Em 1999 realizou-se a conferência já anteriormente referida sobre arte e ciência do vidro, “Glass Art & Science”, a primeira grande conferência internacional sobre o vidro realizada em Lisboa, relacionando arte, ciência e tecnologia. Vários artistas e cientistas nacionais e internacionais foram convidados a participar tendo sido um dos objectivos da conferência dar a conhecer ao mundo o estado da arte do vidro em Portugal. Participaram neste encontro cientistas, historiadores e artistas nomeadamente Robert H. Brill do Corning Museum of Glass, Hugh Tait do British Museum, David Pye da Alfred Univeristy, Pike Powers da Pilchuck Glass School, Dana Zamecnikova da Academia de Applied Arts na República Checa e J. Fernandez Navarro, entre muitos outros, que desenvolvem os seus estudos na área do vidro.
Em Portugal existe uma Unidade de Investigação (I&D), “Vidro e Cerâmica para as
Artes”72 (VICARTE), apoiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Aqui
artistas, cientistas, historiadores e conservadores colaboram em projectos que são desenvolvidos em conjunto, nomeadamente os projectos de I&D, “Estudos de
Proveniência de vidro”, “O vidro em arte: a luz e a cor” e 73 “O vidro artístico na
impressão 2D e 3D”. Todos estes projectos tiveram o financiamento pela Fundação
para a Ciência e Tecnologia.
A unidade de investigação VICARTE tem realizado várias conferências, palestras e seminários. Em Outubro de 2005 organizou em Portugal o encontro internacional
“Glass Science in Art and Conservation” em Lisboa e Marinha Grande. Em 2006 e 2007
organizou palestras sobre o vidro na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Em 2008 realizou-se a segunda conferência “Glass Science in Art and
72 Esta unidade de investigação pertence à Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de
Lisboa (UNL/FCT) e à Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL).
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Neste projecto não fazia parte da equipa, uma vez que quando entrei para a Unidade de Investigação, o projecto já se encontrava em curso e aprovado pela FCT. Contudo contribui e participei no mesmo, nomeadamente com a elaboração de peças em vidro.
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Conservation”, desta vez em Valência, Espanha com a participação de vários membros
da VICARTE. Em 2011 será realizada na Alemanha a terceira conferência sobre o mesmo tema.
Em 2009 realizou-se em Portugal o encontro do ICOM (Internacional Council of Museum) Glass, encontro esse organizado pelo VICARTE. Vários historiadores e cientistas internacionais deslocaram-se a Portugal para realizar palestras e visitar as principais colecções de vidro dos museus nacionais.
Outros projectos encontram-se em investigação na unidade de investigação VICARTE, nomeadamente o estudo do ruby glass, o desenvolvimento de técnicas de sol-gel, estudo de vidros fotocrómicos, deposição de óxidos de metais em camada fina, entre outros, com o fundamento de desenvolver matérias e técnicas que possam ser utilizadas por artistas nas suas obras de arte. Têm ainda sido convidados artistas portugueses que não tendo por hábito trabalhar com o vidro se têm interessado na incorporação deste material nas suas obras.
Em 2009 iniciou-se o mestrado “Glass art and Science” uma parceria entre a FCT/UNL e a FBA/UL. É um mestrado Internacional que procura uma colaboração entre a arte e a ciência, e onde são admitidos quer alunos que possuam uma vertente artística quer científica.
Como artista que dedica o seu estudo e prática da arte em vidro, considero fundamental continuar a investigar e aperfeiçoar os conhecimentos e aptidões, no sentido de inovar e progredir na concepção de peças artísticas.
A arte realizada com vidro em Portugal é rica na qualidade e variedade. Possui história e promete fazer história.
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“Like the others arts, glass is subject to certain limitations of form and content that an artist will perceive intuitively and respect”
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C
APÍTULO2
2.TRABALHO ARTÍSTICO (PROJECTO DESENVOLVIDO NO ÂMBITO DESTA TESE)
“Glass is a unique material, and it is a contemporary material. It is unique because no other medium has its ability to change color, texture, and, seemingly, mass”.
(OLDKNOW: 2008; 7)
Neste capítulo apresentam-se os trabalhos artísticos realizados no âmbito deste doutoramento, onde o vidro foi o material escolhido para esse efeito.
Serão mostradas peças realizadas com vidro incolor e com vidro colorido e ainda com vidro luminescente. Será também apresentado o desenvolvimento de uma técnica de pintura de vidro com esmaltes luminescentes.
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Nos trabalhos realizados deu-se primazia à técnica de kilncasting (vide CAPÍTULO 3).
Pretende-se com estas peças investigar o vidro como material plástico com potencialidades do ponto de vista da luz, da translucidez, que outros materiais não permitem, para a produção de obras de arte,
2.1. A opção pelo material utilizado. Técnica/material
O vidro é dotado de um conjunto de características relevantes e especiais como a transparência, luminosidade, cor, translucidez e opacidade que o tornam único e peculiar, fascinando aqueles que o trabalham.
Na realização de obras em vidro é necessário, na maioria dos casos, muita perícia e um grande domínio das técnicas usadas para a execução das mesmas. A técnica do sopro, por exemplo, requer anos de experiência, sendo frequente, alguns artistas recorrerem ao auxílio dos mestres vidreiros para a execução das suas obras como foi explicado
anteriormente (vide CAPÍTULO 1, secção 1.2). É ainda uma situação comum, muitos dos
que trabalham com este material se concentrem apenas na componente técnica. Contudo, há artistas consagrados que optaram por usar o vidro como material de eleição, para os quais a tecnologia não é a somente a única preocupação. A artista checa Jaroslava Brychotová é um exemplo. Na conceptualização das suas obras de arte, a artista não está preocupada em produzir uma arte do vidro no sentido técnico, mas uma arte de alta qualidade, que utiliza o vidro como material plástico, e que, no mundo das artes, concorra com qualquer outro meio expressivo (FRANTZ: 2005; 31- 32).
Contudo é certo que o domínio da técnica também é fundamental na elaboração de
trabalhos em vidro, como se poderá verificar no CAPÍTULO 3, onde se descreveu a