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The Recording Function

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Em uma rotina fluida, o uso dos vídeos também tem sua fluidez, seja na periodicidade de produzi-los ou no desprendimento de um formato pré-estabelecido - seja ele qual for: de documentário, telejornalismo, cinema etc. Com décadas desde o seu surgimento, o vídeo em si não representa uma novidade para nenhuma mídia ou jornalista, no entanto, diante das múltiplas possibilidades que ele oferece, são grandes os desafios para conseguir torná-lo parte das narrativas contemporâneas nas mídias independentes. Isso se deve a alguns entraves, sendo que, das sete mídias estudadas, todas apresentam lógica semelhante ao lidar com as produções audiovisuais.

No Congresso em Foco, os vídeos são resultado de uma decisão normalmente tomada no desenrolar do acontecimento. Sem periodicidade definida, os vídeos são feitos de forma improvisada, ou seja, sem edição:

São coisas muito pontuais. [...] No celular mesmo. Por ser um veículo independente, a gente acha que tem uma certa condescendência por parte do público, assim, às vezes na qualidade de um material, de um vídeo que a gente publica. O público não espera que vai ter ali, poxa, padrão G1, Uol, enfim, não vai ter aquele vídeo (informação verbal)158.

155 Entrevista gravada do editor do Congresso em Foco, Edson Sardinha, concedida para a pesquisa no dia 07 fev.

2019. A entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice A desta dissertação.

156 Entrevista gravada da editora do Nexo Jornal, Olívia Fraga, concedida para a pesquisa no dia 21 mar. 2019. A

entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice F desta dissertação.

157 Entrevista gravada da editora da Repórter Brasil, Ana Magalhães, concedida para a pesquisa no dia 05 fev.

2019. A entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice G desta dissertação.

158 Entrevista gravada do editor do Congresso em Foco, Edson Sardinha, concedida para a pesquisa no dia 07 fev.

Além dos vídeos, as imagens no Congresso em Foco também são pensadas caso a caso. Sardinha diz que eles não têm fotógrafo, portanto, quando há um evento importante, o jornalista que está cobrindo faz fotos, “muitas vezes usa foto de agências, do Senado, da Câmara, da Agência Brasil” (informação verbal)159. O mesmo com os vídeos.

Em determinado momento você tem alguma confusão, vamos lá, grava algum vídeo do que tá acontecendo. Ou uma entrevista. Vamos fazer uma entrevista rapidinho, vamos fazer em vídeo. Mas assim, nunca foi uma estrutura muito profissional, digamos assim. Um acabamento. É uma coisa meio feito ali por nós. Meio que na garra mesmo (informação verbal)160.

Apesar disso, o resultado é de uma configuração mais próxima àquela usada em redes sociais, como o Instagram Stories, do que da televisão, por exemplo.

E é uma coisa interessante, o vídeo que foi a publicação de maior audiência da história do site é a coisa mais tosca possível que a gente publicou.161 E foi eu que fiz

coincidentemente. Estava tendo uma briga no Conselho de Ética, eu acho, a cassação de algum parlamentar, e dois deputados começaram a se estapear. E eu estava na redação assistindo pela Globo News, e aí a Globo começou a repetir aquilo. E aí eu gravei imagens da Globo News, e botei antes deles mesmos botarem. E o negócio teve mais de 6 milhões de visualizações o vídeo. Assim, e era imagem ruim, não estava no local. Foi pelo furo, pela instantaneidade. Quer dizer, e pela coisa, briga sempre chama atenção. Muitas vezes você faz uma coisa elaborada e não dá retorno. Então é difícil. Ainda é muito difícil saber assim como atrair o público. A gente faz muita aposta que não dá certo. É muita tentativa e erro (informação verbal)162.

A ausência de um fotógrafo também é sentida pela editora do Nexo Jornal. Olívia Fraga diz que eles usam bancos de imagens. Essa falta do profissional se reflete, segundo ela, na dificuldade em produzir uma reportagem, que é um modelo que o veículo foi abandonando. “As ilustrações são a própria equipe de dados que faz. Tem um menino que faz captação de vídeos, pros vídeos que a gente faz toda semana e tal. Ele faz fotos também. Mas são fotos institucionais”. A justificativa, de acordo com Olívia, é que a reportagem é uma modalidade que demanda muito dinheiro e tempo e, por isso, não é um formato amplamente utilizado pelo Nexo (informação verbal)163.

Sobre o processo de produção de um vídeo, a editora diz que ao pensar em um assunto, a equipe vê qual a melhor maneira de contar aquele assunto. Isso inclui o tempo, se será um

159 Entrevista gravada do editor do Congresso em Foco, Edson Sardinha, concedida para a pesquisa no dia 07 fev.

2019. A entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice A desta dissertação.

160 Entrevista gravada do editor do Congresso em Foco, Edson Sardinha, concedida para a pesquisa no dia 07 fev.

2019. A entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice A desta dissertação.

161 Disponível em:

https://www.facebook.com/congressoemfoco/videos/917192765025458/?v=917192765025458.

162 Entrevista gravada do editor do Congresso em Foco, Edson Sardinha, concedida para a pesquisa no dia 07 fev.

2019. A entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice A desta dissertação.

163 Entrevista gravada da editora do Nexo Jornal, Olívia Fraga, concedida para a pesquisa no dia 21 mar. 2019. A

vídeo de cinco ou três minutos, por exemplo. No entanto, o redator responsável tem papel central nesse processo, “passa por uma edição, mas o próprio cara vai aparecer no vídeo, vai fazer um roteiro e vai botar no ar. Você tem um acompanhamento disso” (informação verbal)164. Olívia explica que o redator só não edita o vídeo, mas acompanha todo o processo. “Sugeriu a pauta, é o teu produto que vai estar no ar. Isso é muito legal. [...] Então ele [o redator] escreve, ele mesmo narrou, que é um formato que a gente usa também, e o vídeo é dele. Ele tem que aparecer no final” (informação verbal)165.

Quanto à periodicidade dos vídeos no Nexo, Olívia diz que: "Tem, tem. A gente está tentando cumprir todos os prazos. Que às vezes é muito difícil fazer tudo encontrar. A gente tenta fazer um por mês desses grandes. [...] Um por mês desse tipo. Os do Charlot, que é o resumo da semana, toda sexta-feira. Podcast depende do podcast. “Durma com essa” é todo dia, de segunda a quinta. De uma vez a cada mês, a gente tem o “como começar”. Eu fiz o último que era como começar a ouvir música clássica. Então, tem uma vez por mês. Tem um outro que é o politiquês toda segunda-feira, que é de política. Tem mais algum? Tem as minibills, eu fiz uma vez da Jeny Doll, a Pina Bauch é uma minibill também. Então, assim, eu acho que tem que ter dois vídeos por mês. Ou uma entrevista e uma minibill, e podcast são vários, sei lá. A gente tem uns oito por mês, fora o Durma com essa que é todo dia. É grande. E a gente vai fazendo um revezamento na equipe. E aí tem matéria que em vez de ficar um textão vira um semiespecial, com mais exploração das imagens" (informação verbal)166.

Embora produza vídeos e tenha uma redação relativamente maior que a de outras mídias independentes, o Jota conta com uma equipe maior de jornalistas e nenhum profissional voltado ao design ou produção de vídeos. Tal realidade pode, de alguma forma, ser considerada um desafio dentro de uma mídia estruturada. Segundo Gabriela Guerreiro, em linhas gerais, “vídeo é uma coisa que a gente faz”. Mas não há um setor e uma organização necessariamente prévia para isso.

é o repórter que está lá, no celular. Porque a gente tem o Jota nas redes sociais também, então tem muita coisa que vai pro Twitter ou que vai pro Instagram do Jota, que foi o repórter que filmou, que fotografou (informação verbal)167.

164 Entrevista gravada da editora do Nexo Jornal, Olívia Fraga, concedida para a pesquisa no dia 21 mar. 2019. A

entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice F desta dissertação.

165 Entrevista gravada da editora do Nexo Jornal, Olívia Fraga, concedida para a pesquisa no dia 21 mar. 2019. A

entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice F desta dissertação.

166 Entrevista gravada da editora do Nexo Jornal, Olívia Fraga, concedida para a pesquisa no dia 21 mar. 2019. A

entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice F desta dissertação.

167 Entrevista gravada da editora do Jota, Gabriela Guerreiro, concedida para a pesquisa no dia 07 fev. 2019. A

Em relação à necessidade de edição, quando ela existe, Gabriela explica que é um trabalho de designer gráfico que eles terceirizam, sendo esse um dos objetivos do veículo: “ter um designer específico que possa botar mais bonitinho no site” (informação verbal)168. Nos mesmos moldes do Congresso em Foco e do Nexo Jornal, o Jota também trabalha com bancos de imagens. “Como a gente trabalha muito com informação oficial, e com a justiça, todos têm praticamente banco de foto. Então, não precisa de alguém cobrindo. Têm bancos públicos de foto. Uma coisa que a gente não tem é fotógrafo” (informação verbal)169.

Para Ana Magalhães, da Repórter Brasil, o departamento de arte da Folha a deixa com saudades. Na Repórter Brasil, todo o trabalho de design e vídeos funciona por meio de freelas. Ana diz que há algum tempo está com um designer de freelancer170. “Ele é rápido. Ele é muito bom. [...] Então pra mim é muito mais barato. E olha que a gente paga ele bem. [...] Mas pra mim é muito mais inteligente talvez terceirizar. [...] Ele entende quando eu faço as críticas e peço sugestões. Ele muda na hora.” Segundo Ana, no dia a dia, poucas são às vezes em que o material é reeditado diante da afinidade adquirida entre as partes. Quando questionada sobre um aumento de orçamento na Repórter Brasil e a possibilidade de fazer novas contratações, Ana descarta contratar um designer ou editor de vídeo e diz preferir um jornalista. Tal posicionamento reflete, ainda que mínima e inconclusivamente, como um jornalista ainda é a prioridade de mídias independentes, ou até mesmo como os espaços de conteúdos multimidiáticos e audiovisuais ainda não foram universalmente conquistados, seja pela pouca quantidade de produções dessas naturezas, seja pelo custo desses profissionais. “Se eu tivesse dinheiro eu iria contratar um jornalista, um editor. [...] Algumas coisas assim são muito fáceis de terceirizar. Um designer é muito fácil. Um cinegrafista também não vale a pena a gente ter fixo, porque nem sempre a gente vai ter um trabalho” (informação verbal)171.

Embora não seja uma prioridade, quando o assunto é contratação de um profissional, a jornalista diz que a Repórter Brasil tem uma preocupação com o vídeo, por achar que as pessoas não leem mais. O dilema, no entanto, está relacionado à distribuição. Segundo Ana, o Facebook, por exemplo, já não é um bom canal para isso172.

168 Entrevista gravada da editora do Jota, Gabriela Guerreiro, concedida para a pesquisa no dia 07 fev. 2019. A

entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice C desta dissertação.

169 Entrevista gravada da editora do Jota, Gabriela Guerreiro, concedida para a pesquisa no dia 07 fev. 2019. A

entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice C desta dissertação.

170 Freelancer, também conhecido popularmente no Brasil pelas expressões ou gírias freela ou frila, é o termo

inglês para denominar o profissional autônomo que se autoemprega em diferentes empresas ou, ainda, guia seus trabalhos por projetos, captando e atendendo seus clientes de forma independente.

171 Entrevista gravada da editora da Repórter Brasil, Ana Magalhães, concedida para a pesquisa no dia 05 fev.

2019. A entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice G desta dissertação.

172 Os usuários do Facebook têm relatado declínio no alcance orgânico de suas páginas. Segundo Caro Samsing

Sobre o modus operandi de produção dos vídeos, Ana Magalhães acredita ser muito mais horizontalizada e informal do que na grande mídia, embora seja muito parecido.

Na Folha de S.Paulo eu não tenho ideia de como que é o núcleo de vídeo, mas o editor deve sentar e deve fazer um negócio muito mais verticalizado, entendeu? Eu imagino que ele faça um processo muito mais vertical e autoritário, muito menos coletivo de brainstorm. [...] Como eu não sou uma grande entendedora de vídeo, eu tenho mais humildade de falar ‘gente, quero a opinião de vocês’, ‘O que vocês acham? Eu acho que falta uma coisa forte. Vamos descobrir juntos?’ e a gente acabou descobrindo juntos e a gente vai tentar, juntos, uma outra possibilidade e vamos ver se vai dar certo, pode não dar certo. Então, nesse aspecto é muito mais informal, muito mais horizontal, a redação é muito mais horizontal, e eu acho que isso muda muita coisa (informação verbal)173.

Um dos exemplos que ela cita é o vídeo sobre o rompimento da barragem de Brumadinho174.

Nós contratamos o Caio. O Caio é um freelancer que trabalha com a gente. Eu gosto muito do trabalho dele. Contratamos o repórter e mandamos os dois para Brumadinho. Eles ficaram uma semana. Quem vai fazer a edição? E eu pago o próprio Caio. Quem vai editar o vídeo é o Caio. E eu peço para ele também me dar um primeiro corte. Um primeiro corte é um pré-roteiro, vai. Não é um roteiro, mas é um pré-roteiro. Como é ele que está em campo, ele sabe o que que ele tem, eu acho que a melhor pessoa para me mostrar o que ele tem de melhor é ele. Eu peço um primeiro corte. Esse primeiro corte ele é rediscutido internamente, eu e a Ana Aranha175. Aí o roteiro é nosso. Então têm algumas partes que é o coração, algumas

partes que são muito o coração do produto, do que a gente está fazendo, fica com a gente. Então, por exemplo, a Pública, a Agência Pública, ela às vezes contrata um editor freelancer para editar os textos. Eu não faço isso. Eu me mato de trabalhar. Ontem eu fiquei editando uns textos até meia-noite, mas eu não terceirizo, por conta disso. É o coração. A edição do texto é a alma do negócio. É o que dá o tom. É o que dá uma construção narrativa. E eu não terceirizo isso (informação verbal)176.

começaram a perceber a situação em massa (e reclamar), provocando uma resposta do vice-presidente de Tecnologia de Publicidade do Facebook, Brian Boland."

Disponível em <https://br.hubspot.com/blog/marketing/declinio-alcance-organico-facebook>. Acesso 2 ago. 2019.

173 Entrevista gravada da editora da Repórter Brasil, Ana Magalhães, concedida para a pesquisa no dia 05 fev.

2019. A entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice G desta dissertação.

174 Brumadinho é um município brasileiro no estado de Minas Gerais que ficou conhecido, em 25 de janeiro de

2019, devido ao rompimento de uma barragem. O evento foi um dos maiores desastres com rejeitos de

mineração do Brasil. O vídeo citado por Ana Magalhães, que registra desdobramentos deste episódio histórico, está disponível no site da Repórter Brasil e no YouTube do veículo. Links disponíveis:

https://reporterbrasil.org.br/2019/02/em-luto-e-com-odio-da-vale-brumadinho-teme-futuro-sem-mineracao/ e https://www.youtube.com/watch?v=7laNJ4zPQbw.

175 Ana Aranha também é editora da Repórter Brasil. Ela é repórter investigativa e documentarista, tem 11 prêmios

de jornalismo, entre eles dois GPs Ayrton Senna, uma menção honrosa no Vladimir Herzog e dois HSBC/Jornalistas e Cia. Formada em jornalismo pela USP, começou como repórter na revista Época e desde 2011 se dedica ao jornalismo independente, colaborando para diversos veículos (e veículos diversos) como The Guardian, El Mundo, agência Pública, Veja, Rolling Stone, Marie Claire e GQ. https://reporterbrasil.org.br/expediente/

176 Entrevista gravada da editora da Repórter Brasil, Ana Magalhães, concedida para a pesquisa no dia 05 fev.

Preocupados com a linguagem e em tornar o produto que eles produzem acessível, a editora do The Intercept Brasil, Tatiana Dias, explica que a equipe não é só feita de jornalistas. “Tem uma equipe de arte, tem o diretor de arte, o designer. Eles fazem as soluções de imagens” (informação verbal)177.

Essa preocupação com a linguagem, que inclui “escrever fácil para ser acessível”, ela explica, tem a ver com a maioria do público do The Intercept Brasil ser composta por jovens. “Então, a gente tenta fazer com que o cara que acabou de sair do Ensino Médio consiga entender e se importe por aquele assunto que a gente tá falando. Por mais que seja chato, a gente quer deixar menos chato. A gente se importa pra caramba com ilustração” (informação verbal)178. Por conta disso, o conteúdo produzido pela mídia inclui até memes179, e dificilmente as reportagens são exclusivamente compostas por texto, sendo os recursos multimidiáticos amplamente utilizados. “A gente tenta empacotar a história de um jeito diferente pra chegar em diferentes lugares. [...] A gente quer chegar no cara que tá nos stories do Instagram, a gente quer chegar no cara que tá no Twitter. A gente quer chegar no cara das newsletters” (informação verbal)180.

O processo de produção de vídeos, por exemplo, assim como na maioria das mídias selecionadas, à exceção do Estúdio Fluxo, varia conforme as demandas. Para exemplificar, Tatiana conta o processo produtivo de dois vídeos, um deles sobre o Xingu181, e outro sobre o espaço cedido pela Igreja Universal, a empresa de Bitcoin acusada de sumir com o dinheiro de clientes182.

Essa dos indígenas, por exemplo, eu queria fazer essa pauta, conversei com uma amiga minha que trabalha no Xingu, que é jornalista também, ela falou ‘eu topo, vou pra lá. Tem uma amiga minha que grava’. O roteiro a gente fez junto. Ela montou e mandou o vídeo pra gente montado. Às vezes acontece de só gravar, a gente monta o roteiro na casa, na redação, a gente tem uma editora de vídeo. Às vezes, depende. Essa outra que eu acho muito legal também a gente fez em parceria com a Énois183,

que é uma ONG aqui de São Paulo que ensina jornalismo nas periferias. Dois alunos da Énois foram num culto da Universal uma vez e acharam superestranho o esquema

177 Entrevista gravada da editora do The Intercept Brasil, Tatiana Dias, concedida para a pesquisa no dia 31 maio.

2019. A entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice H desta dissertação.

178 Entrevista gravada da editora do The Intercept Brasil, Tatiana Dias, concedida para a pesquisa no dia 31 maio

de 2019. A entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice H desta dissertação.

179 Nas redes sociais, a expressão “meme” é usada para se referir a qualquer informação que viralize, sendo copiada

ou imitada na rede. Normalmente esse conteúdo são imagens, vídeos ou gifs engraçados.

180 Entrevista gravada da editora do The Intercept Brasil, Tatiana Dias, concedida para a pesquisa no dia 31 maio.

2019. A entrevista na íntegra encontra-se transcrita no Apêndice H desta dissertação.

181 Reportagem citada pela entrevistada, disponível em: https://theintercept.com/2018/07/28/kaiowaa-maes-

filhos/.

182 Reportagem citada pela entrevistada, disponível em: https://theintercept.com/2019/05/05/universal-empresa-

bitcoin/.

183 A organização não governamental (ONG) Énois é uma escola e agência de jornalismo que usa o jornalismo

do culto da prosperidade. Começaram a assistir uns vídeos e descobriram que num desses vídeos o menino foi lá e testemunhou falando que estava enriquecendo com Bitcoin. Eles acharam isso muito estranho. Na verdade, eles foram no culto, quando saíram da Universal o pastor falou ‘ah, eu peço que vocês fiquem de olho, as oportunidades aparecerão’. E quando eles saíram, entregaram o cartão de uma empresa. E eles pensaram: ‘o que é isso né?’. E eles começaram a investigar, começaram a puxar o novelo e começou a sair um monte de coisa doida assim. Eles passaram um ano investigando esse negócio. E foi uma investigação muito de molecada, pelo Instagram. E aí a gente decidiu gravar a história com eles em vídeo também falando. Meio que abrindo como foi a apuração. Eles contam a história. Detalhe, o vídeo foi removido. Derrubaram o vídeo no Facebook e no YouTube. (informação verbal)184.

Na Mídia Ninja, o olhar para o conteúdo multimídia é tratado com muito cuidado. Desde as imagens até o vídeo, toda a estética é pensada, explica a fundadora da Mídia Ninja, Marielle Ramires.

O design é superimportante. Inclusive, a gente tem um projeto encubado, novo, que chama Designers Ativistas. [...] Falamos que na maneira de contar a história, a estética é fundamental. A estética é um processo político também né. E como a gente faz pra ampliar, as pessoas querem ter conteúdo imagético também (informação verbal)185.

Marielle explica que nos mesmos moldes de outras pautas, a cobertura em vídeo tem

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