LES PROPOSITIONS SUBORDONNEES RELATIVES
2 LES RELATIVES
2.2 Typologie des relatives
A década de 1980 foi o período que consolidou todas as políticas públicas agrícolas. Foi nesse período segundo Matos; Pessôa (2011, p.291) na “consolidação dos complexos agroindustriais, ocorre uma reorganização na produção agropecuária brasileira e um processo acelerado de integração de capitais” que concretizou a formação dos CAIs como podemos observar na figura 01 de Graziano da Silva apud Cleps Jr.
Figura 01 – Fases do padrão agrícola brasileiro e formação do CAI: 1950- 1985
Fonte: GRAZIANO DA SILVA, 1996 apud CLEPS JR., 1998.
Como podemos observar o governo realizou diversos investimentos no setor agrícola o que acarretou muitas mudanças no campo, influenciando a formação do Complexo Agroindustrial45 (CAI). De acordo com Mesquita; Mendes (2009)
45 De acordo com Delgado, (1985, p. 86)
“o surgimento e consolidação do Complexo Agroindustrial articula novos interesses sociais comprometidos com o processo de modernização. Conforma-se um
A constituição dos Complexos Agroindustriais caracteriza uma fusão de capitais e não a integração das atividades agropecuárias em uma cadeia produtiva. A integração da agricultura e da indústria não significa que a agricultura se constitui em um ramo industrial, o que torna esse setor uma especificidade do sistema capitalista, uma vez que não permite uma divisão social do trabalho tal como ocorre na indústria. Diante do desenvolvimento contínuo do meio técnico- científico os Complexos Agroindustriais tendem a ser convertidos em Complexos Bioindustriais (MESQUITA; MENDES, 2009, p. 10). Contrapondo a ideia de Mesquita; Mendes (2009), Cleps Jr. entende que:
[...], com a formação do CAI, a nova dinâmica agrícola não é mais realizada de modo autônomo: passa a depender do desenvolvimento da indústria, não sendo mais possível tratá-la como um “setor”, isolado do restante da economia. Outro aspecto importante é que os três processos distintos estiveram estreitamente ligados à ação do Estado, que viabilizou o projeto de modernização (CLEPS, JR., 1998, p. 23).
Com esses investimentos ocorreram grandes mudanças nas paisagens do campo brasileiro, uma das principais mudanças foi o aumento de maquinários agrícolas como mostra o quadro 02:
Quadro 02 – Número de tratores em estabelecimentos agropecuários no Brasil, Sudeste e Minas Gerais – série histórica (1970/1985).
De acordo com o quadro 02, vimos que, em 15 anos Minas Gerais aumentou seis vezes a quantidade de tratores. Esse acréscimo acarretou mudanças
novo bloco de interesses rurais em que sobressaem a participação do grande capital industrial, do Estado e dos grandes e médios proprietários rurais. A soldagem desse pacto modernizador é feita pela política econômica, com primazia dos aparatos financeiros do Estado. Sobressai-se, ainda, uma política tecnológica específica, que preside a articulação do D1 da agricultura e uma política fundiária
significativas, como a ampliação da produtividade e aumento das áreas de cultivos, as quais se expandiram desordenadamente. Dessa maneira, a atividade agrícola incorpora-se ao modo industrial de produzir
A industrialização do campo é um momento específico do processo de modernização, a reunificação agricultura-indústria num patamar mais elevado que do simples consumo de bens industriais pela agricultura. É o momento da modernização a partir do qual a indústria passa a comandar a direção, as formas e o ritmo da mudança na base técnica agrícola, o que ela só pode fazer após a implantação do D1 para a agricultura no país. (GRAZIANO DA SILVA, 1996, p.32).
A agricultura converte-se em compradora de insumos industriais do D146
e produtora de matérias-primas para outros ramos industriais a jusante. Com a mecanização e com as mudanças ocorridas no campo brasileiro,
Em linhas gerais, a mudança na base técnica da agricultura implica na dependência cada vez menor dos recursos naturais utilizados e dos meios de produção gerados em escala de manufatura e, cada vez mais, dos meios de produção gerados num setor da indústria (de fertilizantes, defensivos, corretivos do solo, rações, concentrados, máquinas em geral, com destaque para os tratores e colheitadeiras etc.) (CLEPS JR., 1998, p. 25).
No entanto essa mudança não “alcança” todas as áreas e nem contempla todos os agricultores:
Os insumos, as máquinas e os equipamentos foram projetados visando produtividade e lucro a qualquer preço. O processo seletivo deste modelo excluiu, nas áreas onde se implantou, os agricultores [...] (GEHLEN, 2001, p.73).
O governo por intermédio das políticas e subsídios priorizaram grupos de investidores e produtores de médio para grande porte:
Todo esse processo de modernização se realiza com intensa diferenciação e mesmo exclusão de grupos setoriais e regiões econômicas. Não é, portanto, um processo que homogeneiza (sic) o espaço econômico e tampouco o espectro social e tecnológico da agricultura brasileira. Ao contrário, deve-se ressaltar que a concentração espacial do projeto modernizante abrange basicamente os Estados do Centro-Sul brasileiro (MG, GO, RJ, SP, PR, SC e RS). Por seu turno, ocorre, paralelamente, um movimento de concentração de produção, abrangendo um número relativamente pequeno de estabelecimentos (entre 10 e 20% dos estabelecimentos rurais, conforme o indicador de modernização que se tome), que
46
GRAZIANO DA SILVA (1996, p.5) denomina “D1”agrícola, como o setor industrial produtor de bens de capital e insumos básicos para a agricultura
respondem por parcelas crescentes da produção (DELGADO, 1985, p. 87).
Essa concentração de investimentos fez com que os demais Estados ficassem “atrasados” tecnologicamente em relação ao centro-sul. Sendo assim, o centro-sul tornou-se a região com mais complexo agroindustrial instalado, e a região “mais desenvolvida” do país.
As mudanças ligadas às inovações do campo ocorreram sob a lógica de investidores capitalistas os quais veem o campo como setor de investimento, não ligam se no campo residem pessoas e costumes. Naturalmente, os setores agrícolas básicos que se destacaram estavam ligados à exportação, como a cana-de-açúcar. A qual atrelada ao grande capital internacional transformou a paisagem de vários municípios de Minas Gerais.
Neste Estado, destaca-se o Triângulo Mineiro, o qual é considerada a região agrícola mais dinâmica e moderna do estado. Avulta-se no contexto estadual, pois a região foi o ponto inicial da trajetória de reocupação do cerrado mineiro para a produção de grãos, com uso intensivo de capitais e de políticas públicas voltadas à modernização da agricultura.