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No ambiente natural os sedimentos são formados nos ambientes terrestres a partir do intemperismo e erosão que ocorrem sobre as rochas e solos das porções mais altas da bacia hidrográfica e no ambiente aquático, também parte dos íons metálicos e metalóides originados desse processo se incorpora aos sedimentos de fundo (PEREIRA et al., 2007). Além da fração inorgânica, esse sedimento recebe o aporte de matéria orgânica da vegetação e fauna. Com a urbanização, materiais de origem antrópica são incorporados aos sedimentos fluviais.

32 Segundo Jesus et al. (2004) os sedimentos finos têm sido considerados como um compartimento de acumulação de poluentes a partir da coluna d’água devido à sua alta capacidade de sorção e acumulação nos materiais argilosos. Possuem uma alta capacidade de reter elementos químicos orgânicos e inorgânicos e menos de 1% das substâncias que atingem os corpos hídricos são dissolvidas em água, ou seja, 99% são estocadas no sedimento (PEREIRA et al., 2007).

Emissões atmosféricas do escapamento de veículos e chaminés de indústrias depositam na superfície partículas poluentes e contaminantes, as quais também são destinadas aos corpos hídricos pela ação da chuva.

Os metais estão presentes na água e no sedimento e, de acordo com Bezerra, Batista e Silva (2018), são elementos nocivos à saúde e sua introdução pode ocorrer de modo natural através do intemperismo e processos geoquímicos. Segundo Poleto e Martinez (2011), os sedimentos urbanos são considerados, atualmente, a maior fonte de poluição difusa para os corpos hídricos em áreas urbanas devido ao transporte de metais pesados e outros poluentes. Altas concentrações de zinco, nióbio, chumbo, cobre e cromo são encontradas sedimentadas em pavimentos urbanos e que são carreados aos corpos hídricos com a ação das chuvas (POLETO et al., 2009).

A má gestão dos resíduos sólidos também pode contribuir com a artificialização do sedimento. Quando descartados inadequadamente, atingem a rede de drenagem, são carreados para corpo hídrico, podendo sedimentar no fundo ou ser transportado até alcançar o mar. Um dos principais resíduos domésticos é o plástico. A falta do incentivo a coleta seletiva e reciclagem além da sensibilização sobre a problemática do descarte inadequado dos resíduos faz com que esse material se deposite nas margens, leitos dos córregos ou são transportados pela água.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais - ABRELPE (2019), 59,5% (43,3 milhões de toneladas) do resíduo gerado no Brasil em 2018 foi destinado adequadamente em aterros sanitários. O restante (40,5%) foi despejado em locais inadequados por 3.001 municípios, totalizando 29,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos descartados em lixões ou aterros controlados que não possuem medidas de controle ambiental, configurando-se em fonte de poluição para o solo, água e sedimento fluvial.

33 O plástico é o principal resíduo gerado em centros urbanos e segundo Forlin e Faria (2002) é crescente o volume de sua utilização e as implicações ambiental inerentes ao seu descarte pós-consumo não racional.

A produção de plástico no mundo também é crescente, passando de 335 milhões de toneladas em 2016 para 348 milhões de toneladas no ano seguinte (PLASTICSEUROPE, 2018). Segundo Coelho, Castro e Gobbo Jr. (2011), o Brasil é um dos mercados consumidores de maior crescimento para as garrafas de Polietileno tereftalato - PET, porém não possui sistema organizado de reciclagem.

A ABRELPE (2019) relata que, em 2013 havia 24 cooperativas associadas ao programa “Dê a Mão para o Futuro – Reciclagem, Trabalho e Renda”. Este programa é um projeto da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, Associação Brasileira das Indústrias dos Produtos de Limpeza e Afins e Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados.

No ano de 2018 somam 144 cooperativas. As cooperativas acompanhadas por esse programa estão registradas num banco de dados que abrange um total de 1710 entidades. A ABRELPE relata também que não existe uma atualização dos dados dos sistemas de coleta de recicláveis de embalagens em geral, reforçando que a reciclagem dos mesmos ainda não possui um sistema organizado.

Além do plástico, metais, madeiras, papéis, papelões, tijolos e outros resíduos de construção civil podem ser incorporados aos sedimentos dos rios e compor depósitos com materiais artificialmente produzidos incorporados. É comum observar o descarte desse tipo de resíduos às margens dos rios, uma vez que a população possui uma cultura infundida de que o rio tem a capacidade de levar embora o que não desejamos.

Também é necessário considerar a complexidade do material. Com a evolução tecnológica foram desenvolvidos materiais complexos e de degradação mais difícil. Se antes os seres humanos utilizavam materiais de origem animal para suprir suas necessidades (e. g. pele de animais em vestimenta) e o maior resíduo era o excedente da produção agrícola e resíduos da alimentação (orgânicos), atualmente o resíduo é composto por plásticos, metais, eletroeletrônicos e químicos, que além de persistentes no ambiente podem poluir ou contaminar os compartimentos terrestres.

34 A retirada da mata ciliar provoca erosão e assoreamento dos corpos hídricos devido ao grande aporte de sedimentos, além de facilitar a entrada dos materiais de origem humana no sistema aquático. Em locais de baixa atividade antropogênica a sedimentação é inferior a 0,1 cm ano-1, enquanto em áreas antropizadas com alta taxa de desmatamento, ocupação do solo e urbanização, esse valor alcança de 2 a 3 cm ano-1 (MOZETO; UMBUZEIRO; JARDIM, 2006).

Segundo Oliveira (2005), a eliminação da cobertura vegetal dos solos provoca alterações no balanço hídrico, alterações no nível freático, alterações pedológicas e pedogenéticas, processos erosivos e formação de depósitos tecnogênicos nos fundos dos vales das bacias hidrográficas de primeira e de segunda ordem, que podem apresentar espessura de 1 a 2 metros.

A antropização do sedimento e o tipo de material poluente e contaminante dependerão do tipo de ocupação humana que ocorre na bacia hidrográfica, tornando necessário o conhecimento do uso e ocupação do solo para melhores medidas de gestão ambiental.

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