Troisième partie Une échelle intermédiaire : les transects de
Chapitre 6. L’occupation du sol d’après les données de prospection, campagne de 2002 et 2003 prospection, campagne de 2002 et 2003
4. Traitement des données de prospection : les zones
O conjunto de cinco palheiros foi adquirido pela Camara Municipal que tinha como intenção transforma-los num laboratório de arqueologia que contemplasse, também, um dormitório para grupos de jovens arqueólogos que era desejável viessem trabalhar para Idanha-a-Velha. A vista exterior do conjunto indiciava que se tratava de um corpo longitudinal que encostava à muralha “quando olhámos para estes palheiros, sem fazer nenhuma escavação arqueológica
e sem entrar lá dentro, porque estavam cheios de palha e outros materiais, pensámos que era um edifício que estava encostado à muralha (…) porque era o normal… Aproveitando a muralha como parede de fundo, pedia-se autorização e construía-se75”. Neste pressuposto e
com base no levantamento fornecido a equipa projetista avalia a viabilidade do programa proposto para o local.
No entanto, o início das sempre indispensáveis pesquisas arqueológicas, revelam um conjunto de dados que alteram, completamente, o estudo de viabilidade programático inicialmente desenvolvido e transformam o projeto num exercício muito mais complexo mas, ao mesmo tempo, muito mais rico de implicações formais e de conteúdo. Ao contrário do cenário inicialmente traçado, as escavações arqueológicas localizam a base da muralha romana e de um cubelo semicircular no interior dos próprios palheiros. Esta relevante descoberta, obriga a equipa a uma profunda reflexão teórica e documental sobre o achado em causa e a forma de o tratar. Nas palavras do próprio autor “…ficámos sem resposta… Andámos nessa altura a
estudar muralhas romanas, fomos inclusivamente a Astorga e a Lugo, vimos imensas fotografias antigas de situações semelhantes…76”.
Sustentada pela criação de uma base teórica, a ideia de projeto assenta na tentativa de formalizar duas intenções que, sem serem contraditórias, deveriam manter alguma autonomia. Por um lado, restaurar a imagem exterior dos palheiros, mantendo a sua modulação interna através das paredes transversais que os separavam e, por outro, não só manter visível a base da muralha e cubelo, como figurar no exterior o seu volume, a sua escala e o seu desenho. Neste particular, a opção tomada aqui é em tudo semelhante à que havia sido tomada em relação aos cubelos descobertos na muralha junto à Porta Norte, como nos explica Sérgio Fernandez “adotámos aqui uma solução semelhante à figuração dos
cubelos junto à Porta Norte, cuja principal diferença é que lá não havia espaço interior. Achámos que deveríamos fazer aqui exatamente o mesmo, que era assinalar o cubelo e a muralha até à altura que se sabia que a muralha tinha (a já referida altura de segurança) e
75 Referido por Alexandre Alves Costa na “Visita a Idanha-a-Velha com os Arquitetos Alexandre Alves
Costa e Sérgio Fernandez e com o Arqueólogo José Cristóvão” transcrita em Anexo.
76 Referido por Alexandre Alves Costa na “Visita a Idanha-a-Velha com os Arquitetos Alexandre Alves
reproduzi-la em volume, mostrando claramente que não era a muralha, mas apenas um sinal dela77”.
Do ponto de vista programático, a opção de projeto permitiu ao nível do rés-do-chão manter a base do cubelo e muralha à vista, criando um pavimento afastado fisicamente da muralha (libertando a leitura desta) que serviria de base aos laboratórios de arqueologia. A continuidade física da fundação da muralha, obriga a abrir as paredes que separavam os diferentes palheiros, permitindo a continuidade espacial sem, no entanto, destruir o registo da prévia sectorização dos espaços. Já o prolongamento virtual do cubelo e muralha permite que ao nível do andar, e no espaço conquistado pela espessura da própria muralha e cubelo, sejam albergados os espaços de cozinha, sala de estar e beliches para os jovens arqueólogos. No pavimento deste piso é criado um rasgo com correspondência na cobertura que permite uma entrada de luz zenital que incide privilegiadamente sobre a base romana, enfatizando a sua forma e a textura dos materiais que a constituem. Exteriormente este prolongamento é tratado claramente como um elemento novo da intervenção, constituído por uma estrutura metálica e revestido a cobre, um material assumidamente distinto da pedra, cria uma imagem cenográfica do cubelo e muralha, nunca confundível com um restauro que mimetizasse a sua construção primitiva.
Esta intervenção peculiar que, à semelhança da intervenção no Lagar de Varas, poderia ser entendida como um pouco à margem da valorização genérica das estruturas da antiga cidade romana, acaba por colocar à vista elementos fundamentais para a leitura e interpretação desse período da história. Partindo de um edifício com uma utilização pobre do ponto de vista histórico, permite-se utilizar a figura da Reutilização para, respeitando e valorizando todos os vestígios arqueológicos relevantes, introduzir um novo uso que sustentasse a contínua investigação teórica e arqueológica que todo o conjunto de Idanha-a-Velha merece.
Referência ainda para o estado atual de aparente abandono do edifício e para o facto de a falta de utilização do mesmo colocar, claramente, em causa a intenção original óbvia de dar condições para a continuidade desse processo de investigação sobre Idanha.
77 Referido por Sérgio Fernandez na “Visita a Idanha-a-Velha com os Arquitetos Alexandre Alves Costa
Fig. 60 Estado antes da intervenção Fig. 61 Escavação arqueológica
Fig. 62 Uma das fotos estudadas Fig. 63 Vista Este depois da intervenção
Fig. 64 Interior depois da intervenção Fig. 65 Interior depois da intervenção