Prevendo-se um futuro onde os idosos predominam, cresce a preocupa- ção com o apoio pessoal, social, comunitário (entre outros) a esta população.
«As políticas sociais devem assumir uma maior inclusão da população sob um “guarda-chuva” protector de segurança social que contemple protagonistas (e não destinatários passivos) de medidas que devem ter em conta as exigências de personali- zação das ajudas e a humanização das prestações e serviço.» (Osório e Pinto, 2007: 29).
5Tradução livre: «The word “active” refers to continuing participation in social, economic, cul- tural, spiritual and civic affairs, not just the ability to be physically active or to participate in the labour force. (…) Active ageing aims to extend healthy life expectancy and quality of life for all people as they age. (…) Ageing takes place within the context of friends, work associates, neighbours and family members. This is why interdependence as well as intergenerational soli- darity are important tenets of active ageing.»
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Seguindo esta lógica, Fernandes (1997) afirma que o surgimento de políticas sociais direcionadas para a terceira idade refletem, por um lado, uma consciencialização da necessidade de intervenção social/apoio a este grupo e, por outro lado, o facto da terceira idade ser entendida socialmente, também, como um problema. Inicialmente, a intervenção social caracterizou-se por desempenhar funções meramente remediativas/curativas, existindo pouco investimento na promoção de medidas de integração sociofamiliar, na retardar do processo de envelhecimento e em medidas de participação ativa dos idosos na comunidade.
Como resposta a esta realidade surgiram, em grande número, os servi- ços de apoio permanente (os lares, residências, hospitais) e os serviços de apoio parcial (centros de dia, apoio ao domicílio, centros de convívio, universi- dades/academias para a terceira idade). Tendo em conta o contexto de está- gio, torna-se pertinente não concentrar a atenção em todas estas valências, mas sim clarificar qual o papel de um centro de dia, bem como de um lar de idosos,6 enquanto serviços de apoio aos idosos, tendo em consideração a sua estruturação e os seus objetivos.
Para Arrazola (2003, cit in Teixeira, 2008: 27) o centro de dia «(…) surge como um recurso “intermédio”, que veio colmatar uma dicotomia existente nos serviços de apoio, que, por um lado, se baseavam nos cuidados domiciliários e, por outro lado, nos cuidados residenciais.» O autor refere ainda que, a conce- ção de centro de dia «(…) é bastante complexa pois são diversos os modelos de intervenção apresentados para este tipo de programa. Misturam-se modelos de intervenção individual e grupal com modelos de saúde e psicossociais, cuja predominância varia consoante o tipo de população à qual são dirigidos» (idem: 27).
Para Osório e Pinto (2007: 303)
«o centro de dia é recurso social de permanência diurna (uma alternativa à institucionalização). (…) Embora a sua função prioritária não seja a organização de atividades socioculturais e recreativas, a sua oferta inclui,
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Estes foram os dois contextos presentes no estágio. Pode-se considerar que o centro de dia é o contexto em que a intervenção é direta e, o lar de idosos é o contexto em que a intervenção é indireta. Isto porque na valência centro de dia, estão presentes os idosos, utentes desse servi- ço, bem como alguns idosos do serviço de lar, que estão predispostos a frequentar essa valên- cia.
35 devido ao tempo livre de que dispõem os respectivos utentes, um leque cada vez mais amplo de possibilidades de preenchimento do mesmo, sendo por conseguinte, encarada como uma prioridade a satisfazer.»
Por conseguinte, Castiello (1996, cit in Teixeira, 2008: 30) estabelece os principais objetivos deste tipo de estrutura de apoio comunitário:
«(i) recuperar ou manter ao máximo o grau de autonomia individual que permitam as potencialidades do individuo; (ii) prevenir o incremento da dependência através da realização de intervenções reabilitadoras; (iii) ser um meio facilitador do desenvolvimento de relações e actividades sociais gratificantes para o sujeito; iv) retardar as institucionalizações precoces e indesejadas; (v) promover a permanência do indivíduo no seu meio; (vi) proporcionar a realização de actividades básicas da vida quotidiana, forne- cendo apoio ao adulto idoso, assim como aos elementos pertencentes ao seu núcleo familiar; e, por último, (vii) melhorar e manter o nível de saúde dos utilizadores através do controlo e prevenção de doenças.»
De acordo com esta perspetiva, de um modo geral, pode dizer-se que um centro de dia deverá, primordialmente, tentar garantir uma maior qualida- de de vida e bem-estar dos idosos, promovendo o dinamismo destes; o con- tacto permanente com a sociedade; a realização de atividades do seu interesse e que melhorem o seu estado de saúde, físico e psíquico, entre outros. Contu- do, é importante ressalvar que neste leque de objetivos apresentados não é feita nenhuma referência clara ao caráter formativo e cultural que deveriam estar presentes neste tipo de instituições.
Por vezes, a resposta social abordada anteriormente já não se mostra suficiente para solucionar todas as necessidades do idoso, sendo necessário procurar outro tipo de medida, nomeadamente, o serviço de lar de idosos. Tril- la (2008: 257) afirma que, «apesar de ser prioritário manter a integração do idoso durante o máximo de tempo possível no meio social habitual – de prefe- rência no seu próprio domicílio -, é frequente não ser praticável e ser necessá- rio procurar outros ambientes», daí a relevância dos lares de idosos.
Por outras palavras, o lar consiste num «equipamento de alojamento colectivo, de utilização temporária ou permanente, para idosos em situação de maior risco de perda de independência e/ou autonomia» (Salselas, 2007: 21).
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Neste tipo de instituições, «(…)são desenvolvidas atividades de apoio social a pessoas idosas através do alojamento coletivo, de utilização temporária ou permanente, fornecimento de alimentação, cuidados de saúde, higiene, confor- to, fomentando o convívio e a ocupação dos tempos livres dos utentes» (DEPP7, 2004 cit in Jacob, 2008: 120).
Este diversificado leque de serviços, que pretende promover o apoio à população idosa, assume caraterísticas diferentes, bem como metodologias de trabalho variadas. A consciência desta realidade implica pensar as metodolo- gias de trabalho mais adequadas, tendo em conta as características das insti- tuições e dos idosos e, também quais os profissionais que deverão fazer parte das respetivas equipas, por forma a garantir a melhor qualidade de vida e bem estar aos seniores.