2.7 Les applications
2.7.4 Transfert de chier: TFTP et FTP
Tomando como base as características do desenvolvimento profissional docente, descritas por Marcelo García (2009b), pode-se considerar que a prática pedagógica na EaD contribui para esse desenvolvimento, uma vez que favorece a aprendizagem contínua pela reflexão acerca das situações vivenciadas nesse contexto. Tal afirmação sustenta-se nas várias análises realizadas nos capítulos anteriores desta dissertação, as quais demonstraram, entre outros pontos, que a docência virtual favoreceu a constituição de novos saberes e ainda amplia a base de conhecimento necessária à docência; permitiu a superação do isolamento característico da profissão em favor do trabalho colaborativo e cooperativo entre os membros da equipe polidocente; foi significativa no sentido de que permitiu a reflexão sobre a prática pedagógica, seja ela presencial ou virtual, inclusive modificando posturas acerca do papel do professor como aquele que transmite informações a alunos passivos e introduzindo novas estratégias de ensino-aprendizagem; foi relevante para que os tutores pesquisados redefinissem seu papel enquanto docentes, fornecendo elementos para a constituição de sua identidade profissional.
Contudo, buscando saber qual ou quais motivos levaram os docentes virtuais da Rede e-Tec Brasil/IFSP a querer atuar na EaD, solicitou-se que escolhessem, de uma lista, os três principais. O resultado foi organizado na Figura 5.23, a qual mostra claramente que o aprimoramento profissional foi o principal motivo dos docentes virtuais pesquisados para querer atuar na modalidade EaD. A opção apontada em segundo lugar pode ser compreendida como complementar à primeira no sentido de que pode exprimir,
na percepção desses docentes, uma oportunidade de formação continuada, isto é, de desenvolvimento profissional. Contudo, o terceiro motivo mais votado, qual seja o aumento dos rendimentos salariais, leva a concordar com Lüdke e Boing (2007) quando dizem que a situação da profissão docente hoje é de precarização, entendida, principalmente, como perda de prestígio e baixa remuneração (LÜDKE; BOING, 2007, p. 1160). Um dado que colabora para reforçar essa hipótese foi apresentado no Capítulo 1e refere-se ao fato de 100% dos participantes da pesquisa terem afirmado possuir outra fonte de renda além da tutoria, a qual foi definida pelo uso dos termos docência, docente, professor/a ou ensino.
Figura 5.23 Principais motivos que levaram o docente virtual da Rede e-Tec Brasil/IFSP a querer
atuar na EaD
Fonte: autoria própria.
O cruzamento dos dados da Figura 5.23 com os relativos ao sexo e faixa etária dos docentes colaboradores da pesquisa não demonstraram variação, pois continuaram apontando os mesmos motivos como sendo os principais para a decisão sobre atuar na EaD. Contudo, ao serem cruzados com as informações sobre a maior titulação dos docentes virtuais da Rede e-Tec Brasil, observou-se que, entre os doutores, o motivo que ficou em primeiro lugar foi a flexibilidade nos horários de trabalho da EaD; já entre os
0 48 58 53 29 23 35 0 10 20 30 40 50 60 70
Estava desempregado e a tutoria era opção de fonte de renda
Aumento dos rendimentos salariais (a tutoria é complemento a outro emprego)
Oportunidade de aprimoramento profissional
Flexibilidade nos horários de trabalho da EaD
Curiosidade sobre a modalidade de EaD Facilidade no uso dos recursos tecnológicos
necessários à EaD
Crescimento da oferta de cursos nessa modalidade
pós-doutores, o motivo mais escolhido foi o aumento dos rendimentos salariais. No caso dos doutores, compreende-se, então, que as características da EaD favoreceram a escolha, e, assim, esses docentes, provavelmente, compreendem a tutoria virtual como uma oportunidade de aprimoramento profissional. No entanto, no caso dos pós- doutores, até se poderia pensar que estivessem passando por uma situação de precarização do trabalho, nos termos de Lüdke e Boing (2007). Mas, cruzando esses dados com os referentes à atividade que exerciam ao iniciar a docência virtual na Rede e- Tec Brasil/IFSP, verifica-se que todos eram docentes do IFSP, do que se conclui que a escolha pela atuação na modalidade EaD também pode ser decorrente da busca pelo desenvolvimento profissional.
Solicitou-se, também, aos docentes virtuais colaboradores da pesquisa que escolhessem, de uma lista, os três fatores relativos ao trabalho docente que mais dificultavam a atuação como tutor virtual. As respostas foram compiladas na Figura 5.24, a seguir.
Figura 5.24 Avaliação dos docentes virtuais da Rede e-Tec Brasil/IFSP sobre os fatores relativos
ao trabalho docente que mais dificultam a atuação na tutoria virtual
Fonte: autoria própria.
24 47 9 16 19 25 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Ausência de direitos trabalhistas (décimo
terceiro, férias etc.) em virtude do contrato temporário de trabalho
Baixo valor da bolsa (ou salário) recebida pela atuação como tutor virtual
Pouco tempo para atividades de lazer e para o contato com a família e os amigos por causa da
tutoria virtual
Falta de organização do tempo para conciliar a tutoria e outro emprego
Falta de autonomia para conduzir a disciplina (dependência do professor)
Volume de trabalho elevado (sobrecarga de atividades)
Avaliação sobre os fatores do trabalho docente que mais dificultam a atuação na tutoria virtual
Percebe-se claramente nos dados apresentados acima que o baixo valor da bolsa é um dificultador para a atividade de tutor virtual. Além disso, a própria remuneração do trabalho a partir de uma bolsa e não do pagamento de salário é um indicativo que reforça o argumento de Lüdke e Boing (2007) e que é apontado pelos docentes virtuais pesquisados também em suas falas, conforme se pode conferir abaixo.
Não tenho encontrado cursos fora da Instituição, e, mesmo que encontrasse, provavelmente o valor a ser pago não seria compatível com o baixo valor da bolsa (oito bolsas por ano, mesmo assim sem garantia de ter em todos os semestres) (Comentário 86 – Docente Virtual X). Minha prioridade ainda é o ensino presencial, na realidade é minha maior fonte financeira. Se eu tivesse uma motivação financeira maior no EaD, a dedicação equivaleria ao desempenho “Excelente”(Comentário 87 – Docente Virtual AF).
Juridicamente, a atividade do tutor não recebe respaldo. Até os empregados domésticos foram legitimados pela PEC atual, infelizmente, nesta esteira, a tutoria se limita a um bico. Precisa ser objeto de melhores políticas trabalhistas (Comentário 88 – Docente Virtual O).
Sobre o Comentário 86, vale destacar que Mill (2012, p. 12) faz referência à alteração, em 2011, do artigo 6º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Segundo o autor, a partir dessa alteração, a qual ele qualifica como “sutil”, os trabalhos realizados a distância, como a tutoria virtual, aparecem como uma preocupação dentro da legislação trabalhista brasileira, demonstrando uma atualização da CLT frente ao desenvolvimento tecnológico da sociedade contemporânea. Além disso, para o autor, essa alteração pode significar que, futuramente, o vínculo empregatício seja adotado como uma regra para situações que envolvam o trabalho a distância, fazendo com que seus aspectos considerados positivos (como a flexibilização do horário de trabalho, por exemplo) se tornem motivo de tensão entre empregadores e trabalhadores (MILL, 2012, p. 13).
A referência a Mill (2012) também auxilia na compreensão do terceiro elemento apontado pelos docentes virtuais pesquisados como um dificultador. Explicando melhor, os docentes virtuais apontaram a ausência de direitos trabalhistas como um fator que dificulta sua atividade; no entanto, baseando-se em Mill (2012), viu-se que a alteração no Artigo 6º da CLT, com o tempo, pode levar a mudanças no contrato de trabalho do tutor virtual, tornando-o mais condizente com as necessidades desses docentes.
Retomando o gráfico da Figura 5.24, observa-se que o segundo fator apontado como dificultador para a atividade de tutoria é o volume de trabalho elevado. Quanto a isso, pode-se dizer que se constitui num elemento que demonstra a intensificação do trabalho nessa modalidade e que decorre da forma como se organiza a docência na EaD, isto é, como polidocência. No segundo capítulo desta dissertação, viu-se que a polidocência possui uma vertente positiva, ou seja, pauta-se no trabalho coletivo, cooperativo e colaborativo entre seus membros. Contudo, também possui uma face negativa e perversa, pois se organiza a partir da divisão técnica do trabalho, gerando insegurança e precarização das condições de trabalho (MILL, 2010b, p. 27). Além disso, essa fragmentação do trabalho gera a redução da autonomia do trabalhador e de sua visão sobre o processo como um todo (MILL, 2010b, p. 28-29). A perda de autonomia aparece na Figura 5.24 como o quarto fator mais apontado como dificultador. Esse debate será retomado na seção subsequente.
Em relação aos demais fatores apontados, quais sejam a falta de organização do tempo para conciliar a tutoria e outro emprego e o pouco tempo para atividades de lazer e para o contato com a família e os amigos, pode-se dizer que também se constituem em fatores que demonstram a precarização do trabalho docente, especialmente daquele realizado a distância. Embora, como se viu, essa atividade já tenha sido mencionada na CLT, a falta de um contrato de trabalho favorável ao docente acaba tornando a tutoria virtual “um bico”, conforme se observou no Comentário 86, o que pode levar ao abandono da atividade por parte do docente virtual.
Pelo que foi discutido, compreende-se que o desenvolvimento profissional docente se liga às características do contexto atual, configurando-se como uma formação permanente. Nesse sentido, a prática pedagógica na EaD pode ser entendida como uma oportunidade de aprimoramento profissional, pois foi o principal motivo dos docentes virtuais pesquisados para querer atuar na modalidade. No entanto, a precarização da docência, representada pela escolha do item “aumento dos rendimentos salariais” foi apontada em terceiro lugar como um dos elementos que determinaram a escolha da tutoria virtual, e, além disso, segundo os docentes virtuais pesquisados, o fator que mais dificulta a atuação é o baixo valor da bolsa. Disso se depreende que, embora a experiência na tutoria virtual possa ser considerada um elemento que contribui para o
desenvolvimento profissional e, consequentemente, para o amadurecimento/ressignificação da concepção docente, ela também representa que a docência passa por um processo de precarização, no sentido de que os profissionais estão buscando outras alternativas (e a tutoria é uma delas) para se manterem atuantes.
5.3.2 A prática pedagógica na EaD e a autonomia do docente virtual da Rede e-Tec