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Thesis objectives

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CHAPTER 1 Introduction

1.7 Thesis objectives

A função muscular medida por meio da capacidade de produção de força representa um dos mais confiáveis e válidos marcadores da magnitude do dano muscular após o exercício (WARREN, LOWE; ARMSTRONG, 1999; PAULSEN et al., 2012; 2013). Logo, no presente estudo, o principal benefício do consumo de chá mate no dano muscular induzido pelo exercício excêntrico consistiu na melhora da recuperação na força muscular após o dano. As taxas de recuperação nas forças isométrica e concêntrica foram consideravelmente influenciadas pelo consumo de chá mate ao longo de 24 h pós-dano (i.e., variação entre os tempos 0 e 24 h) conforme mostrado pelos tamanhos dos efeitos grandes (d = 1,26 e d = 1,00) nos picos de torque isométrico e no torque concêntrico, respectivamente. Como resultado desses avanços, ao final do primeiro dia após o dano muscular excêntrico, os déficits nas forças

estavam significativamente menores em 24 h nos indivíduos que ingeriram o chá mate, comparados aos indivíduos do grupo controle, que ingeriram água (Figura 12B e 13B). Os benefícios da suplementação com certos alimentos ou bebidas ricos em compostos fitoquímicos no restabelecimento da força muscular após o dano muscular excêntrico foram anteriormente demonstrados em indivíduos não treinados em exercícios contrarresistência (CONNOLLY et al., 2006; TROMBOLD et al., 2010 McLEAY et al., 2012). Todavia, nesse contexto, os efeitos do consumo de bebidas à base de erva mate não haviam sido ainda investigados. Os nossos resultados, portanto, parecem corroborar o potencial de alimentos ricos em compostos fitoquímicos para favorecer a recuperação da função muscular após o dano muscular excêntrico (CONNOLLY et al., 2006; TROMBOLD et al., 2010; 2011; McLEAY et al., 2012; MACHIN et al., 2014).

Não obstante, o padrão de recuperação da força muscular ao longo do tempo, após o dano muscular excêntrico, não é totalmente concordante entre os estudos. Por exemplo, de forma similar ao ocorrido na presente pesquisa, Connolly et al. (2006) relataram que o pico de torque isométrico dos músculos flexores do cotovelo foi maior com a suplementação de suco de cereja (rico em antocianinas), comparada ao placebo, em 24 h após o dano muscular. Entretanto, diferentemente do verificado com o chá mate, o consumo de suco de cereja melhorou a força, também, em 48, 72 e 96 h. Por outro lado, Trombold et al. (2010) relataram que a ingestão de suco de romã (rico em elagitaninos) não influenciou o pico de torque isométrico dos músculos flexores do cotovelo em 24 h depois do dano, porém, a força foi maior que o placebo em 48 e 72 h e semelhante em 96 h. Contrariamente, no estudo de Goldfarb et al. (2011), a suplementação com concentrado de vegetais e frutas vermelhas (ricas em antocianinas) não afetou o déficit significativo no pico de torque isométrico dos músculos flexores do cotovelo ao longo de 72 h após o dano muscular excêntrico.

As diferenças de resultados relatadas nesses estudos foram, possivelmente, relacionadas a uma série de fatores, incluindo o protocolo do exercício excêntrico, o grupo muscular avaliado e as propriedades biológicas intrínsecas dos compostos fitoquímicos e/ou da sua matriz alimentar (para revisão: PANZA et al., 2015). Além disto, a ausência ou atenuação de efeito da suplementação na recuperação da força muscular, especialmente além de 24 h pós-dano, poderia, em parte, estar relacionada à magnitude ou exacerbação do dano muscular. Newham et al. (1983) relataram maior grau de dano muscular (músculo quadríceps) e maior número de fibras avariadas entre 24 e 48 h após o

exercício excêntrico (teste de 20 min em step), em comparação ao tempo imediatamente pós-esforço De acordo com Paulsen et al. (2012), após a recuperação inicial nas primeiras horas após o dano muscular excêntrico, o restabelecimento na força muscular pode permanecer suspenso por alguns ou vários dias dependendo da extensão do dano.

No presente estudo, por exemplo, 72 h após o dano, os valores dos picos de torques isométrico, concêntrico e excêntrico permaneceram ainda significativamente abaixo do momento pré-dano, indicando, assim, recuperação muscular incompleta (TROMBOLD et al., 2010), independente do tratamento com chá mate. Além disso, os déficits ≥23% imediatamente pós-dano, nas forças isométrica, concêntrica e excêntrica, indicaram que o dano muscular induzido pelo protocolo de exercício excêntrico empregado foi de magnitude "moderada" (PAULSEN et al., 2012). De modo semelhante aos nossos resultados, no estudo de Goldfarb et al. (2011), o déficit na força isométrica se manteve em 30- 40% durante 72 h pós-dano, independente da suplementação. Por outro lado, Connolly et al. (2006) e Trombold et al. (2010) relataram que os déficits na força isométricaem 72 h pós-dano, no grupo placebo, foram de aproximadamente 16%, o que, portanto, sugere que a extensão do dano muscular (PAULSEN et al., 2012) foi menor, em comparação ao presente estudo, bem como ao estudo de Goldfarb et al. (2011). Portanto, é possível que os efeitos positivos da suplementação com o chá mate na função muscular, além de 24 h após o dano muscular excêntrico, tenham sido sobrepujados pela magnitude dos prejuízos musculares estruturais, relacionados aos danos iniciais e/ou secundários induzidos pelo protocolo de exercício empregado (ARMSTRONG; WARREN; WARREN, 1991; FAULKNER; BROOKS; OPITECK, 1993). Isto estaria de acordo com a necessidade de um prolongado processo de regeneração estrutural, para a completa recuperação funcional do músculo (PAULSEN et al., 2012; 2013).

Importa salientar que Paulsen et al. (2012) recomendam que a função muscular seja preferencialmente avaliada por meio de ações musculares concêntricas. Os autores advertem para o fato de que mudanças no ângulo de pico de torque, resultantes do dano muscular induzido pelo exercício, podem levar à super ou subestimativa nas alterações no pico de torque isométrico, quando a avaliação é feita em apenas um ângulo articular. No presente estudo, o torque isométrico foi medido somente em um ângulo de flexão do cotovelo (90°), o que poderia, assim, suscitar dúvidas sobre a efetividade do chá mate na recuperação do pico de torque isométrico. Não obstante, nos indivíduos

do grupo chá mate, os benefícios da suplementação na restauração no torque isométrico, durante o primeiro dia pós-esforço, foram acompanhados de melhor recuperação, também, no torque concêntrico, no mesmo período, corroborando a efetividade do tratamento.

Infelizmente, os resultados sobre as medidas de forças dinâmicas têm sido raramente mencionados em estudos com suplementação de alimentos e bebidas ricos em compostos fitoquímicos. McLeay et al. (2012) relataram déficits significativos nos picos de torque concêntrico e excêntrico em 12, 36 e 60 h após 300 ações musculares excêntricas com os músculos extensores do joelho, em mulheres suplementadas com 200 g de bebida à base de blueberry, ou placebo, em 10 e 5 h antes e 0, 12 e 36 h pós-exercício. Segundo os autores, não houve efeito significativo do tratamento. Nossos resultados discordam das observações de McLeay et al. (2012), visto que o consumo de chá mate acelerou significativamente a recuperação no pico de torque concêntrico no primeiro dia após o dano. Além disto, vale ressaltar que, nos indivíduos do grupo controle, o déficit no torque concêntrico tendeu (P = 0,067) a ser menor em 24 h, comparado a 0 h (Figura 13B e Apêndice H6), sugerindo um comprometimento adicional no processo de geração de força muscular concêntrica, que foi prevenido com o consumo de chá mate. Com relação à força muscular excêntrica, os valores absolutos e relativos do pico de torque excêntrico foram pouco influenciados pela suplementação com chá mate (Figuras 14A e 14B). Entretanto, o consumo de chá mate teve o tamanho do efeito médio (d = 0,68) na taxa de recuperação no torque excêntrico, entre o segundo e terceiro dia pós- dano (Apêndice H10). Essa melhoria resultou em déficit no pico de torque excêntrico significativamente menor em 72 h, em relação à imediatamente após o dano (0 h), o que não ocorreu no grupo controle. Portanto, com base em nossos achados, sugere-se que, após o dano muscular excêntrico, a recuperação das forças musculares dinâmicas pode também ser favorecida com suplementação de alimentos ou bebidas ricos em compostos fitoquímicos.

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