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Inquiry for a Line Being

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6.5 Boundary Scan Register Cell

5.3.2 Snooping Responsibility

5.3.2.1 Inquiry for a Line Being

A miopia que Thompson e Vogelstein (2018) apontam por parte do Facebook pode ser associada com o Runaway Capitalism de Meyer e Kirby (2012). O modelo de inovação a qualquer custo e de competitividade tirou o foco do longo prazo. Ou, de certa forma, colocou o foco do longo prazo em um simulacro de números e performances, que pouco projetavam no futuro além de valores financeiros e outros simulacros de valor social. O deslocamento dos espaços e das formas de emissão na comunicação contemporânea tornou mais complexa a compreensão da perspectiva das fontes de informação, explica Luiz Alberto de Farias

A clássica ideia de fonte se ressemantizou, ganhou novos contornos. As fontes deixaram de ser única e tão somente direcionadas para a imprensa, passando a ter seus próprios nichos e sujeitos-destino (2016, p. 248).

Nem sempre atentos aos impactos desse deslocamento, muitos profissionais da comunicação e do marketing seguiram burocraticamente as tendências, segmentando contínua e excessivamente suas mensagens, para alvos que precisavam ser alvejados. Sucumbimos aos fragmentos e à lógica do seu duplo, tomamos por engajamento o alcance, por comunicação a disseminação e por informação dados. Criamos, com isso, um ambiente de novidades intermitentes, baseado em incomunicação e desinformação. Nas palavras de Nassar

Nesse contexto de excessos informacionais, os comunicadores se distanciam de práticas construtoras de afetos e reproduzem uma narrativa desencantada, como a descrita por Hebert Marcuse, não incentivando o processo social dinâmico, inclusivo e participativo, que reforça os laços sociais e, portanto, a memória coletiva” (NASSAR, 2016, p.91)

A estratégia da Cambridge Analytica direciona os públicos adiante em uma ação, mas não cria um futuro que queiram compartilhar, cria um ideal a ser consumido, uma ação a ser tomada. “Se não compartilhamos mais de compreensão, como podemos ser uma sociedade funcional?”, questiona Wylie (ANEXO C, tradução livre da autora). O programa que o canadense comandou criou uma massa operacional direcionada a uma ação, mas não há evidências de construiu uma narrativa de futuro que as pessoas queiram compartilhar.

America Great Again (Torne a América boa de novo). Tal slogan se refere ao passado sem sentido e história, já que foi baseado em discursos da campanha de Ronald Reagan em 1980. Ronald Brownstein analisa

No ranking do vocabulário de Trump, a palavra “voltar” fica bem atrás de “novamente”. Trump está sempre prometendo “trazer de volta” coisas que foram perdidas. Empregos industriais, produção de aço e carvão, interrogatórios de terroristas, "lei e ordem" nas cidades - todos esses discursos de Trump dizem que ele vai "trazer de volta" algo para reverter o que ele retrata como anos de declínio americano. (BROWNSTEIN, 2016, tradução livre da autora)

Essa tendência nostálgica é uma resposta a dificuldade em significar o ambiente atual, mais que a um real declínio da qualidade do ambiente. Como explica Routledge (2015), a nostalgia atua como um mecanismo de defesa diante de situações de estresse. E essa é a situação do bombardeio (des)informacional em que se vive hoje em dia. Sanger-Katz (2016) apresenta uma pesquisa realizada pela consultoria Morning Consult com norte-americanos durante o período eleitoral. Os apoiadores da campanha de Trump tendiam a estender muito mais ao passado suas expectativas. Eleitores do partido Democrata ou mesmo a média geral dos norte- americanos indicavam alguma nostalgia ao passado recente (especialmente, os anos que antecederam o ataque ao World Trade Center em 2001), mas os apoiadores de Trump tendiam a retroceder algumas décadas nesse caminho

Figura 8 – Melhores épocas da sociedade de acordo com apoiadores de Donald Trump

De acordo com a reportagem de Brownstein (2016), esse comportamento de nostalgia está relacionado a uma sensação de perda no presente. Em outras palavras, o fluxo de expectativa e narrativa foi interrompido por segundidades não significadas. Essas interrupções aumentam a sensação de nostalgia em relação ao passado e a busca por sentido e expectativa se inverte do futuro para o passado (BAUMAN, 2017b). Paradoxalmente, a expectativa do futuro é que ele seja como o passado e isso não acontece na forma de uma construção no presente de valores antigos no futuro, mas do retorno simbólico ao que era. Em 2012, a Euromonitor International realizou um estudo sobre a nostalgia, no qual explica que, em momentos de instabilidade econômica e social – e, em contextos de sobrecarga informacional a instabilidade é o padrão – a nostalgia tende a crescer. No resumo do trabalho a nostalgia é definida como um anseio sentimental pelo passado ou por um mundo idealizado, que

[...]pode ser explorada pelos profissionais de marketing e capacitá- los a formar um vínculo emocional com os consumidores. Estudos confirmam que a maioria dos consumidores faz uma retrospectiva do passado com óculos cor-de-rosa e está pronta para gastar em qualquer produto que possa ajudá-los a recriar os sentimentos de calor e segurança que sentiram durante os momentos mais felizes. (EUROMONITOR INTERNATIONAL, 2012, tradução livre da autora, grifos nossos).

A campanha da CA, como afirma Wylie, testou previamente essas narrativas adotadas por Trump, construindo um portfólio de novas narrativas (baseadas em afetos, diferentes linguagens como a audiovisual, a fotográfica, a programação em si) para sustentar as experiências da audiência. Com isso, a CA ofertava às audiências, para além da retrotopia e da nostalgia, aquilo que as baseia: a segurança. Como define Spinoza, dos encontros com a realidade, "a segurança é uma alegria surgida da ideia de uma coisa futura ou passada, da qual foi afastada toda causa de dúvida" (2011, p. 144). As construções aditivas das novas tecnologias de comunicação não apenas tomam nossa liberdade nos oferecendo a segurança dos filtros-bolha onde apenas o agradável é visível, como também cria uma sobrecarga cognitiva que nos impede do idiotismo proposto por Han. Para o autor,

A história da filosofia é a história dos idiotismos. Sócrates sabia apenas que não sabia; ele é um idiota. Da mesma forma, Descartes – que duvidava de tudo – é um idiota. Cogito ergo sum é uma idiotice. É preciso uma contração profunda do pensamento para criar um novo caminho possível. (2017b, p. 81-82, tradução livre da autora).

Esses idiotismos, para Han a abertura a novas formas de pensar e perceber, de significar o mundo. E essa capacidade de liberdade narrativa é suprimida justamente pela comunicação digital e pelas redes, que “amplificaram maciçamente a compulsão à conformidade. A violência resultante do consenso está suprimindo idiotismos” (2017b, p. 82).

As revelações do escândalo da Cambridge Analytica trouxeram surpresa e incredulidade à opinião pública, em parte por algo tão complexo e massivo ter acontecido abertamente na sociedade, em parte por ser a prática cotidiana de quem trabalha com comunicação digital. Sem tempo para reflexão, a prática foi se adaptando às novas ferramentas. “Nós moldamos nossos edifícios; depois disso eles nos moldam", é uma famosa frase atribuída a um discurso de Winston Churchill. Esse movimento é cada vez mais rápido e, na lógica da comunicação digital, cada mudança requer adaptação para uma competitividade maior. “O tempo realmente passa, e o truque é manter o mesmo ritmo dele. Se você não quer afundar, deve continuar surfando, ou seja, continuar mudando, com tanta frequência quanto possível" (BAUMAN, 2013, p. 27). Muita velocidade sem um sentido. Sussurros individuais para guetos de, às vezes, uma única pessoa. Uma festa onde cada um come apenas o prato que levou. Essa é a incomunicação que Wolton aponta, sendo um de seus aspectos a banalização32 de sua prática (WOLTON, 2015).

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