• Aucun résultat trouvé

Trace Control Commands

Dans le document FOR ISIS-II USERS (Page 154-163)

A necessidade de se pôr em prática um uso mais eficiente da água nos edifícios é uma questão que está na ordem do dia. Esse uso mais eficiente pode ser conseguido de diversas formas, entre as quais se incluem equipamentos mais eficientes e utilização de águas alternativas para diversos fins. Relativamente às águas alternativas, as origens mais correntes são a água das chuvas e/ou águas cinzentas.

Várias circunstâncias mostram que, de facto, este assunto está a ganhar uma grande actualidade. Entre elas podemos referir as seguintes:

i) A inclusão destas matérias em sistemas reconhecidos para avaliar a sustentabilidade da construção, como são o americano LEED, o inglês BREEAM e o português LIDERA;

ii) A concessão de benefícios fiscais para edifícios que façam o aproveitamento da água das chuvas e/ou de águas residuais tratadas;

iii) A actividade a nível normativo, já abundante nalguns países, mas despontando em Portugal graças aos esforços da Associação Nacional para a Qualidade das Instalações Prediais que, para além de várias Especificações relativas a dispositivos de utilização de água, recentemente publicou a ETA 0701 “Sistemas de Aproveitamento de Águas Pluviais em Edifícios” e está a ultimar uma outra Especificação relativa ao Uso de Águas Cinzentas em Edifícios.

Para além das necessárias considerações gerais e apresentação das diferentes tecnologias para se chegar a um uso mais eficiente da água, no entender do autor, o trabalho introduz algumas questões originais, como sejam:

i) A apresentação e exemplificação relativamente aos benefícios fiscais;

ii) Uma metodologia realista para análise do interesse económico das soluções técnicas passíveis de serem utilizadas, materializada num programa de cálculo denominado “Análise Económica”;

iii) O programa computacional UEFA, melhor organizado que outros anteriormente desenvolvidos na FEUP e de aplicação mais ampla, na medida em que já inclui o

aproveitamento de águas cinzentas, a possibilidade de considerar a rega como uma das utilizações e incorpora o módulo para análises económicas;

iv) A análise de nove casos de estudo, que revelou alguns ensinamentos que se consideram úteis para quem se interessa por estas matérias, a rever mais adiante;

v) A análise das implicações que algumas medidas para um uso mais eficiente da água nos edifícios podem ter em termos de progressão no sistema de certificação LIDERA.

 Benefícios fiscais

Esses benefícios fiscais materializam-se, por um lado, a nível nacional, através das reduções consagradas no Código do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI). Acresce que algumas Câmaras Municipais, como a de Lisboa, por exemplo, estão também a conceder reduções no IMI aos edifícios certificados pelo LIDERA.

No Capítulo 6 fez-se uma simulação sobre as reduções que é possível obter no IMI para duas habitações, ambas no Porto. Numa moradia de 300 m2, com garagem para dois automóveis, a redução é de 109 € por ano, valor já significativo. Num andar com 120 m2 e um lugar de garagem, a redução é de 47 € por ano.

 Programa de cálculo “Análise Económica”

Foi elaborado um programa de cálculo automático para a análise económica de soluções técnicas que se considera bastante completo e adequado à especificidade do problema, na medida em que atende a todos os factores com alguma relevância para essa análise, como sejam, do lado dos custos, o investimento, a energia, o pessoal e a manutenção, e do lado das receitas, a poupança na factura da água, o valor residual e a redução do IMI quando for caso disso.

O programa fornece todas as parcelas relevantes para a análise económica, numa base anual (Quadro 9.14) o TRI associado a cada taxa de remuneração de capital e um gráfico que mostra a evolução dos saldos ao longo de 40 anos (vd., por exemplo, Figura 9.4).

 Programa “UEFA”

O programa UEFA (Uso Eficiente da Água) está dividido nos seguintes módulos:

- MÓDULO 1: Equipamentos

- MÓDULO 2: Aproveitamento da água das chuvas e águas cinzentas - MÓDULO 3: Energia

- MÓDULO 4: Custos

- MÓDULO 5: Análise Económica

Esta estrutura só por si dará uma ideia das potencialidades do programa, que vão desde a comparação das “performances” de diversos tipos de equipamento, alguns já testados pela ANQIP, até ao dimensionamento de sistemas de aproveitamento de águas das chuvas e/ou águas cinzentas, tudo isto completado com a análise económica acima descrita.

 Estudo de Casos

O programa UEFA mostrou-se uma óptima ferramenta para analisar uma série de casos relativos a uma urbanização com 20 moradias de grande qualidade na cidade do Porto, assunto desenvolvido no Capítulo 8. Os referidos casos foram os seguintes

i) Caso 1: 20 Moradias com Equipamentos Eficientes em vez de Equipamentos Tradicionais. ii) Caso 2: 20 Moradias com Equipamentos Tradicionais, mas Autoclismos alimentados por

SAAP

iii) Caso 3: 20 Moradias com Equipamentos Eficientes, mas Autoclismos alimentados por SAAP

iv) Caso 4: 20 Moradias com Equipamentos Tradicionais e SAAC v) Caso 5: 20 Moradias com Equipamentos Eficientes e SAAC

vi) Caso 6: 20 Moradias com Equipamentos Tradicionais e Sistema Combinado vii) Caso 7: 20 Moradias com Equipamentos Eficientes e Sistema Combinado

viii) Caso 8: 20 Moradias com Equipamentos Tradicionais e Sistema Combinado também utilizado para Rega

ix) Caso 9: 20 Moradias com Equipamentos Eficientes e Sistema Combinado também utilizado para Rega

Recordam-se as condições desse estudo:

- moradias de pois pisos, com 200 m2 por piso (400 m2 no total); - água pluvial captada apenas na cobertura;

- água cinzenta proveniente, apenas, dos duches;

- água aproveitada só para limpeza de sanitas, com excepção dos dois últimos casos, em que seria também aproveitada para rega.

As conclusões talvez com mais interesse estão sintetizadas no Quadro 10.1:

Quadro 10.1 - Síntese do Estudo de Casos

Água Potável poupada anualmente TRI (anos) para as seguintes taxas

m³ % de redução Valor Anual (€) 2% 4% 6% 8%

Caso 1 1256 32,9% 5.021,12 € <1 <1 <1 1,1 Caso 2 942 65,2% 2.877,20 € <1 <1 3,5 6,4 Caso 3 494 68,4% 789,04 € 7,8 9,1 10,3 11,5 Caso 4 1397 96,7% 4.706,94 € <1 <1 <1 1,5 Caso 5 699 96,7% 1.390,49 € 8,5 9,3 10,1 10,8 Caso 6 1397 96,7% 4.570,87 € 2,4 3,3 4,7 6,2 Caso 7 699 96,7% 1.318,84 € 10,4 11,7 13,7 15,9 Caso 8 3373 57,9% 2.887,30 € 7,4 8,6 10,2 11,9

A conclusão geral a retirar é a de que os investimentos seriam interessantes em qualquer dos casos. É certo que os resultados melhoram pela inclusão do valor residual das instalações, mas isso é uma realidade inerente à natureza das mesmas, já que a parte mais significativa é o custo do reservatório e de tubagens, com longo tempo de vida e moderada depreciação.

Por outro lado, as condições são particularmente vantajosas pelo elevado número de moradias, grande área de cobertura das mesmas, e elevado tarifário da água no Porto, para escalões de consumo desta ordem de grandeza.

 Certificação LIDERA

Conforme se disse, constituía também objectivo deste trabalho observar quais as vantagens do uso eficiente da água em termos de classificação no sistema LIDERA. Como não são exactamente conhecidas as características do empreendimento, admitiu-se, à partida, que estariam todas ao nível corrente E.

O estudo de casos indicou o CASO 6 como a medida mais eficiente para melhorar a “performance” em termos de LIDERA, permitindo subir do nível E para o nível C à custa de um investimento relativamente moderado.

Dans le document FOR ISIS-II USERS (Page 154-163)