Les propriétés des fonctions membres
99 2 En théorie, on peut dire que la coïncidence de deux points est symétrique, en ce sens
Quadro 9. Caracterização de Camila, mediante dados recolhidos ao longo da
investigação.
Características Padrão
Idade: 44
Nacionalidade: Brasileira
Habilitações: Correspondente ao 12º ano em Portugal
Residência atual: Felgueiras
Estado civil: Separada
Número de filhos: 0
Idade aquando entrada na vida ativa:
19
Idade aquando entrada na prostituição:
40
Causa de entrada na Prostituição:
Necessidade económica
Idade aquando a vinda para Portugal:
36
Situação atual em Portugal: Ilegal (Aguarda Aprovação)
Carreira Contributiva anterior: Sim
Carreira Contributiva atual: Não
Relação Familiar: Forte
Presença de proxeneta: Sim
Dependências: Não
IST ou outro tipo de doenças: Não reveladas
Frequência de serviços de saúde: Sim (mas não de forma regular e em instituições particulares de saúde)
Problemas com a justiça Portuguesa:
Não
61 Camila revela que cresceu numa família estruturada, na qual os dois progenitores se encontravam a trabalhar, a mãe trabalhava na câmara e o pai na construção civil, tem cinco irmãos. Antes de vir para Portugal trabalhava como auxiliar de educação num centro pré-escolar, refere que gostava muito do que fazia. Apresenta carreira contributiva dos anos que trabalhou no Brasil. Veio para Portugal em busca de uma vida melhor e mais estável foi casada em Portugal, no entanto separou-se. Após separação, para conseguir fazer face às despesas resolveu entrar no mundo da prostituição. Demonstra o seu desagrado relativamente à sua ilegalidade no país, uma vez que “sem papéis” não pode “arranjar um trabalho normal”, se não pode arranjar esse emprego não pode ter uma carreira contributiva, logo não pode usufruir de benefícios sociais, tornando-se esta situação cada vez mais volumosa e desconfortável. Confirma que, está associada a um proxeneta e afirma que “toda a mulher que trabalha na rua tem chulo, mesmo que não queira”. Ao falar na sua família, demonstra as saudade e a preocupação que mantém, diz que a família não sabe qual é a sua atual profissão em Portugal, ela diz-lhes que trabalha num café/restaurante, acha qua a família nunca a iria recusar ou discriminar pelo facto de se prostituir, no entanto não lhes conta para evitar o mau estar e preocupação por parte deles. Frisa que, um dia quando voltar ao Brasil quer contar à família qual a profissão que exercia em Portugal. Diz ainda que, alguns amigos que deixou no Brasil sabem que ela está em Portugal a prostituir-se, no entanto, informa que nunca sentiu qualquer tipo de estereotipagem ou preconceito por parte deles. Já em Portugal, Maria sente preconceito todos os dias, seja por parte dos clientes ou por parte de “quem passa na rua, olha nossa forma de vestir, a pele morena, nos associam logo à prostituição, não nos falam”. Afirma que, já incorreu em situações de agressões por parte de clientes, mas quando assim é “tem várias formas de contornar isso, se é um cliente mais violento, nós fazemos com que que ele mude de atitude, se não der, não aceitamos o trabalho”. Vulgariza o papel do proxeneta e diz que eles estão lá “para ganhar o deles, não é por preocupação com as meninas não, tem chulos que até se preocupam, ajudam as meninas, levam alguma coisa para elas quando precisam, mas nem todos são assim” Revela que em criança, sonhava em “me formar, ter uma carreira profissional, ser independente”. Relativamente à questão de expetativas de vida para o futuro, diz que espera para o futuro exatamente o que sonhou em criança, “quero fazer meu mealheiro, voltar para o Brasil, prosseguir meus estudos e trabalhar num trabalho normal ”. Quando confrontada com a questão da atual carreira não contributiva e com
62 as suas implicações, como a ausência do benefício que qualquer tipo de pensão seja em situação de doença ou velhice, Maria demonstra preocupação e fala ansiosamente da aprovação de residência em Portugal, para que possa mudar a sua situação em termos de segurança social e de fiscalidade.
3.2) Carolina
Quadro 10. Caracterização de Carolina, mediante dados recolhidos ao longo
da investigação.
Características Padrão
Idade: 32
Nacionalidade: Portuguesa
Habilitações: 12º Ano
Residência atual: Felgueiras
Estado civil: Solteira
Número de filhos: 1
Idade aquando entrada na vida ativa:
19
Idade aquando entrada na prostituição:
21
Causa de entrada na Prostituição: Necessidade económica e relação familiar instável
Idade aquando a vinda para Portugal:
36
Situação atual em Portugal: Não aplicável
Carreira Contributiva anterior: Sim
Carreira Contributiva atual: Sim
Relação Familiar: Fraca
Presença de proxeneta: Sim
Dependências: Sim (Tabágica)
IST ou outro tipo de doenças: Arritmia Cardíaca e Bronquite Asmática
Frequência de serviços de saúde: Sim (Autoestima e instituições particulares de saúde)
Problemas com a justiça Portuguesa:
Sim
63 Carolina viveu a sua infância num bairro social da zona do Porto, alega que mãe era doméstica e o pai pedopsiquiatra. A mãe faleceu quando ela tinha catorze anos e foi nessa altura que ela saiu de casa, afirma que não conseguia viver com a rigidez e falta de liberdade que o pai lhe imponha. No entanto, hoje reconhece e percebe a atitude do pai, afirmando que: “se calhar o meu pai não queria que eu e as minhas irmãs estivéssemos sujeitas ao que ele e os meus irmãos estavam, ele fez montes de asneiras, mexia com drogas, com armas, apesar do meu pai ter uma situação económica muito boa”. Nessa altura, foi morar para Lisboa, para a casa de uma tia paterna, onde só esteve quinze dias, acusando essa tia de tentativa de escravatura, saiu de casa da tia e foi viver para a rua. Assim viveu durante outros 15 dias e diz que só pensava em arranjar dinheiro para poder encontrar casa. Apesar de o sem-abrigo, que ela entretanto conheceu, partilhar com ela as refeições que lhes eram dadas pela “Sopa dos Pobres”, com fome, entrou dentro de um supermercado e roubou dois pacotes de bolachas, no entanto conta que: “ quando cheguei cá fora, senti-me mal e voltei para dentro, fui lá devolver, a empregada chamou a dona e esse meu ato valeu-me um emprego no supermercado”. Após três meses de trabalho, sem qualquer tipo de remuneração ao longo dos mesmos, a dona do supermercado entregou-lhe um envelope com as remunerações em falta e com o contacto de um casal residente no Porto, para onde Carolina iria trabalhar, como doméstica. Carolina aceitou a proposta, foi trabalhar para o Porto, mas por pouco tempo, saiu de casa desse casal alegando assédio por parte do dono da casa. Foi viver novamente para a rua, onde encontrou aquele que diz ser o seu melhor amigo, um rapaz de etnia cigana que a acolheu em sua casa, mesmo à revelia da sua família, com a exceção do avô, que a Carolina diz ter sido mais do que um pai e um avô para ela. Foi com esta família que ela viveu até concluir o 12º ano, apesar das tentativas fracassadas do pai em tentar leva-la novamente para casa. Apesar da relação controversa que mantinha com o pai, o mesmo ao aperceber-se da vontade que ela tinha em ingressar no ensino superior, propôs-se a custear-lhe as suas despesas durante o tempo de faculdade, mas com a condição de ela ir estudar psicologia criminal, Carolina não aceitou, uma vez que a sua área de eleição era o desporto. Com o 12º ano concluído e sem perspetivas de futuro, uma noite “fui tomar um copo com um amigo a um barzinho e faltou uma streaper, esse amigo propôs-lhe que ela cobrisse essa falta, “ na altura em escudos, eram vinte e cinco contos, por uma hora de dança em cima do balcão, sem ter de me despir”. A necessidade levou-a a que ela repetisse esse ato por várias vezes, até que começou a frequentar “bares e boates onde paravam as mulheres
64 da noite”, afirma, “eu vi-as subir e ganhavam mais do que eu na altura, pensei já que mostro e uso o meu corpo também vou começar a subir”. Aos vinte anos teve o que é por agora o seu único filho, não por descuido com algum cliente, mas com um homem com o qual manteve uma relação, um namoro. Afirma hoje que, o seu filho é o seu maior e melhor amigo, apesar dele não saber que a mãe ganha a vida a prostituir-se, pensa que trabalha num café. O filho vive com os tios paternos, não está regularmente com ele, apenas de mais ou menos de três em três meses. Já teve problemas com a justiça Portuguesa, sendo o mais grave uma tentativa de homicídio a outra mulher, mas alega que “foi em legítima defesa, ou autodefesa, acumulei a raiva um ano depois vi-a e pronto…”. Atualmente não mantém qualquer tipo de contacto com a família, como referiu relativamente a uma possível reaproximação, “ não posso dizer nunca, não sei o dia de amanhã, mas se tudo continuar como agora, só os encontro na hora de pegar a herança”. Revela que, desde que se começou a prostituir já parou várias vezes, esta última vez teve quatro anos sem se prostituir, durante esse período era proprietária de um bar, antes que alguém lhe perguntasse o porquê ela antecipou-se: “Agora vais perguntar-me porque é que eu voltei a esta vida… É que sabes, a prostituição é um vício…num emprego normal eu só recebo o meu salário ao final do mês, e na prostituição eu recebo dinheiro todos os dias”. Afirma ter, nos dias de hoje, uma carreira contributiva. Confrontada com a ideia de uma possível futura saída da prostituição, ela afirma “já não faço mais planos, já fiz tantos e saiu tudo furado, para quê pensar no dia de amanhã? Eu quero é viver o dia de hoje”.
3.3) Jéssica
Quadro 11. Caracterização de Jéssica, mediante dados recolhidos ao longo da
investigação.
Características Padrão
Idade: 39
Nacionalidade: Dupla – Colombiana e Espanhol
Habilitações: Correspondente ao 9º ano em Portugal
Residência atual: Fafe
Estado civil: Solteira
Número de filhos: 3
Idade aquando entrada na vida ativa:
65
Idade aquando entrada na prostituição:
26
Causa de entrada na Prostituição:
Necessidade económica
Idade aquando a vinda para Portugal:
26
Situação atual em Portugal: Legal
Carreira Contributiva anterior: Sim
Carreira Contributiva atual: Sim
Relação Familiar: Forte
Presença de proxeneta: Não
Dependências: Não
IST ou outro tipo de doenças: Sinusite
Frequência de serviços de saúde: Sim (Regularmente no serviço público Espanhol)
Problemas com a justiça Portuguesa:
Não
(elaboração própria)
Jéssica revela ter crescido numa situação familiar favorável, o pai trabalhava numa peixaria e a mãe trabalhava num restaurante, não são conhecidas situações de dependência por parte dos progenitores. Afirma ter tido mais seis irmãos, entretanto um deles já faleceu, quatro dos seus irmãos encontram-se na Colômbia e uma na Itália. Veio para Portugal em busca de uma vida melhor, queria fazer face às despesas para poder ajudar a criar os seus três filhos, dois rapazes um com vinte e três e o outro com dezanove anos e uma menina com dezoito anos. Os seus filhos não têm um pai comum aos três, o primeiro filho é fruto de um relacionamento e os dois filhos mais novos são fruto de outro relacionamento. Tem também duas netas, apenas a filha mais nova se encontra a estudar, em Espanha, onde Jéssica vai de duas em duas semanas, os outros dois filhos estão a trabalhar, um em Itália e um outro na Colômbia. Mantém uma relação familiar forte, alegando falar e acompanhar toda a sua família regularmente. Apesar de alguns dos seus familiares terem conhecimento da sua atual atividade, revela que nunca sofreu qualquer tipo preconceito por parte da sua família, no entanto não pode dizer o mesmo relativamente às pessoas com quem se cruza diariamente. Revela que mantém uma carreira contributiva, em Espanha, pensando e preocupando-se com o futuro, é também em Espanha que trata de todos os seus assuntos de saúde, elogiando a
66 toda a hora os mesmos e dando uma nota negativa relativamente aos serviços de saúde públicos Portugueses. Atualmente não tem qualquer tipo de dependência, nem nenhum tipo de doença sexualmente transmissível, no entanto aponta a influência que a sua atual atividade tem sob os seus problemas de sinusite. Quando confrontada com os riscos que incorre na sua atividade, argumenta: “ eu não corro riscos, só corre riscos a mulher que quer, a saúde está em primeiro lugar, nunca mas nunca, faço um serviço em que não use um preservativo, dão muitos no centro de saúde”. Relativamente a riscos de violência, agressão e roubo afirma que, “o que tiver de ser é, às vezes tenho medo mas sei defender-me sozinha”. Revela ainda “eu não tenho chulo, os chulos só servem para apanhar dinheiro, não me iriam defender porque nem sempre poderiam estar presentes, iriam haver alturas em que ia estar sozinha na mesma, são opções (…) isto agora está muito difícil, (há menos clientes) não dá para tudo ”. Em pequena sonhava em terminar os estudos e ter uma carreira profissional. Atualmente só pensa em regressar à Colômbia, o que não está muito longe de acontecer, diz: “ a minha filha vai entrar para a faculdade no próximo ano na Colômbia, vou aproveitar e deixar esta vida, graças a Deus já fiz um bom mealheiro, posso regressar ao meu país, montar um negócio e continuar uma vida normal”.
3.4) Diana
Quadro 12. Caracterização de Diana, mediante dados recolhidos ao longo da
investigação.
Características Padrão
Idade: 35
Nacionalidade: Brasileira
Habilitações: Correspondente ao 11º ano em Portugal
Residência atual: Guimarães
Estado civil: Divorciada
Número de filhos: 3
Idade aquando entrada na vida ativa:
15
Idade aquando entrada na prostituição:
23
Causa de entrada na Prostituição:
Necessidade económica e fuga do Brasil por episódios de agressão e violência por parte do ex-
67 marido
Idade aquando a vinda para Portugal:
23
Situação atual em Portugal: Legal
Carreira Contributiva anterior: Sim
Carreira Contributiva atual: Sim
Relação Familiar: Forte
Presença de proxeneta: Sim
Dependências: Sim (Tabágica)
IST ou outro tipo de doenças: Não revelado
Frequência de serviços de saúde: Sim (Regularmente no serviço público português e instituições particulares de saúde )
Problemas com a justiça Portuguesa:
Sim
(elaboração própria)
Diana afirma que nasceu numa família estruturada, a mãe trabalhava como gerente num restaurante e o pai era construtor civil, separaram-se entretanto, mas revela que esta situação não a prejudicou de forma alguma, referindo, “os meus pais souberam fazer muito bem as coisas e separaram porque não dava mais”. Tem uma família grande e mostra que tem uma relação muito forte com a mesma, conta com mais três irmãos, fala deles como se não houvesse mais nada em volta. Na entrevista, quando questionada com o que é que a sua família representava para si, apenas ouve uma resposta curta e simples: ”Tudo.” – respondeu emocionada, o silêncio, por instantes, tomou conta da entrevista e os seus olhos ficaram cheios de água, mas sorridentes. Começou a trabalhar com catorze anos como doméstica e enquanto isso continuou a estudar. Casou aos dezassete anos e com o homem com que casou teve três filhos. Depois de casar construiu um salão de cabeleireira, era o seu sonho desde criança. Todavia, confessa que anos depois de se ter casado começou a ser vítima de violência doméstica, alegando este motivo para ter vindo para Portugal. Como ela afirmou: “lá no Brasil não é como em Portugal, lá há muita violência, e é do género, ou és minha ou não és de ninguém” Apesar da vida estável que mantia no Brasil, Diana decidiu vir para Portugal, confessa que quando veio já sabia que vinha para o mundo da prostituição. Depois de alguns anos de prostituição, apaixonou-se por um dos seus clientes. Casou e
68 com isso conseguiu obter a legalidade para ficar em Portugal. Ao fim de cinco anos separaram-se e ela voltou para o mundo da prostituição, no entanto diz que neste último casamento ganhou mais uma família,” a minha ex-sogra, eu amo aquela mulher, eu admiro muito ela, é quase como se fosse a minha mãe aqui em Portugal. Ela sabe perfeitamente o que é que eu estou fazendo agora da minha vida, que voltei para este mundo, mas nunca me julgou. Sempre está lá, perguntando se eu preciso alguma coisa.” Apesar da sua família não saber qual a sua profissão em Portugal, ela demonstra vontade de ficar em Portugal, nesta mesma vida. No entanto, admite que o facto da família não saber qual o seu verdadeiro trabalho em Portugal, por vezes a assusta: “tenho medo que eles fiquem a saber pela pior situação, às vezes penso em contar, mas desisto rapidamente da ideia. Ainda há pouco tempo mataram aqui uma menina11, a família dela não sabia o que ela fazia aqui em Portugal. Agora imagina, o que não é por exemplo, saber que sua filha foi encontrada morta e ainda por cima saber através da comunicação social, qual era realmente a verdadeira vida que ela levava em Portugal. É um choque para família”. Diz que, apenas daqui a muitos anos é que regressará ao Brasil definitivamente, “eu gosto de Portugal, gosto do povo Português e enquanto der eu vou ficar aqui”. Revela que tem uma relação muito forte com os seus filhos, que nunca deixou que eles passassem por dificuldades financeiras, afirma falar com eles dia sim, dia não. Refere ainda que faz por ir ao brasil de dois em dois anos para estar com a família. Afirma ter alguém que a ajuda e orienta em Portugal e mais especificamente no seu trabalho, mas rejeita a ideia de que esta pessoa seja considerada como o seu proxeneta, ou em linguagem mais corrente chulo. “ Chulo não, chulo é uma palavra muito feia, chulo é aquele que pega o dinheiro das meninas e não quer saber delas. Mas eu admito que tenho um amigo que orientou minha vinda para cá e que também me orienta cá em Portugal. Mas isso é normal, eu estou num país que não conheço. É normal que eu pague alguma coisa para ele, para ele me orientar e me proteger durante o trabalho, mas eu vejo ele como uma pessoa amiga.” Elogia Portugal, o português por quem se apaixonou e com quem esteve casada, bem como a
11 No dia 12 de Setembro de 2012, uma trabalhadora sexual com 37 anos e de origem brasileira foi
assassinada perto do local onde se prostituía na fronteira entre Felgueiras e Fafe. Algumas das mulheres entrevistadas eram amigas da vítima.
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Seguranca/interior.aspx?content_id=2764858
69 sua família, família que ela diz ter adotado, apesar da separação, mantem contacto como ex-companheiro e família.
3.5) Tatiana
Quadro 13. Caracterização de Tatiana, mediante dados recolhidos ao longo da
investigação.
Características Padrão
Idade: 34
Nacionalidade: Brasileira
Habilitações: Correspondente ao 9º ano em Portugal
Residência atual: Guimarães
Estado civil: Solteira
Número de filhos: 2
Idade aquando entrada na vida ativa:
19
Idade aquando entrada na prostituição:
19
Causa de entrada na Prostituição:
Necessidade económica
Idade aquando a vinda para Portugal:
20
Situação atual em Portugal: Ilegal
Carreira Contributiva anterior: Não
Carreira Contributiva atual: Não
Relação Familiar: Fraca
Presença de proxeneta: Sim
Dependências: Sim (Tabágica e alcoólica)
IST ou outro tipo de doenças: Não revelado
Frequência de serviços de saúde: Sim (mas não regularmente e quando o faz é em instituições particulares de saúde)
Problemas com a justiça Portuguesa:
Sim
70 Antes de mais será importante referir que aquando da entrevista, Tatiana se encontrava alcoolizada12, hábito que mantinha todos os dias e que foi possível verificar ao longo de todo o trabalho de campo.
Tatiana nasceu numa família monoparental muito pobre, afirma nunca ter conhecido o pai e tem mais duas irmãs. Afirma ter tido uma infância conturbada e rebelde, começou a trabalhar aos 19 anos numa fábrica, no entanto entrou no mundo da prostituição ainda no brasil. Quando fez 20 anos veio para Portugal, aqui teve dois filhos de pais diferentes, o mais velho com oito anos e o mais novo com um ano. Não mantém qualquer tipo de contacto com o filho mais velho e afirmando, “o meu filho mais velho tem um pai muito rico, que conseguiu tirar ele de mim”. Não vê o filho mais novo há cinco meses, e justifica-se dizendo: “eu aqui não ganho rios de dinheiro, se eu estou a viver em Guimarães e ele está em Castelo Branco com o paizinho e a avozinha,