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Future and progressive causativized stative constructions

Chapter 4: Event decomposition and causativized stative verbs

4.5. Future and progressive causativized stative constructions

Para entender a cultura dos protótipos se faz necessário, compreender antes o conceito de cultura, cultura material e imaterial, identidade e globalização e a sua influência sobre o processo de desenvolvimento de produtos, onde o protótipo está inserido.

Para Tylor apud Santos (2006), cultura é o conjunto de crenças,

conhecimentos, costumes, arte, lei, moral,..., ou seja, qualquer capacidade adquirida por um homem no ambiente social ao qual está inserido, independente do seu código genético. Sendo assim, podemos entender que a cultura não é algo estanque, parado, ou que tenha início, meio e fim. A cultura é dinâmica e o seu entendimento permite compreender os processos de transformações na sociedade contemporânea.

Podemos dividir a cultura em material e imaterial, segundo Marconi e Presotto (2001) a cultura material consiste em coisas materiais, bens tangíveis, incluindo instrumentos, artefatos e objetos materiais, frutos da criação humana e resultante de determinada tecnologia. Isso abrange produtos concretos, técnicas, construções,... produzidos por um determinado grupo ou uma determinada sociedade. Já a cultura imaterial refere-se a elementos intangíveis da cultura, que não tem substância material. Entre eles podemos citar as crenças, conhecimentos, aptidões, hábitos,...

A partir desse conceito entendemos que a construção de um protótipo transita entre a cultura material e imaterial. Material no sentido concreto, físico, tangível, e imaterial por ser resultado da aplicação do conhecimento, a partir de um hábito específico de uma cultura que acredita na sua importância dentro de uma metodologia de design.

Ono (2006) apresenta que os contextos pluralistas, dinâmicos e contraditórios intensificados com a globalização co-existem forças de homogeneização e padronização, através da difusão dos processos técnicos, como de fragmentação e diversidade, fazendo com que o designer deva estar atendo a adaptar os artefatos e o processo produtivo as necessidades e identidades culturais dos indivíduos e dos grupos sociais.

Acreditamos que de forma semelhante, a metodologia de design, na qual o desenvolvimento de protótipos está inserido, deve acompanhar esse raciocínio, considerando os aspectos técnicos, difundidos pela globalização sem perder o compromisso em adaptar-se a cada contexto, considerando as semelhanças e diferenças entre os indivíduos e os grupos.

O design está posicionado exatamente aí, nessa dialética entre as forças do desenvolvimento técnico e tecnológico, hoje cada vez mais difundidos e globalizados, e as forças do contexto social e cultural humano, pluralistas e identitários. Dessa forma, o design tem um papel importante por promover a materialidade da sociedade, que ao mesmo influencia e é influenciada através de movimentos cíclicos contínuos, responsáveis pela concepção dos artefatos. Essa relação exigirá do designer o domínio do técnico e do humano, através de uma visão criativa e inovadora, no momento que permita adaptar essas tecnologias ao contexto e um visão humana, que permita projetar artefatos adequados às necessidades reais, digo: material, social, econômica e cultural, das pessoas.

Para o ICSID (2007) (conselho internacional da sociedade de design industrial) “o design é uma atividade criativa, cujo objetivo é estabelecer as qualidades multifacetadas dos objetos, processos e seus sistemas, na totalidade dos ciclos de vida. Portanto o design é o fator central da humanização inovativa de tecnologias e um fator crucial para o intercâmbio cultural e econômico”. Tratando ainda da importância em manter a diversidade cultural, apesar da globalização do mundo através de uma ética cultural.

Segundo Denis (1998) e vários historiadores o design inicia-se como profissão com a instauração da revolução industrial, onde fica clara a separação entre o artesão, que produz artesanalmente e o designer que elabora os projetos dos produtos que irão ser produzidos em série. Essa visão de certa forma afastou durante muito tempo o design da produção artesanal, como por exemplo, o artesanato. Hoje vemos uma quebra dessas barreiras. Designers elaboram e produzem os seus artefatos de forma artesanal, desenvolvem projetos que ajudam comunidades a encontrar a sua identidade e a desenvolver produtos artesanais de forma sustentável, ou seja, de forma competitiva, adaptando o processo e os produtos aos novos contextos, mercados e as novas tecnologias.

Nesse contexto, a Manufatura rápida 6 vem amenizar essa separação, se o artesanal sempre esteve ligado à produção não industrial, ou seja, o que não era produzido por máquinas industriais ou através de uma produção em série. Essa tecnologia permitirá tanto a indústria como os próprios designers, produzirem produtos “industriais” em pequena escala, facilitando o desenvolvimento de produtos personalizados, “artesanais”, que só diferenciarão dos produtos hoje tidos como “industriais”, talvez pela velocidade e pela quantidade de cópias.

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Tipo específico de impressão física de produtos com qualidade e materiais finais a partir da tecnologia de prototipagem rápida.

Isso deixa claro que existem duas forças atuantes no desenvolvimento de produtos: O artesanal e o Industrial. Difícil hoje seria dizer quem exerceu maior influencia ao longo dos últimos anos, a indústria na produção artesanal ou o artesanal na produção industrial?

O séc.. XX é marcado pela crescente necessidade capitalista de produzir mais com preço mais barato, utilizando menos matéria prima e padronizando os produtos para facilitar a produção em larga escala. Desse princípio surge um dos primeiros modelos de desenvolvimento de produtos em massa, o Fordismo, difundido por Henry Ford, que introduziu o conceito de linha de montagem na indústria de automóveis, fator que influência toda uma cultura de produção na industrial até os dias atuais.

Nesse mesmo período surge uma nova demanda, promover mudanças rápidas nos produtos para manter o interesse dos consumidores, ao qual ficou conhecido como “styling”7, e posteriormente o funcionalismo internacional, conceitualizados na racionalização e universalização dos produtos.

Com o capitalismo e a produção em massa, forças de expansão e uniformização das técnicas e tecnologias e dos artefatos gerados pela indústria globais são constantes, porém forças opostas de personalização e adaptação também se fortalecem como forma de diferenciação e identificação, gerando novas demandas e novos mercados.

Como exemplo dessa busca pela identificação e personalização, podemos citar: o uso de “meinhas para celular”, o “turning”8 de automóveis, os adesivos para bolsas, a costumerização de roupas... e também a adaptação de equipamentos industriais, inicialmente produzidos para uma finalidade a partir de seu fabricante e que são modificados para atender as necessidade e aos contextos locais através de uma tecnologia particular que chamaremos de “criatividade”.

Segundo Ono (2006), o design clama pela inovação ao mesmo tempo em que mantém um estreito vinculo com a realidade, não podendo se desvincular dos contextos históricos, sociais e culturais.

Para Baudrillard (1997) “a mundialização das trocas põe fim a universalização dos valores”. Os produtos estão ficando cada vez mais “mundializados”, ou seja, estão passando a ser mais uma matéria de mercado, para troca de produtos por dinheiro, do que voltados para a humanidade. Essa visão levanta um ponto importante que deve gerar uma reflexão entre os

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É uma filosofia de design que visa tornar os produtos atraentes aos consumidores.

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designers, precisamos desenvolver produtos que possam vencer não apenas as distâncias, mais que possam estar adaptados às diferenças culturais dos mercados consumidores, ou melhor, das pessoas.

Com esse intuito surge uma nova metodologia, a colaborativa, facilitada pelos novos meios de comunicação, como a internet, a videoconferência, as redes de comunidades, os softwares e ferramentas específicas de visualização e comunicação, que utilizam quase sempre de protótipos virtuais e ferramentas CAD para compartilhar conceitos e opções de design (ver figura (3)). Nessa metodologia escritórios e equipes de designers em pontos diferentes do planeta estão conectados a uma só idéia, a troca informações e conhecimentos fundamentais ao desenvolvimento e adaptação dos produtos as pessoas, as culturas, as tecnologias e aos diversos e diferentes mercados consumidores.

Figura (3) o uso de protótipos através de aplicativos voltados para metodologia colaborativa (fonte: Elliott, 2003)

Segundo Ostergaards e Summers (2003), os conhecimentos e informações adquiridos no processo colaborativo são aplicados nas fases de design para reconhecimento das necessidades, definição do problema, análise e otimização, avaliação e apresentação.

Allen et al (1999) o ambiente colaborativo tem sido uma ferramenta de grande importância para o design de sistemas complexo, o que ajuda o time de designer a vencer problemas associados à separação geográfica dos participantes, em diversos ambientes e com dados heterogêneos, facilitando o consenso para a tomada de decisões.

A intensificação da produção e da competição entre as indústrias, em um contexto global e local, a diminuição dos ciclos dos produtos, o aumento da exportação e importação de produtos entre os países, a difusão das tecnologias, redução de preços e segmentação de mercados,... geram também uma intensificação de desenvolvimento de técnicas, tecnologias e metodologias buscando acelerar e reduzir gastos no desenvolvimento de produtos, pois hoje, diminuir a distância entre a necessidade, concepção e lançamento do produto

no mercado pode representar a diferença entre o seu sucesso ou fracasso. Segundo Elliott (2003), esses são alguns dos motivos que tem levado cada vez mais indústrias a utilizar o design colaborativo.

Dessa forma, nesse contexto globalizado, o surgimento de uma nova tecnologia, o desenvolvimento de novas técnicas ou metodologias,... geram uma grande influência nas organizações “mundializadas”, estabelecendo constantemente a reordenação e reorganização das mesmas como forma de adaptação as dinâmicas tecnológicas e de mercado, como questão básica de sobrevivência.

Sendo assim, os protótipos se apresentam como uma importante ferramenta comunicativa estratégica. Através dos protótipos, os diversos atores do processo de desenvolvimento de produtos, designers, usuários, clientes, engenheiros, profissionais de marketing, produtores,... formadores de subculturas dentro de uma organização produtiva e da sociedade, ou seja, com diferenças linguagem, hábitos, conhecimentos, ... podem estabelecer uma linguagem comum e compartilhar opiniões, críticas, sugestões, análises,... importantes para a evolução do produto, diminuição de tempo e custo do processo.

Segundo Hartmann (2006) O protótipo é o meio pivô de estruturação da inovação, colaboração e criatividade em design. Escritórios de design se orgulham de seus protótipos dirigidos pela cultura, pois acreditam que criando protótipos os designers compreendem os problemas que eles precisam resolver. A reflexão dessa prática de suporte e avaliação do design compreende o “trabalhar através” e o “pensar através” como pontos onde as ações físicas e cognitivas são interconectadas. Dessa forma, produtos de design de sucesso resultam a partir de uma série de “conversações como o material”. Fazendo com que a atividade de “pensar através do fazer”, realizada através das interações, passe a ser o conceito central do processo de design.

Segundo Schrage (1996), o design emerge de uma influência mútua entre uma nova idéia, definida em requisitos projetuais e a tentativa em fazer que os protótipos atendam a esses requisitos. Através dessa relação podemos confirmar se uma idéia de design poderá se tornar um produto de sucesso ou não. De forma semelhante, tem sido a relação entre a teoria e prática experimental ao longo da história. Estabelecer um diálogo entre a teoria e prática e entre a especificação e protótipo, define a cultura do físico ou a cultura da prototipagem. Essa cultura é fundamental para o avanço da ciência e do design respectivamente.

Schrage define que as companhias são dirigidas por cultura de especificação ou por cultura de protótipo. Em grupos como: IBM e AT&T, que precisam gerenciar muitas informações e investem pesado em pesquisas de mercado antes de iniciar a fase de protótipo, chamamos de cultura de

especificação, ao passo que as companhias que precisam obter um feedback de

informações de um produto no mercado antes do produto final ou que trabalham em torno de produto conceito, chamamos cultura de protótipo.

Quando esse diálogo entre as especificações dos requisitos projetuais e a experimentação prática dos protótipos não é gerenciada corretamente em um processo de design, podemos desperdiçar muitas horas de trabalho até verificar, através dessas provas, que a idéia ou conceito de design é inválido, impossível de se produzir ou de se implementar.

Um ponto importante na cultura de prototipagem é a visão qualitativa e quantitativa que os produtos podem ter. Essa relação define muitas vezes o modo como os produtos são desenvolvidos nessas organizações. Organizações que visam ser inovadoras procuram utilizar uma metodologia baseada no protótipo definindo especificações e não o oposto. Dessa forma, organizações que desejam construir os melhores produtos exploram e estudam como construir os melhores protótipos. A visão que produtos inovadores surgem de equipes inovadoras e o reconhecimento que protótipos contribuem para a geração de equipes inovadoras, desloca a atenção para o uso de protótipos dentro do processo de design. Isso poderia ser explicado pela importância dos protótipos como plataforma de comunicação dentro de uma equipe de design que o utiliza para compreender as diversas funções do produto que precisam ser corretamente avaliadas, e são, a partir de protótipos que possam comunicar essas funções de forma eficiente.

Podemos afirmar que a cultura das organizações influencia os produtos desenvolvidos por elas. Culturas oriental e ocidental, por exemplo, possuem modelos organizacionais diferenciados e isso reflete diretamente nos produtos desenvolvidos por elas. Através desses produtos é possível identificar os valores culturais presentes neles. De forma semelhante os protótipos refletem o pensamento, a prática coletiva e estrutura organizacional das empresas produtoras, através de processos formais e atividades informais de prototipagem.

Como exemplo, podemos citar a indústria de automóveis americana General Motors. Nela, automóveis eram desenvolvidos através de um processo de mockups em argila, que dificultavam qualquer nova intervenção no modelo depois de pronto. No mesmo período, no Japão, a Toyota passava a desenvolver modelos virtuais que permitiam realizar mudanças diretamente na

interface dos computadores. Esses posteriormente poderiam se materializar através de um processo automatizado de impressão 3D. Em apenas 40 dias protótipos físicos feitos em argila na escala 1:4 estavam prontos e poderiam ser utilizados para realização de novos testes. Os resultados desses testes podiam ser atualizados no modelo 3D e gerar novos modelos impressos, e assim, o processo se repetia em ciclos iterativos evolucionários, até o produto final ficar definido.

A partir desse exemplo, vemos como as indústrias precisam ser inovadoras e conectadas ao contexto global. Dessa forma, hoje as organizações estão apostando no aumento quantitativo dos ciclos iterativos de desenvolvimento de protótipos, como forma de aumento qualitativo dos produtos. Com vista nisso, estão instituindo um processo de prototipagem através de planilhas programadas, denominada por Schrage de “prototipagem periódica”, que permitem uma avaliação da evolução do produto por ciclos, dando ao gestor uma ferramenta eficiente de medida do progresso do produto. Essa metodologia vem redefinindo a cultura de prototipagem.

Estimulado por essas novas demandas e como resultado delas, nos anos 80 surge a nova tecnologia da prototipagem rápida. Segundo Gebhardt (2003), em 1995, apenas 6 anos após ter sido instalada a primeira máquina de estereolitografia na Europa, o processo de prototipagem rápida passa a ser utilizado efetivamente como ferramenta capaz de melhorar e acelerar o processo de desenvolvimento de produto. Isso fez com que entre 1995 e 1997 o número de sistemas vendidos já houvesse duplicado. Hoje essa tecnologia exerce sua influência global no processo de design da indústria, modificando metodologias e técnicas de desenvolvimento e avaliação de produtos.

A complexidade gerada por todas essas forças: sustentáveis, culturais, tecnológicas, produtivas, sociais, políticas, locais e globais, tornam cada vez mais o processo de design uma atividade complexa. Isso exigirá uma reformulação da metodologia de design e o domínio de ferramentas que permitam incorporar todos esses dados na configuração dos artefatos. Acreditamos que nesse cenário complexo onde uma das principais virtudes do designer será o fato de estar simultaneamente conectado ao tecnológico e ao humano, ao global e ao local, os protótipos poderão dar uma importante contribuição.