• Aucun résultat trouvé

Tombeau labordien (Man~a6oa)

Dans le document L'ARCHITECTURE, FUNERAIRE EN IMERINA (Page 68-73)

Mele apresenta duas teses acerca da core weak-willed action:

T1 – os nossos melhores juízos são normalmente baseados pelo menos em parte, nas nossas avaliações dos nossos objetos de desejo (aquilo que desejamos).

T2 – A força motivacional dos nossos desejos, nem sempre coincide com as nossas avaliações dos objetos de desejo.

A partir destas teses, não será surpreendente imaginar que algumas vezes, apesar de julgarmos melhor a, e julgarmos melhor fazer a do que b, somos mais motivados para b, do que para a.

A tese 1 encaixa na conceção de racionalidade prática, na medida em que, ao raciocinar acerca do que fazer, tentamos descobrir aquilo que é o melhor ou suficientemente bom a fazer e não nos focamos naquilo que estamos mais motivados a fazer. Quando fazemos este raciocínio, ao mesmo tempo que temos desejos conflituantes, os nossos juízos são tipicamente formados parcialmente na nossa avaliação dos objetos de desejo, a qual pode estar desalinhada com a força motivacional desses desejos, considerando que T2 é verdade.

Somente se fossemos agentes ideais, as nossas avaliações dos objetos dos desejos, determinariam e coincidiriam com a força desses desejos e, neste caso, estaríamos sempre mais fortemente motivados para fazer aquilo que julgamos melhor.

Alfred Mele recorda a tese de George Ainslie, que defende que a força motivacional dos desejos tende a incrementar-se hiperbolicamente, à medida que se aproxima a altura da sua satisfação. Se não existe uma tendência de concordância nas nossas avaliações dos objetos dos nossos desejos, pode ocorrer frequentemente que a força de um desejo está seriamente desalinhada com a avaliação do agente acerca dos seus objetos119.

Estudos empíricos acerca do papel das representações dos objetos desejados no comportamento impulsivo e adiamento das recompensas, sugerem forte evidência de que as nossas representações dos objetos desejados têm duas dimensões, a motivacional e a informacional.

Os nossos melhores juízos poderão ser mais sensíveis à dimensão informacional das nossas representações, resultando daqui que esses juízos, por vezes, recomendam ações, que estão desalinhadas com aquilo que estamos mais fortemente motivados para fazer, na altura. É deste modo que se tornam possíveis as weak-willed actions, porque, pelo menos

119 Por exemplo, um sujeito dá pouco valor a uma sobremesa que poderia comer mais logo, julgando que é

preferível suprimir a sobremesa e tem um desejo de força moderada por essa sobremesa. Mas quando a sobremesa é servida, após o jantar de baixas calorias, a força do seu desejo pode-se aumentar dramaticamente, conforme previsto no modelo de Ainslie. Assim, teremos um desalinhamento entre motivação e avaliação. O sujeito julga melhor não comer a sobremesa, enquanto está muito mais motivado para a comer do que para a suprimir.

algumas ações intencionais, que estão em conflito com o nosso raciocínio de melhor juízo, são efetuadas de forma livre, sã e na ausência de depressão.

De facto, o agente normal é capaz de influenciar a força do desejo das mais variadas formas, exercendo self-control. Por exemplo, pode recusar focar a sua atenção nos aspetos atrativos de um curso de ação sedutor e concentrá-los naquilo que deve ser realizado, agindo conforme julga melhor. Pode procurar aumentar a sua motivação para seguir a ação julgada melhor, prometendo a si próprio recompensas por fazê-lo. Pode imaginar um item desejado de forma inatrativa. Os desejos, normalmente, não têm forças imutáveis e a plasticidade da força motivacional é pressuposta por conceções standard de auto controlo.

A chave para entender as weak-willed actions, passa por perceber que a força motivacional de uma atitude motivacional, não tem que estar alinhada com a avaliação que o agente faz do objeto daquela atitude. Os nossos melhores juízos racionais, são baseados, numa parte significativa, na nossa avaliação dos objetos dos nossos desejos e quando a avaliação e a força motivacional não estão alinhados, podemos acreditar que a é melhor, e portanto é melhor fazer a do que b, mas estar mais motivados para b do que para a. Enquanto esta crença, baseada na racionalidade prática existir, podemos executar b de forma livre, sã e na ausência de depressão, sendo que b é uma ação core weak- willed120.

Aquilo que o agente está mais motivado a fazer e aquilo que o agente faz, depende da sua capacidade de self-control. Em todos os casos de ação incontinente, um agente faz aquilo para que está mais motivado a fazer, pelas suas próprias razões. O agente que acraticamente faz a, faz a por uma razão.

As razões, no entanto, não bastam para compreender a ação acrática, e é necessária que a explicação psicológica seja completada com outros fatores acerca do agente: fatores tais como a sua capacidade de self control. Se o agente fosse perfeitamente self-controled, teria balançado as suas motivações de modo a não ter agido acraticamente. Neste sentido, Alfred Mele rejeita a P2 proposta por Donald Davidson, na medida em que entende que

a conexão entre o melhor juízo e o balanço das motivações do agente, são mais complexas do que Donald Davidson faz supor121.

Uma explicação adequada da ação acrática deve preservar os elementos de racionalidade envolvidos na ação acrática sem interpretar as ações, elas próprias, racionais.

A ação acrática é subjetivamente irracional, dado que é irracional do ponto de vista do agente, por ser contrário ao seu melhor juízo. No entanto, os elementos da explicação racional aplicam-se ao comportamento acrático, pois os agentes acratas agem por razões. A questão é que as razões pelas quais agem, não são as razões pelas quais eles julgam melhor agir. Quando um agente faz a, enquanto conscientemente detém o melhor juízo decisivo a favor de fazer a ação competitiva b, o agente está claramente mais motivado a fazer a do que a fazer b. Explicar como o agente chegou a este balanço de motivação é conseguir explicar a ação acrática122.

Dans le document L'ARCHITECTURE, FUNERAIRE EN IMERINA (Page 68-73)

Documents relatifs