Conclusions du premier chapitre
Chapitre 2 : La consommation des produits laitiers
2.1. La construction de l’essor des produits laitiers
2.1.1 Une vision nutritive des produits laitiers
Quando nos reportamos à discussão sobre memória pretende-se deixar claro que, neste trabalho, discute-se sobre a memória coletiva e da sua relação com a História. História e memória podem ser complementares, mas têm acepções diferentes. A história refere-se aos diálogos articulados entre presente e passado, a partir da organização e interpretação do historiador diante dos dados, contextos e situações a que tem disponível, utilizando-se de aportes teóricos e metodológicos. Enquanto a memória diz respeito ao que foi vivido, experimentado e preservado. Cabe a memória significar o passado no tempo presente.
Caracteriza-se comumente a memória como um espaço repositório que no passado registrou, arquivou informações, conhecimentos e experiências para então reproduzi-las no presente. Diferente dessa acepção, o historiador Ulpiano T. Bezerra de Meneses afirma ser impossível o resgate da memória, argumentando que o exercício da socialização da memória se traduz em um trabalho dinâmico de construções e reconstruções, nesse sentido, a memória está imersa na dinâmica social, portanto, desautorizada a reconstituir ou mesmo representar um repositório do passado.
A elaboração da memória se dá no presente e para responder a solicitações do presente. É do presente, sim, que a rememoração recebe incentivo, tanto quanto as condições para se efetivar. (MENESES, 1992, p.11).
Além disso, da ocasião da apreensão pelos sujeitos até a significação no tempo presente, corre-se o risco da ocorrência de instabilidades e entraves,
elencadas pelo autor enquanto desgastes, esquecimentos e imprecisões. Então, como é possível trabalhar com a perspectiva de que esta seja totalmente preservada, restaurada e resgatada na sua forma original? Concordando com o autor, chega-se ao entendimento que de fato não há esse resgate, mas sim uma significação do vivenciado na dinâmica social do presente.
Partindo desse pressuposto, observa-se que, embora a história e memória representem campos diferentes, elas se implicam, pois se a história faz uso da memória como um dos objetos de estudo elementar de elaboração histórica, também a memória atua significando e complementando a história, conforme infere
Jacques Le Goff, ao comentar a produção ambígua intitulada: “Déprofessionnnaliser
I’Histoire” do historiador inglês Ralph Samuel,
Se ele pretende que o recurso à história oral, às biografias, à história subjetiva amplie a base do trabalho científico e chegue a modificar a imagem do passado, dando a palavra aos esquecidos da história, tem inteiramente razão e sublinha um dos grandes progressos da produção histórica. Se, pelo contrário, quer colocar no mesmo plano ‘produção autobiográfica’ e ‘produção profissional’, acrescentando que ‘a prática profissional não constitui nem um monopólio nem uma garantia’, a afirmação parece-me perigosa. (LE GOFF, 2003, P.50).
Na reflexão do autor fica evidenciada algumas estratégias e recursos utilizados para evocar a memória como oralidade, autobiografia, a história subjetiva, acrescenta-se outros exemplos como fotografia, vídeos, ritmos, ritos, relatos e
impressões textuais, normas comportamentais (tradição – memória exteriorizada
como modelo), desenhos e/ou pinturas. Tais estratégias são evocadas no intuito de complementaridade, de parceria na produção, de amplitude e enriquecimento ao trabalho científico, de forma que muitas vezes se modifica a imagem do passado. As contribuições da memória para a produção histórica são essenciais e, em alguns casos, coautorais. Porém, é imperativo a atuação e organização própria do profissional historiador.
Seguindo essa lógica, ratificamos que, para este estudo, as fontes tradicionais (documentos oficiais) e bibliográficas foram insuficientes para a organização e constituição do acervo museológico, incluindo cenário, peças e personagens. Nesse caso, fez-se imprescindível:
- A busca por compreender as tradições próprias desse tempo histórico, abarcando os meios de vivências das camadas sociais em Voga,
- O auxílio da leitura aos memorialistas
- Recorreu-se a imagens e desenhos que representavam esse início do século XIX. Defende-se assim que o processo de trazer à luz dados da memória poderá colaborar na compreensão e desvelar da cultura material, que é entendida como “todo segmento do universo físico socialmente apropriado” (MENESES, 1998, p.90.), um dos seus principais componentes é o artefato/objeto, que nos interessa diretamente, destacando que este não se configura como documento histórico.
No artigo intitulado: “Memória e cultura material: documentos pessoais no espaço público”, Meneses (1998) diferencia e confronta as concepções sobre objeto histórico e documento histórico. A primeira categoria, recebe destaque em muitos museus, prevalecendo para que seja o centro das atenções. Os objetos históricos, em geral, são considerados preciosidades por ter feito parte de algum momento, contexto ou situação histórica. Tais objetos possuíram, no seu tempo, usos e funcionalidades utilitárias e/ou representativas, mas para nossa contemporaneidade, recebe outro sentido, como reflete Meneses (1992),
Imerso na nossa contemporaneidade, decorando ambientes, integrando coleções ou institucionalizado no museu, o objeto antigo tem todos os seus significados, usos e funções anteriores drenados e se recicla, aqui e agora, essencialmente, como objeto-portador-de- sentido. Assim, por exemplo, todo eventual valor de uso subsistente converte-se em valor cognitivo, o que, por sua vez, pode alimentar outros valores que o passado acentua ou legitima”. (1992. p. 12).
A partir da citação, infere-se que os objetos que outrora possuíam significações no seu tempo histórico, na contemporaneidade podem parecer isolados, logo, ganham maior relevância quando inseridos em um contexto apropriado, que de fato trabalhe sua historicidade. Da mesma maneira, o documento histórico não tem significado se não for analisado pelo historiador, em contexto. Este não passará de um suporte físico contendo informações históricas.
O documento não tem em si sua própria identidade, provisoriamente indisponível, até que o ósculo metodológico do historiador resgate a Bela Adormecida de seu sono programático. É, pois, a questão do conhecimento que cria o sistema documental. O historiador não faz o documento falar: é o historiador quem fala e a explicitação de seus
critérios e procedimentos é fundamental para definir o alcance de sua fala. (MENESES, 1998, p.9).
Ao relacionar as duas categorias trabalhadas ao museu virtual que se pretende desenvolver, os objetos históricos do acervo não serão tangíveis, nem se comportarão como documentos históricos, mas comporão, no conjunto, uma representação do que existiu, baseado nos relatos de memórias, nas imagens que também são dados da memória e nos confrontos e aproximações coerentes com a documentação histórica, atendendo assim a história pública. Ao mesmo tempo em que o MVQC poderá se comportar como uma expressão da memória local, seja para utilização no campo do TBC ou em instituições de ensino e associações comunitárias, também tem potencialidade para funcionar como “repositório” de outras memórias, e até instigar atividades e construções sobre memória.
4.1.2 O turismo de base comunitária: espaço possível de construção e