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Figura 22 – A cidade de Santa Cruz Cabrália no Estado da Bahia

Santa Cruz Cabrália se localiza no extremo sul do Estado da Bahia, na região da chamada Costa do Descobrimento. Afasta-se de Salvador por cerca de 700 quilômetros. Acessa- se Santa Cruz Cabrália transitando pela BR-101, pela BR-116 e pela BA-001, para quem parte

de Salvador ou outras cidades costeiras do Estado, ou pela BR-367, para quem se dirige à cidade, partindo das cidades do Norte do Estado de Minas Gerais.

As terras de Santa Cruz Cabrália eram previamente habitadas por índios tupiniquim e outras tribos, como botocudo, maxacalí, kamakã, purí e pataxó, além dos guerreiros aimoré, como informa a página de sua prefeitura, na Internet.

A história de Santa Cruz Cabrália começa em primeiro de maio de 1500, com a chegada das primeiras esquadras portuguesas, lideradas por Pedro Álvares Cabral. Em 1534, a terra foi doada a Pero de Campos, como parte da Capitania de Porto Seguro. No ano seguinte, formou- se a primeira povoação. Em 1564, o povoado foi atacado pelos índios aimoré, dizimando a população, que, àquela altura, agregavam-se nas proximidades da praia.

Em decorrência dos ataques indígenas, surgiu um novo núcleo populacional, às margens do rio Senampetiba, no interior do território. Com o desenvolvimento desse novo povoado, foi erguida à condição de freguesia no ano de 1795. Depois disso, atravessou um longo período de decadência.

A cidade de Santa Cruz Cabrália só se tornou plenamente autônoma em 1933, uma vez que perdeu a condição de município, alcançada em 1832, no ano de 1931. Antes de ser um município independente, era vinculada e subordinada a Porto Seguro, cidade limítrofe e importante polo de turismo do extremo sul do Estado.

Contemporaneamente, Santa Cruz Cabrália é uma cidade de pequeno porte, cujas informações a seu respeito são raras. Sabe-se, porém, que suas praias paradisíacas, as referências históricas, seus artesanatos e reservas naturais atraem turistas de todo o mundo (PEZETA, 2016). É em função do turismo que, atualmente, vivem os poucos habitantes de Santa Cruz Cabrália.

3.2.22 Caravelas

A cidade de Caravelas está situada no extremo sul do Estado da Bahia, assim como Santa Cruz Cabrália, estando afastada da capital por quase 900 quilômetros. Por outro lado, está próxima de cidades como Pedro Canário (98 quilômetros) e Itaúnas (150 quilômetros), no Estado do Espírito Santo.

Caravelas pertence à faixa litorânea conhecida como Costa das Baleias. Essa designação se dá em razão das atividades turísticas, vinculadas às baleias jubarte, que visitam a região (em especial o arquipélago de Abrolhos48) em períodos de procriação.

48 Embora Abrolhos esteja vinculado a Caravelas, o trânsito de turistas na cidade é pouco expressivo, uma vez que os visitantes se limitam à utilização de seu píer para embarque com destino ao arquipélago.

Figura 23 – A cidade de Caravelas no Estado da Bahia

A história de Caravelas também está vinculada ao “achamento” do Brasil. Em 1503, as terras de Caravelas foram encontradas por Américo Vespúcio e Gonçalo Coelho, ao seguirem viagem, após naufrágio na região de Fernando de Noronha.

No passado, era parte da Capitania de Porto Seguro, assim como Santa Cruz Cabrália. O seu processo de colonização se iniciou, porém, à volta do ano de 1572, mediante a exploração de bandeirantes, que subiam do vale do Jequitinhonha em busca de metais.

Somente em 1581 se fundou a aldeia de Caravelas. Tratava-se do empreendimento de um padre francês. Coube ao mesmo o soerguimento de uma pequena igreja em invocação a Santo Antônio do Campo dos Coqueiros. Um pouco depois, a aldeia foi abandonada, retornando os moradores apenas em 1610. Desse momento em diante, Caravelas foi povoada.

Durante o século XVII e o início do século XVIII, Caravelas alcançou o progresso, tornando-se Vila de Santo Antônio do Rio das Caravelas, no ano de 1701. Passou a ser reconhecida como cidade em 1855.

O seu progresso se deveu, prioritariamente, ao cultivo de café. Porém, pouco antes de se tornar um município independente, em 1853, foi atingida por um surto de cólera, que dizimou parte de sua população, de modo catastrófico. Esse fato freou o desenvolvimento do município.

Alguns acontecimentos marcantes na cidade foram a instalação do farol de Abrolhos, em 1856, por ordem de D. Pedro II, a inauguração de um teatro, em 1865, onde se encenaram peças vindas de outras partes do país, e a chegada do telégrafo, em 1875. Esses fatos permitiram maior dinamicidade na vida em Caravelas e contato com outras partes do Estado e do Brasil.

Atualmente, trata-se de uma pequena cidade, com um número baixo de habitantes. Sobrevive, basicamente, de pequenos cultivos agrícolas. O turismo, apesar de ser uma atividade em potencial, dadas as riquezas naturais e históricas da cidade, carece de maiores investimentos e cuidados.

Apresentaram-se, desse modo, neste capítulo, informações acerca das vivências históricas e da realidade social atual das 22 localidades que constituem a rede de pontos do Projeto ALiB no Estado da Bahia. Priorizaram-se dados referentes aos seus povoamentos, a constituição étnica de seus habitantes, bem como a aspectos culturais outros e acontecimentos sociais que, porventura, possam ter tido ressonâncias na disseminação da língua portuguesa nas cidades. Espera-se que tais dados sejam relevantes às análises que ora se apresentam.