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Troubleshooting CEF

Dans le document MPLS Fundamentals (Page 189-196)

A preferência de utilização de uma metodologia qualitativa ou quantitativa é discutida por muitos autores, surgindo vertentes que apoiam uma ou outra, com base na confiabilidade ou validade dos resultados obtidos. Serapioni refere que:

As correntes positivistas definem como científicas somente as pesquisas baseadas na observação de dados da experiência e que utilizam instrumentos de mensuração sofisticados. Por isso, afirmam que os métodos qualitativos não originam resultados confiáveis. Por outra parte, os teóricos qualitativistas sustentam que os quantitativistas, na medida que não se colocam no lugar do sujeito, não realizam investigações válidas”

Carmo e Ferreira (1998: 176) alegam que o investigador não tem que “optar pelo emprego exclusivo de métodos quantitativos ou qualitativos e, no caso de a investigação assim o exigir, poderá mesmo combinar o emprego de dois tipos de método”.

Para Minayo & Sanches (1993), as duas metodologias são compatíveis e podem ser utilizadas de forma complementar num mesmo Projeto. O método quantitativo pode conduzir o investigador à escolha de um problema particular, e a sua análise poderá ser efetuada através de métodos e técnicas qualitativas, sendo que o oposto também se poderá verificar. Desta forma existe uma “aproximação fundamental e de intimidade entre sujeito e objeto”; “ [...] ela se envolve com empatia aos motivos, às intenções, aos Projetos dos atores, a partir dos quais as ações, as estruturas e as relações tornam-se significativas” (Minayo & Sanches, 1993: 244). Outros autores defendem que, “ (…) a fase preliminar pode ser legitimamente considerada o ponto de chegada da pesquisa.” (Cavalli, 1996, apud Serapioni, 2000: 1). Por outras palavras, Serapioni refere que:

[…] a análise qualitativa pode também não chegar a quantificar e, por outra parte, nada exclui que a análise quantitativa implique a necessidade de novas análises qualitativas. A contraposição entre qualidade e quantidade torna-se, portanto, matizada, e a integração, inevitável.

(Serapioni, 2000: 1)

Já Duffy (1987: 131, apud Neves, 1996: 2) apresenta cinco benefícios do emprego conjunto dos métodos qualitativos e quantitativos:

▪ Possibilidade de reunir o controlo dos vieses (pelos métodos quantitativos) com a compreensão da perspetiva dos agentes envolvidos no fenómeno (pelos métodos qualitativos);

▪ Possibilidade de associar a identificação de variáveis específicas (pelos métodos quantitativos) com uma visão global do fenómeno (pelos métodos qualitativos);

▪ Possibilidade de completar um conjunto de fatos e causas associados ao emprego da metodologia quantitativa com uma visão da natureza dinâmica da realidade;

▪ Possibilidade de enriquecer constatações obtidas sob condições controladas com dados obtidos dentro do contexto natural de sua ocorrência;

Desta forma, a metodologia mista surge como forma de aproveitar o que têm de úteis os dois paradigmas, uma vez que se pretende compreender e descrever fenómenos, com o auxílio de técnicas quantitativas e qualitativas. Conforme refere Minayo e Sanches:

Nenhuma das duas, porém, é boa, no sentido de ser suficiente para a compreensão completa dessa realidade. Um bom método será sempre aquele, que permitindo uma construção correta dos dados, ajude a refletir sobre a dinâmica da teoria. Portanto, além de apropriado ao objeto da investigação e de oferecer elementos teóricos para a análise, o método tem que ser operacionalmente exequível.

(Minayo & Sanches, 1993: 1)

Com isto, conclui-se que ambas as abordagens (qualitativa e quantitativa) são necessárias, porém, em muitos contextos, insuficientes para abraçar toda a realidade observada. Portanto, elas podem e devem ser utilizadas, em tais circunstâncias, como complementares, sempre que o planeamento da investigação esteja em conformidade. Do ponto de vista metodológico, não há contradição, assim como não há continuidade, entre investigação quantitativa e qualitativa. Ambas são de natureza diferente. A investigação quantitativa atua em níveis de realidade e tem como objetivo trazer à luz dados, indicadores e tendências observáveis. A investigação qualitativa, ao contrário, trabalha com “valores, crenças, representações, hábitos, atitudes e opiniões” (Minayo & Sanches, 1993).

A metodologia mista pode assim ser comparada ao uso de «lentes bifocais em vez de uma lente simples», de modo a “combinar precisão empírica com precisão descritiva” (Fonseca, 2008: 13).

A metodologia de investigação qualitativa surge assim, como uma boa resposta às limitações reveladas pelos métodos quantitativos.

Depois de tudo o que foi supracitado, optou-se que este trabalho seguisse uma metodologia de investigação mista, uma vez que, não sendo incompatíveis, estas duas formas de investigação podem ser usadas seguidas uma da outra ou ao mesmo tempo, em função da natureza das questões que se pretendam levantar e dos dados que se pretendam obter. Neste sentido, esta investigação parte da bifurcação entre abordagens naturalistas (qualitativa ou etnográfica), que visam a descrição e compreensão de um fenómeno complexo, e abordagens racionalistas (quantitativa ou experimental), como complemento

na recolha e análise de resultados (inquéritos e análise estatística da evolução dos resultados académicos dos alunos).

No que respeita à abordagem qualitativa, esta passa por analisar vários documentos escritos, como o Projeto de candidatura ao PF, junto da DGRE; alguns documentos internos; e as atas das diversas reuniões realizadas (ex.: do grupo Fénix, do departamento, do conselho pedagógico, dos Encarregados de Educação; do grupo disciplinar e do conselho de turma). Nestas reuniões, a investigadora assumiu, na grande maioria das vezes, o papel de observadora, ao mesmo tempo que também assumia o papel de coordenadora do Projeto na escola e professora de duas turmas de “ninho”.

Os dados obtidos a partir da sua análise (de atas, pautas e documentos internos) dá-nos acesso a dados descritivos ricos.

Em suma, a metodologia de investigação mista, afasta-se da bifurcação entre abordagens naturalistas e racionalistas, enquanto recorrendo a características associadas a ambas as perspetivas, quantitativa e qualitativa.

Desta forma, e atendendo ao facto de que estamos perante o estudo de uma realidade complexa, que constituirá um estudo de tipo «caso» exploratório que pretendemos analisar em profundidade, sem pretensão a generalizar resultados, mas antes com foco nas perspetivas dos atores, é no paradigma qualitativo ou interpretativo que situamos a nossa investigação. Neste tipo de estudo, a dimensão da amostra não é essencial, na medida em que não se visa a generalização de resultados.

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