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PARTIE IV : Prise en charge thérapeutique

IV- 3 Autres thérapeutiques

Durant e a nossa imersão no Colégio Port inari, apenas um dos professores de Hist ória, C. F. , que dá aula para os alunos do Ensino Médio sobre Hist ória Cont emporânea, se dispôs a most rar individualment e o mat erial inst rucional mult imídia que ele usa em seu curso.

C. F. é graduado em Hist ória pela Universidade Federal da Bahia, onde se formou em 1990. No início do segundo ano do curso, t ornou-se professor do Ensino Fundament al 2 do Colégio Drummond, como subst it ut o de uma professora que ent rou em licença gest ant e, de abril a set embro. No final desse período, seus alunos f izeram um abaixo-assinado pedindo à direção da escola para mant er o professor. Result ado: C. F. lecionou mais quat ro anos no Drummond. E assumiu t ambém aulas no Ensino Fundament al 2 e Ensino Médio no Colégio Apoio. Nessa inst it uição, foi professor da sobrinha do dono do Colégio Sart re. Foram t ão elogiosos os coment ários da menina ao prof essor de Hist ória que o t io resolveu conhecer C. F. Est ava abert a a port a de ent rada para o professor em mais duas escolas part iculares de Sal vador: Colégio Sart re e Colégio Port inari. Isso foi há 14 anos. Hoj e, C. F. é prof essor exclusivo do Port inari, onde pôde assumir mais aulas depois de sair do Sart re.

Esse j ovem professor, que complet a 43 anos em 2008, considera-se um “ analf abet o em comput ador” . Mas t em consciência de que não é possível dar aulas baseadas em “ lousa-e-voz” para alunos que usam comput ador desde a mais t enra idade. “ Se a gent e não se modernizar, f ica para t rás.” — admit e o professor. Por isso, C. F. passou a usar recursos mult imídias em suas aulas. Ant es de o Port inari dispor de lousa elet rônica, C. F. t inha de recorrer a vários equipament os para execut ar as mídias escolhidas para seus alunos: gravador para áudios de música, TV e videocasset e (e depois aparelho de DVD) para vídeos, comput ador mult imídia para seqüências de Power Point .

O uso da lousa elet rônica simplificou esse processo, porque por meio unicament e dela é possível acessar t odas essas mídias. Além de facilit ar a

organização dos recursos mult imídias ut ilizados em sala de aula, o uso da lousa t ambém t rouxe uma vant agem adicional: permit iu a int egração das mídias, incorporadas numa sequência de Power Point , apresent adas como element os de um mesmo conj unt o. Sobre o papel do professor em sala, C. F. afirmou que j á at uava como orient ador, como t ut or dos alunos, ao incent ivar discussões, reflexões e sist emat izações de cont eúdos. A incorporação de recursos mut imídias — e da lousa elet rônica — foi uma ação nat ural, coerent e com essa dinâmica de aula.

Com evident e orgulho de sua produção — concebida por ele e execut ada pelo funcionário que o colégio cont rat ou para isso —, passamos cerca de duas horas numa sala analisando j unt os est e mat erial e a maneira como ele é usado por C. F.50

Segundo o prof essor, a maioria de suas aulas é dada com algum mat erial mult imídia. Assim como seus colegas de out ras disciplinas, C. F. preparou uma sequência de eslaides de Power Point , cada qual dedicado a um grande t ema de Hist ória. Dent re essas sequências, duas referem-se à análise de livros de Lit erat ura cuj o t ema relaciona-se com a disciplina.51

Uma sequência de eslaides pode ser usada em um número bast ant e flexível de aulas, em função do cont eúdo disponível e da abrangência da t emát ica. Há sequências que são passadas int egralment e em uma única aula — caso das sequências sobre os livros de Lit erat ura —, há sequências que levam at é t rês semanas para serem vist as. Da mesma forma, há aulas em que o uso de mult imídia ocupa 10 minut os e out ras em que se gast am mais de 30 minut os com ela.

A seguir, descrevemos brevement e a est rut ura de cada sequência criada por C. F. (t abela 1).

50

Maisdois prof essores, um de Química e out ro de Mat emát ica, nos most raram mat erial mult imídia que usam e não usam em sala de aula, respect ivament e. O professor de Química most rou t rechos de animações e vídeos selecionados por ele; j á a professora de Mat emát ica most rou-nos um cont ra-exemplo: um mat erial mult imídia que, segundo ela, não é adequado, porque é fechado, não permit indo cust omização, nem int erat ividade. Apenas C. F. most rou várias mensagens inst rucionais mult imídias, com explicação de como as ut iliza em sala de aula. Essa é a razão pela qual dedicamos esse capít ulo à análise do uso de mult imídia em aula de Hist ória.

51

Tabela 1. Sequências mult imídias de Hist ória Cont emporânea

Nome Número de

eslaides Tipos de recurso mult imídia

5 • 2 mapas

9

• 2 mapas

Trecho do f ilme Pearl Harbor

Trecho de f ilme (Os úl t imos dias de Hit l er)

• Cenas em vídeo de explosões nucleares com áudio de canção (Rosa de Hi roshima) 7 • Trecho de f ilme • 2 f ot os 4 • 3 f ot os 4 • 1 f ot o 12 • 2 f ot os

• Clipe com f ot os do Brasil na 2a. Guerra Mundi al, algumas legendadas, com áudio

• Clipe com várias f ot os da Revol ução Const it ucionalist a, mais t rilha com canção cuj a l et ra enalt ece esse moviment o polít ico

• Trecho de f ilme sobre Vargas

12 • 10 f ot os

26

• 3 mapas

Trechos do f ilme Adeus, Lênin

Trechos do f ilme 13 dias que abal aram o mundo

• Trecho de document ário

• Clipe com cenas em vídeo da Guerra do Viet nã, com áudio de canção (Era um garot o que como eu)

• 2 f ot os

Canção Guerr a improvável , paz i mpossível

13 • 3 f ot os

• Cinco t rechos de f ilme sobre nazismo

19

Canção Pr a não dizer que não f al ei de f l ores, com f ot o de Geraldo Vandré

Canções Proibido proibir e London London, com f ot o de Caet ano Veloso

Canções Apesar de você e Cál i ce, com f ot o de Chico Buarque

Canção O bêbado e a equil ibr ist a, com f ot o de Elis Regina

Canção Despedida, com f ot o de Elba Ramalho

36

• 9 f ot os

• Canção com let ra dist ribuída em 4 esl aides

• Clipe com f ot os de Lampi ão e cangaceiros (sem áudio)

• Clipe com f ot os da Revolução de 30 (sem áudio)

• Poemas da Semana de 22

• Pint uras da Semana de 22

37

• Canção com let ra

• 1 t abel a

Trecho de document ário (Uma verdade inconvenient e)

Trecho de animação (Os Simpsons)

• 3 mapas

• Clipe com f ot os sobre a Áf rica com áudio (t rilha)

Trecho do f ilme Amor sem f ront ei ras

7 • 1 il ust ração

• 3 f ot os

De t odas as sequências, há uma que se dest aca, sej a pela riqueza de obj et os mult imídias que explora, sej a pelo uso didát ico desses mesmos obj et os. Em Segunda Revolução Industrial e o Imperialismo, a sequência inicia com uma canção cuj a let ra se refere ao cont eúdo. Nesse caso, a int enção do professor é usar mult imídia para fazer um levant ament o de conheciment os prévios, além de mot ivar os alunos para o assunt o:

“ Começando [ a aul a] com a música, eu vou quebr ando o gel o. [ Copiei essa música de] um CD de um hi st or iador que t rabal ha com Hi st ór ia cant ada, G. , [ el e] é daqui de Sal vador . Eu f ui convidado par a o l ançament o desse CD t em uns t rês, quat ros anos. Eu f ui e compr ei o CD. ” (C. F. , prof essor de Hist óri a do Ensi no Médio)

Uma ressalva é a forma pela qual esse eslaide foi concebido (figura 1), porque não se cont empla a t eoria da aprendizagem mult imídia, de Mayer.

Figura 1.

Ao oferecer a mesma informação em duas modalidades simult aneament e (let ra cant ada e escrit a), est ão sendo desconsiderados o pressupost o da limit ação da quant idade de informações (a ser processada de uma vez em cada canal) e o

Princípio da redundância (os alunos aprendem melhor a part ir de animação e narração do que a part ir de animação, narração e t ext o), segundo a t eoria cognit iva da aprendizagem mult imídia.

Por out ras palavras, a l et ra est á sendo oferecida por meio de narração e t ext o impresso. Como o t ext o narrado passa para o canal verbal na memória de t rabalho, há uma sobrecarga nesse canal, que recebe duas vezes a mesma informação. Isso cont raria o Princípio da redundância. Port ant o, melhor seria se se eliminasse o t ext o escrit o, subst it uindo-o, por exemplo, por um clipe const ruído com imagens ilust rat ivas da ideia t ransmit ida pela let ra (figura 2). Assim, t eríamos o uso dos dois canais, sem a sobrecarga de um deles, conforme propõe a t eoria de Mayer.

Figura 2. Mosaico de imagens que poderiam ser usadas em um clipe, para acompanhar o áudio da músi ca Guerra improvável, paz impossível. Com isso, t eríamos uma ani mação visual si mult ânea ao áudio, o que est aria i nt eirament e de acordo com o pressupost o do limi t e da quant idade de informação e com o Pri ncípio da Redundância.

Coincident ement e, essa foi a primeira sequência mult imídia que nos foi apresent ada pelo prof essor. E o fat o de ela se iniciar com um obj et o mult imídia que permit ia o levant ament o de conheciment os prévios, despert ou nossa curiosidade para o seguint e pont o:

A sua sequênci a de mul t i mídi a i ni ci a com al gum obj et o mul t i mídi a que é i nt r odut ór i o. Em t odas el as é assi m?

Depende da aula, depende do t ema, do que eu quero e do que eu disponho. Por exemplo, na aula de República Velha não começo com a música, mas eu t enho uma música fant ást ica que faz uma análise. (.. .) Ent ão, quando eu est ou sozinho ou est ou com o professor de lit erat ura... É aquela música de Zé Geraldo, Cidadão. A gent e j á começa a f azer a análise em cima do t ít ulo: que cidadão é esse? Esse cara não é cidadão porque o direit o de cidadania foi negado a ele t ant o quando ele est ava na zona rural , como foi negado t ambém quando veio para a cidade. Ent ão, o t ít ulo começa dessa forma irônica, o cara não é cidadão.” (C. F. , professor de Hist ória do Ensino Médio)

De fat o, as músicas são um recurso ut ilizado não só com a função de levant ar conheciment os prévios, mas t ambém para dar início à análise de um event o hist órico e t ambém como fechament o de assunt o, servindo para organizar uma revisão dos principais conceit os vist os com a classe.

“ [Depois de a classe escut ar a música] A gent e vai most rando aquilo que foi falado na let ra, por exemplo, primeira fase da Revolução Indust rial, energia, segunda fase, elet ricidade, pet róleo e derivados, o que isso significa para diversificação de produção, de aceleração do processo produt ivo, de aceleração da comunicação ent re as mais variadas regiões, possibilit ando comércio mais int enso ent re elas. A quest ão do ferro, ut ilização do aço, a gent e faz essa comparação.” (C. F. , professor de Hist ória do Ensino Médio)

Nesse pont o, o professor apresent a um quadro comparat ivo das fases da Revolução Indust rial (figura 3). Mas em vez de dar o quadro pront o, ele poderia const ruí-lo j unt o com a classe. Para isso, bast aria que est ivesse pront a apenas a mat riz do quadro (figura 4), que seria preenchido com a classe com o uso da canet a digit al da lousa elet rônica. Ret omando Condie e Munro (2007), essa ação, marcada por alt a int erat ividade, permit e aos alunos int egrar conceit os, cabendo

ao professor encoraj á-los a responderem aos est ímulos apresent ados, o que aument a a habilidade de comunicação (falar e ouvir), sej a individualment e, em pares ou em grupos.

Figura 3.

Figura 4.

O quadro assim preenchido poderia ser sal vo e disponibilizado para os alunos pelo sít io do colégio ou enviado pelo professor aos alunos por e-mail . Out ra possibilidade é usar o recurso da lousa elet rônica chamado cort ina, que

permit e “ esconder” uma área da lousa e ir descort inando-a conforme a conveniência do prof essor.

Será ent ão o aqueciment o global culpa do desenvolviment o t ecnológico? Ao lançar essa pergunt a na sequência didát ica, o prof essor C. F. inicia out ro subt ema

a relação ent re t ecnologia e meio ambient e. Para subsidiar essa

discussão, são apresent ados à classe dois t rechos do document ário “ Uma Verdade Inconvenient e” . Novament e, t emos o uso de uma font e hist órica secundária, cabendo ao professor explorá-la j unt o com seus alunos. Segundo Wiley e Ash (2005), essa é uma das abordagens possíveis do ensino de Hist ória, que se baseia:

“ (.. .) no ensino de habilidades de indagação ut ilizadas por hist oriadores, e é coerent e com as t eorias const rut ivist as de aprendizado. A perspect iva const rut ivist a propõe que o aprendizado f eit o como uma forma de indagação conduz a uma melhor compreensão do assunt o do que o aprendizado t ransmit ido at ravés de palest ra ou memorização. Em uma sala de aula de Hist ória com est a abordagem, em vez de simplesment e serem mandados a acredit ar em uma única hist ória ou aprenderem o que est á no livro t ext o, os alunos recebem informações de uma variedade de font es e perspect ivas e aprendem os padrões de indagação, invest igação e debat es hist óricos. ” (p. 376) [Tradução nossa.]52

Sobre a inserção de font es hist óricas nas sequências didát icas, not a-se que nem sempre C. F. as ident ifica. Há alguns t rechos de filmes sobre os quais não se informa o t ít ulo, nem o diret or. Em relação a out ras obras de art e, não se cit am o nome do aut or, o nome do cant or, o do escrit or. Não é explicit ada, por exemplo, a dat a de produção, informação especialment e cara para essa disciplina. A ident ificação de font e, norma básica de t oda produção int elect ual, serve, para o aluno, como conheciment o dessa norma e como informação de busca dessas font es em out ras inst âncias. A não-ident ificação das font es t ira do aluno a oport unidades de buscar, por si, informação e conheciment o. Vale ressalt ar que é possível que C.

52

Text o original: “ (...) on t eaching t he skills of inquiry used by hist orians, and is consist ent wit h const ruct ivist t heories of learning. The const ruct ivist perspect ive proposes t hat learning t hat is done as a form of a inquiry leads t o bet t er underst anding of t he subj ect mat t er t han learning t hat is t ransmit t ed t hrough lect ure or memorizat ion. In a hist ory classroom wit h t his approach, rat her t han being simply t old t o believe a single hist ory or learn what is in t he t ext book, st udent s are present ed wit h informat ion f rom a variet y of sources and perspect ives, and t haugh t he st andart s of hist orical inquiry, invest igat ion, and debat e. ”

F. forneça oralment e essas informações aos alunos, durant e a aula, o que não dispensaria o regist ro por escrit o na sequência de eslaides.

Out ro aspect o que merece menção é o fat o de C. F. apresent ar os vídeos de filmes de ficção e document ários com áudio em port uguês, sem legendas. Essa opção

dent re as várias possíveis, como áudio e legenda em port uguês, áudio em

língua est rangeira e legenda em port uguês, e áudio e legenda em língua est rangeira

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