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Thermodynamics and the Limits of the Possible

A Lei Federal nº 10.257/2001, o Estatuto da Cidade, surge mais de uma década após a promulgação da Constituição Federal, marco histórico jurídico para a política urbana brasileira, e visa regulamentar os Artigos 182 e 183 da CF, os quais tratam sobre a política urbana brasileira.

O primeiro anteprojeto para o Estatuto data do ano 1977, junto ao ideal da Reforma Urbana, a qual coloca a questão da redistribuição de renda no campo da política urbana, através da redistribuição de terra, mas também de habitação, infraestrutura e de equipamentos urbanos, de onde surgiu o conceito de direito à cidade (BRAGA, 2012).

O Estatuto da Cidade teve seu projeto de Lei nº 181 proposto em 1989, fruto da Agenda da reforma urbana. Na década de 1990, todavia, os debates sobre o Estatuto recebem a influência da Agenda da sustentabilidade através da publicação da Agenda 21, e o Estatuto é finalmente aprovado em 2001, após longos anos de debates e a sustentabilidade incorporada ao seu texto (BRAGA, 2012).

A definição geral e mais objetiva de sustentabilidade urbana trazida pelo Estatuto da Cidade é uma representação do direito à cidade, através das categorias terra urbana, moradia, saneamento ambiental, infraestrutura urbana, transporte, serviços públicos, trabalho e lazer (BRASIL, 2001), pois o direito à cidade, de acordo com Lefebvre (2001, p.118), é um “direito à vida urbana”, vida esta com qualidade e suprimento das necessidades do ser humano com relação ao espaço urbano, que são representadas pelas categorias citadas.

Além da definição mencionada, Raia Junior (2007), afirma que o Estatuto da Cidade é composto por diretrizes sustentáveis ao longo de todo o seu texto, que além das representações de sustentabilidade para o direito à cidade, também podem ser quanto à gestão democrática da cidade; quanto ao planejamento da expansão a fim de evitar a degradação do meio ambiente; quanto à oferta de equipamentos, transporte e serviços públicos adequados; quanto à adoção de padrões de consumo de bens e serviços compatíveis com os limites da sustentabilidade ambiental; e quanto à proteção, preservação e recuperação do meio ambiente natural ou construído, do patrimônio cultural, artístico, histórico, paisagístico e arqueológico.

As diretrizes acima citadas, e que abrangem tópicos de sustentabilidade urbana, vem de encontro a diretrizes já citadas anteriormente, dando respaldo tanto à definição de política urbana da própria CF, e abrangendo objetivos sustentáveis trazidos também pela Agenda 21.

O quadro 02 tem o objetivo de exemplificar as principais diretrizes de sustentabilidade do Estatuto da Cidade, com possíveis ações trazidas pelo mesmo, e que se relacionam com estas diretrizes.

Quadro 02- Sustentabilidade Urbana no Estatuto da Cidade (continua) DIRETRIZ DE SUSTENTABILIDADE DO

ESTATUTO DA CIDADE

PRINCIPAIS AÇÕES DE SUSTENTABILIDADE URBANA APONTADAS PELO ESTATUTO DA CIDADE

Garantia do direito a cidades sustentáveis: terra urbana;

- Planejamento Municipal: disciplina do parcelamento, uso e ocupação do solo;

- Planejamento Municipal: Zoneamento Ambiental; - Parcelamento, edificação ou utilização compulsórios. - IPTU progressivo no tempo.

- Desapropriação com pagamento em títulos. - Direito de preempção.

Quadro 02 (continuação)

DIRETRIZ DE SUSTENTABILIDADE DO ESTATUTO DA CIDADE

PRINCIPAIS AÇÕES DE SUSTENTABILIDADE URBANA APONTADAS PELO ESTATUTO DA CIDADE

Garantia do direito a cidades sustentáveis: terra urbana;

- Outorga onerosa do direito de construir.

Garantia do direito a cidades sustentáveis: moradia;

- Instituição de zonas especiais de interesse social. - Regularização fundiária e demarcação urbanística para fins de regularização fundiária.

- Direito de preempção.

Garantia do direito a cidades sustentáveis: saneamento ambiental, infraestrutura urbana;

- Tratamento prioritário a obras e edificações de infraestrutura de energia, telecomunicações, abastecimento de água e saneamento.

- Delimitação das áreas de expansão de acordo com a infraestrutura existente.

Garantia do direito a cidades sustentáveis: equipamentos urbanos, transportes e serviços públicos;

- Assistência técnica e jurídica gratuita para grupos sociais menos favorecidos.

- Direito de preempção.

- Plano de transporte integrado ao Plano Diretor para cidades com mais de 500 mil habitantes.

Garantia do direito a cidades sustentáveis: trabalho e lazer;

- Direito de preempção.

Gestão democrática.

- Participação popular e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade;

- Planejamento municipal: gestão orçamentária participativa;

- Referendo popular e plebiscito;

- Criação de órgãos colegiados de política urbana; - Conferências, debates, audiências, consultas públicas;

Cooperação entre governo, iniciativa privada e demais setores na urbanização.

- Planos nacionais, regionais e estaduais de ordenação do território e desenvolvimento econômico e social.

- Operações Urbanas consorciadas. - Outorga onerosa do direito de construir.

Planejamento do desenvolvimento das cidades, da distribuição espacial da população, e das atividades econômicas do município.

- Planejamento Municipal: Plano Diretor; Plano Plurianual; - Diretrizes orçamentárias;

- Parcelamento, edificação ou utilização compulsórios. - IPTU progressivo no tempo.

- Desapropriação com pagamento em títulos. - Outorga onerosa do direito de construir.

- Plano de transporte integrado ao Plano Diretor (cidades com mais de 500 mil habitantes).

Ordenação e controle do uso do solo.

- Parcelamento, edificação ou utilização compulsórios. - IPTU progressivo no tempo.

- Desapropriação com pagamento em títulos. - Outorga onerosa do direito de construir. Integração e complementaridade entre atividades

urbanas e rurais.

- Planejamento Municipal: Planos, programas e projetos setoriais;

Adoção de padrões de consumo de bens e serviços compatíveis com os limites da sustentabilidade local.

- Operações urbanas consorciadas.

- Parcelamento, edificação ou utilização compulsórios. - Adoção de medidas diferenciadas de planejamento e urbanização, junto ao Plano Diretor para municípios com áreas suscetíveis a deslizamentos, inundações, processos geológicos ou hidrológicos e eventos similares.

Quadro 02 (conclusão)

DIRETRIZ DE SUSTENTABILIDADE DO ESTATUTO DA CIDADE

PRINCIPAIS AÇÕES DE SUSTENTABILIDADE URBANA APONTADAS PELO ESTATUTO DA CIDADE

Distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do processo de urbanização.

- IPTU

- IPTU progressivo no tempo.

- Desapropriação com pagamento em títulos. - Contribuição de Melhoria.

Adequação dos instrumentos de política econômica, tributária e financeira, e gastos públicos, aos objetivos do desenvolvimento urbano.

- Planejamento Municipal: planos de desenvolvimento econômico e social;

Proteção, recuperação e preservação do meio ambiente natural ou construído.

- Tombamento de imóveis ou de mobiliário urbano. - Instituição de unidades de conservação.

- Estudo prévio de Impacto Ambiental e de Impacto de Vizinhança.

- Direito de preempção. Regularização fundiária e urbanização de áreas

ocupadas por população de baixa renda.

- Estabelecer normas especiais de urbanização, uso e ocupação do solo.

- Direito de preempção. Simplificar legislação de parcelamento, uso e

ocupação do solo.

- Tributos diferentes de acordo com a localização do imóvel.

Estímulo à utilização, no parcelamento do solo e edificações urbanas, de sistemas operacionais, padrões construtivos e aportes tecnológicos que reduzam impactos ambientais e possibilitem economia de recursos.

- Incentivos e benefícios fiscais e financeiros.

Plano diretor como instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão urbana

- Obrigatoriedade dos Planos diretores conforme Art. 41 da Lei Federal nº 10.257/2001;

Fonte: BRASIL (2001). (Organizado pela autora)

O Estatuto da Cidade é subdividido em quatro capítulos. O Capítulo 01 aponta as diretrizes gerais que devem ser alcançadas com esta Lei, as quais em grande parte são respondidas pelos Instrumentos para a Política Urbana trazidos no capítulo 02.

O capítulo 03 trata sobre o Plano Diretor, e o Capítulo 04 a respeito da Gestão Democrática da cidade.

Conforme a análise efetuada, a sustentabilidade está incorporada em todos os capítulos do Estatuto da Cidade, embora não de forma explícita. A Lei transita por aspectos de sustentabilidade para o espaço urbano em todos os seus capítulos, e várias das ações apontadas no quadro 02, podem responder a diretrizes de sustentabilidade diferentes.

O próprio Plano Diretor, com um capítulo específico ao mesmo destinado, é capaz de incorporar todas as ações que respondem às diretrizes levantadas, quando bem elaborado.