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CHAPITRE I : Pollution Phénolique

I.12. Traitement d’élimination du phénol

Veremos agora como as variações dos fatores do movimento compreenderão o que Laban (1978) denominou Ações Completas ou Básicas e Ações Incompletas, também chamadas Esforços Incompletos ou Completos. Comecemos pelo entendimento de que a ação corporal diz respeito a uma sequência de movimentos na qual estão implicadas e imbricadas as atitudes, esforços e qualidades do agente. Nesta ação há envolvimento total da pessoa, em níveis racional, emocional e físico, ao contrário da ação física, na qual apenas o movimento mecânico é destacado. As ações humanas “sempre comportam elementos expressivos, o que significa não poderem elas ser determinadas pelo raciocínio lógico, nem tampouco apreendidas apenas por meio de fatores mensuráveis” (LABAN, 1978, p. 112). A ação corporal, que aqui nos interessa, caracteriza-se, portanto, pela projeção externa de um impulso inerente ao movimento e que nele apresentará qualidades notáveis. São nas ações corporais que o esforço se manifestará através dos quatro fatores do movimento. E a conjugação desses fatores é o que determinará se uma ação é completa ou incompleta.

Assim, as ações completas ou básicas são aquelas onde é possível evidenciar as atitudes do agente perante a ordenação dos fatores Espaço, Peso e Tempo, necessariamente. Elas serão caracterizadas pela combinação entre as oito variações possíveis da movimentação em relação a esses três fatores, lembrando que os dois elementos atitudinais de cada fator não podem ser combinados entre si por serem antagônicos. Não se tem em conta o fator Fluência, uma vez que ele não é condicionante para as ações básicas, ou seja, a ação ocorre independente da qualidade do fluxo. Tal fator informa mais sobre o aspecto emocional do movimento e não sobre a experiência ativa.

Em uma perspectiva metodológica que buscava objetivar uma lógica de análise e observação do movimento, Laban - em analogia às cores primárias -, especifica as oito ações corporais básicas que, por gradações de qualidades, podem originar as demais, inclusive transformando- se umas nas outras. Elas seriam: Torcer, Pressionar, Talhar, Socar, Flutuar, Deslizar,

Pontuar e Sacudir. Nenhuma delas se dá na ausência de outra, no entanto, elas podem se

tornar dominantes uma em relação à outra e, por questões analíticas, podem ser consideradas em separado.

Tomemos a ação Socar para melhor explicar o dito. Em relação aos fatores Tempo, Peso e Espaço, o soco é uma ação que se caracteriza pelas qualidades: súbito, firme e direto. Se reduzirmos a velocidade dessa ação, ela se torna sustentada, firme e direta e passa a indicar à ação Pressionar. Se, por outro lado, diminuirmos a força da ação, ela se tornaria súbita, leve e direta, correspondendo à ação de Deslizar. Se a modificação ocorresse na utilização espacial, modificando a qualidade flexível para direta, a ação correspondente seria a de Talhar.

Dessa maneira, as ações básicas são, do ponto de vista labaniano, os movimentos fundamentais na aplicação da expressão de estados mentais e emocionais do ser humano. No Quadro 11, especificamos os elementos que comporiam esse jogo de nuances das ações, de acordo com os fatores nele implicados, qualitativamente:

Quadro 11 - Ações Corporais Básicas

AÇÃO ESPAÇO PESO TEMPO

Torcer Flexível Firme Sustentada

Pressionar Direta Firme Sustentada

Talhar Flexível Firme Súbita

Socar Direta Firme Súbita

Flutuar Flexível Leve Sustentada

Deslizar Direta Leve Sustentada

Pontuar Direta Leve Súbita

Sacudir Flexível Leve Súbita

Fonte: Elaborado pela autora, com adaptação de Laban (1978).

Outra variação que concerne às ações corporais básicas são suas ações derivadas que, como o próprio nome aponta, originam-se da matriz apresentada. Cada uma das ações básicas teriam, nesse sentido, gradações peculiares alcançadas de acordo com a ênfase em um ou outro fator, ou seja, mantém-se a essência da qualidade, alteram-se suas nuances. Mais uma vez, o autor recorre à escala de cores para fazer entender esse seu conceito. Segundo ele, “ainda que haja apenas oito ações básicas ou primárias, pode-se discernir toda uma multiplicidade de matizes, do mesmo modo que das cores primárias se podem obter matizes intermediárias, combinando dois ou mais graus diferentes” (LABAN151

, 1990, p.102 apud RENGEL, 2003, p.26).

Nesse sentido, em torcer, por exemplo que tem como essência - o “abandonar-se” ao tempo e espaço e o “lutar contra” o peso -, haveria a possibilidade de alternâncias de intensidade quanto a essa luta ou complacência. Diante dessas variações, teríamos uma espécie de paleta de graduações, que seriam as ações derivadas. Assim, em nosso exemplo, a ação básica torcer daria origem a uma linha de ações derivadas, que estariam entre o esticar e o enroscar.

Mais uma vez, recorreremos à estrutura tabular, a fim de melhor demonstrar o raciocínio do autor. No Quadro 12, apresentamos a essência característica de cada ação básica e suas derivadas:

Quadro 12 - Ações Corporais Derivadas

AÇÕES BÁSICAS ABANDONAR-SE LUTAR CONTRA AÇÕES DERIVADAS

Torcer Tempo e Espaço Peso Arrancar, colher e esticar.

Pressionar Tempo Peso e Espaço Prensar, partir e apertar.

Talhar Espaço Peso e Tempo Bater, atirar e chicotear.

Socar --- Peso, tempo e espaço Empurrar, chutar e cutucar.

Flutuar Peso, tempo e espaço --- Espalhar, mexer e remar.

Deslizar Peso e tempo Espaço Alisar, lambuzar e borrar.

Pontuar Peso Tempo e espaço Palmar, pancada e abanar.

Sacudir Peso e Espaço Tempo Roçar, agitar e tranco.

Fonte: Elaborado pela autora, com adaptação de Laban (1978).

Resta-nos, perante os elementos da Eukinética, apresentar aquelas que seriam as Ações Incompletas. Vimos, na exposição sobre os fatores do movimento, a observação de que em todos eles podem aparecer dificuldades de evidência de uma ou outra atitude. Com isso, queremos dizer que, em uma análise de movimento, alguns fatores podem estar negligenciados a ponto de não poderem ser identificados, enquanto outros podem estar tão fortemente marcados, a ponto de se sobrepor aos demais. Em casos como esses, Laban fala do esforço ou ação incompleta, na qual somente dois fatores seriam verificáveis e confeririam forma ao movimento. Neste caso, na combinação de qualidades de esforço entre dois fatores, haverá sempre uma atitude mais determinada, mais intensa.

Uma variação dessa incompletude seria a presença do fator fluência, que ocuparia o lugar de um dos três fatores, deixando um deles em estado latente e alterando os ímpetos de movimento. Laban (1978) explica que, nestes casos, as qualidades das ações corporais se diferem por serem decorrentes do ímpeto do movimento, o que significa dizer que “as forças propulsoras que levam à atividade podem ser compostas por outros fatores além apenas dos de Peso, Tempo e Espaço” (LABAN, 1978, p.127). Deliberados ou inconscientemente, as ações incompletas e os diferentes ímpetos do movimento, gerados pela fluência, fazem parte do todo expressivo e apontam para uma variedade de atitudes internas. Em ordem prática, as ações incompletas, frequentemente, dizem respeito a momentos de transição entre esforços e podem assumir a função de recuperação entre ações essenciais.

Como ações incompletas, geradas pela conjugação de apenas dois elementos, Laban sugere as duplas extremas: acordado-onírico, remoto-perto e estável-móvel. Resumimos no Quadro 13, as sugestões de Laban sobre as ações incompletas:

Quadro 13 - Ações Corporais Incompletas

ESFORÇO INCOMPLETO

ÊNFASE INFORMANDO

SOBRE

CARACTERÍSTICAS

Acordado Espaço-Tempo Onde e Quando Consciente, certo ou incerto, pode agir súbita ou gradualmente, ser contido ou centrado.

Onírico Fluência-Peso Como e O quê Inconsciente, difuso ou nítido, triste ou exaltado.

Remoto Espaço-Fluência Onde e Como De destaque, pode incluir foco próprio ou universal, junto com controle ou abandono.

Perto Peso-Tempo O quê e Quando De presença, pode ser dotado de

impacto caloroso ou de consideração, pode expressar forte ligação afetiva ou toque superficial.

Estável Espaço-Peso Onde e O quê De constância, pode ser resoluta

teimosa ou sensitivamente receptiva. Pode ser sólida, poderosa ou delicadamente pontilhada.

Móvel Tempo-Fluência Quando e Como De adaptabilidade, pode ser fácil ou tenaz, estabelecendo-se gradualmente ou mudando de súbito.

Fonte: Elaborado pela autora, com adaptação de Laban (1978).

Faz-se notar que, neste caso, as características parecem ser menos objetivas e determinadas, uma vez que, sendo a ação incompleta e analisada a partir de apenas dois fatores, há margens para maiores interpretações nas qualidades das ações. Essas configurações, a nosso ver, trazem à tona a complexidade do objeto que é o movimento e nos fazem lembrar, como bem enfatizava Laban (1978), que elementos e fatores do movimento se constituem por agrupamentos e não, simplesmente, por suas somas, apontando para uma relação na qual muitas vezes os elementos isolados, que tentamos mensurar, se fundem ou submergem uns diante de outros, não se deixando revelar.

É preciso, então, olhar para o todo que adquire relevância e que comprova uma vez mais que nenhum dos elementos isolados pode preenchê-lo. Em resumo, o que queremos afirmar é que, mesmo diante de todas as ferramentas desenvolvidas pelo teórico, o movimento estará sempre em escape: o que alcançaremos em sua observação e análise são aproximações de sentido em interpretações paramentadas, mas precisamos ter em mente que a significação, assim como o

movimento, é ininterrupta. Feita essa relevante observação, sigamos para o último conjunto de variações de ações incompletas, que contempla o fator fluência em substituição a um dos outros três e que daria origem ao que Laban chamou de ímpetos.

Como vimos, em uma ação de esforço básica conjugam-se Peso, Espaço e Tempo, enquanto o fator Fluência permanece latente. Essa combinação de qualidades de esforços originaria, então, o Ímpeto de Ação. Quando a fluência substitui, com uma ou mais de suas qualidades (controlada/livre) a qualidade do Peso, reduz-se o significado corporal do movimento, que deixa de ser suportado por um esforço ativo de peso. Essa conjugação é denominada Ímpeto de Visão. Por outro lado, quando o fator substituído pela Fluência é o Tempo, a atitude interna relativa ao tempo está em repouso e dá ao movimento a qualidade de fascínio. Tem-se, então, o Ímpeto de Encanto. Uma vez que a Fluência substitua o Espaço, deixam de se evidenciar atitudes relativas à forma, e o que ocorre é que as ações corporais tornam-se expressivas da emoção e do sentimento. Fala-se, assim, do Ímpeto de Paixão.

Laban (1978) conclui, então, sua classificação e caracterização das variações possíveis das qualidades do movimento, no que tange aos fatores que o constituem e às ações completas ou não, que são geradas na combinação desses esforços internos. Ele entende assim que os esforços e suas múltiplas nuances por nós produzidas se espelham nas ações corporais e que, conscientes desse trâmite, não só os artistas, mas todo os interessados teriam maior capacidade do domínio de seu movimento e, consequentemente, de seus modos de expressão.

Para o autor, o indivíduo que domina fisicamente o Espaço tem Atenção; se domina sua relação com o Peso, tem Intenção; se se ajusta no Tempo, tem Decisão. Com esses três elementos seria possível controlar a qualidade do movimento individual, uma vez que o indivíduo tome consciência de suas ações de percepção e expressão, visto que, para o autor: “Atenção, Intenção e Decisão são estágios de preparação interior de uma ação corporal externa. Esta se atualiza quando o esforço, através da fluência do movimento, encontra sua expressão concreta no corpo” (LABAN, 1978, p.131). Ciente desses fatores, um bailarino, por exemplo, pode construir uma mesma sequência coreográfica de distintas maneiras, alterando um ou outro fator.

Encerramos assim nossa discriminação sobre o sistema da Eukinética, bem como os elementos que a conformam. Com isso, concluímos a apresentação de algumas de nossas ferramentas de análise, que serão retomadas quando nosso objeto empírico estiver sendo avaliado. Pelo momento, e considerando as ressalvas já justificadas, iremos falar brevemente dos elementos do sistema Corêutica, guardando atenção a dois deles.

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