• Aucun résultat trouvé

Effets du temps légal : les fausses oppositions

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 124-128)

7. T EMPS LÉGAL ET TEMPS DIDACTIQUE : PREMIÈRE SYNTHÈSE

7.2. Effets du temps légal : les fausses oppositions

Na perspectiva das nossas vivências pessoais, o termo de supervisão clínica não tem reunido muitos consensos e tem causado também algumas inquietações. Por um lado a ideia de inspecção relacionada com a gestão, por outro a palavra clínica que está associada, no senso comum, à profissão médica como já referimos.

A terminologia de supervisão clínica, enquanto prática na área da saúde, surge com as famosas reuniões de Freud (Wednesday Night Meetings) no início do século XX. As escolas psicanalíticas levam em curso este modelo do seu fundador, quer nos Estados Unidos quer no Reino Unido, para supervisão de doentes em terapia e supervisão dos próprios terapeutas, com vista a diminuir as situações de stress e envolvimento da comunidade terapêutica (Frawley-O’Dea, 2001:16).

Também nestes países nos anos cinquenta no pós-guerra e com a aplicação do Plano Marshall, a supervisão foi uma peça fundamental de estratégia nas áreas de formação profissional, numa perspectiva funcionalista e de gestão, num ambiente nitidamente

humanista com a aplicação e desenvolvimento da Teoria das Relações Humanas de Elton Mayo (Canavarro, 1997).

Em enfermagem, a supervisão clínica surge com a enfermagem psiquiátrica por decorrência do próprio fenómeno das escolas psicanalíticas (Bishop, 1998; Abreu, 2002; 2003). Mas se no entanto se nos reportarmos ao desenvolvimento da enfermagem, na perspectiva histórica equacionada no inicio, damo-nos conta de processos elementares de supervisão clínica em enfermagem em sistemas de saúde islâmicos com carácter de avaliação dos hospitais e a certificação profissional (Abreu, 2002; 2002ª;2003).

Apesar do conhecimento da enfermagem sobre supervisão clínica ter crescido de uma forma muito rápida nos últimos anos, pensamos que continua a existir uma certa confusão e possíveis pensamentos menos próprios, entre os profissionais, sobre a sua natureza, que podemos revelar como:

 A supervisão está associada à área da administração formal;

 Os enfermeiros tendem a ver o supervisor como figura autoritária;

 A supervisão clínica é um processo com natureza hierárquica;

 A supervisão é um processo apenas de apoio.

Com Hildegard Peplau na década de cinquenta do século XX, surge uma definição de enfermagem relacionada com a relação humana, entre doente e profissional, em que este responde às necessidades de cuidados através da orientação. A orientação é a etapa fundamental para o desenvolvimento das práticas de cuidados ao doente e compete ao enfermeiro ser o conselheiro do doente (Peplau, 1990; Ryam, 1998; Oojën, 2000; Abreu, 2002).

A necessidade de os enfermeiros serem supervisionados partiu no passado não muito distante, por parte destes, para usufruírem de suporte relacional e de apoio emocional. Isto questiona-se a partir do início da década de 90 do século passado, no contexto do Reino Unido, com os acontecimentos trágicos de Bristol, Kent, Cantebury e do aparecimento do relatório de Allit sobre a enfermeira Beverley Allit. Estes puseram em causa a defesa da família do doente e do próprio profissional, assim como no apoio à própria enfermeira e motivou discussões na sociedade sobre a prestação de cuidados de saúde em geral e de enfermagem em particular (Bond e Holland, 1998).

No referencial histórico dos últimos parágrafos pode-se verificar que a supervisão clínica em enfermagem será traduzida por um mecanismo de protecção, quer do doente, quer do profissional, por orientação ou inspecção das suas práticas.

A visão do Reino Unido, e posteriormente noutros países nórdicos como a Suécia, Finlândia e Noruega, e também em outros continentes, por exemplo na Austrália, com políticas definidas no campo da saúde, a supervisão clínica em enfermagem, inicia-se na área da saúde mental. Estes revelam-se no apoio ao doente e ao enfermeiro envolvido em relação de ajuda, para que não apareçam situações psicológicas como a depressão reactiva. É vista como uma vertente não inspectiva, mais directiva e sem normas rígidas. É muitas vezes contratual, partindo da necessidade expressa ou sentida no profissional de enfermagem, com a sua consciencialização pessoal dessa necessidade de apoio e/ou de formação (Cutcliffe, et al, 2001; Abreu, 2002; 2003).

A perspectiva mais formal e normativa é também desenvolvida nos Estados Unidos e Canada. Nestes países, dado o sistema de saúde, a supervisão clínica em enfermagem tem um carácter mais directivo, com normas rígidas e protocolares de avaliação das práticas. O sistema é exigente e exige práticas qualificadas. O utente é um cliente dum serviço, exigindo segurança e qualidade. Todos os processos organizacionais e profissionais são percebidos numa lógica de qualidade/segurança, racionalização e sistematização de recursos (Abreu, 2002a).

No âmbito de diferentes problemáticas para a definição, existe uma ideia central que expomos como: a supervisão clínica em enfermagem dá suporte às práticas no decorrer da prestação de cuidados de enfermagem, melhora a qualidade das mesmas, apoia a formação clínica, faz uma gestão personalizada dos sentimentos e eleva a satisfação profissional dos enfermeiros (Cutcliffe, et al, 2001).

Apesar de reconhecermos a relevância de definições e natureza da supervisão clínica em enfermagem que foi desenvolvida nos Estados Unidos, consideramos importante para este estudo, uma aproximação mais específica ao contexto construtivista e humanista que nos parecem traduzir as definições aceites no espaço europeu. Ficam assim associadas as práticas mais consentâneas com as de países da União Europeia, em que o nosso sistema de saúde, apesar de alguma especificidade, se enquadra, mesmo tendo em consideração as mudanças que se vão operando.

Um documento de 1993 do UKCC (United Kingdom Central Council of Nursing), denominado “Vision of the future”, citado e explanado por Cutcliffe (2001:20), dá-nos uma perspectiva inicial de definição de supervisão clínica em enfermagem: “a formal process of

professional support and learning witch enables individual practitioners to develop knowledge and competence, assume responsibility for their own practice and enhance consumer protection and safety of care in a complex clinical situations. It is central to the process of learning and to the scope of the expansion of practice and should be seen as a mean of encouraging self-assessment and analytical and reflective skills”.

A crítica de Cutcliffe (2001) a esta definição está relacionada com as situações clínicas complexas. Para este autor, em todas e quaisquer situações clínicas das mais simples às mais complexas, poderá ser necessária a intervenção de um sistema de supervisão clínica sustentada. A supervisão clínica em enfermagem existe em cada realidade individual, em cada contexto, com cada participante e em cada tempo. Porém, este autor aceita este processo como dispendioso pelo que deverá ser selectivo.

Bernard e Goodyear (1998) referem que a situação e os contextos, que levaram a esta definição, estão de acordo com a posição inglesa, pelo que a revisão de uma definição em abordagem ideológica e contextual diversa carece do seu enquadramento em políticas e práticas actuais e no óbvio do sistema de saúde onde se enquadram. No entanto, ambos os autores referidos são de opinião que as ideias mestres permanecem inalteradas.

Pensamos importante ainda referir mais algumas definições que apareceram ao longo da última década e que se tornam o alicerce espaço-temporal para a adopção das definições pelas quais iremos enveredar (Smith, 2000:1, citando os seguintes autores):

 Wright (1989): “Supervision is a meeting between two or more people who

have and declared interest in examining a piece of work”;

 Hawkins e Shohet (1992): “Our experience is that supervision can be an

important part of taking oneself, staying open to new learning and an indispensable part of the helpers on-going self-development, self-awareness and commitment to learning”;

 Proctor (1993): “a working alliance between supervisor and worker in wich

the worker can reflect on her/himself and receive feedback and where appropriate guidance”.

Em 1994, Wright e Giddens, desenvolvem um pouco mais a definição de 1989:

“Supervision is a meeting between two or more people who have and declared interest in examining a piece of work. Such broad, unbounded and inclusive definitions have resulted in a empirical validation of clinical supervision in nursing being fraught with epistemological and conceptual problems” (in Cottrell, 2000).

Bond e Holland, propõe a seguinte definição de supervisão clínica, dando alguma relevância ao tempo do processo: “…is regular, protected time for facilitated, in-deph

reflection on clinical practice. It aims to enable the supervisee to achieve, sustain and creatively develop a high quality of practice through the means of focused support and development” (1998:12).

Nestas apresentações estão patentes as dificuldades de se concretizar uma definição limite. Os problemas conceptuais levam às dificuldades de aplicação. No entanto pode-se de alguma forma, resumir as questões essenciais identificadas nas várias definições:

suporte emocional; suporte na formação; desenvolvimento de conhecimento e competências; responsabilidade nas práticas; capacidades reflexivas dos intervenientes propostos para o desenvolvimento do processo.

Para o nosso estudo, optaremos por uma definição que nos pareça que vá mais de encontro a uma realidade que pensamos vivenciar nos nossos contextos, mesmo tendo em consideração algumas lacunas que esta definição nos apresenta mas que serão colmatadas com as referências a desenvolver no capítulo referente às problemáticas do processo. Encontrámos uma possível proposta de definição de Supervisão Clínica em

Enfermagem em Bernard e Goodyear (1998:6): “a intervention provided by a more senior member of a profession to a more junior member of the same profession. This relationship is evaluative, extends over time, and has the simultaneous purposes of enhancing the professional functioning of the more junior person(s) monitoring the quality of professional services offered to the client(s) she, he, or they see(s), and serving as a gatekeeper of those who are to enter the particular profession”.

No entanto os diversos conceitos de supervisão clínica parecem estar associados às orientações específicas das práticas, em que uns autores salientam as perspectivas psiquiátricas (CPNA, 1985), outros a ênfase na relação (UKCC, 1996) – ambos em Cottrell

(2000) – e ainda, aspectos relacionados com os percursos de formação, no perspectiva de Butterworth (1992).

Destas definições podemos aferir alguns pressupostos que lhes são transversais:

a) A supervisão é um processo; b) Esta envolve duas ou mais pessoas;

c) Tem o objectivo principal de colaborar no desenvolvimento pessoal e profissional;

d) O seu objecto de atenção é o profissional ou futuro profissional; e) Tem uma metodologia específica de acção.

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 124-128)

Outline

Documents relatifs