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TROUBLESHOOTING AND THEORY

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Este relacionamento da obra com o público é o mais importante para os autores da obra de arte; uma relação desinteressada, mas fundamental para apurar a qualidade da interação prevista. Na hora de fazer o balanço deste período de exposição, Arbor contabilizava 11 “Árvores das Palavras”156 e uma média de 80 interações efetivas por cada uma, contabilizando um total de 880 interações.

Tendo sido esta a primeira vez que a Arbor era exposta, teve especial importância a observação e análise dos comportamentos, tanto da instalação quanto do público, variado e vasto, na sua interação com ela e foi fundamental observá-lo diretamente. Durante uma semana, permanecemos junto à instalação, assumindo dois papéis: o de autor, assumido e interessado em conhecer opiniões ditas de viva voz, e outro, de espetador, desinteressado, apenas ouvindo e vendo as reações das pessoas, tema a que voltaremos adiante.

3.3.2. Museu Nacional de História Natural e Ciência (MUHNAC), Lisboa

Ao fim do primeiro ano de utilização plena e intensa do artefacto, que, de um modo geral foi frutuoso e positivo, aconteceu uma fase que durou três meses, entre 1 de março e 19 de julho de 2016, que pode ser descrita por “período de erro”, assim apelido o período de três meses em que a Arbor permaneceu no Serviço Educativo do Museu Nacional de História Natural e Ciência, em Lisboa.

O contacto inicial foi realizado por uma colega da Universidade Aberta157 e tinha como objetivo estreitar a colaboração entre o espaço Invitro, da Universidade Aberta, e o vizinho Museu Nacional de História Natural e Ciência (MUHNAC). Ao mesmo tempo, o objetivo foi proporcionar aos visitantes do MUHNAC o contacto com uma obra de média-arte digital contemporânea e original. A forma e a funcionalidade do artefacto foram fatores determinantes para o sucesso do contacto inicial; a forma da árvore estabelecia a coesão de sentido e a particularidade deste museu.

Foi precisamente para aprofundar o peso do conceito da árvore que decidimos que as Árvores das Palavras teriam a forma de árvore, desta vez aprofundando o nível de verosimilhança formal. Na árvore de palavras generalista, para interação livre, o fundo seria neutro, e branco, de modo a ampliar o contraste entre a árvore e o ambiente circundante (Figura 108 e Figura 109).

Figura 108 - Desenho da Árvore das Palavras generalista, MUHNAC

Figura 109 - Árvore das Palavras generalista, projetada, MUHNAC

Seguidamente, concebemos uma árvore para cada um dos departamentos que integram o plano de visitas guiadas do Serviço Educativo, representadas na Figura 110: Astronomia, Física, Química, Matemática, Biologia, Astronomia, Geologia/Paleontologia, Geologia/Mineralogia, Botânica e Zoologia. Cada ecrã teria uma árvore, a cujo fundo seria atribuída a cor do respetivo departamento, como exmplifico na Figura 111.

157 A ideia inicial e o contacto com o MUNHAC foram da responsabilidade da Verónica Metello, a quem agradecemos o interesse e envolvimento no projeto Arbor.

Figura 110 - As diversas árvores, para cada um dos departamentos

Figura 111 - Árvore de Palavras e pormenor, destinada ao Departamento de Astronomia

Depois de profundamente discutido com a equipa158, foi elaborado um plano de ação para esse momento. Foram realizadas duas sessões, uma de apresentação do artefacto à Diretora do Serviço Educativo (SE) e uma demonstração presencial aos colaboradores desse departamento (Figura 112). Destas conversas surgiu um novo dado que não tínhamos previsto aquando da criação do artefacto nem do uso que tinha tido até então: o SE demonstrou interesse em recorrer à base de dados da Arbor como objeto de estudo, já que, segundo os nossos anfitriões, seria necessário para o Serviço Educativo do MUHNAC e nunca tinha sido conseguido até então. A informação recolhida nessa base de dados teria como finalidade permitir ao SE estudar as temáticas de maior interesse dos visitantes, ou, decidindo investigar outra vertente, podiam fazê-lo recorrendo à instalação.

158 A equipa do Serviço Educativo do Museu Nacional de Historia Natural e Ciência era dirigida pela professora Raquel Barata. https://www.museus.ulisboa.pt/pt-pt/educacao.

Figura 112 - Uma das sessões de apresentação aos monitores do Serviço Educativo do MUHNAC

Figura 113 - Localização da Arbor no Laboratório de Química, MUHNAC

Apesar da dimensão e serviços que compõem o MUHNAC, a opção pela integração da Arbor no Serviço Educativo prendeu-se com a intenção do estudo referido, mas também com o cuidado a ter com o próprio artefacto. A localização foi escolhida tendo em conta alguma preservação, já que a instalação residiria no local por três meses. Assim, a Arbor passou a figurar no Laboratório de Química, à porta do Planetário, onde seria visível de forma lógica, acessível e acolhedora para provocar a interação espontânea, mas também porque esse era o ponto final do percurso das visitas mais comuns solicitadas pelas escolas – o público-alvo desse estudo e das visitas do Serviço Educativo (Figura 113).

Planeamento da Exposição e Expectativas

O museu disponibiliza vários percursos, cada um dedicado às áreas de intervenção do Serviço Educativo e do percurso expositivo do MUHNAC – Astronomia, Física, Química, Matemática, Biologia, Astronomia, Geologia/Paleontologia, Geologia/Mineralogia, Botânica e Zoologia.

Os guias conduziriam os visitantes à exposição, seguindo o seu planeamento habitual, mas essa visita teria finalização junto da Arbor; cada utilizador escreveria na Arbor um conceito, uma palavra que exprimisse o que de mais significativo o marcou naquela visita ou percurso. No final do tempo previsto de presença da Arbor, os profissionais do Serviço Educativo obteriam, através da complicação de todas as palavras registadas, uma base de trabalho importante para a avaliação das suas próprias atividades, o grau de interesse pelas visitas e intervenções, ao mesmo tempo que transmitiria informação fundamental para a organização de eventos futuros. Conjugavam-se assim, como combinado, dois interesses:

• a exploração prática da instalação;

• o estudo académico que a Diretora do Serviço Educativo estava a desenvolver, da maior

importância para o funcionamento do próprio projeto do SE.

Foi com estas premissas que partimos para este desafio que viria a ser muito exigente em termos de preparação da componente informática da Arbor. Foi necessário, da nossa parte, enquanto autores, conceber uma ferramenta que permitisse ativar, a todos o momento, uma de sete árvores diferentes na plataforma, isto para além de ser necessário conceber o desenho de sete árvores distintas. Em termos informáticos, o objetivo desta ferramenta de seleção, uma inovação no projeto, era ceder o controlo da ação a cada um dos guias – cada guia podia ativar a árvore do seu departamento no momento da visita; finda a visita, o guia procederia à gravação da imagem

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