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Une modélisation du temps dans le cadre micro-didactique

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7. T EMPS LÉGAL ET TEMPS DIDACTIQUE : PREMIÈRE SYNTHÈSE

8.3. Une modélisation du temps dans le cadre micro-didactique

É nosso entender que o tratamento da informação é sem dúvida uma fase crucial em qualquer trabalho de pesquisa na medida em que nos permite atribuir uma significação aos dados obtidos pela aplicação das técnicas de recolha dos mesmos. Para tratamento das questões fechadas do questionário utilizamos a estatística descritiva e a análise de conteúdo para as questões abertas.

O número total de questionários recebidos foi de 214. Este dado traduz uma percentagem de respostas de 75,62% tendo em conta a amostra de 283 enfermeiros a inquirir que considerámos de muito satisfatória para o estudo que pretendíamos desenvolver.

Desta etapa passou-se a uma verificação total dos questionários em termos de saber se responderam à totalidade das respostas e se o fizeram adequadamente. Desta verificação resultou termos encontrado 3 questionários não preenchidos e 2 questionários considerados mal preenchidos, com respostas múltiplas, várias rasurações incompreensíveis e com outras sem quaisquer dados. Nesta medida estes 5 instrumentos, difíceis de trabalhar e analisar, foram considerados nulos e não entraram no número utilizado para a análise descritiva de frequências.

Posteriormente, os questionários foram numerados externamente e de uma forma aleatória de 1 a 209 inclusive, passando a ser este o número pelo qual iríamos trabalhar. Seguiu-se a codificação das respostas e seu lançamento numa base de dados previamente elaborada.

Durante a verificação da base de dados em SPSS 10.0® (Statistical Package for the

Social Sciences), para Windows XP®, encontraram-se algumas respostas mal codificadas,

com alguns “missings”, o que levou a uma revisão dos questionários marcados e sua reinscrição na base.

As respostas abertas foram transcritas para outra base criada em documento

WinWord. Esta transcrição não necessitou de qualquer arranjo gramatical ou convenções

prévias visto que as respostas se encontravam bem delineadas pelos respondentes.

Após a sua transcrição, como metodologia de análise e sem dificuldades matriciais, efectuou-se a análise de conteúdo temático com uma primeira leitura flutuante e posterior leitura efectiva.

Esta estratégia teve como finalidade identificar as categorias, classificar as respostas dadas pelos elementos da amostra em unidades de registo e respectiva codificação das mesmas. Para este trabalho concorreram também uma análise feita por um co-codificador externo, colega mestrando do Curso de Mestrado em Supervisão da Universidade de Aveiro, com o intuito de diminuir a subjectividade e nossa interpretação pessoal que validou as categorias por nós identificadas. Nesta medida, assegurou-se a fiabilidade em que os conteúdos são independentes de quem os produz (Vala, 1986).

Tendo em consideração a perspectiva de Vala (1986) na análise de conteúdo de uma entrevista, respostas abertas ou um texto documental, existe a delimitação dos objectivos e definição de um quadro de referência, a definição das categorias, a definição das unidades de análise ou de registo e a sua quantificação se a isso o investigador pretender realizar. Qualquer plano de análise de conteúdo pressupõe a elaboração de um conjunto de procedimentos para assegurar a sua fidedignidade e validade.

Ainda de acordo com Vala (1986) o “dar sentido” aos dados qualitativos significa reduzir notas, expressões, descrições, explicações ou outros, até alcançarmos um número aceitável de unidades significativas e manejáveis, organizando e explicando os seus conteúdos sendo possível extrair aspectos compreensivos.

Este mesmo autor refere a quantificação posterior, se entendida pelo investigador, com vista a verificar a frequência de ocorrências. A hipótese implícita à análise de ocorrências é a de que quanto maior for o interesse do emissor por um dado objecto, maior será a frequência de ocorrência no discurso analisado e dos indicadores relativos ao objecto de estudo.

Tendo em atenção também a perspectiva de Bardin (1995) optámos por métodos mistos de análise de conteúdo. Por um lado tivemos com o enquadramento teórico algumas categorias prévias, por outro, sem propor nenhum quadro categorial inicial, identificaram- se novas categorias que emergiram dos resultados obtidos.

Assim, as categorias definidas sofreram um teste de exaustividade (validade interna), com a possibilidade de inserir as unidades de registo numa categoria previamente definida; teste de exclusividade em que cada unidade de registo só pode colocar-se numa única categoria e teste de objectividade em que há uma definição clara das categorias. Em alguns casos optou-se pela colocação de uma categoria “Não Aplicável” que não deixou no entanto de ser analisada à luz das nossas reflexões.

Apesar de se tratar de um estudo de caso de natureza fundamentalmente qualitativa, não excluímos a possibilidade de recorrermos a alguma quantificação das unidades de registo.

Os eixos de análise utilizados estavam de acordo com as questões formuladas e o quadro teórico estabelecido assim como uma reflexão sobre os factos que fomos encontrando no percurso desta investigação com recurso a leitura de documentos vários.

Perante os achados do questionário programou-se a realização da entrevista em grupo. Foi feito contacto prévio com a enfermeira do Centro de Formação, o nosso elo de ligação com o contexto da investigação, com o propósito de colaborar com mais cinco enfermeiros considerados informantes privilegiados. A escolha recaiu num total de seis enfermeiras especialistas que se auto caracterizaram (Quadro 2) incluindo a enfermeira do Centro de Formação.

Quadro 2 - Caracterização das enfermeiras entrevistadas

Estas foram informadas numa semana prévia do tema do estudo e objectivos da entrevista. A data foi marcada para 21 de Maio de 2003, às 14,30 horas, numa sala do Centro de Formação do Hospital Pedro Hispano, S.A..

ENFERMEIRA

CARACTERIZAÇÃO

Local de trabalho Tempo Geral de Especialidade de no Hospital Serviço Enfermagem A Centro de formação 14 anos Saúde Comunitária

B Neurocirurgia 9 anos Médico – Cirúrgica

C Medicina 10 anos Saúde Mental e

Psiquiátrica

D Bloco de Partos 12 anos Saúde Materna e

Obstétrica

E Cirurgia B 12 anos Médico-Cirúrgica

Com a sua caracterização tivemos oportunidade de saber que todas elas eram enfermeiras especialistas de várias áreas de especialidade e a exercer as suas funções em serviços com óbvias diferenças nas formas, metodologias e estrutura de trabalho.

Podemos também afirmar que estas detêm um tempo de serviço já algo consistente e que são todas enfermeiras de referência (Anexo VI) nas suas respectivas unidades com excepção da enfermeira do Centro de Formação que se encontra, pelas funções que exerce, fora da prestação de cuidados.

As entrevistadas foram colocados numa mesa redonda com espaço para tirar notas em blocos previamente distribuídos. Foi colocado um gravador de áudio ao centro (precedido de um teste de som) e pedida autorização para a audiogravação que foi concedida por todos os intervenientes.

A cada entrevistada, para se manter o anonimato durante a gravação, foi distribuído um cartão com letras de A a F para sua identificação quando tomassem a palavra. Foi registado em periférico a hora de início da entrevista: 14 horas e 42 minutos.

Durante a entrevista as entrevistadas foram confrontadas com alguma frequência com os dados obtidos pela administração do questionário como forma de reflectirem nas suas próprias respostas às questões que lhes eram formuladas. Sentiu-se que houve vários momentos de reflexão sobre esses mesmos achados.

A entrevista decorreu sem incidentes e terminou, por registo feito em periférico, às 16 horas e 23 minutos o que resultou num total de 101 minutos de material audiogravado.

Posteriormente foram feitas audições repetidas para verificar da audibilidade e ter um conjunto integrador dos assuntos abordados e gravados. Verificou-se a não existência de uma das desvantagens deste método de entrevista em grupo, ou seja, o domínio por parte de um ou mais entrevistados.

Foi possível ouvir uma interacção muito forte entre os elementos com tempos equitativos. Por outro lado verificava-se a presença de momentos e espaços em que os vários entrevistados conversavam em conjunto, o que tornou tecnicamente impossível a sua audição e consequente transcrição. Nesta medida, foi colocada na transcrição a frase:

Várias vozes a falar ao mesmo tempo – sons incompreensíveis. Logo o tempo de material

gravado é efectivamente superior ao transcrito. Apontam-se assim algumas das desvantagens sobre a utilização das entrevistas em grupo nomeadamente por Drever (1995) onde por vezes não foi possível identificar quem falava. Neste caso não houve grande

preocupação da nossa parte visto que não era do nosso interesse analítico a sua identificação, apenas no contexto da transcrição, pelo que foi colocado antes do que o entrevistado falava a expressão: Não se consegue identificar quem fala.

Perante o material áudio gravado procedeu-se à sua transcrição para documento

Win Word que se encontra no Anexo VIII, constituindo-se assim um documento de análise.

O processo de transcrição global tem as suas vantagens se pensarmos em utilizar todos os termos e ideias expressas pelos entrevistados. No entanto, nesta situação haveria aspectos da narrativa dos entrevistados que à partida não seriam motivo de análise: risos, expressões de surpresa, exclamações, interjeições, repetições da mesma frase, ou da mesma palavra, estereótipos, entre outros, pelo qual não foram transcritas (Drever, 1995; Seidman, 1998). Porém, é certo que teria o seu interesse em outro tipo de estudo pelo que ficámos sensíveis às manifestações de surpresa aquando a apresentação de alguns dados do questionário.

As unidades de registo foram recortadas ao texto explicitado individualmente por cada entrevistada, entendida como uma frase, ou expressão com sentido completo para o investigador (Bardin, 1995).

Após várias leituras do documento da transcrição, foi feita uma grelha das categorias previamente estabelecidas, sequenciada com as unidades de registo mais relevantes, para que estas fossem confrontadas com os dados obtidos através da aplicação do questionário e que se encontra no Anexo IX.

Na perspectiva de autores como Vala (1986), De Ketele e Roegiers (1993) e Drever (1995), a utilização de entrevistas como complemento da investigação, para levar à reflexão de dados anteriormente achados ou para triangulação dos mesmos, poderá na orientação do próprio investigador, não ser sujeita a uma análise de conteúdo sistemática. Foi com esta orientação que retirámos desta entrevista em grupo algumas das ideias fundamentais para alicerçar as respostas dos inquiridos no questionário.

2. O CONTEXTO EM ESTUDO: CARACTERIZAÇÂO DOS ACTORES E DAS PRÁTICAS

Considerando que o modo de investigação utilizado é o estudo de caso, é importante salientar que toda a dinâmica interpretativa construída em torno do objecto de estudo se reporta fundamentalmente ao conjunto de práticas sócio-profissionais que emergem no contexto hospitalar.

Os dados são apresentados com sequência correspondente às questões propostas aos enfermeiros que responderam ao questionário e coerente com o tema identificado sendo analisados à luz dos nossos propósitos.

A utilização de quadros e gráficos fica assente na natureza dos dados pondo em evidência a informação relevante para a posterior análise. Em todas as representações de quadros e gráficos omitiram-se a fonte e a data de colheita da informação atendendo a que se reportam ao questionário recolhido no Hospital Pedro Hispano de Matosinhos, até 25 de Fevereiro de 2003, proposto a um grupo de enfermeiros que foi a nossa amostra.

Tratando-se de um estudo descritivo, “estudo de caso”, num contexto muito específico e dadas as opções metodológicas da investigação que apontam para a descrição e interpretação não se utilizaram as inferências nem correlações apesar de se verificarem algumas estratégias de quantificação.

Sobre a informação das respostas abertas, que foram sujeitas a uma análise de conteúdo temático, procedeu-se apenas a uma explanação de alguns dos achados colocando todo o conteúdo restante nos anexos devidamente identificados.

Realizámos algumas triangulações com os resultados da entrevista, a análise documental e algumas notas de campo efectuadas no decurso da investigação nomeadamente no decurso do “Workshop” de 16 e 17 de Janeiro de 2003. Nesta oficina de trabalho (Workshop), os participantes foram convidados a reflectir sobre alguns temas: conceitos de supervisão clínica em enfermagem; suas funções e vertentes; ciclos de supervisão; relação entre supervisão clínica e supervisão de gestão; supervisão clínica e relação entre hospitais e escolas. Estas reflexões foram posteriormente expostas e debatidas num grupo alargado que foi extremamente útil para o nosso estudo.

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