O objetivo do presente trabalho é identificar novas tendências narrativas na sociedade, considerando as contribuições da sociologia e filosofia para a comunicação. Pretende-se, assim, fornecer conexões teóricas e bases de reflexão
que enriqueçam a bibliografia e a pesquisa no campo da comunicação. O campo desse trabalho, também ele objeto da aceleração que discutimos, requer constantes revisões e atualizações para que os profissionais que atuem na ciência e na prática dessa atividade estejam abastecidos das informações necessárias à compreensão dos comportamentos humanos. Se, por um lado, o objetivo deste projeto é mostrar o papel das dimensões narrativas na integração que nos redirecione ao futuro, o propósito dele é que os comunicadores leitores sejam expostos a conceitos que os auxiliem a lidar com esse contexto de incertezas e fragmentação, agindo não apenas apesar dos desafios, mas em resposta a eles.
Assim, do ponto de vista dos objetivos da pesquisa adota-se neste estudo uma perspectiva exploratória, pela qual se busca mais conhecimento sobre o fenômeno analisado para familiarização e melhor compreensão para diversificar problemáticas e suportar hipóteses para pesquisas futuras (SELLITZ, WRIGHTSMAN, COOK, 1975). Esse tipo de pesquisa, como propõe Francisco Leite tem grande valor para explorar fenômenos recentes e frequentemente e “serve de base a outros tipos de pesquisas, quando o tema possui bibliografia escassa” (2008, p. 54). Segundo os autores, esse tipo de pesquisa traz a flexibilidade necessária para estudar temas que ainda estão se apresentando e tomando forma na sociedade, como o caso deste estudo. Else Lemos explica que esse tipo de pesquisa desempenha um importante papel em nosso campo visto que “as ciências da comunicação são empíricas, baseadas nas experiências de observação dos fenômenos” (2016, p. 162). Por essas características, os objetivos da pesquisa exploratória contribuem na alimentação e atualização do campo, para a pesquisadora. “No estudo exploratório, a ênfase está no processo de coletar informações sobre algo, de forma a oferecer, por fim, ideias mais claras e consistentes quanto a um dado fenômeno, contexto ou tema” (LEMOS, 2016, p.161 e 162).
Para que possamos compreender os fenômenos apontados neste estudo em suas manifestações contemporâneas, a fim de compreender seu estado, opta-se por uma abordagem qualitativa a esta pesquisa. A pesquisa qualitativa cumpre o papel de analisar os fenômenos com consideração de contexto, explica Leite
Pesquisas que se apoiam em números correm o risco de se firmarem na exatidão fria da falta de contexto. Ao contrário, o método qualitativo que se baseia em objetivos classificatórios utiliza de maneira mais adequada os valores culturais e a capacidade de
reflexão do indivíduo. A investigação realizada sob este prisma não peca por desconsiderar as causas e inter-relações sutis que possam permear-se entre a análise e as conclusões, desconsiderações essas que podem distorcer verdades entre o meio e o fim” (LEITE, 2008, p. 100).
Para que se possa melhor compreender as tendências apontadas e seus impactos nos ambientes narrativos contemporâneos, indica-se neste estudo o trabalho com um estudo de caso. O estudo de caso é a estratégia escolhida “ao se examinarem acontecimentos contemporâneos, mas quando não se pode manipular comportamentos relevantes”, define o cientista social norte-americano Robert Yin, (2001, p. 27). Aqui, novamente, este caminho emerge do próprio percurso exploratório do projeto e da sua proposta de lidar com um fenômeno social de larga escala com manifestações na realidade. Ao que encontramos suporte novamente em Yin
Como esforço de pesquisa, o estudo de caso contribui, de forma inigualável, para a compreensão que temos dos fenômenos individuais, organizacionais, sociais e políticos [...]. Em resumo, o estudo de caso permite uma investigação para se preservar as características holísticas e significativas dos eventos da vida real (2001, p. 21)
O pesquisador explica que um estudo de caso “investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos” (2001, p. 31), caso deste estudo. Tal escolha de objeto, indica Lemos, privilegia a “investigação de um fenômeno dentro de determinado contexto, buscando-se compreender as intersecções entre fenômeno e contexto”.
No presente estudo, é escolhido um estudo de caso único (YIN, 2001), ou um recorte vertical (LEMOS, 2016). Sabe-se da dificuldade de generalização de estudo de caso, sobretudo quando não são comparativos, a esse respeito, Lemos recomenda que o caso escolhido tenha representatividade e relevância. O caso Facebook e Cambridge Analytica é provavelmente o caso mais relevante em curso sobre fragmentação e seus efeitos de desengajamento na metanarrativa, tão relevante quanto repleta de variáveis de interesse, como vemos novamente em Yin
A investigação de estudo de caso enfrenta uma situação tecnicamente única em que haverá muito mais variáveis de interesse do que pontos de dados, e, como resultado, baseia-se em várias fontes de evidências, com os dados precisando convergir em um formato de triângulo, e, como outro resultado, beneficia-se do desenvolvimento prévio de proposições teóricas para conduzir a
coleta e a análise de dados (2001, p. 33-34).
Lemos explica que, “em geral, o estudo exploratório se constitui de pesquisa bibliográfica e de estudos de caso” (2016, p. 142). Segundo Maxwell Oliveira (2011, p. 21), os estudos de caso selecionados são um importante método para os estudos exploratórios. No percurso deste estudo são adotadas as técnicas de pesquisa bibliográfica e coleta de dados por pesquisa documental. O uso desse tipo de fonte de coleta frente ao objeto ora escolhido oferece as quatro principais vantagens apontadas por Antônio Carlos Gil, a saber: Possibilita o conhecimento do passado; Possibilita a investigação dos processos de mudança social e cultural; Permite a obtenção de dados com menor custo; e Favorece a obtenção de dados sem o constrangimento dos sujeitos. (GIL, 2008, p. 154)
Sua principal distinção em relação à pesquisa bibliográfica apenas é que utiliza de conteúdos que ainda não receberam um tratamento analítico. Essa etapa requer uma vasta pesquisa em dados que estão difusos sobre o objeto em questão. Para este projeto, em particular, que trata da desinformação e de seus efeitos fragmentários, essa escolha se mostrou tão desafiadora quanto recompensadora, à medida em que
a pesquisa documental vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa bibliográfica. Apenas há que se considerar que o primeiro passo consiste na exploração das fontes documentais, que são em grande número. Existem, de um lado, os documentos de primeira mão, que não receberam qualquer tratamento analítico, tais como: documentos oficiais, reportagens de jornal, cartas, contratos, diários, filmes, fotografias, gravações etc. De outro lado, existem os documentos de segunda mão, que de alguma forma já foram analisados, tais como: relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas etc. (GIL, 2008, p. 61). A pesquisa documental, explica Maxwell Oliveira, é amplamente adotada em pesquisas puramente teóricas ou quando o delineamento principal é o estudo de caso (OLIVEIRA, 2011). Neste estudo, são adotadas como fontes: relatórios financeiros, listagens de valor de mercado em bolsas de ações, dados de acesso a plataformas digitais, estudos e análises sobre o ambiente digital e conteúdos de imprensa. Além de mostrar como fatos muito recentes se desdobram, a escolha de fontes de comunicação de massa pretende-se como resposta à fragmentação da grande mídia e uma parcela de responsabilidade que a Universidade deve ter em dialogar com a imprensa, utilizando-a como fonte, trabalhando com suas
problemáticas e movimentando um intercâmbio entre esses campos. A importância do jornalismo para a ciência deve ser continuamente fomentada no ambiente acadêmico. A respeito desse tipo de fonte, temos em Gil que
Os documentos de comunicação de massa, tais como jornais, revistas, fitas de cinema, programas de rádio e televisão, constituem importante fonte de dados para a pesquisa social. Possibilitam ao pesquisador conhecer os mais variados aspectos da sociedade atual e também lidar com o passado histórico. Neste último caso, com eficiência provavelmente maior que a obtida com a utilização de qualquer outra fonte de dado (2008, 151).
Por fim, para que se possa tratar das questões deste projeto de pesquisa no contexto do objeto escolhido, utiliza-se a Triangulação de Dados proposta por Yin também será utilizada como técnica de coleta e análise, posto que se retroalimentam. Augusto Triviños (1987) também conceitua a triangulação, mas aponta sua separação entre coleta e análise como um recurso didático, pois na prática de sua complexidade, acontecem em conjunto
Fica claramente estabelecido que, por ser a Coleta de Dados e a Análise dos Dados uma etapa no processo da pesquisa qualitativa, ou duas fases que se retroalimentam constantemente, só didaticamente podemos falar, em forma separada, deste tríplice enfoque no estudo de um fenômeno social. Isto quer dizer que qualquer ideia do sujeito, documento etc. É imediatamente descrita, explicada e compreendida, à medida que isso seja possível, na perspectiva da técnica da triangulação (TRIVIÑOS, 1987, p. 139). Para que possamos aprofundar o estudo do caso nos aspectos relevantes a este estudo e sua contribuição ao campo da comunicação social, foram adotados três aspectos para sua análise por critério de conveniência a pesquisa, a saber: a sobrecarga e fragmentação da comunicação, a construção de terceiridades e as tentativas de reintegração na metanarrativa da comunicação.