem foi dada oportunidade de a ouvir no final, se assim, o desejasse. No entanto, nenhum dos entrevistados mostrou interesse em a escutar.

Transcreveram-se depois as entrevistas para suporte informático, tendo-lhe sido atribuído um código [caso – CE]. A transcrição foi a mais isenta e fiel possível, para que não se perdesse a emoção e os sentimentos transmitidos. Foram também anotadas expressões, posturas, comportamentos e emoções que surgiram durante a entrevista, e que ajudaram a complementar a análise. No final da entrevista agradecemos a disponibilidade e amabilidade e salientamos a importância da participação. Mostramo-nos, também, receptivos para responder a possíveis solicitações.

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