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4 Arbres de syntaxe abstraite

Embora exista a intenção de criar uma Rota de Biodiversidade no Monte da Penha, há que ter em atenção todos os fatores presentes nesta região. O Monte da Penha encontra-se numa área maioritariamente florestal e dominantemente afetada por plantas invasoras (Fig. 40).

Por plantas invasoras entende-se toda a planta que não é originária de um determinado local, afetando o crescimento da vegetação autóctone. Segundo o Decreto- Lei nº565/99 de 21 de dezembro, está proibida a utilização de espécies classificadas como espécies invasoras, bem como todas as espécies não indígenas que não estejam citadas nos anexos I e II, do referido Decreto-Lei, exceto se tal proibição for excecionada (para uma determinada espécie) no âmbito do artº4, do Decreto-Lei nº565/99, de 21 de dezembro.

Existe então, para combater a vegetação de carácter invasor, a necessidade de recorrer à reflorestação. Um dos critérios que este processo deve atender é a necessidade de se utilizar diferentes espécies indígenas do próprio local, permitindo assim criar diversidade biológica e ao mesmo tempo estimular a diversidade faunística com a propagação de diversos habitats. É de elevada importância saber quais as espécies adequadas para cada bioma (conjunto de ecossistemas do mesmo tipo presentes num determinado local), bem como quais as espécies mais comuns para esta prática.

Com a reflorestação de vegetação indígena cria-se a promoção da vegetação autóctone, sensibilizando para o seu valor e a sua proliferação, bem como a promoção de novos espaços verdes arborizados com espécies nativas do próprio local.

Segundo o Guia de Utilização de Espécies Arbóreas Indígenas em Portugal Continental do ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e Florestas), são atribuídas duas classificações às espécies nativas: espécies de ocorrência natural numa região e espécies de utilização aconselhada na região, sendo estas ultimas prioritárias no processo de reflorestação para assim criar diversidade na flora da região.

Apresenta-se de seguida algumas espécies de utilização aconselhada na região do Baixo Minho: Vaccinum myrtillus (Mirtilo); Rhododendron ponticum (Rododendro);

Salix cáprea (Salgueiro); Prunus padus (Pado); Prunus mahaleb (Cerejeira-de-Santa-

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Devido à problemática das espécies invasoras, foi relevante fazer um levantamento dessas espécies da atual Rota PR3 da Penha (Fig. 39), devido ao facto de parte deste percurso ser inserido na proposta do presente trabalho. Para este efeito recorreu-se à aplicação móvel de georreferenciação Survey123, utilizada no terreno. Foi definido um buffer de 10 metros correspondente â faixa de gestão de combustível. Após o tratamento dos dados em Arcgis, foi elaborada uma planta com as espécies identificadas e a área correspondente.

Figura 39- Mapeamento das espécies invasoras no trecho do PR3

Esc: S/ escala Legenda:

Australia (Acacia melannoxylon) Acacia de espigas (Acacia longifolia) Mimosa (Acacia dealbata)

Acacia bastarda (Robinia pseudoacacia)

Rota da Penha PR3 Buffer 10 metros

Rota da Penha PR3 Buffer 10 metros

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,

A reflorestação é um processo que deve atender a critérios e fatores que visem a sustentabilidade e a diversidade biológica. Esta ação aponta para a promoção da arvore autóctone, sensibilizando para a sua valorização assim como a sua proliferação. É de relevante importância a criação de espaços verdes através da arborização, florestação e reflorestação por árvores autóctones. Assim, um dos critérios que a reflorestação deve obedecer é a necessidade de se utilizar diferentes espécies indígenas do próprio local de intervenção, permitindo assim a diversidade biológica e a estimulação da diversidade faunística.

A presente proposta de intervenção tem como principal objetivo a extinção das espécies invasoras que se encontram na faixa de gestão de combustível da Rota da Penha (PR3). Posto isto, a reflorestação desta área consiste na substituição das espécies invasoras por espécies autóctones.

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É de salientar que a plantação destas espécies deve respeitar o conceito de sucessão ecológica criando assim uma continuidade verde sustentável na paisagem. Através deste processo é possível facilitar a circulação/dispersão de plantas e animais através da paisagem, aumentar a qualidade visual da paisagem e favorecer a regeneração natural de espécies autóctones em novos locais. Esta ação de reflorestação incide no domínio publico, aspirando que o domínio privado adote o mesmo tipo de procedimento.

Após uma análise biofísica (hipsométrica, declives e hidrográfica), a proposta de plantação passa por propor vegetação arbustiva nas zonas mais baixas e nas zonas altas vegetação arbórea.

Surgiu então a proposta de reflorestação com espécies autóctones.

Figura 41- Proposta de plantação arbóreo-arbustiva com espécies autóctones

Figura 26- Proposta de plantação arbóreo-arbustiva com espécies autóctones

Esc: S/ escala Figura 25- Proposta de plantação arbóreo- Legenda:

Carvalho-roble (Quercus robur) Medronheiro (Arbustus unedo) Folhado (Viburnum tinus) Loureiro (Laurus nobilis) Alfenheiro (Ligustrum vulgare) Azereiro (Prunus lusitanica)

Zimbro-comum (Juniperus communis) Azevinho (Ilex aquifolium)

Pilriteiro (Catraegus monogyna)

Sanguinho (Rhamnus glandulosa)/Teixo (Taxus bacatta)/Urze-molar (Erica arbórea)

Legenda:

Carvalho-roble (Quercus robur) Medronheiro (Arbustus unedo) Folhado (Viburnum tinus) Loureiro (Laurus nobilis) Alfenheiro (Ligustrum vulgare)

Castanheiro (Castanea sativa) Cerejeira-brava (Prunus avium)/ Bordo (Acer pseudoplatanus) Carvalho-vermelho (Quercus coccínea) Azinheira (Quercus rotundifólia)

Faia (Fagus sylvatica)/ Carvalho-roble (Quercus robur) Castanheiro (Castanea sativa) Cerejeira-brava (Prunus avium)/ Bordo (Acer pseudoplatanus) Carvalho-vermelho (Quercus coccínea) Azinheira (Quercus rotundifólia)

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V.4. Princípios de desenho

O principal objetivo deste projeto passa por reaproveitar parte do percurso da Rota PR3 e propor a utilização de novos percursos com maior índice de biodiversidade faunística e florística. Numa fase inicial foram assinalados e mapeados caminhos pré- existentes e após uma análise detalhada do terreno, assinalou-se aqueles que poderiam constituir a rede de percursos de Natureza da Penha. A intenção passa por explorar áreas que atualmente não tem qualquer uso e propor áreas de intervenção que possibilitem ao utilizador dinamismo no percurso, tornando-o atrativo e interessante a nível estético e paisagístico. Ao longo dos percursos foram analisadas várias áreas de intervenção (assinaladas na planta das áreas de intervenção) que possam ser pontos de paragem, assim como pontos de interação com a natureza, tendo sempre como pano de fundo a vista para a cidade de Guimarães. Este foi outro elemento a ter em consideração, que resultou no mapeamento dos pontos de elevada visibilidade que poderão resultar em miradouros ou simplesmente pontos onde a contemplação da paisagem é privilegiada. Para cada área de intervenção surgiu uma proposta de intervenção através de métodos de Arquitetura Paisagista, de forma a melhorar o espaço e atribuir lhe utilidade e usufruto.

Após uma primeira fase de análise, surgiu a intenção de atribuir temáticas aos percursos, tendo sempre como base a biodiversidade presente no local. Para estes temas foram atribuídas as seguintes toponímias: Eco Percurso, Bio Percurso e Geo Percurso.

Explicando de uma forma sucinta, o Eco Percurso (Fig. 43) atravessa uma zona onde se consegue identificar o Carvalhal em regeneração, assim como espécies arbustivas, sendo estas últimas ainda escassas nesta região. O Bio percurso (Fig. 48) consiste num percurso reflorestado com espécies autóctones, tanto arbustivas como arbóreas, criando um corredor verde autóctone. O Geo Percurso (Fig. 51) pretende dar relevância aos geossítios que se encontram no topo da Penha, que portam uma elevada imponência na paisagem, e ao mesmo tempo criam habitats para certas espécies. Há que realçar a elevada abundância de espécies invasoras nas imediações dos percursos que necessitam de ser eliminadas, para assim dar oportunidade de crescimento às espécies autóctones em regeneração.

A proposta da Rede de Percursos pretende aliar-se ao património cultural presente na Penha, sendo que os Percursos também foram ajustados a estes elementos.

84 Traçados iniciais do percurso

Esc:1/20000

Figura 42- Traçados iniciais da proposta

Figura 27- Traçados iniciais da proposta

Traçado inicial da Rede de Percursos

Traçado inicial da Rede de Percursos

Traçado inicial da Rede de Percursos

Traçado inicial da Rede de Percursos

Parque da Cidade de Guimarães

Parque da Cidade de Guimarães

Parque da Cidade de Guimarães

Parque da Cidade de Guimarães Espaços verdes privados

Espaços verdes privados Área verde envolvente

Área verde envolvente

Área verde envolvente

Área verde envolvente Irmandade da Penha

Irmandade da Penha

Irmandade da Penha

Irmandade da Penha Locais de interesse geológico

Locais de interesse geológico

Locais de interesse geológico

Locais de interesse geológico Teleférico de Guimarães Teleférico de Guimarães Teleférico de Guimarães Teleférico de Guimarães LEGENDA: LEGENDA: LEGENDA: LEGENDA:

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V.4.1. Eco Percurso

Trata-se de um percurso florestal onde predomina o Carvalhal em regeneração. Composto por caminhos pré-existentes, esta rede de percursos visa a preservação da fauna e flora desta região. Este percurso é composto pelas seguintes características:

Distância: 4.46 km

Grau de dificuldade: Fácil

Altura Mínima e máxima: 300m e 450m

Acessos ao percurso:

Entrada 1

Figura 43- a) Rede de Percursos; b) Eco Percurso

Figura 28- a) Rede de Percursos; b) Eco Percurso

Figura 44- Entrada 1

86 Entrada 2 Figura 46- Entrada 3 Figura 35- Entrada 2Figura 36- Entrada 3 Figura 45- Entrada 2

Figura 47- Fotografias atuais do Eco Percurso

Figura 37- Fotografias atuais do Eco Percurso

Entrada 3

Entrada 3

Entrada 3

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V.4.2. Bio Percurso

O Bio Percurso incide sobre um trecho existente do PR3 onde é proposta

a replantação de vegetação autóctone num buffer de 10 metros, formando assim um

corredor verde autóctone onde se pretende realçar a preservação e importância deste tipo de vegetação em meio florestal. Este percurso é composto pelas seguintes características:

Distância: 0.8 km

Grau de dificuldade: Fácil

Altura Mínima e máxima: 450m e 550m

Acessos ao percurso:

Entrada 1

Figura 48- a) Rede de Percursos; b) Bio Percurso

Figura 38- a) Rede de Percursos; b) Bio Percurso

Figura 49- Entrada 1 Figura 43- Fotografias atuais do Bio PercursoFigura 44- Entrada 1 Esc: S/ escala Esc: S/ escala

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V.4.3. Geo Percurso

O Geo Percurso visa a valorização do património geológico existente no topo do Monte da Penha. Atravessa os geossítios mais importantes da Penha, que para além de embelezarem o espaço, constituem habitats para várias espécies que habitam no topo do Monte da Penha. Este percurso é composto pelas seguintes características:

Distância: 1.3 km

Grau de dificuldade: Fácil

Altura Mínima e máxima: 550m e 610m

20 2 1 2 1 2 1 2 1

Figura 51- a) Rede de Percursos; b) Geo Percurso

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Figura 52- Fotografias atuais do Geo Percurso

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V.4.4. Sinalética

A sinalética de orientação (Fig. 53) deve conter marcas de sinalização de

orientação do caminho e devem atender às seguintes orientações: Caminho

correto, caminho errado, virar à direita, virar à esquerda. As placas indicativas

(Fig. 54) devem conter informação relativamente aos locais de interesse do

percurso, bem como a sua orientação.

Marcas de sinalização

Placas indicativas Fonte: FCMP

Figura 53- Marcas de sinalização proposta

92 Mesa de interpretação

As mesas de interpretação propostas devem surgir em locais onde seja possível a leitura da paisagem. Dem conter toda a informação turística, cientifica e cultural do local onde estão instaladas.

Painéis informativos

Os painéis informativos propostos (Fig. 56) devem conter toda a

informação relativamente ao percurso, desde o desenho do percurso,

informações adicionais da região e informações relativas à biodiversidade do

local, para que o utilizador saiba que espécies pode observar naquele local. Os

painéis selecionados constituem-se por uma estrutura de madeira e plástico

100% reciclado.

Figura 55- a) Mesa de interpretação b) Dimensões da mesa de interpretação

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V.4.5. Planta da Proposta

Esc:1/20000

Acessos da cidade à Rede de Percursos

Acessos da cidade à Rede de Percursos

Acessos da cidade à Rede de Percursos

Acessos da cidade à Rede de Percursos Eco Percurso Eco Percurso Eco Percurso Eco Percurso Bio Percurso Bio Percurso Bio Percurso Bio Percurso Geo Percurso Geo Percurso Geo Percurso Geo Percurso Cidade de Guimarães Cidade de Guimarães Cidade de Guimarães Cidade de Guimarães

Parque da Cidade de Guimarães

Parque da Cidade de Guimarães

Parque da Cidade de Guimarães

Parque da Cidade de Guimarães Espaços verdes privados

Espaços verdes privados

Espaços verdes privados

Espaços verdes privados Área verde envolvente

Área verde envolvente

Área verde envolvente

Área verde envolvente Irmandade da Penha Irmandade da Penha Irmandade da Penha Irmandade da Penha LEGENDA: LEGENDA: LEGENDA: LEGENDA: Teleférico de Guimarães Teleférico de Guimarães Teleférico de Guimarães Teleférico de Guimarães

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V.5. Fichas técnicas das áreas de