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4//  ANALYSE  DES  RELATIONS  VILLE/CAMPAGNE

RESTAURATION  COLLECTIVE

3.   Travail  prospec-f

2.1– A ORIGEM DA COLÔNIA E O TIPO DE COLONIZAÇÃO

Para o Brasil, e por consequência Santa Catarina, os alemães tiveram papel fundamental na colonização e no movimento histórico posterior à chegada desses imigrantes. É de extrema importância resgatar que as circunstâncias que trouxeram os povos colonizadores para o Brasil foram inúmeras, figurando entre questões sociais, políticas e econômicas, que literalmente assolavam os camponeses nos Estados Alemães, ainda não unificados, forçando seu povo a emigrar já nas primeiras décadas do século XIX. Não se tratava de uma nação unificada, porém formada por diversos condados, ou como preferiu Dirksen (1995, p.19) “minúsculos Estados, muitas vezes dominados por alguma poderosa família nobre (...)”, ou melhor, nada mais que o feudalismo, entretanto, em dissolução naquele período na Alemanha.

De qualquer modo, é de extrema importância analisar a relação entre o povo expulso dos “estados” alemães, cujo feudalismo se via em dissolução gerando mão de obra livre; e sua chegada ao Brasil. No século XIX, foi o capitalismo, oriundo de medidas Prussianas a partir de 1807, que ao promoverem a reforma agrária na parte Oriental da Alemanha, possibilitou a concentração de terras nas mãos dos Junkers, culminando em verdadeiras empresas rurais. Na região do Reno-Westfália, parte Ocidental da Alemanha, a pequena produção agrícola, o artesanato, a manufatura domiciliar entre outros, apresentavam pleno desenvolvimento, entretanto foi onde o Estado Prussiano, segundo (CUNHA, 1999) concentrou suas forças para promover o desenvolvimento de uma fabulosa zona industrial – tratava-se do espaço vital do desenvolvimento capitalista alemão. Nessas zonas o Estado foi destruindo o trabalho industrial domiciliar (Verlag) e promovendo a concentração da produção na Indústria Urbana, esse movimento levou a ruína os camponeses e promoveu a proletarização, além do nascimento de uma progressista indústria urbana, principalmente da área têxtil.

Aquele movimento, nos Estados alemães, culminou em baixos salários, determinado, sobretudo, pelo elevado exército de reserva que se formou; além da miséria, oriunda do desemprego e da má remuneração, e desse modo, as péssimas condições de vida forçaram os ex-camponeses, artesão e manufatureiros expropriados a migrarem. O Brasil entrou no contexto das migrações com a abertura dos portos, quando a legislação, segundo Jochem (2002, p.25) de “(...) 1808, 1814, 1818, e 1820 fundamentava juridicamente a formação de colônias com imigrantes

europeus a serem fixados em pequenas propriedades agrícolas”. Tratava-se da migração espontânea em primeiro momento e subvencionada pelo governo no segundo (JOCHEM, 2002). Entre os períodos de 1808 e 1914 as migrações alemãs foram intensas no Brasil e demais nações americanas.

O interesse para o Brasil que marcou a abertura aos imigrantes, já na fase do país independente, foi à criação de colônias onde as tropas e o gado, ao longo do Caminho do Sul, entravam e saiam da selva (PIAZZA, 1994); (WAIBEL, 1958) p. ex. em 1824 a colônia de São Leopoldo – RS. Em Santa Catarina São Pedro de Alcântara foi à primeira colônia militar alemã em 1829, que segundo Pereira (2011, p.26) localizava-se “(...) no caminho entre Lages e Desterro, situada igualmente na fronteira entre a mata despovoada e as terras já ocupadas no litoral”.

Desse modo, portanto, observou-se a criação das primeiras colônias alemãs, e que posteriormente serviram de referencia para os demais alemães que por aqui aportaram. São Pedro de Alcântara, como tratou Mamigonian (2011) ao criticar (CABRAL, 1994) que havia decretado falência dessa colônia, enaltece pelo contrário, foi capaz de criar para milhares de colonos a riqueza popular, expandindo para Itajaí, Ilhota, Gaspar, Ituporanga, Rio do Sul, Braço do Norte, Forquilhinhas, entre outras cidades.

Na colônia Militar de São Pedro de Alcântara a terra era infértil, além de acidentada e o caminho Desterro – Lages teve seus traçados alterados. Desse modo, Dall’Alba (1973, p.33) “(...) 44 colonos que haviam se desgostado em São Pedro de Alcântara, no ano de 1837” fundaram Vargem Grande. Outras diversas colônias alemãs de Santa Catarina são oriundas de imigrantes desgarrados da antiga colônia militar, que literalmente abandonavam aquelas terras por motivos diversos, principalmente a miséria e o lento progresso que assolava a tão valiosa “esperança” dos alemães.

Não tão distante de São Pedro de Alcântara e de Vargem Grande, situada a 48 km da capital, em 1859 foi criada a colônia de Teresópolis, pelo governo imperial. Essas terras seriam responsáveis por abrigar inicialmente, segundo Jochem (2003) 40 famílias de imigrantes alemães, que trabalhavam desde 1849 em fazendas de café no Rio de Janeiro, onde “já pediam até esmolas” (DALL’ALABA, 1973). As famílias vindas do Rio de Janeiro eram comandadas por Theodoro Todeschini, visionário Oficial austríaco, que governou os alemães nas construções de duas barracas, que serviam para acolher os recém chegados imigrantes. Diga-se de passagem, Teresópolis foi o centro de irradiação de todas as colônias alemãs que surgiram mais ao Sul de Santa Catarina. Os colonos chegavam se abrigavam provisoriamente nas barracas de Teresópolis, e posteriormente ocupavam suas terras e iniciavam suas atividades.

Entre os anos de fundação em 1859 a 1869, a colônia de Teresópolis já registrava 1500 habitantes espalhados em seis linhas, conhecidas como Cubatão, Rio Novo, Rio Cedro, Rio São Miguel, Rio Salto e Capivari (DALL’ALBA, 1973). No ano de 1863 chegam a Teresópolis, imigrantes católicos vestifalianos de Münster, que se instalaram na linha Rio Salto, onde iniciaram suas atividades como agricultores mercantis independentes, reproduzindo ao máximo a organização social e de classes que os mesmos conheciam na Alemanha. No entanto, a baixa fertilidade, o solo íngreme, as poucas terras cultiváveis, e suponha-se que não menos importante, os conflitos e brigas com os protestantes luteranos da colônia, fez com que em 1873, 52 famílias do Rio Salto e Capivari, partissem para o Sul e fundassem a Colônia de São Ludgero, pertencendo a Comarca de Tubarão.

Antes disso, Padre Guilherme Roer, juntamente com o imigrante Bernhard Schlickmann, foram pessoalmente a região do Vale do Braço do Norte, e observaram in loco a “terra da promissão” (JOCHEM, 2002), tratava-se de terras férteis e mais planas. Alguns colonos confiando em Padre Roer, segundo Jochem (2002, p.58) “(...) resolveram acompanhá-lo ao novo Canaã”. Portanto, em 21 de outubro de 1872, organizados pelo Padre Roer, segundo Dall’Alba (1973, p.52) “(...) 52 signatários enviaram uma petição ao governo imperial para que lhes fossem concedidas as terras no Vale do Braço do Norte”. Já em novembro de 1872, as 52 famílias estavam autorizadas, pelo Ministério da Agricultura, a partirem de Teresópolis para o Vale, concedendo-lhes lotes de 150 braças de frente, por 883,3 braças de fundo, medidas a custo do Governo, pelo mínimo preço da lei, ou seja, na época, meio real por braça quadrada (DALL’ALBA, 1973). Desse modo, de acordo com Dall’Alba (1973, p.52) “(...) um lote de (...) 60500 m² (60,5 hectares), custou apenas 62$500 mil réis, fora dos emolumentos e selos do título definitivo: 15$000.”

Nesse processo que envolve Governo Imperial do Brasil e os imigrantes, chama-se atenção para a agilidade com que foi aprovada a petição para ocupação do vale do Braço do Norte, mas principalmente o preço que foi pago pelas terras. Segundo Dall’Alba (1973, p.52) “Todas as terras margeando o rio Braço do Norte caberiam indubitavelmente na classe mais alta do Governo, isto é, 8 réis à braça quadrada (...)”. Portanto, percebe-se que o Governo Imperial facilitou a fundação da Colônia São Ludgero, o que tudo leva a crer que o interesse estava vinculado a 3 fatores: 1 – proteção do caminho do Imaruí, que ligava Lages a Laguna, muito movimentado nos fins do Século XIX; 2 - crescente mineração do carvão que se pretendia na região carbonífera do Sul do Estado Catarinense; e 3 – Executar a lógica imposta pela segunda dualidade (RANGEL, 2005) visando à substituição de importações de produtos primários para abastecer

os grandes centros nascentes no Brasil, sobretudo Rio de Janeiro. Desse modo, seriam indispensáveis os novos colonos agricultores, artesãos, manufatureiros, se instalarem em terras supostamente tão produtivas, logo próximas a região carbonífera, o que desse modo se concretizou.

No Vale do Braço do Norte, em 1873, funda-se a colônia de São Ludgero, cuja localidade pertencia à comarca de Tubarão, no entanto, era o padre vinculado a colônia de Teresópolis, Guilherme Roer, que atendia tal comunidade. Segundo Dall’Alba (1973, p.54) foi realizada “A primeira missa, eram todos católicos, foi rezada à sombra de uma figueira. Um povo de bravos a retemperar sua fé, e sua crença no futuro, no templo aberto, que o próprio Deus construirá”. Tratava-se indiscutivelmente, da nova esperança que se abria em todos que ali se instalara, história famosa em São Ludgero, é que todos iam beijar as mãos de Padre Roer por ter encontrado finalmente terras férteis e que poderia se abrir uma verdadeira colônia exclusivamente alemã e católica.

Tendo estabelecido a colônia é imprescindível entender que o povo conquistador tende a imprimir o seu modo de vida e de produção (MARX, 2011), que foi historicamente assimilado, nesse caso, na Westfália – Münster de meados do século XIX. Na exposição de Marx (2011. p.50) “Um povo conquistador divide a terra entre os conquistadores e impõe assim uma determinada distribuição e uma determinada forma da propriedade fundiária; determinada, por conseguinte, a produção”. Tratava- se do estabelecimento da pequena produção mercantil. O primeiro passo para o estabelecimento da produção, no caso dos colonizadores, foi a distribuição das terras, cuja medição fora executada por um agrimensor de Tubarão (JOCHEM, 2003).

A entrega dos lotes, segundo Jochem (2003, p.124) “(...) tudo leva a crer que tenha sido mediante sorteio (...)”, entretanto, não se deve perder de vista, que a distribuição é parte constituinte da produção, que é executada de acordo com o modo de produção que se quer implantar, pressupõe-se dessa forma, que são critérios históricos, espaciais, religiosos, ou até de camaradagem, que levam uma ou outra família receber os melhores lotes em localizações favoráveis. Portanto, pensar que a distribuição foi entregue a sorte, ou como um aspecto natural é desvalorizar os casos, que são todos históricos (MARX, 2011). No caso da colônia de São Ludgero, os colonos recebiam seus lotes de 60,5 hectares, normalmente vinculado a algum elemento religioso, mas principalmente, aqueles mais chegados ao Padre Roer e aos aspectos da vida católica tendiam a receber os melhores lotes, ou aqueles lotes mais próximos ao centro da colônia, na vila.

Tendo seus lotes particulares em mãos, porém o trabalho comunitário não se enfraqueceu, diga-se de passagem, que o espírito comunitário, baseado na moral católico cristã foi fundamental na construção da colônia. A devoção e a disciplina mediante as designações do Padre Roer

tiveram caráter crucial para a organização que se pretendia. Nesse aspecto, vale chamar atenção que devido à distância a ser percorrida pelo Padre Roer de Teresópolis a São Ludgero, segundo Dall’Alba (2005, p.12) o Padre “Pediu ainda que se conservassem unidos, e respeitassem as pessoas que iria nomear como dirigentes da nova colônia. Nesse ponto foi muito feliz: nomeou Bernardo Steen, chefe de diretoria, e seus auxiliares Bernardo Schlickmann e Henrique Hobold. Estes três trabalhavam juntos”.

As novas terras representaram para a comunidade da Colônia Braço do Norte, a própria revitalização de suas forças, ou seja, revigorou-se a vontade de trabalhar, justamente por avistar uma natureza generosa. Para Engels (1976, p.215) “O trabalho é fonte de toda a riqueza, afirmam os economistas. E o é, de fato, ao lado da natureza, que lhe fornece a matéria por ele transformada em riqueza”. Aplicando o trabalho comunitário, utilizando-se das benesses da natureza, novos homens surgiram daqueles alemães até então desfavorecidos. Trata-se justamente das múltiplas combinações que compõem a realidade geográfica (CHOLLEY, 1964); (MAMIGONIAN, 2002), ou seja, os aspectos humanos (força física, inteligência, organização, etc.) ao se depararem com elementos biológicos e naturais favoráveis, promovem e determinam a construção do fenômeno geográfico.

Os colonos chegaram Segundo Dall’Alba (1973, p.47) e “Entraram pela Barra do Norte, onde havia estabelecido os brasileiros e logo cada um ocupou um lote, ora à esquerda, ora a direita do rio, acima da linha Miranda”. O prático de Tubarão, em maio de 1873, subindo o rio media às pressas a frente dos terrenos, colocava “os marcos” e deixava os colonos derrubando o seu mato. Então, “Seria o mês de junho de 1873. Todos num rancho comum? Não se fala. Parece que não. Cada um já fez um rancho em seu terreno” Dall’Alba (1973, p.47). Ao mesmo tempo em que derrubavam as matas, os colonos construíam seus ranchos e limpavam o terreno para as primeiras plantações. No mês de outubro de 1873 todas as famílias estavam estabelecidas as margens do Braço do Norte, nos seus lotes estavam postos um rancho e as primeiras viçosas e sonhadas plantações, ou seja, tratava-se da economia natural posta em movimento18, numa lógica comunitária / católica de acumulação de riquezas como pano de fundo.

18 Baseado em Rangel (2005) economia natural é aquela na qual, o agricultor e sua

família, produzem em suas terras o indispensável para reproduzir-se, bem como constrói seus ranchos, moradas e demais instalações, ou seja, trata-se do agricultor das mil funções, aquele que não possui tempo para se especializar em nenhuma de suas atividades

Nem precisamos descrever o entusiasmo da turma. Desta vez era para valer. Ficariam ricos. As roças viçosas, o clima saudável. Agora sim, era a América! Fariam fortunas. Com roças daquelas, quem não faria?

O vale todo animou-se. Abriram-se as picadas margeando o rio. 50 novos ranchos cobertos de palha espalharam-se nas águas do rio. Trezentas e tantas pessoas somaram-se às poucas dezenas de caboclos e sesmeiros nacionais já ali estabelecidos. (DALL’ALBA, 1973, p.48 / 54).

Nota-se, que a única maneira de sobreviver em meio à mata isolada na encosta da serra geral, foi se aproveitando ao máximo da natureza, entendendo-a, testando e aplicando intenso trabalho próprio e da família. As primeiras casas, como relatou Sr. Huberto Schlickmann, em entrevista no museu da colonização em São Ludgero, eram feitas de “pau a pique”, com intensa utilização da palmeira Jussara, devido à maleabilidade dessa madeira, amarrada com cipó, as paredes eram de argila e a cobertura era feita com palha. Tratava-se do domínio da natureza, focando agora nos elementos que eram desconhecidos na Alemanha, porém passível de apropriação através do trabalho e da experiência dos imigrantes.

Na análise de Mamigonian (1966, p.395) eram os imigrantes “(...) em maior ou menor grau, agricultores artesãos, que valorizavam o trabalho como fonte de bem estar familiar (...)”. Aplicando-se nas lavouras as primeiras colheitas foram intensamente produtivas, o que possibilitou segundo relatório de medição, apresentado por Dall’Alba (1973, p.79) que “Quase todos eles vivem na abastança, devido ao solo que lhes recompensa prodigamente os trabalhos que empregam”. Dessa forma, além da subsistência houve grande produção de excedentes, que posteriormente seriam manufaturadas e comercializadas com terceiros. Percebe-se que combinando solo fértil, clima favorável, instrumentos de trabalho básicos (inchadas, pás, facões e foices) e a força física do agricultor e sua família, os colonos estabeleciam o seu tipo de colonização, conhecida por pequena produção mercantil.

Entre os agricultores artesãos, havia aqueles de origem extra- agrícola: comerciantes, artesãos, ferreiros, oleiros, operários, etc. Vale chamar atenção, que os comerciantes, que iriam manter contato com o mundo exterior à colônia, assim como ocorreu em Blumenau, conforme Mamigonian (1966) eram também eles os próprios alemães, que de um modo ou de outro já praticavam atividades comerciais na Alemanha. Dessa forma, havendo a produção de excedentes na colônia, e a necessidade de produtos não obtidos da agricultura, seriam os comerciantes os responsáveis por executar a relação entre a colônia e o mercado consumidor. Nos primeiros anos, por não haverem estradas para carro de boi, os comerciantes carregavam suas mulas, com mais ou menos 90 kg de mercadoria e

transportavam pelas picadas, até o porto de Gravatá. Ao executar a troca, obtinham o que a colônia não produzia: sal, tecidos, algumas ferramentas, etc.

Uma das relações comerciais mais favoráveis para os colonos e comerciantes locais, eram aquelas realizadas com os serranos, que desciam a serra pelo caminho do Imaruí, trazendo queijos, carne seca, gado, mulas, suínos, aves e outros; e levavam: banha, sal, tecido, entre outros19. Pouco do comércio era realizado em São Ludgero, mas em maior escala no porto de Gravatá (mapa 2 p. 35) O Porto era a possibilidade de ligação com um centro comercial mais abastado, ou seja, Laguna e em menor escala Tubarão. Gravatá, segundo Dall’Alba (1973, p.56) “(...) era um centro de irradiação de estradas: para a serra, para Imaruí, para Teresópolis, para a vila de Tubarão. Sem contar sua via principal, o rio, que conduzia a maioria dos produtos coloniais para Laguna”.

Vale chamar atenção, que naquela época, os pequenos comerciantes da colônia, estabeleciam negócios com os grandes comerciantes de Laguna ligados ao porto, e diretamente pactuados com o capital comercial a nível nacional. Portanto, tratava-se de integrar-se a 2ª dualidade (1889 – 1930) básica da economia brasileira, na qual consistia no pacto entre as classes comerciantes e os latifundiários feudais20 (RANGEL, 2005). Com a produção de produtos agrícolas manufaturados, as colônias do Vale do Braço do Norte aderiram à lógica imposta pela 2ª dualidade, desse modo, integraram-se antes de romper o século XX, na divisão nacional do trabalho, portanto corroborando com o movimento nacional que se imprimia na época.

19 Presume-se que foram aqueles serranos os responsáveis por disponibilizar os

primeiros animais para os colonos, bem como os porcos, as aves, o gado e para aqueles comerciantes, eram como conseguiam seu meio de transporte básico, no caso, as mulas.

20 A produção da colônia era diretamente direcionada para o Rio de Janeiro, através

da “burguesia” comercial de Laguna, executando justamente seu papel dentro da 2ª dualidade, que baseava-se em substituir via produção artesanal mercantil as importações, para atender as necessidades urbanas crescentes dos centro urbanos nacionais.

Diante a dinâmica produtiva, o Porto de Gravatá foi de crucial importância para os colonos, comerciantes, artesãos do alto e médio vale do Braço do Norte, porém a intensidade de movimentação nesse entreposto variou desde antes de 1873 até 1930, de modo que foi intensa pelos colonos

de São Ludgero até 1900, depois disso gradativamente o porto foi perdendo movimentação até fechar em 1930. Isso ocorreu porque em 1884 foi inaugurada a Ferrovia Tereza Cristina (traçado original da Ferrovia no Mapa acima), que passava pela foz do Braço do Norte, onde se encontram às Águas do Rio Tubarão na localidade da Barra do Norte em São Ludgero / Tubarão.

Por volta de 1890 foram se estabelecendo na curva do rio, bem próximo ao trilho da ferrovia, entrepostos de apoio comercial criados pelos grandes comerciantes de Laguna, que migraram do Porto de Gravatá, para a porta da colônia de Braço do Norte. Portanto, foi um movimento que trouxe o escoadouro da produção local para poucos metros da recém nascida colônia. Entre os grandes comerciantes que se instalaram “Na estação da Barra o Manuel Venâncio estabeleceu-se com forte casa comercial. No lado de cá abriram casa de negócio os Pinho e o Pedro Zappelini” Dall’Alba (1973, p.161). Por volta de 1920 foram criadas as estradas para a Barra do Norte, que davam acesso relativamente fácil para o entreposto Pinho e Cia., então o porto de Gravatá, já em 1930, praticamente não possuía movimentação, tendo seu fim, segundo Dall’Alba (1973) com as chegadas dos caminhões no Vale do Braço do Norte.

Na medida em que a colônia foi aperfeiçoando suas relações comerciais e solidificando seus laços entre: as produções locais e comerciantes locais; e comerciantes locais com os grandes comerciantes; o sistema colônia – venda como foi denominado por Mamigonian (1966) para o caso de Blumenau, estava formado no Vale do Braço do Norte. Entretanto, concomitante a formação do sistema, cada pequeno agricultor independente foi estabelecendo sua olaria caseira para a fabricação de tijolos e telhas maciças, cuja produção era utilizada apenas internamente, ou seja, para construir suas casas, ranchos, engenhos, igrejas, entre outros. Acredita-se que nenhuma família era destituída de olaria, o que no caso facilitou a edificação em poucos anos de boas moradas e uma grande igreja, já em 1876, na margem esquerda do rio, que passou logo a servir como escola católica da colônia de Braço do Norte.

Além das olarias, aqueles pequenos agricultores independentes a fim de industrializar sua produção iam se especializando em uma determinada manufatura, desse modo, diversos agricultores passaram a instalar bons engenhos para farinha, açúcar e cachaça, além das atafonas