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Traitement

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Chapitre 01 : Cancer

I.7 Traitement

De acordo com os resultados do presente estudo, pode-se concluir que existe uma relação entre a resiliência e a exploração vocacional dos adolescentes que frequentam o ensino secundário. Neste sentido, pode entender-se que se a exploração for desenvolvida e trabalhada de forma positiva ao longo do crescimento e da formação dos indivíduos, esse investimento pode, por sua vez, resultar na potencialização da própria resiliência. Isto pode acontecer porque a exploração permite que os indivíduos consigam superar mais facilmente alguns obstáculos à medida que vão experienciando repetidos ciclos de exploração e mudança, desenvolvendo assim uma maior resiliência que, por sua vez, aumenta a possibilidade da sua adaptabilidade (Savickas, 1997, cit. por Rodrigues, 2013). Poder-se-á inferir então que quando confrontados com determinadas adversidades, se os adolescentes conseguirem utilizar, em simultâneo, estas duas componentes – a resiliência e a exploração vocacional – de forma equilibrada e positiva, à medida que uma aumenta consequentemente aumenta a outra. Assim, revela-se fundamental a realização de investigações neste âmbito que permitam o desenvolvimento de conhecimentos para uma melhor compreensão sobre a possível relação entre as variáveis, com vista a uma adequada intervenção psicológica com os adolescentes que se encontram em fase de desenvolvimento vocacional e identitário.

Presentemente, assiste-se no contexto escolar a uma valorização progressiva da importância da orientação vocacional. Não obstante, as intervenções desta natureza restringem- se, de um modo geral, a um plano remediativo, dando resposta aos adolescentes que enfrentam uma transição de carreira num espaço de tempo muito próximo da mesma, na qual necessitam de tomar uma decisão vocacional. Seria desejável que estas intervenções se realizassem a um nível preventivo e que acompanhassem os indivíduos, não só em momentos de crise, mas ao longo de todo o seu percurso escolar e profissional, desde a infância.

Durante esta intervenção vocacional, é importante ter em consideração a influência da variável sexo nos comportamentos exploratórios, tornando-se necessário evitar que principalmente os adolescentes do sexo masculino realizem escolhas que sejam incoerentes

com os seus interesses e valores, tentado fomentar comportamentos exploratórios mais sistemáticos.

Os dados obtidos no presente estudo indicam que alguns adolescentes de acordo com a perspetiva desenvolvimental da escolha vocacional se encontram no início do estágio exploratório, verificando-se também que outra parte dos adolescentes se encontram no final do estágio exploratório. No entanto, por vezes verifica-se que a exigência social para que estes adolescentes especifiquem e implementem uma escolha neste momento da sua vida, acaba por privar ou dificultar, de certo modo, estes adolescentes de um importante período de moratória psicossocial, que se revela imprescindível para o desenvolvimento pleno da identidade e para a realização de uma definição madura de uma escolha académica e, consequentemente, profissional. Como consequência deste facto, verifica-se muitas vezes que os adolescentes possuem pouco autoconhecimento assim como, pouco conhecimento sobre o mundo académico e profissional.

Neste sentido, revela-se importante o desenvolvimento de um programa de orientação vocacional que permita a aprendizagem sobre o significado e a importância do trabalho, o desenvolvimento de atitudes e competências cognitivas necessárias para realização de comportamentos exploratórios, mais precisamente, para o investimento em tarefas específicas como a cristalização, a especificação e a implementação de escolhas vocacionais dos adolescentes.

Portanto, a exploração vocacional revela-se um aspeto necessário e importante, uma vez que, permite evitar que os indivíduos, neste caso em particular, os adolescentes, enfrentem futuramente dificuldades provenientes da tomada de decisão ou indecisão vocacional, quando não são capazes de tomar uma decisão ou realizando-a de uma forma precipitada e imatura. Este processo auxilia os adolescentes no seu autoconhecimento, permitindo a identificação de interesses e valores assim como, o desenvolvimento de conhecimentos essenciais sobre o mundo académico e profissional podendo, de certo modo, facilitar no momento de tomar uma decisão vocacional (Nauta, 2007). Durante o processo de exploração, é fundamental que os adolescentes descubram e conheçam as atividades que lhes proporcionam prazer na sua realização e, fundamentalmente, que adquiram consciência da importância do seu papel como agente no seu desenvolvimento vocacional (Hiebert, 2010, cit. por Mota, 2010).

No entanto, no decorrer do processo de desenvolvimento vocacional verifica-se que, para além dos psicólogos, também os professores e os adultos de referência desempenham um papel importante, devendo incentivar e promover nos adolescentes o contacto com novas

experiências escolares e profissionais (Rogers, Creed & Glendon, 2008). Durante o processo de orientação vocacional os adolescentes deparam-se com algumas dificuldades e estas por sua vez podem desencadear algum stresse e, neste sentido, a resiliência pode revelar-se um constructo importante no decorrer deste processo na medida em que pode favorecer os comportamentos perseverantes e uma autoavaliação mais positiva nos momentos adversos. A resiliência pode auxiliar os adolescentes na elaboração de alternativas para a resolução dos problemas vocacionais contribuindo, deste modo, para um planeamento de carreira construtivo. Porém, tendo em consideração a importância que a resiliência assume ao longo de toda a vida, revelar-se-á igualmente essencial no contexto vocacional uma vez que, no panorama atual é necessário que os indivíduos possuam algumas características como a adaptabilidade e flexibilidade para conseguirem lidar com as contínuas mudanças e as dificuldades que podem surgir de uma forma mais adequada.

Tendo em consideração que um dos objetivos principais da educação é o desenvolvimento humano positivo, seria relevante a implementação de programas que promovam nos adolescentes o desenvolvimento de competências psicológicas, como o autoconceito, a motivação, a autoestima, a autoeficácia, a autonomia e a adaptabilidade que, permitam a adoção de um comportamento ativo e perseverante perante o que experiencia, considerando cada obstáculo como um desafio de aprendizagem e desenvolvimento. Neste sentido, o contexto escolar conseguirá promover a resiliência se apresentar as experiências como desafios e não como ameaças, construindo deste modo interações de qualidade com estabilidade e coesão, constituindo uma rede de apoio, que manifesta reconhecimento, aceitação e estabelece limites (Pinheiro, 2004).

Wang & Haertel (1995, cit. ypor Silva, 2009) referem que experiências positivas na escola, tais como professores que estimulam a autoconfiança, a autonomia e iniciativa nos adolescentes, mas que também lhes proporcionam o apoio necessário para a realização dos seus projetos, atenuam os efeitos de condições adversas.

Não obstante, é importante que o ambiente familiar favoreça a construção de uma rede de relações e de experiências ao longo do ciclo de vida que permitam ao adolescente reagir de forma positiva às situações potencialmente causadoras de crises, superando essas dificuldades e promovendo a sua adaptação de maneira produtiva para o seu próprio bem-estar.

No entanto, é possível reconhecer alguns aspetos metodológicos e empíricos deverão ser tidos em consideração como limitações no presente estudo. Salienta-se a amostra utilizada que não é considerada representativa, uma vez que é pequena e integra uma única escola

pública da região Interior Norte do país, não sendo surpreendente que esta amostra possa ter características sociais e culturais específicas ao meio em que se encontra inserido. Facto que, não permite a generalização dos resultados para toda população de adolescentes que frequentam o ensino secundário. Por outro lado, a amostra restringiu-se apenas ao ensino secundário regular, o que acaba por constituir um obstáculo à generalização dos resultados. Neste sentido, sugere-se que futuros estudos incluam na sua amostra outros tipos de ensino, designadamente, os cursos profissionais e os cursos de educação e formação de adolescentes, dado o número crescente de alunos a integrarem estes percursos de formação escolar. Também surge como limitação, as condicionantes associadas ao processo de recolha de dados, uma vez que os questionários foram administrados pelos diretores de turma. Verifica-se também pertinente referir, a limitação referente à consistência interna de duas dimensões da Escala de CD-RISC, que apresentaram um valor de alpha de Cronbach inferior ao que seria desejado.

Apesar das limitações supracitadas, a presente investigação procurou dar um contributo positivo, principalmente no âmbito da Psicologia da Educação, afirmando a pertinência de consciencializar e responsabilizar os adolescentes pelos seus projetos de vida. Assim como, contribuir para uma maior compreensão sobre o papel imprescindível do contexto escolar na promoção de oportunidades que permitam aumentar a autonomia, o sentimento de responsabilidade, a autoestima e a autoeficácia dos adolescentes, dotando-os de competências fundamentais que lhes permitam o desenvolvimento estratégias e objetivos para a resolução de problemas.

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