Segundo o que foi explicitado no capítulo I, o insucesso e o abandono escolar são fenómenos que desde sempre estiveram presentes nas escolas portuguesas e o Agrupamento Confiança não era exceção, conforme se comprova pelos dados do relatório da avaliação externa, apresentados no ponto anterior.
Perante estas circunstâncias, compreendeu-se a necessidade de agir “não apenas no insucesso do aluno mas também no insucesso da escola em cumprir as finalidades que a sociedade lhe atribui e mostrando a sua inadequação à nova realidade” (Formosinho & Machado, 2008: 6).
Assim, atribuindo-se ao Projeto Fénix a máxima de que um “projeto nasce com o objetivo de melhorar uma realidade” (Miranda e Cabral, 2012: 20), as coordenadoras entrevistadas e alguns professores apontaram como principal razão para aderir ao projeto a melhoria dos resultados académicos:
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E1: “As razões que me levaram a considerar o Projeto Fénix um bom projeto têm a ver com (…) o tipo de problemática do nosso agrupamento, considerando eu que se adequava.”
E2: “A razão principal foram os resultados académicos dos nossos alunos, eram baixos e por isso houve necessidade de se pensar em mudar de metodologia pedagógica. Qualquer escola pode adotar este projeto, desde que sinta que tem necessidade de o fazer e sinta que ele responde às suas necessidades.”
E8: “Conseguir uma melhoria dos resultados dos alunos, para mim é uma razão válida.”
No entanto, pelas palavras de alguns docentes entrevistados, a adesão ao projeto não passa exclusivamente pela melhoria dos resultados académicos, mas passa também por trabalhar outras capacidades dos alunos, essenciais ao seu desenvolvimento enquanto indivíduo e que aqui se realçam a negrito:
E3: “Acho que qualquer escola, qualquer professor gosta que os seus alunos tenham resultados positivos. Sejam alunos confiantes e com vontade de aprender. Julgo que dar a oportunidade aos alunos de fazerem um percurso de aprendizagem com conteúdos consolidados, terem uma base sólida a nível de conhecimentos, verem as suas dificuldades superadas e gostarem de andar na escola, são razões importantes.”
E4: “Qualquer escola gosta de ter sucesso educativo, mas mais do que isso, é poder ajudar os alunos de forma eficaz. Eu penso que um aluno intermédio ao ganhar confiança no seu saber, ao consolidar o que sabe, isso é o ponto de partida para todo o resto. Para melhorar os resultados, para ser mais autónomo, para ganhar interesse e gosto pela escola.”
E5: “A necessidade de melhor conseguir gerir os recursos humanos, respeitando as características e níveis individuais de cada grupo de alunos, para tentar obter o maior grau de motivação possível, visando um maior sucesso, por parte dos mesmos. Para mim, são bastante importantes. Muito até.”
E6: “Trabalhar para o sucesso dos alunos, para mim são razões mais que suficientes. Trabalhar para o sucesso. Ajudar os alunos que têm dificuldades mais específicas. Trabalhar em conjunto e dividir algumas responsabilidades e receios em relação à aprendizagem de alguns alunos.”
E7: “Os alunos que necessitam de um acompanhamento mais próximo quer a nível académico, quer a nível socio-afetivo.”
Perante estas afirmações depreende-se que a maioria dos docentes tem consciência de que esta nova realidade social confia às escolas uma missão de serviço público, que consiste em dotar todos e cada um dos cidadãos das competências e conhecimentos que lhes permitam explorar plenamente as suas capacidades, para que futuramente possam integrar-se ativamente na sociedade e dar um contributo para a vida económica, social e cultural do seu País.
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Para responder a esta missão em condições de qualidade e equidade, da forma mais eficaz e eficiente possível, adotam-se projetos como o Projeto Fénix, que tem como principais metas a diminuição do insucesso e do abandono escolar e foi concebido de forma a concretizar o desígnio da escola ser para todos, encarando de frente o problema da equidade e da inclusão educativa.
De acordo com o que já foi referido no capítulo II desta investigação, este modelo conceptual baseia-se no princípio fundamental de que as escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas dificuldades dos seus alunos, de forma a assegurar uma educação de qualidade para todos.
A adoção do projeto implicou a sua comunicação a todos os agentes educativos, no entanto, as razões que levaram o Agrupamento a adotar este projeto não parecem ser do conhecimento dos alunos, mas entendem que a sua frequência nos Ninhos tem a ver com a sua falta de resultados nas duas disciplinas base, português e matemática. Também parecem saber que os Eixos pretendem aprimorar resultados e que o “grupo das excelências” era uma recompensa pelos bons resultados. Percebe-se, assim, que existiu a preocupação de informar os alunos das dinâmicas de trabalho dos Ninhos e dos Eixos, sem aprofundar pormenorizadamente as razões da implementação de um projeto desta natureza.
Q4: Alguma vez alguém vos explicou por que razão é que existe o Projeto Fénix na vossa escola?
Não. (responderam todos)
Q2 – Conhecem as razões pelas quais estavam a frequentar o NINHO ou o EIXO? A1: Eu sei, era por ter negativa a matemática e a português.
A2: Eu também, não podia reprovar mais, já tinha reprovado uma vez.
A3: Eu acho que os meninos que estavam nos Ninhos era para tirarem melhores notas e os que estavam nos eixos era para serem ainda melhores.
A4: Sim, foi o que a nossa professora nos disse um dia. A5: A nossa também disse isso.
A6: A mim e aos colegas de quinta-feira a professora disse-nos que tínhamos aquelas aulas com os professores do 2º ciclo, porque era uma espécie de prémio por sermos os melhores alunos.
Em contrapartida, o envolvimento parental no processo de ensino-aprendizagem parece ser uma preocupação fulcral deste Agrupamento e deduz-se que nas sessões de esclarecimento iniciais com os titulares das turmas envolvidas, terá existido o cuidado de
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se abordar o projeto como uma medida de promoção do sucesso educativo, considerando que a maior parte dos encarregados de educação entrevistados também referiu a melhoria dos resultados académicos como uma importante razão para a sua implementação:
P1: “(…)ajudar os meninos a tirar boas notas?!”
P2: “Eu acho que era para apoiar mais os meninos e ajudá-los mais. Se for para ajudar os alunos a perceber melhor e a saberem mais, eu também acho importantes.”
P3: “Penso que as razões teriam a ver com a falta de resultados. Penso que a intenção foi melhorar os resultados globais do agrupamento. Eu acho que são razões importantes. Uma escola com bons resultados é imediatamente associada a uma boa escola.”
P5: “Eu não sei, mas concordo com o que disseram. Se for para os alunos terem melhores notas, eu também acho que são razões importantes.”
P6: “Sim, as razões foram a falta de resultados. O agrupamento foi buscar o Projeto Fénix para tentar aumentar o aproveitamento escolar dos alunos e assim garantir uma imagem de sucesso e qualidade no ensino. (…) Sim, acho que a melhoria de resultados e a consolidação de saberes são razões importantes para aderir ao projeto. “
Este espírito de interação entre os diversos agentes educativos, vai de encontro ao que foi explicitado no primeiro capítulo, quando se analisou que os projetos devem surgir na escola como um convite à reflexão participada, por parte de todos, sobre questões de processo e procedimento, que exigem a criação de objetivos, marcos de referência estratégicos com o objetivo do bem comum e valorizar os alunos e as suas capacidades.
A reforçar esta ideia de que a escola enquanto organização, não pode ser considerada fora do contexto onde existe, porque tal como afirma Batanaz Palomares “a escola é um contexto” (2003: 114), salienta-se um pequeno excerto da ata de Departamento do 1.º Ciclo, número cinco, de 14 novembro 2013, onde se confirma o cuidado do Agrupamento Confiança no envolvimento dos pais e encarregados de educação na implementação do Projeto:
“(ii) Segundo indicações da diretora do agrupamento, os professores titulares e os professores das turmas de "ninho" deverão reunir com os encarregados de educação desses alunos para se fazer um ponto de situação, informar do trabalho que está a decorrer e, ao mesmo tempo, realçar a importância da colaboração e da parceria dos encarregados de educação na recuperação dos seus educandos. O prazo de realização para estas reuniões deve ser a partir da próxima semana.” (p.3 da ata nº5)
Também como já foi referido, “a escola constitui um empreendimento humano, uma organização histórica, política e culturalmente marcada” (Lima, 1998: 47), à qual se impôs ao longo dos tempos, um grande esforço de integração, transformação e
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reorganização para poder continuar a perpetuar-se como uma organização vital para a sociedade contemporânea.
Assim, a responsabilidade de um bom desempenho aponta para um maior investimento dos órgãos de cada escola em promover a participação de todos, estimulando o trabalho de equipa entre os professores aumentando a autonomia pedagógica e organizativa da escola.
A existência de projetos que possam contribuir para o sucesso educativo dos alunos é uma aparente evidência recorrente em todas as Escolas/Agrupamentos do país e o mesmo se verificou no Agrupamento Confiança que apostou num projeto pedagógico externo – o Projeto Fénix – como medida de promoção do seu sucesso educativo.