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Deuxième partie L’échelle globale

Chapitre 4. Approche géomorphologique et peuplement

2. Milieu et potentialités

Ao longo do seu percurso académico, enquanto Professor, Alexandre Alves Costa, foi sempre propondo mais do que uma forma de pensar a arquitetura tendo como instrumento a história. Mais do que a abordagem pura da historiografia, dos dados concretos e frios que ocupam os arqueólogos e historiadores e se arquivam em papel, para o arquiteto a história tem a ver com a tradição, a cultura, a que não é alheio o processo de projeto, mesmo que de forma inconsciente.

Como refere o próprio autor “sobre a história, a que nós ensinamos, apetece começar por

dizer que ela não é necessária para nada. Todos os arquitetos a usam sem dar por isso: não

se pode projetar sem memória, tal como não se pode projetar sem a existência de uma relação com a vida.30”. Atendendo a que, como já referimos, a atividade do arquiteto

confronta-se sempre com o ato de construir sobre o construído, diríamos que não há terrenos virgens, nem a cultura do homem está no seu ano zero. Neste sentido, o construído com que nos deparamos é tanto o lugar de transformação como a própria cultura arquitetónica universal. A forma como nos posicionamos perante este complexo passado de sedimentos variados e todos significativos será tão importante como o desejo de construir o futuro. É assim, que “de forma obrigatoriamente cultivada, se constrói o conceito/desenho e se decide

sobre a linguagem. O que queremos com a história é tornar este processo de conceptualização consciente e responsável.31”.

O pensamento teórico defendido por Alexandre Alves Costa e que aqui descrevemos, tem aplicação prática no ensino da disciplina de Historia da Arquitetura Portuguesa, assumida como disciplina autónoma e que o próprio dirige a partir do ano de 1984/85 na Faculdade de Arquitetura do Porto. Tal como se refere no próprio relatório, com esta disciplina “não se

pretende acumular dados nem registar com detalhe as mais variadas questões, mas tentar novas sínteses de teor interpretativo, tomando cada tema como um todo32”. Esta disciplina

lecionada por Alexandre Alves Costa procura, então, tornar consciente o processo de conceptualização, aprender a observar a realidade, “com algum gosto especulativo,

raramente resultando mais as minhas análises do que impressões subjetivas, arrisco hipóteses interpretativas, sobretudo a partir do prazer (…) da experiencia pessoal de relação com as pessoas, com as coisas, com os espaços.33”. É precisamente a adoção de um olhar

crítico face à realidade que introduz, numa disciplina aparentemente rígida, uma nova operatividade para a arquitetura.

Na busca deste desígnio de transformar a história numa ferramenta útil à arquitetura, Alexandre Alves Costa divide, metodologicamente as suas aulas em três momentos fundamentais. Um primeiro momento de explanação de conteúdos, em que utilizando um discurso critico e sistemático, tenta afastar-se da visão historicista da arquitetura, utilizando a interpretação. Usando permanentes pontes de contato com a contemporaneidade, o Professor tentava demonstrar que as questões com que se deparavam os arquitetos antigos são as mesmas que interrogam os arquitetos contemporâneos. Num segundo momento era desenvolvida uma componente prática. Colocado perante um determinado edifício pretendia- se que fosse desenvolvido um estudo analítico do mesmo, desafiando por vezes o aluno a reconstruir uma parte do edifício em ruínas ou mesmo desaparecido. Por ultimo o aluno era

30 COSTA, Alexandre Alves; “O Lugar da História” em “Textos datados”; e|d|arq; Coimbra 2007; p.

253.

31 COSTA, Alexandre Alves; Op. Cit.; p. 253.

32 COSTA, Alexandre Alves; “Relatório, História da Arquitetura Portuguesa”; FAUP Publicações; Porto

1994; p. 13.

33 COSTA, Alexandre Alves; “Arquitetura do Porto” em “Textos datados”; e|d|arq; Coimbra 2007; p.

colocado perante o maior desafio e o mais estimulante: elaborar projeto. Aqui o aluno incorporava o papel de arquiteto de uma determinada época e teria de dar resposta a um programa estabelecido por um cliente fictício. Este exercício de projeto puro, desenvolvido no âmbito de uma disciplina de História, obrigava o aluno a conhecer bem a arquitetura da época, bem como as suas técnicas, para dar resposta ao solicitado. Tratava-se de “emprestar

o nosso olhar para compreender, num processo de leitura complexa do objeto em si e na sua relação comparada com outros objetos. Tentar compreender num complexo processo de relações cruzadas, estabelecidas para um tempo longo e espaço dilatado34”. Concluído o

exercício o aluno era, novamente, levado à conclusão que as questões colocadas ao arquiteto hoje e no passado eram as mesmas. Como nos diz Jorge Figueira, o ensino da História era encarado como “uma disciplina com uma componente prática que permite a reconstituição e

reinvenção de modelos que decorrem de exemplos históricos, avidamente desenhados e projetados por gerações de estudantes35”.

Tratava-se então de apostar na aprendizagem de meios para o reconhecimento e a formulação das questões, na perspetiva de abrir caminho para uma edificação conceptual autónoma. Nas palavras do próprio Alexandre Alves Costa “a história da arquitetura para

futuros arquitetos deve ser o estudo das condições e dos processos de desenho que produziram as obras objeto de análise e critica, exemplos concretos em que se aprende o como, não transformáveis em modelos, porque libertas do vírus contagioso da forma contemporânea. Esta perspetiva informativa e formativa deve servir, prioritariamente para qualificar o desenho de cada um como projeção estruturada do pensamento36”. Neste

sentido, ensinar arquitetura hoje, significa mostrar a História como instrumento essencial para uma arquitetura fundamentada.