Matériels et méthodes
IV. Données thérapeutiques
3. Imagerie par résonance magnétique (Figure 31)
1.2. Techniques de revascularisation 1. Revascularisation chirurgicale
1.2.1.2 Transposition sous-clavio-carotidienne
A doença é um fato que causa transtornos não só para o doente, mas também para os membros de sua família, portanto para que haja uma assistência humanizada à família é necessária à compreensão do processo por eles vivenciado quando um de seus entes é internado na UTI, para que assim a equipe de enfermagem possa reconhecer quais são as condições destes familiares e o que eles realmente necessitam.
Para Knobel (2006) as principais categorias de necessidades dos familiares são informação, orientação e segurança, portanto para identificar se a equipe de enfermagem da UTI preconiza um cuidado humanizado durante suas ações junto aos familiares dos pacientes hospitalizados nos baseamos nessas categorias, mas antes procuramos entender qual o conhecimento de cada um sobre este setor.
Após uma análise precisa dos depoimentos dos familiares entrevistados foi constatado que antes de conhecerem uma UTI a grande maioria possuía um sentimento de negatividade em relação a esta, e mesmo sabendo que é um lugar onde concentra pacientes graves, após
conhecerem o ambiente os familiares passaram a ter um conceito mais positivo em relação ao ambiente de cuidados críticos, o que pode ser observado nos relatos a seguir:
“Na cabeça da gente é... só tem assim que o paciente ta grave né.” (Coruja). “[...] eu sei que é grave quem ta lá dentro, mas eu sei que pode superar.” (Pomba) “Ah! Inhantes eu pensava que era um... a UTI era o derradeiro lugar que levava a pessoa né, eu pensava.” (Tucano)
“Eu achava que era muito mais pior, mas não é igual agente pensa.” (Águia)
“Quando se fala em UTI já é um bicho, porque agente quando pensa que vai pra UTI as pessoas ta nas ultimas e na verdade não é, é um centro de terapia intensiva né, pra onde a recuperação é mais lenta, de vagar, com bastante atendimento, pra mim é isso.” (Pardal)
Sobre um conceito mais prático em relação a UTI Freitas (2005) considera ser um ambiente onde se desenvolve assistência a pacientes acometidos por insuficiências orgânicas graves ou que possam vir a desenvolvê-las, são áreas físicas delimitadas, com concentração de recursos materiais e humanos com intuito de dar assistência a uma demanda de alta complexidade. Por ser um local destinado a pacientes graves, criou-se um mito de que é um lugar reservado a pacientes sem chances de recuperação.
Voltando as necessidades dos familiares, no que diz respeito à informação, por necessitar de intervenções rápidas após a chegada do paciente na UTI, muitas vezes torna-se difícil para a equipe de enfermagem um contato inicial com os familiares, seja para dar informações sobre o estado de saúde do paciente ou para prestar atendimento ao familiar. Sabendo disso questionamos a família dos pacientes quanto tempo após a entrada do seu familiar na UTI foram receber notícias dele, podemos analisar as respostas pelo gráfico abaixo:
Gráfico 11 – Tempo que os familiares dos pacientes esperaram para receber notícias de seus entes após internação na UTI
50% 20%
20% 10%
de imediato em torno de 1 hora
Podemos observar que 50% dos familiares entrevistados receberam notícia de seus entes doentes imediatamente após a internação na UTI, 20% relataram ter esperado em torno de uma hora, outros 20% receberam notícias só no outro dia e 10% não estavam com o paciente no momento da internação.
Para Silveira et al (2005) e Dias et al (2009) a interação com as famílias deve ocorrer na fase inicial da internação do familiar doente, dando-lhes informações honestas sobre as condições do paciente, proporcionando também atenção, oportunidade de expor seus medos e suas angustias e esclarecendo suas dúvidas.
Ainda no que diz respeito ao direito a informações perguntamos também aos familiares se compreendem claramente as informações passadas pela equipe de enfermagem da UTI:
Gráfico 12 – Opinião dos familiares quanto se entendem ou não de forma clara as informações passadas pela equipe de enfermagem da UTI
Notamos que 60% dos entrevistados responderam entender de forma clara as informações dadas pela equipe de enfermagem e 40% responderam que somente às vezes conseguem entender.
Um dos aspectos mais importantes no cuidado com as famílias é estabelecer uma comunicação objetiva, Gondim, Souza e Albuquerque (2007) relatam que informações adequadas, com palavras simples e condizentes com o nível de instrução de cada um é uma condição importante para a humanização do cuidado, por isso deve-se construir um vinculo sólido entre a equipe e familiar, mantendo-os informados e envolvendo-os no processo de implementação do cuidado.
No que diz respeito às necessidades da família em receber orientação Silva e Contrin (2007) dizem ser de extrema importância a atuação do enfermeiro e sua equipe na função de orientar, além de intermediar o paciente e sua família neste ambiente tão estressante para ambos. Orientar sobre os equipamentos e o aspecto do paciente à família antes que ela chegue
60% 40%
à beira do leito, pode prepara-la para experiências difíceis. Diante disso questionamos aos familiares entrevistados se conheciam a rotina da UTI e a função dos aparelhos em uso pelo seu familiar doente:
Gráfico 13 – Opinião dos familiares sobre se conhecem ou não as rotinas da UTI e a função dos aparelhos em uso pelo seu familiar
Analisando o gráfico podemos observar que a maioria dos familiares não conhece as rotinas da UTI e nem a função dos aparelhos que seu familiar doente está em uso, sendo estes representados por 60% dos entrevistados, 30% relataram que conhecem e 10% que conhecem apenas alguns dos aparelhos.
No que se refere à orientação ao familiar Silveira et al. (2005) relata que a família pode contribuir muito na recuperação do paciente, mas para que isso aconteça, ela precisa ser orientada quanto às rotinas da UTI e o que está acontecendo com o seu familiar, assegurando- lhes que a equipe está ali para ajuda-los a enfrentar esse momento difícil.
Para Silva (2007) a função dos monitores, equipos venosos, ventiladores e outras tecnologias bem como o significado dos alarmes devem ser sempre explicados antes e durante a visita da família, pois estes instrumentos costumam assustar aqueles que têm contato com o paciente durante as visitas fazendo com que estes tenham receio de tocá-lo ou mesmo de aproximar-se dele.
Questionamos a família se eles sentem medo ou receio de se aproximar ou de tocar em seu familiar hospitalizado devido ao seu estado e aos aparelhos em uso, surpreendentemente todos os entrevistados responderam não sentir medo. Podemos evidenciar este fato pelos relatos a seguir:
“Não. Muito o contrário, agente toca, agente conversa, meche com ele, não tem medo.” (Gavião)
“Não, nenhum momento. Eu sinto segurança, eu conheço um pouquinho.” (Pomba) 30%
60% 10%
“Não, não. Nenhum momento eu senti medo, de jeito nenhum.” (Pardal)
Diante disso entramos na ultima categoria de necessidades dos familiares, a necessidade de segurança, pois após receberem informações precisas, os familiares se sentem mais seguros para tocar e aproximar do seu familiar hospitalizado. Para Souza (2004) durante a explicação a equipe pode usar o toque para que a família se sinta mais confiante, na beira do leito a equipe pode tocar no paciente enquanto conversa com ele e o familiar, demonstrando que tocar é um ato seguro, pode também pegar a mão de um membro da família e tocar o paciente, assim a equipe irá ajudar a reduzir o medo.
O que também faz o familiar sentir-se mais seguro é estabelecer um bom relacionamento com a equipe de enfermagem, já que o que se observa em nosso cotidiano é o distanciamento entre a família e os profissionais. Devido a este fato questionamos aos familiares como é o seu relacionamento com a equipe de enfermagem da UTI:
Gráfico 14 – Opinião dos familiares sobre seu relacionamento com a equipe de enfermagem
Pelo gráfico acima podemos ver que 20% dos familiares entrevistados classificam o relacionamento com a equipe de enfermagem sendo ótimo, 20% como sendo muito bom, 20% como sendo bom, 30% consideram normal, e 10% consideram não ser tão bom como deveria. Em se tratando de relacionamento Siqueira et al. (2006) relata ser o processo de comunicação necessário e eficiente, seja ela verbal ou não-verbal, é certo que o diálogo entre os profissionais de saúde e os familiares favorece um relacionamento de confiança e a obtenção de bons resultados para assistência com qualidade. Nesse sentido, o relacionamento com o familiar pode se tornar terapêutico, pois a família passa a confiar nos profissionais e o ajuda-los no cuidado ao seu ente hospitalizado, favorecendo o diálogo e o respeito entre eles.
20%
20% 30%
20% 10%
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A humanização representa um conjunto de iniciativas que visa à produção de cuidados em saúde, capaz de conciliar a melhor tecnologia disponível com promoção de acolhimento, respeito ético e cultural ao paciente, espaços de trabalho favoráveis ao bom exercício técnico e a satisfação dos profissionais de saúde e usuários. Portanto, além de envolver o cuidado ao paciente, a humanização estende-se a todos aqueles que estão envolvidos no processo saúde- doença neste conjunto, que são, além do paciente, a família, a equipe multiprofissional e o ambiente.
Durante a hospitalização o paciente se afasta do convívio social e familiar e por estar mais próximo a ele procura apoio na equipe de saúde, e com a internação do ente querido em uma Unidade de Terapia Intensiva, os familiares ficam desesperançados, deprimidos, o que colabora para a desestruturação sob o ponto de vista emocional, portanto os profissionais que assistem direta ou indiretamente os pacientes e seus familiares são os verdadeiros responsáveis pela humanização.
Após uma avaliação de vários estudos sobre a Humanização em Unidade de Terapia Intensiva, percebeu-se que ocorre uma dificuldade em ser implementado o aspecto humano no cuidado de enfermagem deste setor, pois a rotina diária e complexa que envolve o ambiente da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) faz com que os membros da equipe de enfermagem, muitas vezes deixam de ter contato físico, conversar e ouvir o ser humano que está sendo cuidado. Diante disso foram levantadas algumas hipóteses sobre o motivo pelo qual ainda exista na UTI uma assistência de enfermagem onde não é valorizado o atendimento humanizado e essas hipóteses de modo geral foram comprovadas como a falta de tempo dos profissionais de enfermagem devido à intensa rotina e a falta de comunicação entre a equipe de enfermagem, pacientes e familiares.
Os objetivos formulados para a pesquisa foram alcançados no sentido de que conhecer o significado do cuidado humanizado para os profissionais de enfermagem que trabalham na UTI; identificar se a equipe de enfermagem preconiza o cuidado humanizado durante suas ações junto ao paciente hospitalizado e seus familiares e avaliar como é o relacionamento entre a equipe de enfermagem foi demonstrados por meio dos relatos dos profissionais e familiares entrevistados.
Durante a realização deste estudo algumas dificuldades foram encontras como a resistência de alguns profissionais em responderem ao questionário, até mesmo a desistência de alguns, muitas vezes pelo fato das entrevistas serem gravadas, mesmo depois de receberem
explicações sobre o sigilo das informações, também houve uma dificuldade de disponibilidade de horários para a realização das entrevistas com os profissionais de enfermagem devido à rotina intensa de trabalho e após o horário de expediente muitos ter seus compromissos ou mesmo pelo fato de terem outros empregos; no que dizem respeito aos familiares, as dificuldades encontradas foram não possuir um local apropriado para a realização das entrevistas, sendo estas realizadas na sala de espera onde havia muito barulho e também certa resistência por parte dos familiares do sexo masculino em responder o questionário; no entanto as dificuldades não impediram outras pessoas de participarem da pesquisa, possibilitando assim o andamento deste estudo.
A interação entre a equipe de enfermagem, pacientes e familiares no ambiente de cuidados críticos, e os benefícios dessa interação, vem sendo considerado um desafio para o enfermeiro de cuidados críticos, do mesmo modo é um desafio também para o familiar do paciente hospitalizado, pois a doença grave e a consecutiva internação na unidade de terapia intensiva ocorrem repentinamente e inesperadamente e acaba sendo ameaçadora para a sua família.
Contudo constatamos que apesar de a equipe ser provida de um conhecimento pouco científico sobre o tema, demonstram a preocupação e a vontade de atuarem de maneira a humanizar o cuidado prestado aos pacientes e sua família, mas que nem sempre as ações desempenhadas junto a estes são realizadas assim, ficando explicita a necessidade de especialização dos enfermeiros desse setor sobre este tema e sobre a qualificação da sua equipe.
No que se refere ao paciente como um instrumento para humanizar o cuidado destacamos que apesar de os profissionais entrevistados relatarem sempre se comunicarem com o paciente antes ou durante procedimentos, a realidade que observamos com a permanência na UTI durante os estágios curriculares é outra, pois muitas vezes devido à rotina intensa de trabalho os profissionais não se atentam de que não estão usando a comunicação como forma de interação entre eles e os pacientes. Já no que diz respeito à identificação dos estressores os dados mostraram que os profissionais costumam identifica-los e intervir para que estes sejam minimizados durante as intervenções realizadas ao paciente, o que demostra a preocupação da equipe em desempenhar uma assistência mais humana ao paciente.
Já no contexto da participação da família podemos constatar que a equipe de enfermagem compreende que para o familiar a presença dele é importante durante a
hospitalização de seu ente, mas voltado para a questão profissional a equipe muitas vezes não acha vantajoso essa participação e ainda cita várias desvantagens, chegando estas a ressaltaram em relação às vantagens, além do mais poucos da equipe costumam comunicar aos familiares sobre as rotinas da UTI e a função dos aparelhos constatando a falta de comunicação entre equipe de enfermagem e familiares dos pacientes, o que pode ser evidenciado também no relato dos familiares onde a maioria afirmam não conhecer esses dados. Portanto relacionado às necessidades vivenciadas pelos familiares durante a internação do seu ente, no que diz respeito à informação e orientação vimos que devido a não estabelecerem uma boa comunicação essas necessidades ficam comprometidas. No entanto as necessidades de segurança são mantidas, pois os dados revelam que os familiares se sentem seguros dentro do ambiente da UTI.
Apesar de os familiares entrevistados relataram ter um bom relacionamento com a equipe de enfermagem da UTI e a maioria entenderem de forma clara as informações passadas por esta, o que se observa é que a equipe de enfermagem pouco interage com a família, pois relatam ser norma da instituição que a equipe de enfermagem não possa passar nenhum dado sobre o estado de saúde do paciente para os familiares, sendo que estes profissionais usam desta norma para não passarem nenhum outro tipo de informação, como por exemplo dados referentes aos serviços desempenhados pela equipe de enfermagem, que são de dever da equipe ser repassados.
Enfim o que se refere à equipe de enfermagem, esta possui um bom relacionamento, pois todos possuem afinidade com o setor em que trabalham, se respeitam, se apoiam, e buscam a compreensão mútua, demostrando assim que desenvolvem verdadeiramente um trabalho em equipe.
Através dessa pesquisa sugere-se então, que as instituições de ensino de saúde transmitam um conhecimento cientifico sobre a importância da humanização aos alunos durante a sua formação acadêmica, para que assim saiam da universidade como um profissional competente e qualificado para desenvolver suas ações. Sugere-se também que o departamento de recursos humanos das instituições hospitalares onde possua um serviço de terapia intensiva qualifique seus profissionais quanto à humanização e suas diferentes faces e que os familiares dos pacientes hospitalizados busquem maiores informações sobre o papel da enfermagem na UTI, principalmente o do enfermeiro, para que assim possa obter dados novos e importantes sobre seu ente querido podendo se tornar mais seguro em relação ao tratamento do seu familiar.
Espera-se com esta pesquisa, juntamente com outras da mesma temática, contribuir para uma reflexão sobre as estratégias que podem ser desenvolvidas nas instituições hospitalares, em especial no setor de UTI, com o intuito de humanizar a assistência de enfermagem desempenhada neste setor junto ao paciente e seus familiares nesse momento tão difícil das suas vidas. E ainda que este estudo desperte o interesse do leitor e que sirva de base para outros estudos futuramente.
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