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O Pedestrianismo é uma das modalidades dos denominados Desportos de Natureza, que são “todos aqueles cuja prática aproxima o homem da natureza de uma forma saudável e sejam enquadráveis na gestão das áreas protegidas e numa política de desenvolvimento sustentável” (Fraga, 2005)

A prática do pedestrianismo não tem como objetivo a competição, pois pretende-se que esta atividade tenha como fim desfrutar do meio envolvente. Esta não é uma mera atividade desportiva, já que os trilhos não são um fim, mas um meio de aproximação da população das paisagens, da história e da cultura.

Um dos objetivos desta proposta passa por criar ligações entre o perímetro urbano e o perímetro rural, tornando a fluidez da circulação destes dois meios mais facilitada. O pedestrianismo, ao fazer deslocar as pessoas para as zonas rurais, poderá promover o desenvolvimento socioeconómico, contribuindo para evitar a sua desertificação humana.

Os primeiros percursos terão surgido como consequência dos primeiros movimentos migratórios dos herbívoros, tendo o homem começado a estabelecê-las para diversos fins, com destaque para a procura de alimentos, para peregrinações religiosas, para o comércio e para a guerra (Andrade, 2006).

Salvati (2006) descreve os percursos pedestres como caminhos abertos que tem o objetivo de “aproximar o visitante ao ambiente natural, ou conduzi-lo a um atrativo específico, possibilitando o seu entretenimento ou educação através de sinalizações ou de recursos interpretativos” (Manual de Formação-Amigos dos Açores, pág.7). Os percursos, para o praticante desta atividade, funcionam como um meio para aumentar o conhecimento do ambiente, contemplação das paisagens envolventes e também potenciar o conhecimento da biodiversidade, bem como dos elementos geológicos, promovendo o equilíbrio ecossistémico e a conservação do meio ambiente.

II.4.2.1. Contextualização histórica

A prática do pedestrianismo é considerada como antiga, remetendo-nos para o século XVIII onde esta atividade começou a tornar-se coletiva e organizada. Inglaterra foi a grande impulsionadora desta atividade. Já no século XIX, o exercício de andar a pé em passeios organizados tomou maiores proporções em países como a França,

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Alemanha, Áustria, Polónia e os Países Escandinavos. A implantação de percursos pedestres tomou início no século XX, no final da década de 40 e início dos anos 50, em França.

Em Portugal, os primeiros percursos começaram a ser implantados apenas na década de 90. O primeiro percurso foi implantado e homologado em território nacional, em 1997. Esta homologação foi promovida pelo CIMO-Clube Ibérico de Montanhismo e Orientação, tratando-se do PR1 “Rota da Serra”, em Grândola. Este percurso é composto por 17 km, sendo este um percurso pedestre circular.

II.4.2.2. Tipologias de percursos pedestres

• Seleção dos percursos

A seleção dos percursos deve atender a vários critérios. Devem ser evitados caminhos asfaltados ou vias onde o tráfego automóvel seja intenso. Os percursos devem passar junto a localidades para assim promover o contacto dos utilizadores com a população, bem como o património construído. Um dos objetivos desta aproximação visa o turismo, impulsionando o comércio local (artesanato, produtos locais…).

• Classificação de percursos

A classificação dos percursos atende a 5 critérios, nomeadamente, a sua função, forma, grau de dificuldade, recursos usados na interpretação ambiental e a sua extensão.

Relativamente à função os percursos podem ser de carácter recreativo e educativo. Segundo Andrade (2006), os percursos de curta distância destinam-se à interpretação do ambiente natural, já os de longa distância apresentam carácter recreativo.

Os trilhos podem apresentar várias formas, sendo elas: linear, circular, em oito, em anéis contíguos, em anéis satélites e em labirinto.

O percurso linear é o tipo de percurso ideal para rotas de longa distância devido à sua função específica de ligação de duas localidades. Apresenta a desvantagem do caminho de volta ser igual ao caminho de ida.

Quanto aos percursos de carácter circular, apresentam um maior dinamismo quanto à envolvente, oferecendo a possibilidade de voltar ao ponto de início sem percorrer o mesmo percurso. Os trilhos circulares diminuem a pressão exercida entre o caminho e o ambiente. Os percursos em forma de oito são normalmente utilizados em

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áreas mais pequenas, maximizando o espaço e o usufruto dos mesmos.

Tanto os trilhos em anéis contíguos como em anéis satélites apresentam características semelhantes devido ao facto de oferecerem inúmeras possibilidades de escolha consoante as capacidades físicas ou outras motivações no próprio percurso. Já os percursos em labirinto são ideais para otimizar o espaço em que são implantados, explorando uma determinada região ao máximo. É de elevada importância que neste tipo de trilhos esteja inserida uma sinalização correta e bem localizada.

• Grau de dificuldade

O grau de dificuldade de um determinado percurso é uma avaliação subjetiva, sendo que irá variar consoante a pessoa e a sua condição física.

Porém, segundo Jumping.B.(1997), existem diversos fatores que devem ser tidos em conta aquando da atribuição do grau de dificuldade. Estes fatores são: extensão do percurso, tipologia do terreno, desnível e a climatologia da região. Sendo muitas as classificações existentes, a titulo de exemplo, optou-se por descrever as classificações atribuídas pela Federação Francesa de Pedestrianismo. A FFRP atribui quatro graus de dificuldade, sendo eles: Muito Fácil, Fácil, Médio e Difícil.

Um percurso é Muito Fácil quando pode ser percorrido em menos de duas horas. Fácil é o grau atribuído a trilhos que demoram cerca de três horas ou menos, implantados em locais com passagens menos fáceis. Um trilho com dificuldade Média é caracterizado por um percurso com uma duração inferior, com alguns desníveis, exigindo ao praticante uma razoável aptidão física. Por último, os percursos considerados de grau Difícil referem-se a uma caminhada com duração superior a quatro horas, contendo obstáculos no seu itinerário e considerado longo (Tovar, Z. (2010).

No que concerne aos recursos usados na interpretação ambiental, os percursos podem ser guiados ou autoguiados, de acordo com Salvati (2006). Num percurso guiado, todos os elementos do trilho são apresentados por um guia que tem como função apresentar o trilho ao utilizador. Quanto aos percursos autoguiados, todos estes elementos devem estar descritos em forma visual e gráfica dispostos ao longo do percurso, com o objetivo de informar o pedestrante.

Em relação à extensão de cada percurso, a Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP) atribui várias classificações. Segundo a FCMP existem GR-Grandes Rotas, PR-Pequenas Rotas e PL-Percursos Locais.

Os percursos de Grande Rota possuem grandes extensões, podendo ligar cidades e países distantes entre si. Uma Grande Rota que atravesse vários países tem

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a toponímia de Grande Rota Transeuropeia. Os trilhos de Pequena Rota são itinerários mais curtos, não excedendo os 30 km de extensão. Quanto aos Percursos Locais, são percursos onde a maior parte do trajeto se insere em meio urbano (Tovar, Z. (2010).

• Sinalética

Quanto à sinalética, o Regulamento de Homologação de Percursos Pedestres da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal utiliza marcas de sinalização, painéis informativos, placas informativas e placas indicativas.

A respeito das marcas (Fig. 5), são utilizadas três tipologias: caminho certo, caminho errado e mudança de direção (à esquerda e direita). O número de marcas e a distância entre elas varia consoante o percurso dependendo das suas características e morfologia, sendo que a distância entre marcas não deve superar os 250 metros. Devem ser colocadas em locais de boa visibilidade, sendo percetíveis nos dois sentidos. Na sua marcação devem ser usadas tintas com soluções que não prejudiquem o ambiente. De acordo com a FCMP, a marcação em edificações exige autorização dos proprietários e não é permitida a marcação em património cultural, religioso e arquitetónico.

Fonte: FCMP

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Os painéis informativos (Fig. 6) têm como função informar o utilizador de todos os componentes do percurso, nomeadamente, o trajeto do percurso, o grau de dificuldade, duração aproximada, obstáculos, contactos úteis e informações gerais sobre os locais por onde o trilho passa.

As placas informativas dizem respeito a uma sinalização que atribui informação

complementar. Indicam locais do percurso bem como locais que suscitem curiosidade, como por exemplo: locais de acampamentos, transportes, miradouros, etc. O seu formato passa por serem de forma quadrada com tamanho variável, devendo estar localizadas junto dos locais em questão.

As placas indicativas (Fig. 7) tratam-se de elementos informativos relativos ao sentido do percurso, devendo ser colocadas nos cruzamentos de um percurso ou num ponto considerado relevante. Estas informam sobre pontos de interesse próximos do percurso, como por exemplo, uma povoação ou um monumento. (Tovar, Z. 2010).

Figura 6- Painéis informativos

Fonte: CM-SPSUL

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