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PARTIE III. L’INFLUENCE DES COMPORTEMENTS MOTEURS SUR LE SCHEMA CORPOREL

1. Les comportements moteurs et le schéma corporel

1.1 Théorie et modèles de l’intention motrice

Como temos visto ao longo deste trabalho, os estudos no âmbito da escrita expressiva proporcionam um extenso conjunto de evidências relativamente às suas implicações positivas a vários níveis. Tendo em consideração este aspecto, parece necessário a existência de um modelo que identifique e integre os mecanismos e processos, através dos quais a escrita expressiva alcançe a eficácia terapêutica.

Assim, com o propósito de colmatar esta lacuna, Kerner e Fitzpatrick (2007) propuseram o modelo da Matriz de Processos de Mudança e de Dimensões Estruturais, permitindo a utilização da escrita como estratégia de intervenção terapêutica. Este modelo tem como objectivo ajudar o terapeuta a tomar decisões sobre como inserir a escrita na sua prática clínica e adapta-la às características e às necessidades dos seus clientes.

Este modelo é composto por duas dimensões (uma horizontal e uma vertical) que identificam os processos de funcionamento e os mecanismos de eficácia da escrita terapêutica. As duas dimensões cruzam-se numa matriz, originando quatro quadrantes (Figura 1 do ANEXO A).

No que diz respeito à dimensão horizontal, esta corresponde aos processos de mudança terapêutica e ao tipo de mudança activada. Existem dois tipos de processos: os processos cognitivo- construtivos e os cognitivo-emocionais. Os processos cognitivo-emocionais são desencadeados quando a escrita é usada para encorajar expressão emocional, o que facilita o processo de mudança do cliente, o desenvolvimento de insights acerca dos eventos e o processo de coping. Escrever activa também processos cognitivo-construtivos, que auxiliam os clientes a criar coerência e a encontrar um significado para o que lhes aconteceu, a aumentar a sua capacidade para trabalhar as suas experiências, assim como a desenvolver narrativas úteis sobre as suas vidas (Kerner & Fitzpatrick, 2007).

Relativamente à dimensão vertical, esta corresponde ao modo de aceder a esses processos, ou seja, diferentes estruturas de tarefas de escrita podem desencadear os processos cognitivo-construtivos e cognitivo-emocionais. Esta dimensão corresponde ao nível de estrutura da tarefa de escrita, que pode variar entre uma tarefa mais concreta e directiva, e outra mais abstracto e susceptível a interpretação,

33 compreendendo as tarefas de diários de pensamentos, escrita programada, autobiografias, journaling, diários de emoções, poesia, memórias e storytelling.

Resumindo, a dimensão vertical refere-se ao modo como a escrita pode ser estruturada, de forma a activar os processos de mudança cognitivo-emocionais que correspondem à dimensão horizontal. As duas dimensões deste modelo são organizadas numa matriz 2 x 2, onde a estrutura da escrita e os processos de mudança se intersectam: 1) processos cognitivo-construtivos desenvolvidos com base em intervenções não estruturadas e abstractas; 2) processos cognitivo-construtivos acedidos através de tarefas com um progressivo aumento de estrutura; 3) processos afectivo-emocionais desencadeados por meio de intervenções não estruturadas e abstractas; e 4) processos afectivo- emocionais acedidos através de intervenções concretas.

Também as diferentes formas de escrita podem situar-se num dos quatro quadrantes, ou seja o journaling e diários de emoções constituem intervenções emocionalmente estruturadas; os diários de pensamentos e a escrita programada são intervenções cognitivamente estruturadas; a poesia e o storytelling são intervenção emocionais e não estruturadas e por último as memórias e autobiografias, memórias são intervenções cognitivamente não estruturadas.

9. Escrita Expressiva e Adolescência

Como foi descrito anteriormente, a adolescência é um período de grandes mudanças e adaptações que se não forem ultrapassadas com sucesso, podem levar a problemas em várias áreas. Assim, não só a intervenção, mas também a prevenção nesta faixa etária surge como factor crucial. A maioria das investigações tem privilegiado o estudo com populações clinicas, sendo raros os estudos que se estendem às populações saudáveis. Estes últimos são importantes no estudo de estratégias preventivas e promotoras do bem-estar. Também no âmbito da auto-revelação emocional em adolescentes e em termos preventivos é importante intervir ao nível da construção de dimensões positivas no funcionamento psicológico (Soliday, et al., 2004), já que este tem sido associado a resultados positivos na saúde e a respostas mais adaptativas (Folkman, 1999).

Três das características desenvolvidas na adolescência e que têm sido documentadas pela literatura e, que já foram descritas no capítulo anterior, são: o aumento da prática de auto-reflexão e auto-revelação, assim como a maior capacidade para compreender emoções mais complexas (Buhrmester, cit. por Soliday et al., 2004). Características essas que são necessárias no âmbito da escrita expressiva. De acordo com Compras, Campbell, Robinson e Rodriguez (2009, cit. por Bohanek & Fivush, 2010), os 14 anos parece ser a idade crítica a partir da qual, os adolescentes começam a beneficiar da construção da narrativa, pois as crianças abaixo dessa idade parecem ainda não ter as capacidades necessárias para a regulação de emoções nem para a construção de uma história coerente com significado.

34 Tendo em conta estes aspectos, a intervenção da escrita expressiva com esta população parece ser possível. No entanto, poucos estudos foram desenvolvidos até ao momento com a população adolescente.

Os resultados do primeiro estudo de escrita expressiva realizado com adolescentes mostraram uma redução significativa ao nível da ansiedade, não ocorrendo benefícios associados a outras dimensões do funcionamento físico e psicológico, ao contrário do que se tem verificado em investigações com a população adulta (Reynolds, Brewin & Saxton, 2000). No entanto, surgiram críticas a esta investigação, no que diz respeito à especificidade da amostra (pois as alterações desenvolvimentistas ocorrem a um ritmo acelerado), assim como no que diz respeito aos procedimentos metodológicos adoptados.

Num estudo posterior, verificou-se que os jovens que escreveram sobre tópicos emocionalmente significativos sofreram uma redução ao nível do stress, assim como um aumento do humor positivo (Soliday, et al., 2004). Também aumentou o uso de palavras emocionais positivas em 75% do primeiro para o terceiro dia de escrita (Soliday, et al., 2004).

Relativamente aos temas abordados nos registos escritos, os jovens mencionaram sobretudo questões familiares, problemas com os pares e escolares.

Tem-se verificado que à semelhança do que acontece com a população adulta, também a adolescência parece beneficiar a longo prazo com a escrita expressiva. O que parece diferir é que estes também revelam algumas melhorias imediatamente após a intervenção, algo que não acontece nas investigações com adultos, como verificamos anteriormente. Assim, é crucial investigar as narrativas de acontecimentos traumáticos e positivos no bem-estar dos adolescentes para compreender melhor o desenvolvimento deste fenómeno(Bohanek & Fivush, 2010).

O Presente Estudo

Inevitavelmente, na vida somos confrontados com situações positivas e negativas que desencadeiam emoções e a forma como processamos essas experiências, tem consequências a nível do nosso bem-estar (Smyth, 1998). Uma das formas de fazer este processamento é através da escrita, sendo que está demonstrado que escrever sobre um acontecimento emocionalmente significativo está associado a benefícios ao nível da saúde física e mental (Pennebaker & Graybeal, 2001).

Havendo alguma linha de investigação que tem mostrado a eficácia da escrita expressiva em contexto mais negativo, nomeadamente situações de stress e traumáticas (Lyubomirsky, Sousa & Dickerhoof, 2006), o mesmo não se tem verificado para o contexto positivo em que os resultados se têm mostrado contraditórios Wilson & Gilbert, 2003; Sheldon & Lyubomirsky, 2006). Além disso as populações estudadas não têm contemplado, regra geral, a adolescência. Consequentemente o presente estudo procura responder à seguinte questão de partida: A escrita de acontecimentos de vida influência o bem-estar subjectivo de adolescentes dos 15 aos 19 anos?

35 Assim, a presente investigação convida uma amostra de adolescentes a escreverem sobre um momento especial, em que se sentiram orgulhosos de si ou sobre um problema que enfrentaram, com o objetivo de verificar o impacto que a experiência de escrita tem sobre o seu bem-estar subjetivo.

Ao longo desta investigação pretende-se também verificar, quais os tópicos sobre os quais os participantes escrevem e as categorias que surgem nos seus registos escritos. São ainda explorados os hábitos e o “gosto” pela escrita dos participantes e se a tarefa de escrita pedida teve um impacto positivo. Esta investigação é inovadora no sentido em que considera ambos os tipos de acontecimentos (negativos e positivos) numa população em que são escassos os estudos neste domínio. Além disso, introduz uma nova variável, gosto e hábito de escrita, que nunca foi considerada até então.

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