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Dessa forma, destacamos que, como resultados das correlações para a concepção de currículo como aptidões e experiências profissionais, evidenciamos no primeiro tetraedro representativo dessa concepção duas correlações mais representativas dessa articulação, e que tiveram o mesmo número de coocorrências (7.66667): a A1.1{A1, C5, A4, F6} e a A.2 {A1, C5, A4, B1} que será analisada em 5.6.2. A primeira evidencia a concepção de currículo como aptidões e experiências profissionais, correlacionada com aprendizagem - como a capacidade de reflexão; ensino - como transmissão de conhecimentos; e ser bom professor- como mediador no processo de conhecimento.

Figura 23 - Grafo total de coocorrências processo de formação

Fonte: A autora (2018).

Destacamos que a correlação reuniu as respostas das quatro questões respondidas pelos licenciandos. Assim, encerrar o que seja currículo, em questões de formação profissional, possibilita trazer Goodson (2013b), que apresenta um formato de currículo em termos de prescrição - currículo como algo pronto e acabado - que referenda a concepção de currículo apresentada por estes participantes.

Entretanto, os sujeitos que responderam que o currículo é documento ou disciplina de curso também ajudaram a formar a categoria C4 Aprendizagem como capacidade de reflexão, conforme o exemplo:

QL158- Aprendizagem compreende-se como ampliação do saber crítico para o

desenvolvimento sócio/cultural.

Considerar que a aprendizagem é a capacidade de reflexão em um sujeito remete ao entendimento de Davini (2013) que apresenta estilos diferentes de aprendizagem. A aprendizagem como capacidade de reflexão entre os seres humanos é apresentada pela autora como uma vertente para a área das ciências humanas e artes, ou seja, a atribuição de reflexão

para a aprendizagem, neste caso, denota o perfil dos sujeitos participantes que são oriundos do curso de Letras.

Ao mesmo tempo, o fato de a concepção sobre currículo apresentar maior tendência de currículo como sinônimo de tradicionalismo, por exemplo, pode estar relacionada às experiências de vida destes sujeitos, pois, antes de ingressarem na universidade, os alunos estiveram na escola de educação básica, onde o sujeito vai organizando mecanismos cognitivos de aprendizagem para serem acionados assim que for necessário. (DAVINI, 2013). Nestes termos, a trajetória educacional destes sujeitos lhes possibilita fazer uma leitura de currículo mais prescritivo (GOODSON, 2013b) e ao mesmo tempo conceber a aprendizagem como a capacidade de reflexão.

A outra resposta que entra nesta correlação é o ensino como a transmissão de conhecimentos (A1 correlacionado com A4 = 12 ocorrências). Essa concepção aparece correlacionada às outras duas anteriores, ou seja, o currículo como aptidões e experiências profissionais e também com a aprendizagem como a capacidade de reflexão. Nestes termos, pensar o ensino como transmissão de conhecimentos é uma resposta que se aproxima da concepção de currículo como prescrição. Na sequência, traz-se um exemplo de resposta de um participante sobre ensino como transmissão de conhecimentos.

• QL4 - É a forma como alguém, previamente habilitada, passa para outras pessoas seus

conhecimentos.

A literatura apresentada nesta pesquisa sobre o tópico ensino/ensinar aporta as questões de ensino como possibilidades de troca de conhecimento entre quem ensina e quem é ensinado. Assim, a abordagem do ensino como transmissão de conhecimento culmina em uma concepção de ensino tradicional em que o professor é o que sabe e o aluno é a tábula rasa. O exemplo mais apropriado para elucidar esta categoria pode ser encontrado no Quadro 6, pois, ao enquadrar os diferentes modelos de currículo, percebe-se que o tradicionalismo está presente no modelo de currículo tradicional que apresenta os programas de ensino baseados na lógica; a estruturação do ensino é disciplinar e autoritário com o conhecimento enciclopédico e centralizado no professor. Dessa forma, para estes sujeitos que responderam que o ensino é transmissão de conhecimentos é bem possível que seu histórico educacional esteja formado por um modelo de currículo acadêmico, nos preceitos de McNeil (2016a).

Entretanto, ainda resta a última concepção sobre ser bom professor, pois a questão indagava o que é ser um bom professor. Para esta questão, a categoria formada na primeira combinação proporcionou a concepção de ser bom professor como alguém que faz a mediação

no processo de conhecimento, esta correlação originou A1 correlacionado com F8 = 8 ocorrências. Uma vez mais, a categoria sobre ser bom professor destoa das categorias sobre currículo e ensinar, e se aproxima da categoria sobre aprendizagem.

Cabe destacar que os dados foram submetidos ao software Mathematica® e que as correlações aproximam as respostas dos sujeitos evidenciando o que estes responderam em cada questão. Assim, um mesmo sujeito pode ter dado uma resposta de cunho educacional mais tradicionalista para currículo e ensinar, por exemplo, e outra resposta mais crítica para as outras duas questões sobre ensino e ser bom professor, de certa forma isso revela alguns aspectos de onde a sua concepção está ancorada.

Conforme Tardif (2014), entre as atribuições conferidas ao profissional professor estão os saberes disciplinares, curriculares e experienciais que advêm das prerrogativas inerentes a sua práxis. Assim, considerar o professor um profissional que intermedeia o conhecimento até o licenciando é uma concepção que se aproxima do modelo de currículo reconstrucionista de McNeil (2016c) e ainda da proposta de educação crítica de Freire (2000). Para dar visibilidade a uma resposta sobre o ser bom professor como mediador no processo do conhecimento, elegeu- se a resposta abaixo:

• QL75 - Saber fazer o aluno chegar ao conhecimento, sendo mediador do processo ensino-

aprendizagem.

Desta forma, a questão sobre o professor ser considerado mediador, nesta categoria que combina currículo como aptidões e experiências profissionais, aprendizagem como a capacidade de reflexão, ensino como transmissão de conhecimentos, remete a um sujeito com opiniões sedimentadas em sua formação educacional formal anterior. E, ao se pensar o conhecimento conforme Adorno e Horkheimer (1985) como a percepção da inclusão do conhecimento como um fato inicial e necessário, as correlações A1.1 {A1, C5, A4, F6} e A.2- {A1, C5, A4, B1} desvelam licenciandos em processo de formação.

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