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Chapitre 5. Classification des Documents Textuels

5.7. Travaux de recherche sur la classification

Além do nitrogênio, as coberturas vegetais apresentam grande potencial como condicionadoras de outros nutrientes para as culturas subsequentes, com

destaque para o potássio, o qual geralmente é rapidamente liberado dos resíduos, por não fazer parte de nenhum composto celular no vegetal (MALAVOLTA; VITTI; OLIVEIRA, 1997). Assim, pode-se considerar como 100% a liberação do potássio proveniente dos resíduos culturais, porém, podem ocorrer perdas por lixiviação, especialmente quando se trata de solos arenosos (CALONEGO; FOLONI; ROSOLEM, 2005).

No presente caso, as quantidades de potássio acumuladas na massa seca de parte aérea das coberturas vegetais foram influenciadas, isoladamente, apenas pelo manejo do solo no ano agrícola 2010/11 (Tabela 9). Observa-se efeito similar ao verificado com o acúmulo de nitrogênio, em que o sistema plantio direto favoreceu maior quantidade de potássio acumulada na massa seca de parte aérea das coberturas vegetais, embora tal superioridade não tenha sido estatisticamente superior quando comparada ao manejo do solo com “grade pesada” + “grade leve”. Todavia, a maior quantidade de potássio acumulada nas coberturas vegetais cultivadas no sistema plantio direto e no solo manejado com “grade pesada” + “grade leve”, é atribuída à elevada produção de massa seca das coberturas vegetais nessas condições de cultivo (Tabela 7), haja vista que o manejo de solo não alterou o teor de potássio nos resíduos das coberturas vegetais (Tabela 8) e que a quantidade acumulada foi obtida em função do teor do nutriente e da produção de massa seca.

Um dado a ser ressaltado é que o milheto, embora tenha produzido menor quantidade de massa seca de parte aérea (Tabela 7), acumulou quantidades de potássio semelhantes à crotalária e o consórcio milheto + crotalária em ambos os anos agrícolas. Tais resultados se devem ao maior teor deste nutriente no tecido da poácea (Tabela 8) e dentre outras características, tais como: sistema radicular profundo (MAGALHÃES; DURÃES, 2010) e alta capacidade de extração de potássio (SANTOS et al., 2010a). Observa-se, de modo geral, que as quantidades de potássio acumuladas nas três coberturas vegetais são maiores que as quantidades normalmente aplicadas no sulco de semeadura do milho, mostrando o grande potencial que estas apresentam na reciclagem deste nutriente. Oliveira, Carvalho e Moraes (2002), trabalhando com diversas culturas (milheto, sorgo, milho, mucuna- preta e feijão de porco), relataram o milheto como a cultura de maior acúmulo de macronutrientes a serem fornecidos ao solo para o cultivo seguinte.

4.2.8. Persistência dos resíduos vegetais no sistema plantio direto

O tempo de persistência dos resíduos vegetais na superfície do solo, após o seu manejo, é determinado pela velocidade de sua decomposição. Quanto mais rápida for a decomposição, maior será a velocidade de liberação de nutrientes, porém, menor será a proteção do solo. A velocidade de decomposição está relacionada com o teor de lignina e com a relação C/N dos resíduos. Desse modo, quanto maior o teor de lignina e a relação C/N, mais lenta será a decomposição (HEINRICHS et al., 2001) e consequentemente, maior será a proteção do solo.

A persistência dos resíduos vegetais no sistema plantio direto, no ano agrícola 2009/10, não teve alteração significativa em função da cobertura vegetal e da dose de nitrogênio (Tabela 10), em nenhuma das épocas em que esta foi avaliada. Porém, no ano agrícola 2010/11, exceto para a avaliação realizada aos 60 dias após a semeadura do milho, obteve-se diferença na persistência dos resíduos vegetais em razão da cobertura vegetal (Tabela 11), independente da dose de nitrogênio aplicada em cobertura. Na avaliação realizada aos 30 dias após a semeadura do milho, nota-se que o milheto e o consórcio milheto + crotalária proporcionaram maior percentual de persistência dos resíduos vegetais no sistema plantio direto quando comparado com a crotalária, o que está relacionada à maior relação C/N do milheto (SALTON; KICHEL, 1998; ALVA et al., 2006) em relação à fabácea. Silva et al. (2009a) verificaram que a maior relação C/N foi atingida pelo milheto (35/1), comparativamente a Crotalaria juncea (18/1), o que era previsto, devido à espécie ser uma poácea e, geralmente, apresentar relação C/N mais alta que as fabáceas.

A persistência dos resíduos vegetais no sistema plantio direto aos 90 e 120 dias após a semeadura do milho apresentou comportamento similar e em ambas as épocas, nota-se maior percentual de persistência dos resíduos quando o milheto foi a cultura antecessora, embora esta superioridade não tenha diferido estatisticamente dos resíduos proporcionados pelo consórcio milheto + crotalária. Dessa maneira, a semelhança na persistência dos resíduos culturais do milheto e milheto + crotalária aos 30, 90 e 120 dias após a semeadura do milho no ano agrícola 2010/11 demonstra o potencial do consórcio em proporcionar massa seca

com relação C/N intermediária àquela da crotalária em cultivo isolado (HEINRICHS et al., 2001), proporcionando portanto, maior proteção do solo e sincronia entre fornecimento e demanda de nitrogênio pela cultura.

Apesar da menor massa seca de parte aérea verificada no milheto, em ambos os anos agrícolas (Tabela 7), nota-se tendência, em todas as épocas em que foi mensurada, dos seus resíduos promoverem cobertura mais persistente na superfície do solo quando comparada à crotalária no ano agrícola 2010/11, o que está relacionada à sua maior relação C/N (SALTON; KICHEL, 1998; ALVA et al., 2006). Os resultados mostram-se coerentes às observações feitas por Pelá (2002) e por Bertin, Andrioli e Centurion (2005), em que a maior persistência dos resíduos foi verificada com o milheto, comparativamente aos resíduos proporcionados pela

Crotalaria juncea, feijão de porco e lablabe; os referidos pesquisadores atribuíram tal

efeito a maior relação C/N apresentada pelo milheto. Nas regiões de Cerrado, especialmente, isto se constitui num importante fator no cultivo em sistema plantio direto, em virtude das altas temperaturas associadas à alta umidade no verão promoverem rápida decomposição dos resíduos de baixa relação C/N (AMABILE; FANCELLI; CARVALHO, 2000; GONÇALVES; CERETTA; BASSO, 2000; GUIMARÃES et al., 2003; LARA CABEZAS et al., 2004), como é o caso das fabáceas. Na mesma linha de raciocínio, fica evidente o inconveniente resultado da rápida decomposição da crotalária, proporcionando baixa persistência dos seus resíduos e proteção do solo, conforme ressaltado por Teixeira et al. (2009).

A rápida diminuição da persistência dos resíduos de crotalária no ano agrícola 2010/11, se deve, supostamente, ao ataque microbiano à fração mais facilmente decomponível do resíduo, composta principalmente de proteínas e de carboidratos simples; a maior persistência dos resíduos do milheto é, portanto, consequência do ataque de microorganismos a compostos mais resistentes, como celulose e lignina (BERTOL et al., 1998; HEINRICHS et al., 2001). A manutenção dos resíduos culturais na superfície do solo em um sistema de rotação de culturas é um importante fator para melhorar a estrutura do solo, refletindo de maneira eficaz no incremento da infiltração de água, na redução da temperatura superficial do solo, no aumento da estabilidade dos agregados e na disponibilidade de nutrientes e água, no estímulo das atividades microbiológicas, com consequente redução nas perdas por erosão do solo e água e um aumento gradativo da produtividade das culturas e a redução dos custos de produção (FLOSS, 2000).