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High transportation costs, crippling congestion, and slow commuting speeds have prevented African cities from acting as matchmakers and

Todo o percurso histórico realizado acima serve para nos mos- trar que a passagem de uma sociedade essencialmente oral para uma sociedade em que a escrita assume o papel que tem hoje, não foi um mar de águas calmas. Ao contrário, os conflitos e as revoluções foram e ainda são vigentes, isto graças ao papel que a escrita exerce, seja diante das relações de poder, diante do sagrado ou, mesmo, diante de sua aprendizagem. A difusão da cultura escrita nos meios sociais recaiu em mudanças de mo- dos de ver o mundo. A escrita permitiu enxergar e ocultar coisas que outrora não era possível, inocências foram quebra-

das, redes de intrigas foram montadas, alianças foram feitas. Lembremos do Tratado de Tordesilhas, onde o mundo foi di- vidido, primeiramente no papel, entre as nações portuguesa e espanhola.

Contudo, conforme sinalizamos inicialmente, esses conflitos também se repetem todos os dias nas salas de aula. A diferen- ça é que, como as baixas e os ferimentos não são físicos, não notamos e, por isso, não nos chocamos. Afinal, para quem já admitiu a escrita há tanto tempo, na infância, parece muito natural a sua aprendizagem. No nível do indivíduo muitas são as revoluções e, assim como apontamos aquelas originadas no nível social, faremos um cotejo daquelas no nível do aluno. O fato de os professores – e adultos em geral – possuírem intimidades com a escrita, faz com que os processos e esfor- ços históricos e cognitivos em jogo sejam esquecidos. Por exemplo, a aquisição da escrita concerne tanto ao empenho necessário para que o movimentar da mão se coordene em sua produção quanto à sua oralização.

A partir da instauração deste campo de conhecimento é possí- vel estabelecer a idéia de que, o percurso da leitura e da escrita ora convergem, ora divergem na filogênese e na ontogênese da alfabetização. No processo de aquisição da escrita e do en- tendimento que as letras buscam representam os sons, o alfa- betizando é colocado frente a desafios cognitivos.

Em suma, a criança e o adulto que ainda não dominam as “re- gras” do jogo da escrita e da leitura se vêem diante de ações que interagem, porém mantêm suas especificidades:

a) adquirir uma linguagem socialmente compartilhada, porém que é arbitrária em suas relações internas, b) buscar se expres- sar por um meio gráfico que se sustenta na visualidade e c)

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entender a expressão escrita, de um outro que não está pre- sente, procurando apreender os sentidos daquilo que está es- crito. O ponto convergente é o sistema lingüístico, ou em termos mais simples a língua materna na sua forma escrita, porém para entender tal convergência é preciso maturidade bio-psíquica, no caso da criança, e convivência com a escrita (tanto criança como adultos).

Tratemos das duas primeiras questões. A escrita é um objeto que está fora do sujeito. Em tenra idade aprendemos a falar e um pouco mais tarde aprendemos a escrever. Diferentemente da fala de aprendizagem eminentemente social, a escrita é um ato individual. O sujeito precisa compreender, para aprender, que os “desenhos” e os “grafismos” compartilhados pela soci- edade, ou seja, as letras servem para comunicar e expressar idéias, sentimentos e emoções, porém de forma silenciosa. Expressar-se graficamente significa, ou seja, expressar-se pela escrita, em termos muito simplificados, é dominar um siste- ma vigente social, convencionalmente estabelecido. A escrita não é um conjunto gráfico construído pelo alfabetizando, mas um objeto social que este sujeito precisa entender as regras para utilizá-lo.

Emilia Ferreiro, conjuntamente com Ana Teberosky (1991), foi a responsável pelo ponto de vista referido acima. Se antes da hipótese da psicogênese da língua escrita, a alfabetização estava centrada nos métodos, pelos quais se “ensinava” o alfa- betizando a ler, a partir da teoria citada, o processo toma outra tonalidade. A alfabetização passa a ser entendida como uma ação do sujeito da aprendizagem sobre o sistema escrito da língua. Um sistema que não é nem a transcrição, nem a codificação da fala, mas, sim, a busca pela sua representação. (FERREIRO, 2001, p.10-16)

Esta particularidade da linguagem escrita impõe desafios ao alfabetizando. Primeiramente, apresenta-se o aspecto gráfico da escrita. Se em alguns países, como a China, por exemplo, a escrita tem um caráter ideográfico, isto é, a escrita chinesa busca representar as idéias associadas aos objetos, às ações, etc., en- fim o conceito que se quer expressar (KATO, 2003, p.10-19), na escrita ocidental, da qual o português faz parte, os desenhos da letra não têm a relação ideogramática.

Nosso sistema lingüístico da escrita é alfabético, isto é, a letra busca representar o som. Juntando as letras formam-se as pa- lavras que remetem a um ou mais significados. As palavras são polissêmicas e as letras são polifônicas. A título de exemplo: a palavra manga serve tanto para denominar a parte do vestuário que cobre o braço quanto para denominar a fruta, bem como o verbo mangar conjugado na terceira pessoa do singular, indi- cando que alguém está zombando de outro. O que vai definir o significado da palavra é o contexto em que ela se encontra e não a forma como está grafada.

O caráter simbólico da linguagem, de as palavras remeterem aos objetos, pessoas, animais e ações do mundo, embora econômico, impõe ao sujeito alfabetizando desafios. E aqui temos outra particularidade da escrita. Uma letra, no caso do português (e aqui nos atemos ao que é falado e escrito no Bra- sil), pode representar vários sons. Um bom exemplo é a letra

X. A depender a palavra em que ela se encontra podemos ter o

som de /s/ pós-vogal, como em expectativa; podemos ter o

som de /z/, como em exame; encontramos ainda o X com som

de /ks/ como em táxi. Temos também a ocorrência de um som ser representado por diferentes letras. Dessa maneira temos o som /s/ nas seguintes escritas: ss em osso; ç em moço; sç em

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experiência e z em Beatriz (LOPES, 1976). Estes são apenas

poucos exemplos da relação entre sons e letras em que não se vê “concordância” entre o que se escreve e o que se fala. Para regra de que um som é representado por uma letra há muitas exceções na Língua Portuguesa...

Dessa forma, a escrita alfabética requer um esforço cognitivo de compreensão, pois ela é um sistema convencionalmente construído, isto é, não há uma relação motivada nem entre fonemas (os sons) e grafemas (as letras) que compõem a pala- vra, nem entre as palavras e seus significados (SAUSSURE,1972). Os desafios impostos são o de compreender tais especificidades, ao mesmo tempo em que se precisa aprender também sua espacialização: o aluno precisa entender que a escrita em portu- guês é realizada da esquerda para direita. O alfabetizando preci- sa perceber, e aprender, também a diferença grafo-espacial entre p, q, d e b, ao mesmo tempo em que apreende as relações fonêmicas destas letras. Para que o alfabetizando escreva, den- tro das regras sociais da escrita, ou seja, escreva dentro da nor- ma dita padrão, é preciso que ele entenda e aprenda o caráter simbólico da linguagem escrita. Quantas coisas o alfabetizando tem de perceber, entender, aprender e apreender para saber escrever como o esperado!

Podemos afirma que o processo de alfabetização é complexo. De um lado é preciso dominar a minúcia do traçado das letras, de outro entender que a relação entre fonemas e grafemas varia, a depender do modo que ficou convencionada a escrita da pala- vra. Adicionado temos ainda a leitura que está intrinsecamente relacionada com o trabalho de aquisição da linguagem escrita. Escrever serve para comunicar, então o que está escrito, em prin- cípio, é para ser lido e compreendido. No entanto, com tantos detalhes do sistema, a ação de ler e compreender não é simples

e unívoca. É um processo que exige esforço como demonstrado pelas pesquisas de Ferreiro e Teberosky (1991) no livro Psicogênese

da língua escrita.

Como podemos notar, o que ocorreu na história da humani- dade, descrita de forma breve neste ensaio, aponta para o que ocorre em sala de aula. Em alguns momentos a aprendizagem da escrita está aparentemente dissociada da leitura, no que tan- ge, por exemplo, ao aprendizado motor do traço das letras, e na compreensão que a constituição de conjuntos por estes tra- ços formam as palavras. Noutros momentos leitura e escrita estão vinculadas de forma intrínseca, no que se refere à com- preensão que a palavra como conjunto de traços significa, além de constituir sentidos quando dispostos no espaço constituin- do textos poéticos, científicos, jornalísticos entre outros.