Um contato inicial com a Secretaria Municipal de Educação foi feito para autorizar o trabalho realizado com os professores nas entrevistas para coleta de dados. A declaração concedida pela Gerência de Formação Permanente (FLORIANÓPOLIS, 2012a) se encontra no Anexo II. A seleção destes professores foi pensada para abranger geograficamente as diferentes regiões e escolas do município de Florianópolis. A lista completa das unidades escolares municipais foi obtida de Florianópolis (2012b) e se encontra no Anexo III.
Atendendo aspectos da ética em pesquisa, que envolve os professores da rede pública municipal, foi utilizado um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Anexo IV), que foi apresentado, lido e assinado pelos docentes no momento anterior às entrevistas. O andamento do trabalho ficou condicionado à coleta das assinaturas destes professores no TCLE.
Nos dias 28 e 29 do mês de Maio de 2012 foi estabelecido contato com as 26 unidades escolares do município via telefonema. Deste número, vinte unidades apresentaram professores efetivos de Ciências em seus quadros docentes. Nestas ligações busquei identificar o número de professores efetivos de Ciências que atuavam em cada escola, visando mapear os locais e as unidades de trabalho destes docentes. Os dados desta coleta inicial estão na Tabela 3.1.
Tabela 3.1. Distribuição de professores por unidade escolar, dentro de cada região do município de Florianópolis.
Região da cidade Número de escolas Quantidade de professores Professores entrevistados NORTE 8 9 2 SUL 4 8 2 LESTE 3 4 2 CENTRO 5 7 2 TOTAL 20 28 8
Os docentes entrevistados foram selecionados por região da ilha de Santa Catarina. Para esta escolha, subdividimos o município de Florianópolis em quatro regiões e selecionamos dois docentes provenientes de unidades escolares de uma destas regiões, conforme visualizado na Figura 4.
O contato com as escolas foi feito através de visitas pessoais do pesquisador. Cada escola foi visitada cerca de duas vezes: a primeira para estabelecer um contato inicial com as equipes pedagógicas e entregar uma carta de apresentação aos professores. Geralmente a entrevista era agendada através de contato telefônico ou eletrônico (e- mail) para a semana posterior à primeira visita em todas as unidades escolares. Todas as entrevistas foram agendadas e realizadas no mês de Junho do ano de 2012.
Figura 4. Mapa do município de Florianópolis, dividido em quatro áreas: região central (verde escuro), região norte (amarelo), região leste (verde claro) e região sul (azul). (Fonte: http://www.viagemdeferias.com/florianopolis/fotos/mapa-
hoteis-florianopolis.gif, acesso em 30/06/2012).
O número final de docentes entrevistados por este trabalho foi baseado no critério de saturação dos dados (MINAYO, 2010). Este critério foi determinado após a finalização das primeiras oito entrevistas, pois verifiquei que muitos dos dados fornecidos se repetiram ao longo desta fase de coleta de dados. A autora se refere a este termo na seguinte passagem:
O dimensionamento da quantidade de entrevistas, grupos focais e outras técnicas deve seguir o critério de saturação. Por critério de saturação se
entende o conhecimento formado pelo pesquisador, no campo, de que conseguiu compreender a lógica interna do grupo ou da coletividade em estudo... [...] (MINAYO, 2010, págs. 197-198).
Em relação aos tópicos das entrevistas, os mesmos foram formulados a partir dos objetivos do trabalho. Além disto, contribuíram para a elaboração do roteiro, as leituras sobre o tema do LD e conversas informais que tive com alguns colegas professores nas escolas onde trabalhei. Os tópicos componentes do roteiro articulam-se e procuram responder ao problema e pergunta de pesquisa que norteia a investigação: Como os professores de Ciências da rede municipal de Florianópolis selecionam e utilizam o LD em suas aulas?
O roteiro da entrevista estrutura-se em quatro tópicos: capacitação para a escolha do LD, escolha do LD na escola, qualidade do LD e utilização deste material pelo docente. Abaixo apresento um roteiro com os tópicos e subtópicos das entrevistas:
SOBRE A CAPACITAÇÃO PARA A ESCOLHA DO LD Qual sua formação? Fez pós-graduação? Qual?
Há quanto tempo está no magistério? Sempre em sala de aula?
Já participou de algum curso, palestra ou formação sobre análise de LDs?
Já leu trabalhos de análise de LDs? Quais? Você conhece o GLD?
SOBRE A ESCOLHA DO LD (como e com quem o professor escolhe o LD). Quantas vezes você participou de processo de escolha de LD?
Quem escolhe o LD na escola?
Há orientações ou pré-seleção de livros por parte da Secretaria Municipal de Educação, ou Direção da escola, por exemplo?
Há relação entre a seleção do LD e o projeto político- pedagógico da escola? Em que aspectos?
Tem tempo para o planejamento e a escolha do LD? Considera este tempo adequeado?
O livro que chega à escola é o mesmo que foi escolhido?
Há livros para todos os alunos?
SOBRE A QUALIDADE DO LD (na visão do professor entrevistado). O que seria um bom LD?
Julga que dispõe de bons livros para escolha? O que considera importante na escolha do LD? Que elementos chamam mais sua atenção em um LD?
SOBRE O USO DO LD (como o professor trabalhacom o recurso e qual a importância atribuída ao LD).
Como utiliza os livros nas suas atividades pedagógicas? O LD é utilizado em todas as aulas? Que outros
materiais você utiliza? O que utiliza no LD?
Pensando na sua atividade pedagógica atual, conseguiria desenvolver as aulas sem o livro? Por quê? Como caracteriza a importância do LD no
planejamento das atividades?
Como caracteriza a importância do LD no desenvolvimento das aulas?
Por que utiliza o LD desta forma em seu trabalho? Em relação às entrevistas com os professores, todas foram realizadas nas unidades escolares onde os mesmos estavam lecionando, geralmente em horários de intervalo ou períodos de aula em que os
professores não estavam em sala de aula. Os locais em que as conversas ocorreram foram as salas de professores, laboratórios de Ciências ou as bibliotecas das unidades escolares. Todas as entrevistas tiveram entre 15 e 40 minutos de duração e a transcrição foi realizada posterior e pessoalmente pelo pesquisador.