2 DÉCONSTRUCTION ET REMODELAGE DU MÉTIER. LA MARGINALISATION DES
2.1 Professeur du secondaire : un métier en risque de déconstruction
2.1.1 Un problème individuel
Será nosso intuito neste capítulo fazer uma caraterização das confrarias gastronómicas em Portugal, referindo-nos igualmente à sua génese e estabelecendo uma anologia com as sua congéneres europeias.
2.1.- Caracterização das confrarias gastronómicas em Portugal
De acordo com Beirante (1990), as confrarias ou irmandades medievais eram associações religiosas, com uma estrutura bem definida pelas autoridades eclesiásticas, como o fim de incentivarem e promoverem o culto público e exercerem a caridade. Segundo a autora, tiveram origem nos collegia romanos e nas gildas germânicas. Uma caraterística eminente dos collegia romanos era a organização periódica de banquetes e outra era a existência de um patrono benfeitor e de um santo protetor. Por seu turno, as gildas germânicas desenvolveram-se em regiões onde a cristianização foi mais tardia e ténue e tinham igualmente o objetivo da assistência na necessidade, a pacificação de litígios e proteção dos associados contra terceiros (Beirante, 1990).
Em Portugal, as confrarias mais antigas de que existem dados remontam ao século XII (Beirante, 1990). Segundo a autora, as irmandades portuguesas figuram nos documentos como sinónimos de confrarias e existem registos que ao longo dos tempos, a par do seu caráter religioso, também as podemos ligar a atividades laicas, como, por exemplo, a atividade comercial, dando lugar às confrarias de artesãos em algumas localidades portuguesas.
A entrada numa confraria era feita publicamente com o juramento do compromisso sobre os Santos Evangelhos, ficando a inscrição registada no livro dos confrades. Internamente, as confrarias eram compostas por órgãos próprios, com estatutos escritos, sendo a assembleia dos confrades ou cabido o principal órgão administrativo das mesmas, obedecendo a uma determinada periodicidade (Beirante, 1990). Nas assembleias, os confrades "ouviam ler o compromisso, faziam as suas orações pelos defuntos e deliberavam sobre assuntos de interesse comum [...]. As
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refeições comunitárias (colações e banquetes) constituíam o aspeto mais importante na área da sociabilidade [...] eram anuais e tinham lugar no mesmo dia do cabido geral.” (Beirante, 1990, pp. 31-33).
Como afirma Penteado (1995, p.15), "a importância das confrarias medievais na sociedade portuguesa da Época Moderna é hoje um dado inegável".
De referir, no que respeita à origem das confrarias gastronómicas portuguesas, que, de acordo com Machado (2015), esta remonta a 1578. Segundo ao autor, nessa data, na localidade de Quintela de Lampaças, no concelho de Bragança, o povo criou uma irmandade de veneração à Santa Cruz, com influências da vizinha Castela. Para contrariar essa associação, os cristãos novos da terra logo se apressaram a criar a Confraria do Burraço, cujos objetivos principais eram comer, beber e folgar, sendo considerada a primeira confraria gastronómica portuguesa (Machado, 2015). Naturalmente, devido ao escândalo que a constituição desta confraria implicou, a intervenção do Santo Ofício determinou o julgamento de Pedro Lopes, um dos seus mentores, que argumentou em sua defesa que burraço era o termo que "se traz muito em prática e quando alguma pessoa cai em algum descuido ou parvoíce lhe dizem que é burraço, e que há-de pagar para o burraço, pelo que todo ele réu está sem culpa" (Machado, 2015).
De acordo com Machado (2015), outra organização indissociável das confrarias gastronómicas dos nossos dias é a Confraria da Pandocarda de Vilarinho dos Galegos, no concelho de Mogadouro. As suas origens remontam a 1940. Segundo o autor, por altura das vindimas, e após a festa católica em honra de S. Miguel, carinhosamente apelidado pelo povo por São Miguel da Uva, padroeiro da freguesia, os confrades dançavam ao ar livre, em redor da igreja ao som de um ensurdecedor pandeiro, comendo e bebendo, comemorando em "copiosas libações" (Machado, 2015).
Será ainda de referir, para o estudo das confrarias gastronómicas em Portugal, que em 1965, surge a primeira Associação Báquica Portuguesa, a qual se designou por Colegiada de São Martinho, tendo por objetivos “valorizar a qualidade dos vinhos portugueses e promover a sua defesa e expansão” (Mota, 2003, p. 9).
41 Mota (2003) refere que as Confrarias Báquicas começaram a emergir, sobretudo nos anos 80 e 90, do século XX, impulsionando outro movimento de índole fraterna, que não pode estar dissociado da origem das confrarias gastronómicas.
Segundo Dias (1998, p. 22), "as Confrarias Báquicas foram aparecendo, sobretudo, para defender e divulgar e vinho das suas regiões, exaltar as suas qualidades, promover a sua venda e salvaguardar o património cultural, etnográfico e social que lhes está inerente". Ainda segundo o mesmo autor, cada confraria báquica tem os seus estatutos e pretende ganhar adeptos para conhecer e valorizar as qualidades e caraterísticas dos vinhos das suas terras, "associando, não raro, confrarias gastronómicas" (Dias, 1998, p.23).
De salientar ainda que Sampaio (2005, p. 36), a propósito 4º Congresso Nacional da Gastronomia, ocorrido em outubro de 2005, se referia ao trabalho das confrarias da seguinte forma: “o trabalho das Confrarias Gastronómicas na inventariação do Receituário, assim como na qualidade das matérias-primas de fauna e flora utilizadas ao nível nacional, regional ou local, idem em produtos agro-alimentares produzidos em Portugal e que possam ser considerados como produtos tradicionais e por isso passivéis de serem considerados como DOP…O nosso regozijo por verificar que já são muitas as Confrarias que com os produtores se esforçam para que nos respectivos territórios esses produtos sejam de Qualidade.”
De referir também que, a 28 de junho de 2001, foi criada a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas. Trata-se de uma associação sem fins lucrativos que tem como principal objetivo a promoção, a divulgação e a defesa da Gastronomia Tradicional Portuguesa. Hoje em dia, a FPCG congrega cerca de 80 confrarias, muitas das quais especificadas no Quadro 9, procurando enriquecer as comunidades locais com o trabalho que desenvolvem localmente.
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